Para Daniel Claudino, medidas em discussão devem ampliar funding, reduzir travas operacionais e melhorar a previsibilidade do sistema
As mudanças previstas na reforma do crédito habitacional podem representar um dos ajustes mais relevantes da última década para o mercado imobiliário brasileiro. Para o especialista em mercado imobiliário Daniel Claudino, a modernização das regras tem potencial para ampliar o acesso ao financiamento, destravar projetos e reduzir assimetrias operacionais entre agentes financeiros.
Segundo Claudino, um dos pontos centrais do debate é a criação de mecanismos que ampliem a base de funding do Sistema Financeiro da Habitação, ampliando a capacidade de concessão de crédito. “O sistema depende de previsibilidade e de fontes mais robustas. Se a reforma realmente ampliar o volume disponível, veremos uma resposta rápida na ponta, especialmente nos segmentos com demanda reprimida”, afirma.
Outro eixo em discussão é a padronização de processos e a redução de travas operacionais que impactam mutuários e incorporadoras. “Há gargalos burocráticos que elevam prazos, custos e riscos. Ajustes regulatórios simples podem melhorar muito a fluidez das operações, especialmente nos financiamentos ligados à produção”, destaca o especialista.
Para Claudino, as medidas podem mudar a dinâmica do crédito para famílias de renda média e apoiar novos ciclos regionais de crescimento. “Quando o financiamento fica mais acessível e previsível, o impacto é imediato na absorção de lançamentos. Cidades com demanda ativa, interiores com força econômica e regiões litorâneas, devem reagir primeiro”, observa.
A possível ampliação de linhas indexadas à renda ou atreladas a parâmetros mais estáveis também é vista como fator de previsibilidade. “Soluções híbridas ou indexadores mais estáveis ajudam mutuários a planejar melhor e reduzem a volatilidade. Isso tende a estimular tanto a tomada de crédito quanto o desenvolvimento de novos empreendimentos”, avalia.
O especialista reforça ainda que a reforma pode criar um ciclo virtuoso que beneficia toda a cadeia. “Se o crédito flui, o mercado responde. Produção, absorção e retomada de projetos caminham juntos. A reforma tem condições de inaugurar um ambiente mais moderno e funcional para financiamento habitacional no país”, conclui Claudino.