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MDHC divulga relatório preliminar de omissões diante das violações de direitos humanos dos povos indígenas

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O extinto Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) ignorou o povo Yanomami e usou suposto combate ao infanticídio para justificar negligência em Roraima

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) divulgou um levantamento inicial das omissões do governo passado, observadas entre os anos de 2019 a 2022. Além de ignorar recomendações internacionais, no âmbito da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o órgão público responsável por combater as violações de direitos humanos agiu com descaso frente a processos encaminhados neste período ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH).

O documento, divulgado nesta segunda-feira (30/01) pelo MDHC, inclui sete processos administrativos de conhecimento da Pasta, tendo sido produzido com base em informações oficiais. Nesta segunda, o levantamento foi encaminhado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, a fim de que os fatos sejam investigados. A iniciativa também implicará na responsabilização de agentes que promoveram ações deliberadas contra a dignidade humana na gestão passada.

A deturpação do uso da máquina pública, utilizada apenas para propagar discursos de ódio, fez com que o governo anterior ignorasse a morte de um Yanomami no dia 9 de abril de 2020, vítima da pandemia de Covid-19. Ao invés de investigar as condições sanitárias e de contaminação dos povos originários, reduziu o problema a uma questão que deveria ser resolvida apenas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e à Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), evidenciando a falta de empatia e sensibilidade com os indígenas.

A promoção de campanhas — no lugar do fortalecimento de políticas públicas de Estado — foi outra tônica apurada. Não era raro observar discursos vazios que em nada contribuíram para a construção da paz e da defesa da dignidade humana. Na ocasião, a titular da pasta preferia, por exemplo, colorir de rosa as delegacias de Atendimento à Mulher para enfrentar o feminicídio, em vez de construir políticas públicas efetivas.

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OMISSÕES CRIMINOSAS — Em 2020, a CIDH demonstrava preocupação frente às invasões do território do povo Yanomami por garimpeiros, nos estados de Roraima e Amazonas. Em resposta, além de demonstrar falta de atuação na temática, apresentou à instância internacional um parecer positivo sobre o Projeto de Lei nº 191/2020: a peça propunha a legalização do garimpo na região. À época, a Pasta pormenorizou denúncias de violações de direitos humanos causadas pelos garimpeiros na comunidade Yanomami, reduzindo o debate a oposições políticas.

Ainda no âmbito da CIDH, o Poder Executivo ignorou a Medida Cautelar 563-20. Além de transferir responsabilidades a outros órgãos do Governo Federal, absteve-se de participar de audiência naquele período.

A promoção da pandemia de Covid-19 pelo ex-presidente da República é de conhecimento de todos. Neste sentido, o órgão responsável por cuidar dos direitos humanos no Governo Federal não agiu de modo diferente. Ao contrário, cooperou, a partir da transversalidade, para ignorar pedidos de assistência ao território indígena de Roraima. Em vez de promover uma ação articulada em defesa da vida, agiu com descaso e ausência de medidas em proteção aos povos indígenas.

O relatório preliminar também aponta sugestão de veto à obrigação do fornecimento de água e equipamentos básicos às comunidades Yanomami durante a pandemia e a ausência de planejamento assistencial em favor de crianças e adolescentes indígenas no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes.

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Entre os processos levantados pelo MDHC constam, ainda, negativa de assistência humanitária ao governador do Estado de Roraima e a suspensão de policiamento ostensivo em favor do indígena Davi Kopenawa, integrante do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos da pasta, expondo-o a atentado em novembro de 2022.

DEFESA DA MORTE — Se por um lado, o discurso era “defesa da vida”; por outro, na prática, o que se via era total descaso com ela. Entre 2019 e 2022, gestores públicos estiveram por cinco vezes no estado de Roraima. Entretanto, em nenhuma dessas missões foram apresentadas tratativas contra o garimpo ilegal, a segurança alimentar do povo indígena que vive naquela região ou qualquer outra ação em defesa dos direitos humanos. Nenhuma visita foi feita ao território Yanomami, mesmo diante de denúncias e recomendações em prol da dignidade humana dos povos originários.

Ainda em 2020, o governo passado ignorou pedido do movimento Coalizão Brasil Clima, Floresta e Agricultura para implementação do Plano Emergencial para Enfrentamento à Covid-19 nos territórios indígenas.

