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5 hábitos de estudo que parecem eficientes, mas nem sempre são

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Pesquisa de 2025 reforça que estratégias mais ativas podem favorecer a aprendizagem; especialista em educação explica como estudantes podem aproveitar melhor o tempo dedicado aos estudos

 

Grifar páginas inteiras, copiar o conteúdo para o caderno e reler várias vezes a matéria antes da prova são hábitos comuns entre estudantes e podem até transmitir a sensação de que o estudo está rendendo. Mas será que estar ocupado estudando significa, necessariamente, estar aprendendo? Com a chegada da reta final do ano letivo, a forma como crianças e adolescentes utilizam o tempo dedicado aos livros pode fazer diferença no desempenho.

Um estudo publicado em agosto de 2025 na revista científica Frontiers in Psychology reforça a importância de estratégias mais ativas de aprendizagem. A pesquisa, realizada com estudantes de 10 e 11 anos em um ambiente escolar real, comparou a simples releitura de conteúdos com a chamada prática de recuperação, em que os alunos precisavam buscar na memória aquilo que haviam estudado. Em uma das etapas, o grupo que utilizou a estratégia ativa alcançou média de 67,7% de acertos, enquanto o grupo que releu o material ficou em 41,3%. Os pesquisadores concluíram que testar o próprio conhecimento pode favorecer a aprendizagem mais do que apenas reler o conteúdo.

Para Cláudia Mialichi, gerente educacional do Colégio Objetivo DF, o resultado chama atenção para uma questão importante: nem sempre a quantidade de horas ou de páginas preenchidas representa o que efetivamente foi aprendido. “É comum o estudante associar um caderno cheio de anotações, muitas marcações e horas diante dos livros a um estudo eficiente. Mas aprender exige uma participação ativa. Tentar explicar um assunto com as próprias palavras, responder a uma questão sem consultar o material e identificar aquilo que ainda não conseguiu compreender são formas de perceber com mais clareza o que realmente foi assimilado”, explica.

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A especialista aponta cinco hábitos comuns que podem ser repensados para tornar o estudo mais eficiente:

1. Grifar praticamente todo o texto

O marca-texto pode ser um aliado, desde que seja utilizado para selecionar informações realmente importantes. Quando praticamente toda a página é destacada, fica mais difícil estabelecer uma hierarquia entre os conteúdos. Uma alternativa é fazer primeiro a leitura completa e, depois, voltar ao texto para identificar conceitos, palavras-chave e informações essenciais.

 

2. Copiar páginas inteiras para o caderno

Escrever pode fazer parte do processo de aprendizagem, mas simplesmente reproduzir grandes trechos do livro ou do quadro não garante que o estudante tenha compreendido o assunto. Elaborar resumos com as próprias palavras, criar perguntas ou explicar o conteúdo como se estivesse ensinando outra pessoa exige uma participação maior durante o estudo.

 

3. Assistir a muitas videoaulas sem testar o que aprendeu

Os vídeos podem ser úteis para revisar conteúdos e esclarecer dúvidas, mas assistir a várias aulas em sequência pode transmitir uma sensação de familiaridade com o assunto. Depois do vídeo, vale fechar o material e tentar responder perguntas ou resolver exercícios. É justamente essa tentativa de recuperar a informação da memória que a pesquisa publicada em 2025 encontrou como mais vantajosa do que a simples releitura.

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4. Passar horas estudando o mesmo conteúdo de uma vez

Estender o estudo por horas, principalmente às vésperas de uma avaliação, não é necessariamente a melhor estratégia. A própria literatura discutida pelos pesquisadores aponta benefícios de distribuir o aprendizado ao longo do tempo, embora o estudo de 2025 não tenha encontrado diferença significativa entre os dois intervalos específicos testados. Por isso, mais do que apostar em uma maratona na véspera, o estudante pode organizar uma rotina que permita contato recorrente com os conteúdos.

