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Cultura

Entre livros, ética e superação: a trajetória inspiradora de Marcos Linhares no podcast “Entre Livros e Risos”

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O podcast “Entre Livros e Risos”  Programa da EgNews em parceria com o Radar Digital Brasília do último dia 27 deste mês, recebeu, em uma entrevista profunda e inspiradora, o jornalista, escritor e professor Marcos Linhares. Em um bate-papo marcado por reflexões, memórias e posicionamentos firmes, o convidado compartilhou sua trajetória de vida e carreira, revelando os caminhos que o levaram à comunicação e à literatura.

Natural de São Luís, Marcos Linhares relembrou uma infância marcada por dificuldades familiares e desafios emocionais. Criado em um ambiente conturbado, encontrou nos livros e na televisão não apenas entretenimento, mas um verdadeiro refúgio.

Sob os cuidados da chamada “mãe Isabel”, permaneceu protegido em casa, onde começou a desenvolver uma relação intensa com a leitura — que mais tarde se tornaria essencial em sua formação pessoal e profissional.

O primeiro contato com a literatura aconteceu ainda na escola, quando professores apresentaram autores como Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto.

A partir daí, a escrita floresceu cedo: Marcos começou a produzir poemas ainda criança e, antes mesmo dos 15 anos, já havia publicado seu primeiro livro de poesia — um marco que evidencia sua vocação literária desde cedo.

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Apesar da forte ligação com a escrita, Marcos resistiu inicialmente ao jornalismo, influenciado por uma relação complexa com o pai, que já apontava sua aptidão para a área.

Após experiências em cursos como Direito e Turismo, foi em um estúdio de rádio que tudo mudou. O contato direto com a comunicação despertou uma paixão definitiva, levando-o a reconhecer sua verdadeira vocação.

Durante a entrevista, Marcos também compartilhou experiências internacionais, especialmente sua passagem pela China, onde visitou universidades e observou o forte investimento na formação de professores.

Ele destacou o contraste com o Brasil, chamando atenção para a valorização da educação no país asiático e o interesse dos chineses em aprender português para negociações globais — um reflexo direto da importância estratégica do conhecimento.

Um dos momentos mais marcantes da conversa foi a defesa firme da ética no jornalismo. Marcos relembrou uma situação em que se recusou a reproduzir acusações sem provas durante uma cobertura esportiva .

Para ele, o compromisso do jornalista deve estar sempre baseado em fatos, e não em narrativas ou pressões externas.

A discussão também avançou para temas contemporâneos, como fake news e pós-verdade, alertando para os riscos da desinformação e da construção de versões manipuladas da realidade.

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Como escritor, Marcos revelou seu processo criativo rigoroso, marcado por revisões constantes e busca pela excelência textual. Ele também comentou sobre os desafios de escrever poesia, literatura infantil e biografias.

Atualmente, trabalha na finalização de uma obra que celebra os 50 anos da farmacotécnica, além de refletir sobre os critérios que fazem um livro se destacar em concursos literários — destacando a importância de conquistar o leitor logo nas primeiras páginas.

A entrevista com Marcos Linhares no podcast “Entre Livros e Risos” vai além de uma simples conversa: é um mergulho em temas fundamentais como educação, ética, literatura e o papel do jornalismo na sociedade contemporânea.

Entre memórias pessoais e posicionamentos críticos, o episódio se consolida como um conteúdo relevante para estudantes, profissionais da comunicação e todos aqueles que acreditam no poder transformador da palavra.

O episódio completo está disponível no podcast Entre Livros e Risos, trazendo uma conversa sensível, provocadora e profundamente humana.

 

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ENTRE LIVROS E RISOS

Depois do papel: Leandro Mazzini analisa a transformação do jornalismo na era digital

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Em entrevista ao podcast Entre Livros e Risos, jornalista e autor fala sobre o desaparecimento gradual dos impressos, a corrida pela informação, inteligência artificial, fake news e o desafio de financiar um jornalismo que continue sendo confiável

O papel ainda está sobre a mesa, mas o jornalismo já não cabe mais nele.

A transformação que começou com a chegada da internet mudou não apenas a maneira de distribuir notícias. Mudou o leitor, acelerou a apuração, alterou modelos de negócio, colocou jornalistas profissionais disputando atenção com milhões de produtores de conteúdo e trouxe para as redações uma nova personagem: a inteligência artificial.

Foi sobre esse cenário  e sobre o que ainda pode vir pela frente  que o jornalista e escritor Leandro Mazzini, autor do livro Depois do Papel, conversou com o Radar Digital Brasília, no podcast Entre Livros e Risos.