Já em 2021, o antigo MMFDH, diante de uma Ação Civil Pública destinada ao fornecimento de alimentação adequada e saudável aos pacientes em tratamento médico e acompanhamento nutricional em comunidades Yanomami, preferiu, novamente, terceirizar a responsabilidade a outros órgãos do governo.

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Com novas regras do MEC, eletivas ganham papel central na formação do Ensino Médio a partir de 2026

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As escolas terão que oferecer ao menos dois itinerários formativos a partir do próximo ano. Mais do que uma exigência legal, as disciplinas eletivas representam uma mudança de paradigma: dão aos jovens liberdade para escolher, experimentar e construir o próprio futuro

A partir de 2026, todas as escolas brasileiras de Ensino Médio deverão oferecer pelo menos dois itinerários formativos, além das disciplinas obrigatórias, seguindo as orientações divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Conselho Nacional de Educação. As novas diretrizes reforçam a importância das disciplinas eletivas, que permitem aos alunos aprofundar conhecimentos em áreas de interesse e vivenciar aprendizados conectados ao mundo real.

De acordo com o MEC, a parte flexível do currículo deve contemplar elementos de matemática e suas tecnologias; linguagens e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicadas; e formação técnica e profissional. A proposta é dar mais sentido à escola, unindo teoria e prática e promovendo o protagonismo dos estudantes em sua própria jornada de aprendizagem.

Para o coordenador pedagógico do Ensino Médio da Heavenly International School, Marcos Morris, essa mudança representa um avanço na educação brasileira. “Quando falamos de disciplinas eletivas e itinerários formativos no Ensino Médio, estamos basicamente falando de oferecer aos estudantes oportunidades para se aprofundarem em temas que eles mesmos escolhem. As eletivas e itinerários precisam ser vistos como construção de identidade acadêmica e profissional, como se fossem um laboratório de vida real”, explica.

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Segundo ele, permitir que os jovens façam escolhas conscientes sobre o que estudar desperta autonomia, responsabilidade e visão de futuro. “Com a obrigatoriedade, as escolas terão que estruturar trilhas de verdade, não apenas disciplinas extras. É a oportunidade de atender às demandas dessa geração, que não aprende mais como nós aprendemos. Quando oferecemos eletivas bem planejadas, desenvolvemos pensamento crítico, comunicação, liderança, gestão de projetos e outras soft skills fundamentais para o mercado de trabalho”, destaca Morris.

Na Heavenly International School, essa filosofia já é realidade. A instituição oferece trilhas e eletivas que refletem o mundo real, como Empreendedorismo, Inteligência Artificial, Fotografia, Simulações Modelo ONU, Gastronomia e Escola de Negócios. O objetivo é unir uma base acadêmica sólida à liberdade de escolha, equilibrando tradição e inovação. “Trabalhamos com personalização com responsabilidade, buscando equilibrar o tradicional, ou seja, base estruturada e exigência acadêmica, com a liberdade de escolhas”, completa o coordenador.

Os resultados aparecem no engajamento e na maturidade dos alunos. É o caso de José Antônio Nóbrega e Raphael Branco Salles, estudantes da 3ª série do Ensino Médio e integrantes da eletiva Escola de Negócios. Juntos, eles criaram a Beyond, uma empresa idealizada e gerida pelos próprios estudantes, com o objetivo de aproximar o ambiente escolar do mercado. “Aqui a gente aprende na prática como desenvolver um plano de negócio, um plano de ação, entender riscos e propor soluções reais”, explica José Antônio.

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A experiência prática também transformou a forma como os alunos percebem o próprio aprendizado. Para Raphael, a diferença é clara quando compara a vivência atual com modelos mais tradicionais de ensino: “Em muitas escolas tradicionais a gente só faz prova, decora o conteúdo e depois esquece. Aqui é diferente: os professores são próximos e a escola funciona como uma verdadeira rede de apoio.”

Serviço: 

Unidade Kinder Lago Sul
SHIS QI 19 chácara 18, Brasília – DF – 71.655-730

Unidade High Lago Sul
SHIS QI 17/19 S/N – Lote Seminário, Brasília – DF – 71.645-600

Unidade Asa Norte
SGAN 606 módulo A – Asa Norte, Brasília – DF, 70.830-251

Contato:
Telefone: (61) 3366-2820

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