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Conseleite cobra ação do governo contra avanço das importações de lácteos e alerta para crise no setor leiteiro

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O avanço das importações de lácteos no Brasil voltou a acender o alerta no setor leiteiro nacional. O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite) encaminhou nesta terça-feira (12) um ofício ao governo federal cobrando medidas emergenciais de apoio à cadeia produtiva do leite e maior diálogo com produtores, cooperativas e indústrias.

O documento foi direcionado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Setor leiteiro pressiona governo por medidas contra importações

Segundo o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, o principal foco de preocupação é o crescimento constante das importações de leite em pó, queijo e derivados vindos principalmente da Argentina e do Uruguai.

De acordo com a entidade, os produtos importados chegam ao mercado brasileiro com preços abaixo do custo médio de produção nacional, ampliando a pressão sobre produtores e indústrias brasileiras.

“Precisamos de uma política clara que permita igualdade de condições para competir com os produtores do Uruguai e da Argentina”, afirmou Prestes.

O setor defende ações voltadas à redução dos custos de produção, apoio sanitário aos rebanhos e criação de mecanismos que ampliem a competitividade da cadeia leiteira nacional.

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Importação de leite preocupa produtores brasileiros

Conforme dados apresentados pelo Conseleite, entre janeiro e abril de 2026 o Brasil importou aproximadamente:

  • 65 mil toneladas de leite em pó
  • 18,2 mil toneladas de queijo

O volume equivale a cerca de 709 milhões de litros de leite, representando aproximadamente 11 dias da produção nacional. No caso do Rio Grande do Sul, o montante corresponde a cerca de 60 dias de produção estadual.

O avanço das importações ocorre em um momento de forte pressão econômica sobre a atividade leiteira, especialmente entre pequenos produtores e agricultores familiares.

Conseleite alerta para fechamento de propriedades rurais

O Conseleite argumenta que a falta de políticas efetivas para conter o desequilíbrio concorrencial vem acelerando a redução do número de produtores de leite no país.

Segundo Prestes, dados do IBGE e da ASCAR/Emater-RS mostram crescimento no fechamento de propriedades rurais e diminuição da atividade leiteira em diversas regiões produtoras.

“O Estado brasileiro assiste de braços cruzados à redução no número de produtores e ao fechamento de propriedades. Até agora, nenhuma das políticas anunciadas foi realmente eficaz para enfrentar esse problema”, criticou.

O dirigente também defendeu a discussão de mecanismos de salvaguarda comercial para limitar os impactos da entrada de produtos importados no mercado brasileiro.

“Enquanto não enfrentarmos a raiz do problema, que é a entrada crescente de leite importado, continuaremos convivendo com uma crise permanente no setor”, afirmou.

Diferenças regulatórias ampliam perda de competitividade

Outro ponto destacado pelo Conseleite envolve as diferenças sanitárias, ambientais, tributárias e regulatórias entre Brasil, Argentina e Uruguai.

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Segundo o conselho, essas diferenças criam um ambiente de competição desigual, favorecendo os países vizinhos na disputa pelo mercado brasileiro.

“O produtor nacional acaba arcando com custos maiores e exigências mais rigorosas, enquanto compete com produtos vindos de países que operam sob regras diferentes”, ressalta o documento.

Brasil segue entre os maiores produtores de leite do mundo

Apesar das dificuldades enfrentadas pela cadeia produtiva, o Brasil permanece entre os maiores produtores de leite do planeta, com produção anual próxima de 35 bilhões de litros.

Segundo dados do IBGE e da Embrapa, a atividade leiteira está presente em mais de um milhão de propriedades rurais brasileiras, sendo uma das principais atividades da agricultura familiar no país.

O setor, no entanto, teme que o avanço das importações e a falta de políticas estruturais possam comprometer a sustentabilidade econômica da produção nacional nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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