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Premiado grupo de teatro de improviso com estudantes do Colégio Pedro II faz única apresentação na Casa da Comédia Carioca, em Ipanema

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Com direção da professora Lola Borges, Os Pedros é formado por jovens entre 13 e 18 anos, lota plateias desde a sua criação e estreia o espetáculo “Peteca”

 

Uma professora e um grupo de estudantes decidiram mergulhar no mundo de possibilidades que o Teatro de Improviso oferece como meio de resistência e sobrevivência em um dos momentos mais cruciais da humanidade. Assim nasceu o grupo Os Pedros, que chega à Casa da Comédia Carioca, em Ipanema, para única apresentação no dia 12 de abril, domingo, às 19h.

O grupo nasceu em 2020, no auge da pandemia de Covid-19, a partir de aulas virtuais que ofereceram às crianças um espaço de sobrevivência social, criativa e afetiva em meio ao isolamento. O nome foi escolhido porque a maioria dos integrantes estuda no Colégio Pedro II do Humaitá, tradicional instituição de ensino público do Rio.

– A improvisação teatral tornou-se uma ferramenta de expressão, conexão e invenção de mundos possíveis naquele cenário difícil, permitindo que os alunos compartilhassem emoções, aprendessem a lidar com o inesperado e mantivessem vivo o espírito de coletivo em um período em que tudo parecia paralisado – conta a professora e atriz Lola Borges.

Em “Peteca”, adolescentes entre 13 e 18 anos sobem ao palco sem roteiro e criam um espetáculo inteiro diante do público. Cada apresentação nasce ali, ao vivo, a partir de sugestões da plateia, e se transforma em histórias únicas, cheias de personagens inesperados e humor.

– A cada sessão surge uma narrativa diferente, revelando a potência criativa da juventude no palco e a força da improvisação como linguagem artística para essa faixa etária – completa Lola.

O espetáculo mostra que a improvisação é uma linguagem potente, que chega ao universo adolescente e dialoga com diferentes gerações. A plateia se torna coautora do espetáculo. São suas ideias, memórias e provocações que costuram a narrativa e criam um diálogo direto entre palco e público.

– O resultado é uma experiência cênica viva, autêntica e surpreendente, que diverte e aproxima adolescentes e adultos em torno de vivências que não pertencem apenas à adolescência, mas à própria condição humana – ressalta.

A cena adolescente no universo do Teatro de Improviso

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O grupo fez sua estreia oficial nos palcos em 2023 e, desde então, já realizou três espetáculos apresentados em quatro teatros do Rio de Janeiro em diferentes temporadas. Um deles, “Biografia”, explora o formato longo de improvisação, até então realizado por poucos grupos adultos, confirmando a ousadia e a originalidade da proposta.

Em 2025, o grupo conquistou dois prêmios de destaque no Impro Grand Prix, o maior festival de improvisação do país. Venceu nas categorias de Melhor Grupo Revelação e Melhor Direção para Lola Borges. Foi um marco artístico para um elenco tão jovem.

– A trajetória do grupo revela a possibilidade dos adolescentes como criadores, mas também como espectadores. Apostamos na renovação das linguagens, na ampliação dos horizontes artísticos e em espetáculos feitos também para esse público, que recebe tão poucas obras voltadas para sua faixa etária – destaca Lola.

Em agosto, Os Pedros já tem confirmada a estreia de uma nova peça no Impro Grand Prix. Além disso, Lola comandará uma noite de jogos de improvisação só com adolescentes inscritos pelo festival.

Improvisação teatral nas escolas  

Lola é uma entusiasta da ideia de que a improvisação deveria ser ensinada nas escolas. Ela argumenta que a adolescência é uma fase complexa e desafiadora, com inúmeras pressões internas e externas, dificuldades, comparações e busca por metas e por modelos muitas vezes padronizados. A improvisação, por sua vez, afirma que somos diferentes, que as ideias são diversas e que sempre existem novos caminhos possíveis quando estamos disponíveis para a transformação.

A beleza artística do projeto está, de acordo com ela, na força de um elenco jovem que utiliza a improvisação como linguagem para criar um espetáculo moderno, arriscado e surpreendente. Os adolescentes não são apenas intérpretes, mas também autores e diretores das cenas que se constroem em tempo real.

– Temos visto cada vez mais adolescentes imersos em ambientes digitais, adoecidos com a hiperconectividade. E a improvisação é um processo que valoriza a escuta, a colaboração e a coragem de lidar com o inesperado. É uma ferramenta poderosa que permite que eles aceitem novas possibilidades, se reinventem e se experimentem em outros lugares. É uma ajuda valiosa para seguir com mais tranquilidade quando é preciso recalcular a rota – explica.

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Lola Borges 

Lola é pesquisadora e diretora de elenco, atriz e professora de teatro. Integrante do Grupo Teatro do Nada, referência nacional em improvisação teatral, recentemente homenageado com uma Moção de Aplauso da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro por sua contribuição à linguagem do improviso no país. Ganhou o prêmio de Melhor Direção no Impro Grand Prix 2025, festival em que o grupo Os Pedros também foi premiado como Melhor Grupo Revelação.

Coordenou a pesquisa de elenco das premiadas séries “Eu Sou Assim” e “Histórias de Adoção” (GNT) e do programa infantil “Quintal TV” (Futura), vencedor do 39º Chicago International Children’s Film Festival.

