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Crianças e adolescentes de municípios amazônicos despertam para os impactos das mudanças climáticas

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Em parceria com o Instituto Peabiru, iniciativas de educação e cidadania ligadas ao Selo UNICEF mobilizam jovens amazônidas para a percepção de como as alterações climáticas no planeta atingem a rotina das famílias e comunidades locais

 

Roças que deixam de produzir como antes; igarapés minguados a cursos d’água que secaram ou se tornaram poluídos, impossíveis para o banho de antigamente; e dias bem mais quentes e abafados, quando não encobertos pela fumaça das queimadas ao redor, na maior floresta tropical do planeta. Os impactos das mudanças climáticas globais deixam de ser algo distante e entram para o vocabulário e a rotina de crianças e adolescentes mobilizados pelas ações do Selo UNICEF — iniciativa que reconhece avanços dos municípios na garantia dos direitos da infância na Amazônia Legal e Semiárido brasileiro.

A floresta amazônica já sofre as consequências das emissões de gases de efeito estufa no planeta, com consequências nocivas que potencializam a degradação da floresta já impactada pelo desmatamento. “O aspecto social é extremamente relevante neste desafio, que envolve justiça climática, uma vez que as crianças e os adolescentes de hoje sofrem os efeitos que poderão aumentar ainda mais quando adultos, sem que façam parte das decisões”, afirma Claudio Melo, coordenador de projetos do Instituto Peabiru, sediado em Belém (PA). A ONG, que completa 25 anos, coordena as atividades do Selo UNICEF há três edições, e entre os anos de 2021 e 2024, atua em 317 municípios dos estados do Pará, Amapá, Mato Grosso e Tocantins.

Adotada no Brasil desde 1999 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a inciativa do Selo – desenvolvida em ciclos de quatro anos – abrange capacitações, suporte técnico, mobilização das comunidades locais para participação das decisões e desenvolvimento de planos ação pelos municípios participantes. Ao fazer a adesão, o município deve seguir a metodologia proposta para fortalecer as políticas públicas que sustentam os direitos de meninas e meninos, com garantia de envolvimento dos Conselhos Municipais de Direitos da Criança e Adolescente (CMDCA).

Ações e indicadores sociais são monitorados e, finalmente, avaliados, para a concessão do selo. Entre os resultados, estão, por exemplo, a volta de crianças e adolescentes para a escola por meio da busca ativa; a redução de estudantes com atraso escolar; o aumento de práticas educacionais inclusivas e a maior participação social. Os indicadores de impacto social dos municípios reconhecidos com o Selo UNICEF – ou que pelo menos participam do processo – melhoram mais do que em outros municípios das mesmas regiões.

Na atual edição 2021-2024, um total de 2.023 municípios de 18 estados confirmaram participação – o maior número de adesões da história do programa. Desses, 676 estão localizados na Amazônia Legal. “O engajamento dos adolescentes na agenda de mudança climática é fundamental, porque a questão é urgente. Não é um problema para o futuro, quando eles se tornarem adultos”, ressalta Ieda Pietricovsky de Oliveira, especialista em comunicação do UNICEF.

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Segundo ela, “uma vez engajados, os adolescentes são grandes porta-vozes e grandes atores nas transformações exigidas em relação à mitigação dos impactos profundas das mudanças climáticos já vividos por todos indistintamente”.

 

Desafios amazônicos

Diante da importância da Amazônia no cenário das mudanças climáticas e seus impactos ambientais, sociais e econômicos, o tema integra a pontuação para a conquista do selo. Um dos pilares está nas ações do Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA) que precisa ser criado em cada município com, no mínimo, 16 adolescentes de 12 a 18 anos, de forma que possam debater e reivindicar seus direitos junto às autoridades, visando à redução de desigualdades. Promover a mitigação dos riscos e impactos das mudanças climáticas sobre as crianças e adolescentes é um dos quatro temas do plano de trabalho para cada NUCA, além do empoderamento de meninas, promoção dos direitos à saúde sexual e reprodutiva, e enfrentamento ao racismo e outras violências.

Os riscos das mudanças climáticas são tema de maratonas mensais de sensibilização e encontros presenciais nos estados com representantes de cada município candidato ao selo. No movimento #EntreNoClimaUNICEF, crianças e adolescentes são mobilizados mensalmente para o debate, com produção de vídeos, sites, podcasts e outros produtos de comunicação que replicam e aumentam o alcance das mensagens. Em novembro, o tema foi justiça climática e racismo ambiental, sabendo-se que crianças e adolescentes, além das pessoas negras, indígenas, quilombolas, mulheres e moradores das periferias dos grandes centros urbanos, são os mais afetados pelas mudanças climáticas.

