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O desafio não reside na ausência de normas, mas na implementação’, afirma advogada sobre apostas no Brasil

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Nova regulação amplia mecanismos de proteção ao consumidor e combate riscos como o superendividamento. Foto: Freepik


A regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil, consolidada pela Lei 14.790/2023, representa uma transformação estrutural que vai além da mera legalização de uma atividade econômica. Trata-se da construção de um ecossistema que concilia exploração econômica, responsabilidade social e proteção do consumidor e que posiciona o Brasil entre os mercados regulados mais avançados.

No centro desse modelo está o conceito de jogo responsável, considerado essencial para a consolidação de um mercado regulado e sustentável. De acordo com Vivian Graminho, advogada e diretora de Projetos e Operações do Labsul – Laboratório de Direitos Humanos e Novas tecnologias, compreender corretamente esse conceito é fundamental.“Compreendê-lo corretamente é essencial para a consolidação de um mercado regulado e sustentável.Jogo responsável não deve ser entendido como marketing institucional, tampouco como obrigação acessória, mas como elemento estruturante e condição de acesso e permanência no mercado.”

A regulamentação brasileira, como evidenciado na Portaria SPA/MF 1.231/2024, não se limitou a autorizar a exploração das apostas de quota fixa. O exercício da atividade foi condicionado a um complexo sistema de governança, prevenção de danos e proteção do consumidor, com especial atenção à prevenção do superendividamento das famílias.

Segundo Vivian Graminho, há um conjunto de obrigações impostas às operadoras para garantir esse ambiente mais seguro. “Entre as obrigações impostas estão: o dever de conscientização e de informação, com comunicação clara sobre riscos de dependência e probabilidades de perda; oferta obrigatória de ferramentas de autocontrole, como limites de depósito, períodos de pausa e autoexclusão; ferramentas de monitoramento ativo e classificação de perfis de risco; e intervenção proativa quando observarem comportamentos de risco.”

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Ela também destaca que o não cumprimento dessas regras pode trazer consequências jurídicas relevantes. “O descumprimento dessas obrigações não gera apenas sanções administrativas, pode configurar falha na prestação de serviços e atrair a responsabilidade civil objetiva das operadoras, revelando a existência de um rigoroso dever de cuidado (duty of care) das operadoras.”

A regulação publicitária também segue linha restritiva, vedando-se comunicações que associem apostas a enriquecimento fácil ou sucesso pessoal, bem como mensagens que incentivem comportamentos compulsivos.

De acordo com a especialista, a responsabilidade das operadoras se estende a toda a cadeia de divulgação. “Além disso, a responsabilidade solidária das operadoras pelas ações de afiliados, reforça uma premissa central: terceirizar a criatividade, não significa terceirizar a responsabilidade.”

O modelo brasileiro dialoga com experiências de mercados mais maduros, como Reino Unido e Portugal, que estruturam seus sistemas a partir de políticas robustas de jogo responsável.

No entanto, a arquitetura protetiva enfrenta um obstáculo relevante. Segundo Vivian Graminho, a presença do mercado ilegal ainda compromete a efetividade das medidas. “No entanto, a arquitetura protetiva enfrenta um obstáculo: a persistência do mercado ilegal que, atualmente, corresponde a aproximadamente 51% do mercado. O modelo de negócios dos operadores ilegais se beneficia da ausência de controles, incentivando apostas ilimitadas e ciclos contínuos de perda, de forma que o superendividamento se torna uma consequência silenciosa e frequente.”

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Diante desse cenário, o desafio passa a ser a implementação prática das normas. “O desafio, portanto, não reside na ausência de normas, mas na sua efetiva implementação e na capacidade de fazer valer o ambiente regulado. No mercado legalizado a operadora deixa de ser mera intermediária e passa a assumir papel ativo na mitigação de riscos previsíveis, protegendo a reputação de suas marcas e assegurando a legitimidade do mercado perante o Poder Público e a sociedade. A confiança, nesse contexto, passa a ser um ativo estratégico.”