A entrevista percorre passado, presente e futuro de uma profissão que talvez esteja vivendo uma de suas maiores transformações desde o surgimento dos grandes meios de comunicação.

O papel começa a deixar de ser protagonista

Para Mazzini, o desaparecimento dos jornais impressos é uma tendência gradual. Em sua análise, o papel ainda permanecerá por algum tempo, mas deverá perder cada vez mais espaço nos próximos 10 a 15 anos.

E a mudança não acontece apenas porque o leitor descobriu a tela.

Há uma equação econômica, ambiental e logística por trás dela. Produzir um jornal significa comprar papel, imprimir milhares de exemplares, transportá-los e distribuí-los diariamente, uma estrutura pesada diante de uma notícia que pode atravessar o mundo em segundos por um telefone celular.

Nesse processo de transição, publicações tradicionais procuram alternativas. Formatos menores, redução da periodicidade e concentração das edições impressas em determinados dias da semana estão entre os caminhos adotados enquanto o consumo migra para o ambiente digital.

O que durante décadas pareceu indissociável , jornalismo e papel deixou de ser.

O jornalismo permaneceu. O suporte mudou.

Uma geração que talvez nunca tenha aberto um jornal

A transformação também está do outro lado da notícia.

Existe hoje uma geração de leitores que cresceu sem o hábito de comprar jornal em banca ou esperar a edição do dia seguinte para saber o que aconteceu.

A informação chega pelo celular. E muitas vezes não chega pela página inicial de um veículo jornalístico. Chega pelo Instagram, TikTok, YouTube, mecanismos de busca, aplicativos de mensagens ou por aquilo que um algoritmo decidiu colocar diante daquele usuário.

Essa mudança criou um desafio adicional para os veículos tradicionais: como chegar a um leitor que não procura mais necessariamente pelo jornal?

Durante a conversa, Mazzini chama atenção para a importância da formação de leitores críticos, inclusive desde a escola. Em um ambiente no qual uma notícia profissional, uma opinião, uma publicidade e uma informação falsa podem aparecer na mesma tela e com aparência semelhante, reconhecer a origem do conteúdo tornou-se parte da própria alfabetização contemporânea.

Quando dias de apuração viraram minutos

Talvez uma das mudanças mais duras para o jornalismo esteja no relógio.

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No modelo tradicional, havia uma rotina marcada pelo fechamento da edição. O repórter podia passar horas,  às vezes dias, investigando, telefonando para fontes, confrontando versões e preparando o texto antes da publicação. A internet eliminou o fechamento. Agora, o jornal está permanentemente aberto.

A notícia acontece e a cobrança pela publicação é praticamente imediata. Além disso, o jornalista não disputa mais a informação apenas com outro jornalista. Uma pessoa presente em determinado acontecimento pode filmar, fotografar e publicar aquilo que está vendo antes mesmo de uma equipe de reportagem chegar ao local. A velocidade democratizou a comunicação, mas trouxe uma pergunta incômoda:

quem verifica antes de publicar?

A pressão para chegar primeiro pode entrar em conflito com um dos fundamentos mais importantes da profissão: a apuração.

E essa corrida não afeta somente quem produz. Também modificou quem lê. Textos mais curtos, vídeos de poucos segundos e manchetes consumidas sem a leitura integral da reportagem criam o risco de uma sociedade muito informada em quantidade e pouco informada em profundidade.

O algoritmo virou uma espécie de editor invisível

Outro ponto abordado na entrevista é o poder adquirido pelas plataformas digitais.

Durante muito tempo, editores e jornalistas escolhiam quais assuntos ocupariam a primeira página e qual seria a hierarquia das notícias. No ambiente digital, parte dessa decisão passou para os algoritmos.

São eles que ajudam a determinar quais conteúdos aparecem para cada usuário, a partir de interesses, comportamentos e interações anteriores. Duas pessoas podem abrir a mesma rede social no mesmo minuto e encontrar mundos informativos completamente diferentes.

Esse fenômeno aumenta a responsabilidade do leitor e reforça a necessidade de educação midiática.

Nesse cenário, Mazzini destaca que veículos tradicionais ainda carregam um patrimônio importante: credibilidade construída ao longo do tempo.

Mas história, sozinha, não garante o futuro.

Quem vai pagar pelo jornalismo?

Talvez a pergunta mais difícil da entrevista não seja tecnológica.

É financeira.

