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Tecnologia genética revoluciona produção de carne marmorizada no Brasil

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Mapeamento genético promete transformar a pecuária de corte

A empresa Earth Biome, integrante do Grupo Eva, está conduzindo um projeto inovador de sequenciamento genético em bovinos com o objetivo de melhorar a qualidade da carne produzida no Brasil. Com sede em São Paulo, a companhia utiliza tecnologias de ponta para identificar genes ligados ao marmoreio — característica que confere maciez, sabor e valorização comercial à carne bovina.

O trabalho, avaliado em R$ 2,5 milhões, começou com a coleta de amostras de 300 bois da Agro Maripá, tradicional criadora de gado Nelore com fazendas em São Paulo e Mato Grosso. A empresa possui um plantel de 20 mil animais e mais de cinco décadas de atuação em melhoramento genético.

Segundo a CEO e cofundadora da Earth Biome, Carolina Barbosa, o projeto tem potencial para aumentar em até 25% o marmoreio da carne, sem o uso de hormônios ou aditivos químicos. “Com base no estudo genômico, podemos orientar o criador a selecionar apenas os animais com o perfil genético ideal, aprimorando o rebanho de forma rápida e precisa”, explica.

Entenda o que é a carne marmorizada e por que ela é tão valorizada

A carne marmorizada é reconhecida por suas finas camadas de gordura entremeadas às fibras musculares, o que garante suculência e sabor diferenciados. Essa característica é resultado direto da genética animal e pode ser intensificada por cruzamentos planejados.

De acordo com Carolina Barbosa, 36 genes influenciam o marmoreio, sendo 16 deles recessivos — o que significa que, quando estão presentes tanto no touro quanto na vaca, a descendência herda o mesmo padrão de gordura intramuscular.

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Sequenciamento genético integral garante mais precisão

Antes da Earth Biome, os testes genéticos realizados no país analisavam apenas alguns polimorfismos (SNPs) dentro do genoma dos bovinos, o que limitava a precisão das análises a cerca de 36% de confiabilidade.

O cientista de aplicação Gil Monteiro explica que a metodologia da empresa é inédita no agronegócio brasileiro por sequenciar o genoma completo dos animais, mapeando todos os 3 bilhões de nucleotídeos do DNA.

“Essa abordagem permite identificar diferenças únicas no DNA de cada boi e associá-las diretamente a características de interesse, como o marmoreio, com índice de confiança superior a 80%”, detalha Monteiro.

A técnica utiliza modelos estatísticos avançados, como o score poligênico, que oferece uma leitura ampla e precisa da composição genética dos animais, superando as limitações dos métodos tradicionais.

Do “olhômetro” à precisão científica no melhoramento do rebanho

Historicamente, o aprimoramento genético na pecuária brasileira tem sido conduzido com base em avaliações visuais e empíricas dos criadores — o chamado “olhômetro”. O processo pode levar anos até apresentar resultados consistentes.

Com o novo mapeamento genético, essa realidade deve mudar. O veterinário Luis Pereira Lima, diretor de Agronegócio da Agro Maripá, destaca que o método atual de genotipagem da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) atinge apenas 30% de precisão nas DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie).

“Com o sequenciamento da Earth Biome, esperamos alcançar até 80% de acurácia, o que representa uma verdadeira revolução no melhoramento da raça Nelore”, afirma.

Lima ressalta ainda que o estudo começa pelo marmoreio devido à ampla base de dados já disponível — 11 mil fenótipos mapeados — e ao alto grau de parentesco entre os animais analisados.

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Fatores ambientais também influenciam o marmoreio

Embora a genética seja fundamental, o veterinário lembra que as condições ambientais e nutricionais desempenham papel decisivo nos resultados.

“O marmoreio depende tanto da herança genética quanto da alimentação. Se o manejo nutricional não for adequado, o potencial genético não se manifesta. Por outro lado, de nada adianta oferecer a dieta ideal se o animal não possuir os genes necessários”, explica.