 

5. Apenas reler a matéria antes da prova

Este talvez seja um dos hábitos que mais dão a impressão de domínio. Ao encontrar repetidamente uma informação conhecida, o estudante pode sentir que sabe aquele conteúdo. O problema aparece quando precisa responder sem o livro por perto. Uma estratégia simples é terminar a leitura, fechar o material e tentar escrever ou falar tudo o que consegue lembrar. Depois, basta conferir o que acertou, o que esqueceu e quais pontos ainda precisam ser revistos.

Para Cláudia, especialmente na reta final do ano letivo, perceber como se estuda pode ser tão importante quanto definir quanto tempo será dedicado aos estudos. “Quando as notas não correspondem ao esforço, a primeira reação pode ser aumentar ainda mais as horas de estudo. Antes disso, é importante avaliar a estratégia. O aluno precisa aprender também a reconhecer o que funciona para ele, identificar suas dificuldades e participar ativamente da construção do conhecimento. Estudar melhor não significa necessariamente estudar por mais tempo”, conclui.

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Bienal Internacional do Livro de São Paulo: dez dias entre histórias, leitores e mundos que saíram das páginas

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Muito prazer, eu sou Hêlo, e, durante dez dias, tive a oportunidade de fazer algo que talvez seja um dos maiores sonhos de qualquer pessoa que cresceu acreditando que livros podem ser portais: caminhar por uma Bienal do Livro.

E como explicar dez dias de literatura?

Talvez seja complicado falar sobre uma experiência que, em alguns momentos, pareceu menos uma cobertura jornalística e mais uma espécie de viagem. Fui, de certa forma, teletransportada para universos de amor, terror, fantasia, suspense, superação e tantos outros mundos que só a literatura é capaz de construir.

Mas toda viagem precisa começar pelo primeiro passo.

E a nossa começou no Distrito Anhembi, em São Paulo.

 

Quando o livro deixa de ser apenas um livro

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo aconteceu entre os dias 4 e 13 de setembro de 2026, no Distrito Anhembi. A edição reuniu 269 expositores e ocupou uma área total de 87 mil metros quadrados, consolidando uma estrutura ainda maior do que a edição anterior.

Ao final dos dez dias, os números impressionaram: 760 mil pessoas passaram pelo evento, superando os 722 mil visitantes registrados em 2024. Foram 800 autores, 3,65 milhões de livros ofertados e cinco dias com ingressos esgotados.

Na prática, porém, esses números tinham rosto.

Tinham leitores carregando sacolas.

Tinham pessoas esperando horas para encontrar seus autores favoritos.

Tinham filas diante dos estandes, filas para comprar livros, filas para autógrafos e, principalmente, filas de pessoas que pareciam ter uma coisa em comum: a vontade de estar ali.

Logo no primeiro dia, ainda tentando entender a dimensão daquele espaço, a missão era quase impossível: encontrar os estandes, conhecer autores nacionais, descobrir o que a feira tinha a oferecer tanto para a imprensa quanto para o público e, claro, aproveitar tudo como leitora.

Foi quando percebi que aqueles dez dias seriam intensos.

Muito intensos.

E surgiu uma pergunta que acompanha o mercado editorial brasileiro há anos:

O brasileiro ainda lê?

A Bienal de 2026 ofereceu uma resposta visualmente poderosa: sim, há um público leitor. E ele está presente, interessado e disposto a procurar histórias.

Mas existe uma segunda questão, talvez mais difícil: quem consegue pagar por elas?

Durante a Bienal, era impossível não perceber a relação entre preço e acesso. Livros que normalmente chegam a valores elevados no comércio apareciam em promoções que faziam os leitores parar diante das prateleiras. Quando os preços caíam para a faixa dos R$ 10, R$ 20 ou R$ 30, as sacolas enchiam.

O problema, portanto, não parece estar simplesmente na falta de interesse.