Para Vivian Graminho, o conceito de jogo responsável deve ser incorporado de forma contínua pelas operadoras, e não tratado como uma formalidade. “O jogo responsável não pode ser tratado como checklist burocrático. A conformidade não é um processo estático que se cumpre uma vez ao ano, mas um processo dinâmico de gestão de risco integrado ao núcleo da operação. A maturidade do mercado não será medida apenas pelo volume financeiro transacionado, mas pela eficácia das proteções reais garantidas aos consumidores. E essa proteção, por definição, não existe no mercado clandestino. A proteção do consumidor precisa ser, de fato, a aposta mais alta do regulador e das operadoras.”

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Fecomércio MG: Comércio aposta em alta nas vendas do Dia das Mães

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De acordo com a pesquisa Expectativa de Vendas Dia das Mães 2026, realizada pelo Núcleo de Pesquisa & Inteligência da Fecomércio MG, 98,5% dos estabelecimentos comerciais do estado são impactados pela data comercial, a segunda mais importante do ano, perdendo apenas para o Natal. A pesquisa mostra que, para 56,0% dos empresários do comércio, as vendas deste ano devem superar as do Dia das Mães de 2025. Otimismo, esperança, valor afetivo da data e aquecimento do comércio foram os principais motivos apontados para a boa expectativa de faturamento.
Para 24% das empresas, as vendas serão iguais às do ano passado e para 18,6% serão piores. Os principais motivos apontados para a baixa expectativa de vendas são, nesta ordem: baixa nas vendas do primeiro semestre, consumidor mais cauteloso, crise econômica e endividamento do consumidor. Propaganda, promoções/liquidações e divulgação online lideram as ações de vendas que serão adotadas pelos comerciantes.
A contratação de mão de obra temporária para as vendas de Dia das Mães será feita por 5,2% das empresas, percentual abaixo do ano passado quando 5,5% dos empresários fizeram as contratações para o período.
O pico de vendas para a data deve ocorrer na própria semana do Dia das Mães conforme 72,2% dos entrevistados; para 21,6% as compras devem acontecer no início do mês de maio. O pix (28,5%), o cartão de crédito à vista (28,3%) e o cartão de crédito parcelado (27%) devem ser as modalidades de compra mais utilizadas na data conforme a pesquisa. Já o tíquete médio deve oscilar entre 70,00 e 200,00 para 38,4% dos empresários.
De acordo com 52,3% dos entrevistados, as vendas serão realizadas pela internet, ao contrário de 47,7% que não farão vendas on-line. O WhatsApp centraliza as vendas pela internet com 88,5% de preferência dos comerciantes, já o Instagram vem como segunda opção para 46,2%.
A pesquisa Expectativa de Vendas 2026 – Dia das Mães foi realizada entre os dias 09 e 17 de abril. Foram avaliadas 409 empresas, havendo pelo menos 40 em cada região de planejamento (Alto Paranaíba, Central, Centro-Oeste, Jequitinhonha-Mucuri, Zona da Mata, Noroeste, Norte, Rio Doce, Sul de Minas e Triângulo). A amostra avaliada perfaz uma margem de erro da ordem de 5,0%, a um intervalo de confiança de 95%.
Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG, avalia que a expectativa mais positiva dos empresários para o Dia das Mães reflete uma combinação de fatores conjunturais e comportamentais.
“O Dia das Mães segue sendo uma data de forte apelo emocional, o que ajuda a sustentar o consumo mesmo em um cenário de orçamento mais apertado. Além do valor afetivo, estratégias adotadas pelos empresários também são de extrema importância para atrair o consumidor como, por exemplo, as promoções e divulgação. No entanto, a cautela dos consumidores pode acabar sendo um entrave para as vendas, sobretudo em função do endividamento elevado das famílias e de um consumidor mais atento ao preço e ao planejamento das compras. Isso explica por que o crescimento esperado nas vendas tende a se concentrar em tíquetes médios mais controlados e em modalidades de pagamento, como o Pix e cartão de crédito”.
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.
Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.

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