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Fim da escala 6×1 pode elevar custos, pressionar empregos e afetar serviços essenciais, alerta Febrac

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Congresso Nacional – Foto Pedro França – Agência Senado

Entidade representante do setor de facilities defende diálogo técnico e transição responsável para evitar impactos econômicos, aumento de impostos indiretos e prejuízos ao emprego formal

 

A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) manifesta preocupação com o avanço da proposta que prevê o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). Para a entidade, embora o debate sobre qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e descanso seja legítimo, uma mudança imposta de forma abrupta, sem diálogo técnico e sem medidas compensatórias, pode gerar impactos significativos para o setor produtivo, especialmente para as pequenas e médias empresas que concentram grande parte dos empregos formais no Brasil.

O setor de serviços — que inclui limpeza, facilities, gestão de resíduos e recursos humanos — é hoje um dos principais pilares da geração de empregos no país. Dados do Novo Caged indicam que, entre janeiro e julho de 2025, o segmento registrou saldo positivo superior a 80 mil vagas formais. Trata-se de uma atividade intensiva em mão de obra, com contratos atrelados a licitações públicas e privadas, margens reduzidas e elevada carga tributária sobre a folha de pagamento.

Para a Febrac, a redução da jornada sem redução salarial implicaria aumento direto dos custos operacionais. Empresas que operam sete dias por semana (como hospitais, escolas, aeroportos e prédios públicos) teriam de ampliar seus quadros para manter a mesma oferta de serviços. O impacto financeiro tende a ser expressivo: ao manter o salário para menos dias trabalhados, o custo diário do empregado aumenta, exigindo novas contratações para cobrir a escala. Esse acréscimo pode superar 20% em determinados segmentos, pressionando contratos e reajustes de preços ao consumidor.

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“Uma alteração desse porte precisa ser amplamente debatida. Mudanças precipitadas podem produzir desequilíbrios econômicos e sociais que atingem principalmente as pequenas empresas, que têm menor capacidade de absorção de custos adicionais”, afirma o presidente da Febrac, Edmilson Pereira.

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Edmilson Pereira, presidente da Febrac – Divulgação

Além do impacto direto na folha, a entidade ressalta que o Brasil já possui uma das maiores cargas tributárias incidentes sobre o emprego formal. Encargos trabalhistas e previdenciários elevam substancialmente o custo de contratação. Sem medidas como a desoneração da folha ou uma transição gradual, o peso da mudança tende a recair exclusivamente sobre o empregador, e, por consequência, sobre a sociedade. “Isso pode resultar em repasses de preços, perda de competitividade, avanço da informalidade e até redução de postos de trabalho”, detalha Edmilson.

Dados da PNAD Contínua (IBGE) indicam que, embora o limite constitucional seja de 44 horas, é observado que a jornada média efetivamente trabalhada no Brasil já gira em torno de 39 horas  — semanais, um valor inferior ao limite legal máximo de 44 horas previsto na Constituição Federal. Para a Febrac, isso é fruto de negociações coletivas e arranjos setoriais. Portanto, o modelo atual permite flexibilidade e adaptações conforme a realidade de cada segmento econômico. A imposição de uma regra única desconsidera a diversidade produtiva do país e pode comprometer serviços essenciais prestados à população.

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“Essa proposta deve ser discutida no âmbito das convenções coletivas, respeitando as especificidades de cada setor. Sem uma transição responsável e sem a divisão equilibrada dos custos, inclusive com participação do Estado por meio da redução de encargos, corremos o risco de prejudicar exatamente o trabalhador que se pretende beneficiar”, destaca Edmilson Pereira.

A Federação finaliza reforçando que não é contrária ao debate sobre modernização das relações de trabalho, mas defende que qualquer mudança estrutural seja construída com responsabilidade fiscal, segurança jurídica e previsibilidade econômica. Para a entidade, o foco deve estar no impacto para toda a sociedade, garantindo a preservação do emprego formal, da competitividade das empresas e da continuidade dos serviços essenciais.

Sobre a Febrac – A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços Terceirizáveis (Febrac) foi criada para representar os interesses dos setores de serviços de Asseio e Conservação. Hoje, representa 12 setores ligados à terceirização de mão de obra especializada.

Com sede em Brasília, a federação agrega sindicatos nas 27 unidades federativas do país e ocupa cargos na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), nos Conselhos Nacionais do SESC e do SENAC, na Central Brasileira de Apoio ao Setor de Serviços (CEBRASSE) e na Câmara Brasileira de Serviços Terceirizáveis e na World Federation of Building Service Contractors (WFBSC). A Febrac tem como objetivo cuidar, organizar, defender e zelar pela organização das atividades por ela representadas.

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ECONOMIA

SUPERQUARTA: COPOM E FED DECIDEM OS JUROS EM MEIO A CENÁRIO DE INCERTEZA NA ECONOMIA GLOBAL

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Foto: Otavio Henriques/pinterest.com

 

Nesta quarta-feira (17), o mercado financeiro acompanha uma das datas mais importantes do calendário econômico: a chamada Superquarta, quando o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, e o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, anunciam suas decisões sobre as taxas de juros.

No Brasil, a expectativa está voltada para os próximos passos da política monetária diante da inflação, da atividade econômica e dos impactos sobre crédito, consumo e investimentos.

Nos Estados Unidos, a reunião ganha um componente político e econômico adicional. Esta será a primeira decisão de juros sob a presidência de Kevin Warsh, que assumiu o comando do Fed após ser indicado pelo presidente Donald Trump. O mercado acompanha os primeiros sinais da nova gestão e os possíveis reflexos para o dólar, os mercados globais e países emergentes, como o Brasil.

Para o cientista político e especialista em economia Henrique Hellas, da Continuum Private Assessoria de Investimentos, a expectativa do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, passando de 14,50% para 14,25% ao ano. “Economicamente, o corte se justifica pois a taxa de juros real do Brasil está excessivamente alta e mesmo com um alívio pontual o Banco Central não retira o caráter restritivo da política monetária”, pontua Hellas.

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Segundo Hellas, o cenário ainda impõe desafios ao Comitê de Política Monetária. “Contudo esse número ainda configura um dilema para o Comitê de Política Monetária (COPOM), O IPCA acumulado dos últimos 12 meses, 4,72% ficou acima do teto da meta 4,50%, o cenário exige cautela. Caso o corte se confirme, espera-se um comunicado com tom mais ‘assimétrico para cima’, sinalizando riscos inflacionários e uma possível pausa no ciclo de flexibilização”.

Nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção da taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%. Mais do que a decisão em si, o mercado deve acompanhar atentamente o Summary of Economic Projections (SEP), conhecido como Dot Plot, documento que reúne as projeções dos dirigentes do Fed para a trajetória futura dos juros.

Além disso, investidores e analistas aguardam a primeira entrevista coletiva de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve, que poderá trazer sinais sobre os próximos passos da política monetária norte-americana.

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