Está também no acesso.

Porque, para muita gente, um livro deixou de ser uma compra casual e passou a ser uma escolha financeira.

E talvez seja justamente por isso que uma feira como a Bienal tenha tanta força: por alguns dias, o livro volta a ocupar um espaço de desejo possível.

 

Entre castelos, cinemas e universos fantásticos

É impossível falar da Bienal sem falar dos estandes.

Eles deixaram de ser apenas espaços comerciais para se transformar em pequenas extensões dos universos editoriais. Cada editora encontrou sua própria maneira de conversar com o público  algumas apostando na grandiosidade, outras no aconchego e outras na experiência visual.

Entre os espaços que mais chamaram minha atenção estava o da Alt/Globo Livros.

A editora trouxe promoções que fizeram muitos leitores — inclusive esta repórter — parar para conferir. Obras que normalmente aparecem por valores mais altos em livrarias e plataformas digitais estavam disponíveis por preços promocionais, além de boxes e lançamentos.

Entre os títulos encontrados estavam Diário de uma Apotecária e a série Os Naturais, de Jennifer Lynn Barnes, entre outros.

Era o tipo de estande em que a pergunta “vou só dar uma olhadinha” podia facilmente terminar em uma sacola cheia.

E esse talvez seja um dos grandes poderes de uma Bienal: transformar o leitor que chegou com uma lista em alguém que sai com uma história que sequer sabia que queria.

 

Rocco: quando o cinema encontra a literatura

Como alguém formada em Cinema e Mídias Digitais, era praticamente impossível que o estande da Rocco não chamasse minha atenção.

A editora apostou em uma fachada inspirada em uma sala de cinema, brincando justamente com a relação cada vez mais próxima entre literatura e audiovisual.

E a escolha não poderia ser mais simbólica.

Grandes obras publicadas pela Rocco, como Harry Potter e Jogos Vorazes, continuam atravessando gerações e ganhando novas adaptações e projetos audiovisuais.

A ambientação tinha letreiros iluminados e espaços pensados para fotografias, criando uma experiência que parecia dizer ao visitante: aquilo que você lê também pode ser visto.

E talvez essa seja uma das características mais interessantes da literatura contemporânea.

Hoje, um livro pode começar como uma história impressa, ganhar uma comunidade nas redes sociais, virar fenômeno editorial e, depois, atravessar a fronteira para o cinema ou para o streaming.

O caminho contrário também existe.

É um ciclo.

E a Bienal estava no meio dele.

 

Casa Records: um lar para os leitores de fantasia

Se alguns estandes apostaram na grandiosidade, a Casa Records escolheu outro caminho: transformar a editora em uma espécie de casa.

E, para os fãs de fantasia, havia referências suficientes para fazer qualquer leitor parar.

Um dos destaques era o caldeirão inspirado em ACOTARCorte de Espinhos e Rosas — cercado por livros da série e por referências aos novos títulos.

Para quem acompanha o universo criado por Sarah J. Maas, o cenário tinha um significado que ultrapassava a decoração.

 

HarperCollins e a sensação de voltar para casa

Falando em mundos fantásticos, a HarperCollins trouxe justamente uma sensação de aconchego.

Talvez não seja coincidência que uma editora que trabalha com universos como O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia consiga provocar essa sensação.

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Há algo curioso na fantasia: ela nos leva para muito longe justamente para que, em algum momento, possamos nos sentir em casa.

Durante a visita, encontrei edições que chamavam atenção não apenas pelo conteúdo, mas também pelo cuidado gráfico. Entre elas, uma edição de O Senhor dos Anéis com acabamento que remetia aos antigos livros de bolso.

Era impossível não parar.

Também estavam presentes os títulos de O Despertar da Lua Caída, além de diferentes selos do grupo, como Pitaya, Harlequin e Thomas Nelson.