Redução de custos e maior rendimento para o produtor

Para o fundador e CEO da Agro Maripá, Marcelo Baptista de Oliveira, o investimento em biotecnologia representa um salto de eficiência e economia. Ele acredita que a nova metodologia reduzirá significativamente os custos operacionais nas fazendas.

“Com essa precisão genética, precisaremos de menos pesagens e controles de rotina. Além disso, o ganho de qualidade nas carcaças será rápido, resultando em carnes mais valorizadas e com melhor marmoreio”, afirma Oliveira.

Segundo ele, a expectativa é substituir o processo de tentativa e erro por um modelo científico de alta confiabilidade, otimizando tempo e recursos e aumentando a competitividade da carne brasileira no mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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A “terceira via” do prato brasileiro – A escalada de preços do feijão Caupi

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Feijao caupi nova era. Foto: Arquivo Angelo José Mello de Aguiar

 

A “terceira via” do prato brasileiro: Por que o preço do feijão Caupi também vai subir

Lavora em estágio reprodutivo , ja se adiantando para maturação , forçada pela seca. Foto: arquivo Angelo José Mello de Aguiar

Enquanto o consumidor brasileiro monitora a disparada nos preços dos feijões carioca e preto, uma terceira alternativa fundamental para a segurança alimentar do país também entra em rota de colisão com a escassez: o Feijão Caupi.

Feijao caupi nova era. Foto: Arquivo Angelo José Mello de Aguiar

Conhecido popularmente em diversas regiões como feijão-fradinho ou macassar, o Caupi é muito mais que um substituto; é a base da dieta em grande parte do Norte e Nordeste e um regulador de preços no Centro-Oeste e Sudeste. No entanto, variedades essenciais para o consumo interno — como o Nova Era, Guariba e Tumukumaque — estão desaparecendo das prateleiras com a mesma velocidade com que os preços sobem no campo.

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O avanço da exportação: O “fator Índia” e o feijão Mungo

Mungo verde e Mungo preto. Foto  Arquivo Angelo José Mello de Aguiar

O principal motivo para a redução da oferta de feijão Caupi no mercado interno brasileiro é o apetite do mercado asiático. Nos últimos anos, houve um crescimento explosivo na demanda da Índia pelos feijões Mungo Preto e Mungo Verde (que também pertencem à família dos caupis).
Com contratos de exportação garantidos e valores atraentes, muitos produtores optaram por substituir as áreas das variedades tradicionais. Contudo, nem mesmo esse mercado está ileso: as lavouras de Mungo Preto e Mungo Verde também sofrem com a falta severa de chuvas, o que compromete o potencial exportador e pressiona ainda mais o mercado de feijões em geral.

Quebra de Safra e o Impacto da Seca

Graneleiro da colheitadeira. Foto: Arquivo Angelo José Mello de Aguiar

Além da migração de culturas, o clima severo castigou as lavouras remanescentes de safrinha. O cenário nos principais estados produtores apresenta quedas drásticas na área plantada:
Goiás: Redução de 50% na área plantada.
Tocantins: Queda de 80% na área.
Mato Grosso: Recuo de 80% na área destinada a essas variedades.
Para agravar a situação, a produtividade por hectare despencou. Onde no ano passado colhia-se uma média de 18 a 20 sacos por hectare, as estimativas atuais não passam de 10 sacos por hectare devido à seca.

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Mercado e Preços: O alvo de R$ 200 na roça
Diante da combinação entre área reduzida e baixa produtividade, o mercado de feijão Caupi entrou em uma fase de forte valorização. Com o produto escasso, o poder de negociação se deslocou para o campo.
Atualmente, os produtores estão firmes em seu posicionamento de venda, mirando o valor de R$ 200,00 por saca de 60kg para retirada diretamente na roça. A tendência é que esses números se sustentem, dado que não há previsão de entrada de novos volumes que possam aliviar a oferta no curto prazo.

 

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