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Autenticidade e estratégia: o que realmente faz os influenciadores venderem na Black Friday

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Por Igor Beltrão, Co-Fundador e Diretor Artístico

Nos últimos anos, a Black Friday deixou de ser apenas uma data promocional e se transformou em um dos principais motores da economia brasileira. Estimativas da Abiacom apontam que as vendas digitais devem atingir R$ 13,34 bilhões nesta edição, um salto de 14,74% em relação a 2024, refletindo o crescimento contínuo do comércio online no país.

Com campanhas planejadas com meses de antecedência e consumidores cada vez mais atentos, as marcas enfrentam o grande desafio de se destacar em meio a um mar de promoções e mensagens publicitárias. E é nesse contexto que o marketing de influência se torna uma das ferramentas mais poderosas, desde que utilizado com estratégia e autenticidade.

Segundo a EY-Parthenon, 54% dos brasileiros seguem influenciadores digitais (acima da média global de 45%), e 61% afirmam ter suas decisões de compra influenciadas por esses criadores. A conexão entre influenciador e público não é apenas um canal de visibilidade; é uma relação de confiança.

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A experiência mostra que campanhas com roteiros forçados e discursos publicitários excessivos já não funcionam. O consumidor digital identifica facilmente quando há exagero e se afasta. O que gera resultado é a integração natural do produto ao cotidiano do criador, transformando o consumo em uma extensão da sua vida real.

Um bom exemplo disso é o do empresário e criador de conteúdo Victor Goes, pernambucano e líder do Clube da Influência, voltado ao desenvolvimento financeiro e empreendedorismo. Com mais de 3 milhões de inscritos no YouTube e 1 milhão de seguidores no Instagram, ele construiu autoridade e identificação ao compartilhar sua rotina de forma autêntica, inclusive explorando o relacionamento com a influenciadora Taynara Cabral como parte natural de seu conteúdo. Essa humanização faz com que o público perceba o influenciador como alguém de verdade, com quem se identifica, e não apenas como uma vitrine de produtos.

Outro caso emblemático é o da Leuriscleia, personagem criada pelo artista piauiense Gutierrez Castro, que soma mais de 7 milhões de seguidores nas redes sociais. Com humor e espontaneidade, ela inclui produtos em seus vídeos e quadros, como o “Café com Leuris”, de forma orgânica e divertida. Esse tipo de inserção não interrompe o entretenimento, faz parte dele.

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Esses exemplos reforçam que autenticidade, narrativa e contexto são os pilares de uma campanha de sucesso. As ações mais eficazes não são as que gritam “compre agora”, mas as que conectam o produto a uma história real, a um comportamento, a um estilo de vida.

Durante a Black Friday, o consumidor já está pronto para comprar,  o que falta é confiança para decidir onde. E é aí que entra o papel do influenciador: ser a ponte entre o desejo e a decisão.

A verdade é simples, mas poderosa: o público compra de quem confia, e a confiança nasce da autenticidade. Por isso, mais do que seguir tendências passageiras ou repassar roteiros prontos, o influenciador que se comunica de forma verdadeira continuará sendo o elo mais forte entre marcas e pessoas.

 

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A Arte de Viralizar

Do “alcance alugado” à Propriedade Intelectual: a nova governança da Creator Economy

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A economia criativa atravessa uma crise de identidade. Enquanto a IA mimetiza fórmulas de engajamento, o diferencial competitivo migra da vitrine para a infraestrutura de negócios. O jogo estratégico agora é sobre quem detém autenticidade radical.
Tenho observado que o marketing de influência atravessa, em 2026, sua mais severa crise de identidade. Após uma década de crescimento pautado em métricas de vaidade e alcance massivo, o setor esbarra em um teto estrutural: a comoditização do conteúdo.
Com a Inteligência Artificial (IA) generativa replicando fórmulas de engajamento e edições dinâmicas em escala industrial, o diferencial competitivo deslocou-se. O risco para marcas e líderes é claro: sem uma visão estratégica de longo prazo, o criador de conteúdo vira apenas uma commodity substituível por algoritmos.
Este cenário, que dominou as discussões de inovação no SXSW 2026, sinaliza uma mudança de paradigma urgente. O criador de conteúdo como simples “vitrine” faliu. Em seu lugar, emerge o criador como infraestrutura de negócios e detentor de Propriedade Intelectual (IP).
A armadilha da audiência alugada
A urgência dessa transição é validada por um afunilamento do capital. Enquanto a Goldman Sachs Research projeta que a economia criativa movimentará US$ 480 bilhões até 2027, o valor real está migrando da “audiência alugada”, aquela que pertence exclusivamente às plataformas e seus algoritmos, para a autonomia da narrativa.
A IA já sentou à mesa da criação e ela é infinitamente mais eficiente na execução técnica. Se uma marca ou um criador se limita a seguir padrões de algoritmo, está competindo com uma máquina de custo zero.
É aqui que entra o conceito do Humano Premium. O que o código ainda não mimetiza é o repertório cultural, o erro autêntico, a opinião ácida e o contexto histórico. Onde a IA entrega perfeição técnica, o humano entrega conexão emocional. Na nova economia, o “perfeito” virou commodity; o “real” virou o novo luxo.
De fãs para comunidades: o ROI da relevância
Essa mudança de tom reflete a saturação do modelo de interrupção. Dados do relatório State of the Creator Economy indicam que a sustentabilidade financeira migrou para modelos de comunidades proprietárias, com canais de monetização direta.
Para a gestão de marcas, isso significa que o alcance abre a porta, mas é a relevância que a mantém aberta. O criador deixou de ser apenas um canal de mídia para virar uma camada logística de negócios. O desafio para os CMOs e CEOs é parar de comprar “espaço em posts” e começar a investir na co-criação de universos narrativos que sobrevivam às mudanças de humor das Big Techs.
O playbook da liderança na era da pós-automação
Para líderes e gestores que buscam governar a influência em 2026, a estratégia exige quatro pilares fundamentais:
1. Abandono das fórmulas rígidas: Conteúdos com excesso de zelo estético ou roteiros engessados são lidos pelo público como ruído. A imperfeição intencional e o improviso real são os novos drivers de confiança e conversão.
2. Construção de IP Coletivo: A marca e o criador devem co-criar ativos proprietários. Quem não for dono da própria narrativa será refém eterno das mudanças discricionárias das plataformas.
3. Valorização do ócio criativo: A ciência da criatividade prova que a “produtividade tóxica” destrói a inovação. Criadores e estrategistas precisam de tempo de desconexão para gerar insights complexos que a IA ainda não processa.
4. Creator as a Founder: O influenciador de sucesso deve ser gerido sob a lógica de uma startup. Ele deve deter seus próprios produtos e, principalmente, a governança sobre seus dados.
Vencer na economia criativa atual não é mais sobre quem posta mais, mas sobre quem consegue transformar visão em linguagem e audiência em um ativo de valor sustentável. A pergunta para o líder de hoje não é quanto alcance ele pode comprar, mas quanto valor real sua narrativa consegue reter.

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Igor Beltrão
Diretor Artístico da Viraliza Entretenimento, especialista em estratégia de conteúdo e novos modelos de monetização na economia da influência. Com olhar focado na intersecção entre criatividade e governança de dados, lidera a transformação de audiências passivas em ativos proprietários de alto valor.

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