A Thomas Nelson, inclusive, tinha seu próprio espaço, dedicado principalmente a livros e contos cristãos. Mesmo não sendo meu principal nicho de leitura, foi impossível não reconhecer o cuidado editorial e visual das obras.

 

Quando as histórias brasileiras ocupam o centro da cena

Mas se os grandes nomes internacionais chamam atenção, existe algo que considero ainda mais importante em uma Bienal: ver autores brasileiros ocupando espaço, encontrando seus leitores e apresentando suas histórias.

E foi justamente por isso que o estande do Grupo Novo Século ganhou um lugar especial na minha cobertura.

Antes mesmo dos livros, preciso falar das pessoas.

A equipe do estande foi, para mim, uma das grandes surpresas da Bienal. Desde os staffs até a equipe de marketing, fui recebida com atenção e carinho em diferentes momentos da cobertura.

Uma menção especial às meninas Emilly e Bea, que me ajudaram durante entrevistas, facilitaram contatos com escritoras e sempre encontraram um espaço para que pudéssemos conversar e produzir nosso material.

No jornalismo, especialmente quando estamos fazendo uma cobertura em um evento de grande porte, pequenas gentilezas fazem uma diferença enorme.

E, naquele estande, elas fizeram.

O espaço estava constantemente movimentado, principalmente por conta dos autores nacionais.

O romance tinha grande destaque, mas, acima de qualquer gênero, o que chamava atenção era a quantidade de histórias sendo apresentadas diretamente por quem as escreveu.

Tive a oportunidade de conversar com diversas escritoras. Conhecer suas obras, ouvir suas histórias e descobrir sinopses que imediatamente despertavam curiosidade.

Também preciso agradecer à escritora e amiga Rebeca Alves, que me apresentou o espaço e abriu portas para que essa aproximação acontecesse.

 

Literare e a força de outros nichos da literatura

Outro espaço que me chamou atenção foi o da Literare, especialmente pela diversidade de assuntos abordados por seu catálogo.

A editora trabalha com áreas como psicologia, educação, saúde e TEA, além de também explorar a literatura de ficção.

Um dos destaques era a edição física de Se Não Fosse Por Você, de Laura Amorim, obra que atraiu leitores e formou filas durante sua sessão de autógrafos.

Durante a visita, também fui apresentada a diferentes espaços da editora e pude conhecer um pouco mais sobre seu trabalho.

É interessante perceber como uma Bienal consegue colocar lado a lado leitores que procuram fantasia, romance, suspense, literatura infantil, livros técnicos, educação, saúde e tantos outros assuntos.

A literatura não é uma coisa só.

E talvez a maior prova disso esteja justamente nos corredores da Bienal.

 

A força dos independentes

Além das grandes editoras, a Bienal também abriu espaço para escritores nacionais e editoras independentes.

E isso é fundamental.

Porque existe uma parte do mercado editorial brasileiro que muitas vezes não aparece nas vitrines mais tradicionais.

São autores que escrevem, publicam, divulgam e constroem suas próprias comunidades.

Para muitos deles, estar na Bienal significa apresentar sua história para um público que talvez nunca encontrasse seu livro em uma livraria convencional.

A presença desses autores reforça uma das características mais importantes do evento: a possibilidade de encontro.

Um escritor pode conversar diretamente com seu leitor.

Pode ouvir uma impressão.

Pode descobrir como alguém recebeu uma história que, até então, existia apenas dentro de sua própria cabeça.

E para quem escreve, isso não é pouco.

 

A literatura também desenha

( Imagem – Divulgação)

Uma das novidades mais interessantes da edição de 2026 foi a Alameda dos Artistas by BIC, espaço dedicado exclusivamente às histórias em quadrinhos brasileiras.

Produzida sob coordenação de Ivan Costa, cofundador da CCXP, a área reuniu artistas de diferentes gerações e estilos, aproximando leitores de roteiristas, ilustradores e quadrinistas.