Como produtora e educadora, foi contemplada em editais como Funarte Arte em Toda Parte, Arte e Escola (Prefeitura do Rio) e Funarte Respirarte (2020 e 2021). No campo das performances, atuou como diretora e preparadora de elenco no Showcase da Coca-Cola durante as Olimpíadas Rio 2016. Atualmente ministra cursos regulares de teatro e improvisação para crianças e adolescentes, além de oficinas criativas em empresas como YouTube e Google, mas trabalha para que um dia consiga fomento para um projeto que aconteça de forma regular com alunos da rede pública.

Também é estudante de psicologia e leva o psicodrama e a improvisação para adolescentes no serviço de psicologia aplicada da universidade onde estuda e para uma unidade de reinserção social da Prefeitura do Rio.

 

Serviço: 

Local: Casa da Comédia Carioca – Rua Joana Angélica, 63, Ipanema, Rio de Janeiro – RJ

Dia e hora: 12 de abril, domingo, às 19h

Entrada: de R$ 35 a R$ 70, vendas pelo site https://casadacomediacarioca.com/schedule

Classificação etária: livre

 

Ficha técnica:

Direção: Lola Borges

Improvisador de som: Taiyo Omura

Elenco: Alice Garcia, Flor Buscacio, Isa Modenesi, Jana Moraes, João Kapps, Luísa Trotta, Luiza Brasil, Pedro Sequeira, Pilar Xavier e Theo Sanchez

Fotógrafo: Thiago Facina

Assessoria de imprensa: Carlos Pinho

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“Ensaios para Ponciá” leva a poética de Conceição Evaristo dos livros para os palcos de dança

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A jornada de autodescoberta, memória e ancestralidade negra  presente no livro Ponciá Vicêncio ganha uma nova dimensão. Livremente inspirado na obra da escritora Conceição Evaristo, o espetáculo de dança “Ensaios para Ponciá” parte  do universo do livro da autora para transformar a palavra em movimento e o silêncio em corpo presente.

A montagem, que tem como processo de criação a ideia de corpo motriz, explora a herança cultural e as marcas da diáspora africana, evocando aspectos presentes no romance, como a relação com a terra, com as artesanias com o barro e o cultivo,  a exploração do trabalho pelos senhores donos de terras e do êxodo rural na busca de uma vida mais justa, uma luta pela existência. evocando aspectos presentes no romance, como a relação com a terra, com as artesanias com o barro e o cultivo,  a exploração do trabalho pelos senhores donos de terras e o êxodo rural na busca por uma vida mais justa, uma luta pela existência. Por meio da estética que busca uma linguagem cênica encruzilhada de fissuras, fricções e do jogo da dança teatral com as motrizes das culturas tradicionais-populares e afro-brasileiras, o espetáculo propõe um diálogo sensível com o público sobre reexistência e afeto.

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Para o diretor do espetáculo, Murilo De Paula, a criação a partir da literatura de Evaristo para o palco foi um exercício de diálogo entre a cena e a obra literária. Segundo ele, “a ideia de ensaio presente no título do espetáculo evidencia esse aspecto da cena como espaço de relação e reelaboração de afetos, conflitos e lutas étnico-raciais decorrentes do processo colonial”.

O Corpo que Fala

O espetáculo retoma a parceria entre a Nave Gris Cia. Cênica e o Visível Núcleo de Criação, contando com participação especial do artista da dança Kleber Lourenço,  pernambucano que reside em São Paulo. Desde 2016, ambas as companhias trabalham em parceria, quando realizaram a VISÍVEL+NAVE Encruzilhada Ocupação Cênica, pelo edital Cena Aberta FUNARTE 2016 da Sala Renée Gumiel em São Paulo, que reuniu trabalhos autorais em dança contemporânea, produzidos de forma independente e voltados para a investigação da linguagem cênica a partir de motrizes presentes nas culturas populares e manifestações afro-brasileiras, bem como, a exploração no campo das teatralidades expandidas.

No palco, as criadoras-intérpretes Carolina Alves e Kanzelumuka e o criador-intérprete Kleber Lourenço se deixam atravessar pelas múltiplas narrativas presentes na obra Ponciá Vicêncio. A dança se faz por meio das relações que tecem com suas experiências, no que tange processos de deslocamentos, em busca de bem-viver, num jogo gestual que é nutrido pela presença constante de Angorô, a “grande cobra celeste”, senhora dos movimentos e das transformações vitais.

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Kanzelumuka e Kleber Lourenço, que também assinam a concepção coreográfica da obra, destacam que a criação a partir da ideia de corpo motriz faz parte da trajetória das duas companhias e que o convívio de parte dos artistas do projeto com comunidades-terreiro se faz evidente em seus trabalhos anteriores, como Ato e Corredeira, da Nave Gris, e Pedreira!, do Visível Núcleo, reafirmando a cada espetáculo suas pesquisas artísticas centradas no corpo negro como lugar de trânsito de memórias e narrativas, em especial friccionando noções de temporalidade, ancestralidade e fazer político-epistemológico das danças negras teatrais.

Serviço

Local: ECRR Teatro Galpão Hugo Roda

Datas e Horários: 18 e 19 de abril sessões 16h e 19h

Classificação Indicativa: 10 anos

Ingressos Gratuitos com retirada via plataforma Sympla

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