Em “Pisadinha de Nova York”, artista belga de raízes espanholas transforma a vivência entre Brasil e Estados Unidos em faixa dançante, clipe em Super 8 e MiniDV e uma identidade sonora sem fronteiras
A cantora, compositora e produtora Laura Peartree apresenta “Pisadinha de Nova York”, primeiro trabalho solo que coloca o piseiro em diálogo com a rotina multicultural da cidade onde vive. Belga de raízes espanholas e marcada pelos anos que passou no Brasil, Laura assina composição, produção e gravação da faixa, finalizada por Pedro Cambraia (Cido) na mixagem e masterização.
A música parte de uma batida de piseiro criada pela artista em um experimento no Ableton. Dela, nasceu uma letra sobre pertencimento, mistura e a força da cultura brasileira e latina em Nova York. Com refrão dançante, humor e leveza, a faixa recusa uma identidade fechada e se movimenta entre referências como João Gomes, Marina Sena, Manu Chao, Rosalía e Bad Bunny.
“Essa música surge da minha paixão pelo Brasil, pela coisa latina, pela mistura, e por esse lugar onde eu consegui me sentir pertencendo de alguma maneira”, afirma Laura.
O encontro entre territórios não fica restrito à sonoridade. O clipe de “Pisadinha de Nova York” foi gravado ao longo de dois dias em Super 8 e MiniDV e percorre Jackson Heights — bairro onde a artista mora e um dos lugares de maior diversidade étnica da cidade —, estações de metrô e a ponte de Williamsburg, no Brooklyn.
Pessoas do próprio bairro aparecem cantando e interagindo com a música, deslocando Laura do papel de protagonista isolada e tornando o vídeo um registro coletivo daquele território.
“Gravamos o clipe em Super 8 e MiniDV, registrando cenas em Jackson Heights, bairro onde moro e um dos lugares de maior diversidade étnica de Nova York, além do metrô e da ponte de Williamsburg, no Brooklyn”, explica a artista.
O vídeo reúne Catarina Aranha, Ernesto Papaleo, Ricardo Lerman, Amanda Sadi, Renato Tizzi e Gaspar Sadi Tizzi. A direção e fotografia são de Lívia Sá, com produção e direção de Laura Peartree, Lívia Sá, Nalu Romano, Catarina Aranha e Ricardo Lerman.
Na etapa final da faixa, Laura trabalha com Cido, engenheiro de mixagem e produtor integrante do grupo MGZD. O profissional já colaborou com artistas como Johnny Hooker e Rosa Neon e venceu o Grammy Latino por “Rock Doido”, de Gaby Amarantos. Antes da estreia solo, Laura também participou de trabalhos de Sessa, Ana Frango Elétrico, Orlas, Juan Wauters e Taxi Vision.
Depois de celebrar “Pisadinha de Nova York” na cidade que inspirou a faixa, Laura vem ao Brasil em outubro para apresentá-la ao público. Para o início de 2027, a artista já prepara uma nova música inspirada no carnaval.
Faixa do EP “Ruas do Bairro” ganha uma produção audiovisual marcada pela estética urbana e pelo contraste entre arquitetura e abandono
Depois de apresentar seu primeiro EP, “Ruas do Bairro”, a rapper Stelly dá continuidade ao projeto com o lançamento do videoclipe de “Caminhoneira”. Uma das faixas favoritas da artista, a música nasceu durante o Camping do selo BRABA Music. Para o clipe, a artista encontrou em um dos prédios históricos de São Paulo o cenário que traduzia a atmosfera urbana pensada para a faixa. O audiovisual de “Caminhoneira” chega ao canal de Stelly no YouTube nesta quarta-feira (30).
A música tomou forma a partir do encontro entre a composição de Stelly e o beat de Safê no camping da BRABA Music, sem uma ideia pré-concebida. “Essa faixa simplesmente aconteceu. Foi criada sem pretensão nenhuma e simplesmente saiu da melhor forma”, conta a artista. Depois de pronta, “Caminhoneira” entrou no repertório de “Ruas do Bairro”.
Na letra, Stelly fala sobre escolhas, ambição e disposição para continuar fazendo seu corre, além de refletir sobre o valor do tempo e a vontade de construir a própria história. “Falo sobre as minhas escolhas, quanto eu tô na busca de fazer esse jogo virar, sobre os motivos de continuar e o quanto o tempo é precioso”, explica.
A descoberta da locação aconteceu poucos dias antes da gravação. O edifício em estilo art déco projetado pelo arquiteto francês Henri Sajous foi construído em 1952 para abrigar a escola que atendia os filhos de sócios e funcionários do Jockey Club de São Paulo. Entre as décadas de 1980 e 2010, o espaço também abrigou o Colégio Equipe. Atualmente abandonado e depredado, o prédio preserva elementos de sua arquitetura original e foi escolhido por Stelly justamente pela atmosfera criada pelo contraste entre a construção histórica, os sinais do tempo e a estética urbana do clipe.
“Ficamos um pouco inseguras por se tratar de um edifício que está bastante depredado, mas durante a gravação percebemos que foi a melhor escolha”, afirma. A estética marcada pelo abandono e pelos sinais do tempo dialoga com a sonoridade do trap e com a identidade visual construída para o EP.
Com “Caminhoneira”, Stelly amplia o universo de “Ruas do Bairro” e transforma uma das faixas que considera mais especiais do projeto em experiência audiovisual. “Caminhoneira é a mina que quebra todas as expectativas”, resume a artista.
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