Entre os nomes presentes estavam artistas como Laerte, Rafael Coutinho, Fábio Yabu e Helena Cunha.

A proposta dialogava com o tradicional conceito de Artists’ Alley, conhecido em grandes eventos de cultura pop e quadrinhos.

E isso diz muito sobre como o conceito de literatura vem se ampliando.

Durante muito tempo, quadrinhos foram tratados como uma espécie de literatura menor.

Hoje, basta olhar para a força de suas narrativas, para a qualidade de suas ilustrações e para o impacto cultural de seus personagens para perceber que contar uma história por meio de imagens não diminui sua potência.

Às vezes, a imagem não acompanha a palavra.

Ela é a própria palavra.

A Alameda dos Artistas foi, portanto, mais do que um corredor de quadrinhos. Foi um espaço de reconhecimento de uma linguagem artística que há décadas constrói leitores e imaginários no Brasil.

E, claro, a Amazon apareceu

Havia uma frase que parecia perseguir a Bienal:

“Deve estar mais barato na Amazon.”

E, ironicamente, a própria Amazon estava lá.

O estande era grande e apresentava diferentes dispositivos Kindle, incluindo o Kindle Scribe Colorsoft, além de outros modelos disponíveis no mercado.

Os visitantes podiam testar os aparelhos e experimentar recursos de leitura, escrita e marcação.

O Scribe, especialmente, chama atenção por aproximar o leitor digital da experiência de um caderno: com a caneta, é possível escrever, desenhar, fazer anotações e trabalhar com documentos e PDFs.

Para estudantes, principalmente aqueles que trabalham constantemente com textos acadêmicos e materiais de estudo, esse tipo de recurso pode ser bastante interessante.

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Mas, para mim, o Kindle que continua despertando uma curiosidade especial é o Paperwhite.

A possibilidade de ajustar a temperatura da tela, deixar a iluminação mais amarelada e utilizar o modo noturno torna a experiência mais confortável para diferentes momentos de leitura.

O estande também promoveu experiências relacionadas à plataforma de audiolivros da Amazon, a Audible, permitindo que visitantes conhecessem o formato antes de experimentar a plataforma.

Hoje, uma história pode ser lida, ouvida, marcada, desenhada e carregada no bolso.

A literatura mudou de formato.

Mas continua sendo literatura.

 

Nem tudo foi perfeito

Uma cobertura jornalística também precisa falar sobre o que não funcionou tão bem.

E a Bienal teve seus perrengues.

Um dos pontos mais comentados entre os visitantes foi o preço da alimentação.

Em determinados momentos, valores considerados altos para alimentos simples geravam indignação entre o público.

E aí voltamos ao mesmo problema que apareceu quando falamos sobre o preço dos livros: acessibilidade.

Não adianta democratizar o acesso à literatura se permanecer dentro do evento também pode se tornar caro.

Outro ponto que me deixou preocupada foi a questão da segurança e da superlotação.

Felizmente, não presenciei nenhuma ocorrência grave durante os dias em que estive no evento. Mas, especialmente nos finais de semana, a quantidade de pessoas em circulação era enorme.

Em ambientes tão cheios, segurança, controle de acesso e atendimento médico precisam acompanhar a dimensão do público.

Também houve episódios que geraram discussões nas redes sociais durante o evento.

Um deles envolveu uma ação com um personagem mascarado inspirado em Ghostface, no estande da editora Fruto Proibido. A organização da Bienal afirmou que a ação não fazia parte da programação oficial e notificou a editora após a repercussão.

O episódio acabou contribuindo para uma discussão mais ampla sobre os limites de determinadas ações promocionais dentro de um evento frequentado também por crianças e famílias.

Outro episódio que repercutiu foi a retirada de influenciadoras do evento após uma distribuição de livros. Como parte dessa situação foi discutida publicamente de maneiras diferentes, acredito que é importante separar aquilo que foi relatado nas redes sociais daquilo que foi oficialmente confirmado.