Relatório apresentado pelo UNICEF na conferência do clima do Egito, em 2022, alerta que crianças e adolescentes são os mais impactados pelas mudanças climáticas e precisam ser priorizados. No Brasil, 40 milhões de meninas e meninos estão expostos a mais de um risco climático ou ambiental (60% do total), e a questão compromete a garantia de direitos fundamentais.

 

Em Benevides, a busca pelo selo

“Roubaram o nosso direito de curtir a natureza e os banhos de igarapés como nossos avós”, afirma Stefany Lima, 19 anos, integrante de um dos sete Núcleos Jovem Benevidense (NJB) criados no município de Benevides (PA), totalizando 150 jovens mobilizados no modelo do NUCA, com vistas ao Selo UNICEF.

Junto à mudança climática, o crescimento da urbanização causa assoreamento dos riachos. Segundo Stefany, há relatos de que a mudança do regime das chuvas está aumentando pragas e prejudicando o cultivo de alimentos nas roças, na zona rural do município, localizado na Região Metropolitana de Belém. Aos poucos, diz ela, crianças e adolescentes, junto às suas famílias, já percebem a relação entre a necessidade de reciclar o lixo e o combate das mudanças climáticas, embora grande parte da população do município – como na Amazônia em geral – tenha muitas outras prioridades para revolver problemas que afetam a qualidade de vida.

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“As mudanças climáticas podem acabar com nossos sonhos”, enfatiza Yohana Gurjão, 17 anos, uma das lideranças que participaram, em agosto, do Puxirum de Jovens em Defesa da Amazônia – encontro realizado com apoio do Instituto Peabiru e Selo UNICEF durante a Cúpula da Amazônia, em Belém. “O problema afeta a comida, tanto na agricultura familiar como na pesca, e nos faz pensar mais seriamente no futuro”, diz.

O tema está mais presente nas escolas e ajuda na aprendizagem de Ciências da Natureza, Química e Biologia, reforça Yohana, aluna do segundo ano do Ensino Médio: “Já há impacto nas atividades econômicas e modos de vida locais”. A Sala+Verde, estrutura de biblioteca e inclusão digital apoiada pelo governo federal em Benevides, funciona como um ponto de encontro para o debate sobre cidadania ambiental e sensibilização dos estudantes da cidade, aproximando meio ambiente às questões sociais.

“O município está engajado para receber o Selo UNICEF em 2024 e o tema da sustentabilidade, que não é uma experiência fácil, ganha protagonismo com o viés da educação, em Benevides”, destaca Miguel Sepêda, articulador local da iniciativa.

Segundo o professor Adriano Vieira, integrante do Instituto Peabiru que acompanha as ações do Selo em municípios amazônicos, “nós que estamos na Amazônia já gritamos faz muito tempo para o problema e só agora o mundo olha para cá”. Ele enfatiza que as populações tradicionais já sofrem os piores impactos das mudanças climáticas e que, “é difícil falar sobre o tema para quem a urgência é comida na mesa”. Até uma década atrás, completa o professor, “40% da população do Pará não tinha banheiro em casa”.

Diante do desafio, de acordo com Vieira, é necessário pensar novos paradigmas para a região na releitura dos processos históricos, a partir da visão dos amazônidas. “A participação cidadã, conforme o trabalho do Instituto Peabiru, é um elemento chave: temos força e só precisamos da mais voz para impulsionar outros – e a mudança climática, que tem maior visibilidade e mexe com a realidade de todos, é uma oportunidade para que sejamos ouvidos”.

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Juspay e Cumbuca lançam o Open Finance Playground, um guia de implementação open-source para o Open Finance brasileiro

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A plataforma é o primeiro guia prático e detalhado para o maior estrutura de open finance do mundo. Foto: Divulgação

A Juspay, empresa global de tecnologia de pagamentos, e a Cumbuca, primeiro proxy regulatório para o Open Finance e o Pix no Brasil, lançaram hoje o Open Finance Playground: um guia de implementação open-source criado para tornar o Open Finance brasileiro acessível a qualquer desenvolvedor que queira aderir pela primeira vez.