Se o leitor migrou para o digital e grande parte do conteúdo passou a ser consumida gratuitamente, como sustentar estruturas capazes de manter repórteres, editores, fotógrafos, correspondentes e investigações demoradas?

Para Mazzini, encontrar modelos sustentáveis de financiamento está entre os maiores desafios da imprensa contemporânea. Porque jornalismo custa dinheiro.

Uma reportagem de qualidade exige profissionais, tempo, deslocamento, equipamentos, tecnologia, edição e estrutura. Quando faltam recursos, reduz-se a capacidade de manter equipes experientes e realizar trabalhos que demandam investigação prolongada.

E surge um paradoxo: nunca tivemos acesso a tanta informação e, ao mesmo tempo, financiar quem produz informação jornalística de qualidade tornou-se um problema mundial.

É nesse ambiente que publicidade, assinaturas digitais, conteúdo patrocinado, projetos especiais, eventos e outras fontes de receita passam a fazer parte da busca por novos modelos de negócio.

Mas há uma linha que não pode desaparecer nessa busca: a separação clara entre interesse comercial e independência editorial.

Sem ela, o problema financeiro pode se transformar em um problema de credibilidade.

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Inteligência artificial entra na redação

E então chegamos a uma transformação que ainda está apenas começando.

A inteligência artificial já participa da produção de conteúdo e provoca discussões dentro das redações.

Na entrevista, Mazzini compara a IA a uma espécie de “montadora de quebra-cabeças”, capaz de trabalhar a partir de um enorme conjunto de informações produzidas anteriormente por seres humanos.

O avanço dessas ferramentas abre possibilidades para pesquisa, organização de informações, tratamento de dados e automatização de tarefas. Mas também levanta questões profissionais e éticas.

Mazzini cita situações em que ferramentas tecnológicas já passaram a ocupar espaços anteriormente reservados a fotógrafos, ilustradores e chargistas.

Surge, então, outra pergunta:

o leitor tem o direito de saber quando aquilo que está consumindo foi produzido ou modificado por inteligência artificial?

A transparência sobre o uso dessas ferramentas tende a se tornar uma das discussões centrais do jornalismo nos próximos anos.

E existe uma diferença que não pode ser esquecida: tecnologia pode organizar informações em enorme velocidade, mas jornalismo envolve também contexto, responsabilidade, escolha editorial, apuração e compromisso com aquilo que é publicado.

Fake news: tecnologia sem responsabilidade

A mesma revolução que permitiu distribuir informação para bilhões de pessoas também tornou possível distribuir desinformação na mesma velocidade.

E agora, com ferramentas capazes de produzir textos, vozes, fotografias e vídeos cada vez mais convincentes, identificar aquilo que é verdadeiro pode se tornar ainda mais complexo.

Por isso, a discussão sobre fake news atravessa vários momentos da conversa.

O problema já não é apenas saber quem consegue publicar.

Praticamente todos conseguem.

O desafio passa a ser descobrir em quem confiar.

Nesse ambiente, a credibilidade talvez volte a ser um dos ativos mais valiosos do jornalismo.

Depois do papel, ainda haverá jornalismo?

O título do livro de Leandro Mazzini acaba funcionando como uma pergunta maior.

Depois do Papel não fala simplesmente sobre o desaparecimento de um suporte físico. Fala sobre o que acontece com uma profissão quando quase todas as regras que organizaram seu funcionamento durante décadas começam a mudar simultaneamente.

O papel pode diminuir.

As bancas podem desaparecer.

O celular certamente continuará ocupando espaços que antes pertenciam ao jornal, ao rádio e à televisão.

A inteligência artificial deverá assumir novas funções.

Os modelos de financiamento ainda terão de ser reinventados.

Mas permanece uma necessidade que nenhuma tecnologia eliminou: a sociedade precisa saber o que está acontecendo.

E, talvez, esteja justamente aí a diferença entre informação e jornalismo.

Informação existe em abundância.

O jornalismo precisa apurar, confrontar, contextualizar e assumir responsabilidade pelo que publica.

Depois do papel, portanto, talvez a pergunta não seja se o jornalismo sobreviverá.

A pergunta mais importante é:

que jornalismo queremos que sobreviva?


ENTRE LIVROS E RISOS | RADAR DIGITAL BRASÍLIA

A entrevista completa com Leandro Mazzini, autor de Depois do Papel, está disponível no podcast Entre Livros e Risos, do Radar Digital Brasília.

Apresentação: Silvana Scórsin.

 

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