O que ficou para mim, enquanto jornalista e criadora de conteúdo, foi uma questão importante: eventos desse tamanho precisam ter regras claras e, principalmente, comunicação clara.

Influenciadores hoje fazem parte do ecossistema literário.

BookTok, Bookstagram e BookTube ajudaram a transformar livros em assunto cotidiano nas redes sociais e aproximaram obras de milhões de pessoas.

Não é mais possível falar do mercado editorial contemporâneo ignorando os criadores de conteúdo.

Eles não substituem escritores, críticos ou jornalistas.

Mas também fazem parte dessa cadeia.

E a Bienal é, justamente, um dos lugares onde todas essas pontas se encontram.

 

No fim, eram pessoas

Depois de dez dias, quando finalmente parei para pensar no que havia vivido, percebi que talvez a Bienal não pudesse ser resumida por estandes, números ou lançamentos.

Porque o que mais ficou foram as pessoas.

O leitor que encontrou seu autor favorito.

A escritora que finalmente conheceu quem acompanha seu trabalho.

A criança escolhendo seu primeiro livro.

A fã chorando diante de uma personagem que marcou sua adolescência.

O grupo de amigos carregando sacolas maiores do que eles mesmos.

A pessoa que entrou apenas para acompanhar alguém e saiu com uma nova história.

A literatura tem esse poder estranho e maravilhoso.

Ela cria vínculos entre pessoas que provavelmente nunca se encontrariam de outra maneira.

Talvez seja por isso que encontros literários sejam tão importantes.

Porque um livro é, originalmente, uma conversa.

Um autor escreve sozinho.

Um leitor lê sozinho.

Mas, quando os dois se encontram, aquela história ganha uma terceira dimensão.

Dez dias que cabem em uma vida inteira

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo terminou, mas a sensação é de que alguma coisa continua.

Talvez seja a história que ainda estou pensando em ler.

Talvez seja o livro que comprei.

Talvez sejam as entrevistas que ainda vou editar.

Talvez sejam os autores que conheci.

Ou talvez seja simplesmente aquela sensação difícil de explicar que todo leitor conhece: sair de uma livraria, biblioteca ou feira literária sentindo que, de alguma maneira, voltou para casa.

Durante dez dias, eu vivi cercada por histórias.

Atravessei mundos de fantasia, encontrei romances, conheci autores, conversei com leitores, descobri novos talentos e pude enxergar de perto uma parte importante do mercado editorial brasileiro.

E, no meio de tudo isso, uma certeza ficou ainda mais forte:

livros continuam vivos.

Eles estão nas prateleiras, nas telas, nos audiolivros, nas redes sociais, nas mãos de crianças, jovens e adultos.

Estão nos grandes clássicos e nos romances que viralizam no TikTok.

Estão nos quadrinhos, nos livros independentes, nos grandes lançamentos e naquela obra desconhecida que alguém decidiu publicar porque acreditava que sua história precisava existir.

Eu não sei se existe uma maneira perfeita de explicar o que vivi nesses dez dias.

Talvez nenhuma matéria consiga.

Porque algumas experiências não foram feitas para caber completamente em palavras.

Mas, se eu pudesse resumir tudo em uma frase, seria esta:

durante dez dias, São Paulo se transformou em uma cidade dentro de uma cidade e suas ruas eram feitas de histórias.

Eu voltarei em breve.

Com mais livros, mais histórias, mais entrevistas e, espero, mais caminhos para espalhar a palavra da literatura pelo nosso mundo.

Obrigada à Bienal Internacional do Livro de São Paulo pela acolhida, pela oportunidade e por permitir que nós, leitores, jornalistas, autores e apaixonados por histórias, pudéssemos viver esse encontro.

Até a próxima página.

Hêlo Laranjeira
Repórter — Radar Digital Brasília

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