O Brasil tem o maior programa de Open Finance do mundo, mas apenas 3% das empresas brasileiras estão conectadas a ele, contra 20% no Reino Unido. Estruturas de open banking são complexas em qualquer lugar, mas mercados como o britânico contam com anos de experiência em ferramentas, guias e recursos para desenvolvedores construídos pela comunidade. A documentação oficial brasileira foi elaborada para cumprir exigências regulatórias, mas não necessariamente ajuda desenvolvedores a dar os primeiros passos, e os índices de adoção refletem exatamente isso.

O Open Finance brasileiro em números:

. Mais de 100 milhões de clientes conectados

. 154 milhões de consentimentos ativos

. Mais de 5 bilhões de comunicações semanais entre instituições financeiras

Crescimento de quase cinco vezes no volume de iniciação de pagamentos em um ano: de R$ 3,2 bilhões (2024) para R$ 15,3 bilhões (2025)

O Playground traduz centenas de páginas de especificações regulatórias em guias com instruções diretas para implementação, cobrindo os três principais pontos de entrada do Open Finance: fluxos de consentimento, iniciação de pagamentos e acesso a dados. Cada guia é acompanhado por um simulador que mostra ao vivo quais chamadas de API estão acontecendo em cada etapa. O projeto é open-source e conta com o apoio da INIT, Associação das Iniciadores de Transação de Pagamento.

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“O Open Finance cumpre seu papel quando os desenvolvedores que criam valor no setor conseguem, de fato, acessá-lo. Reduzir o tempo e o custo de entrada para quem quer construir nesse ambiente é o caminho mais direto para fechar essa lacuna. O Open Finance Playground é exatamente o tipo de recurso prático e orientado pela comunidade que acelera a adoção de baixo para cima, e o tipo de iniciativa para a qual a INIT existe”, disse Jonatas Giovinazzo, Diretor-Presidente da INIT.

Para a Juspay, o Playground reflete tanto o desafio quanto a oportunidade de contribuir com novas soluções no mercado brasileiro. Aproveitando da autorização regulatória de Open Finance que a Cumbuca possui, a empresa conseguiu entrar no mercado brasileiro de 12 a 18 meses antes do que seria possível se tivesse construído tudo de forma independente.

Com capacidades de pagamento via Open Finance totalmente desenvolvidas, a Juspay atua ao lado da Visa e da Mastercard e atende grandes empresas no Brasil como Latam Airlines e Food2Save, com integrações nativas para Pix Biométrico e Pix Automático, ambos construídos sobre a infraestrutura de pagamentos em tempo real do país.

“O Open Finance brasileiro tem um potencial de crescimento extraordinário, e ainda exploramos muito pouco do que ele pode fazer”, afirmou Nic Marcondes, Diretor de Monitoramento de Open Finance da Cumbuca. “O Playground preenche uma lacuna que faltava: foi escrito por quem passou anos dentro da implementação e lançado de forma aberta, porque um ambiente com poucos participantes não serve a ninguém.”

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“O Pix já mostrou o que acontece quando um meio de pagamento instantâneo vira padrão, e o Brasil está exatamente nesse momento”, disse Shakthidhar Bhaskar, Diretor de Expansão para a América Latina na Juspay. “Tornar público o que aprendemos acelera esse processo. A infraestrutura fica mais valiosa quando mais pessoas conseguem construir em cima dela, e o Playground viabiliza isso.”

O Open Finance Playground está disponível em juspay.io/open-finance. O projeto é open-source e aberto a contribuições de desenvolvedores, participantes do setor e instituições financeiras que desenvolvem com base na infraestrutura de Open Finance do Brasil.

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Nota ao editor

Sobre a Juspay
A Juspay é uma empresa multinacional líder em tecnologia de pagamentos, redefinindo pagamentos para mais de 500 grandes empresas e bancos globais. Fundada em 2012, a empresa processa mais de 300 milhões de transações diárias, superando um volume total de pagamentos anual (TPV) de US$ 1 trilhão com 99,999% de confiabilidade. A Juspay é alimentada por uma rede global de mais de 1.500 especialistas em pagamentos que operam em São Francisco, Dublin, São Paulo, Dubai e Singapura.

Sobre a Cumbuca

A Cumbuca é o primeiro proxy para o ambiente regulado brasileiro. Ela permite que fintechs internacionais utilizem sua licença de pagamentos mantendo controle total sobre suas próprias operações. Liderada por uma equipe especializada em Open Finance e pagamentos, a Cumbuca tem entre seus investidores a Lightspeed e a Supera Capital.

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