BRASÍLIA

João Costa

Tempo doado também move a economia

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Imagem: Divulgação Vecteezy

 

Essencial para a sustentabilidade de organizações sociais, o trabalho voluntário de pessoas, profissionais autônomos e empresas representa horas qualificadas de atuação e será tema do Reverbera, dia 23/07, no INCAvoluntário

O trabalho voluntário costuma ser associado à solidariedade, mas também pode ser medido por uma régua menos visível: a econômica. Em organizações sociais, horas doadas por pessoas físicas, profissionais autônomos e empresas ampliam a capacidade de atendimento e permitem que mais recursos sejam direcionados à atividade-fim.

No Rio de Janeiro, instituições como o INCAvoluntário, o Instituto Apontar e o Pro Criança Cardíaca mostram, na prática, como o tempo doado também sustenta serviços, fortalece causas e contribui para o avanço da sociedade. Essa será uma das discussões da terceira edição do Reverbera, que acontece no dia 23 de julho, das 9h às 12h, no auditório do INCAvoluntário, no Centro do Rio de Janeiro.

O encontro terá como tema central o voluntariado e reunirá organizações sociais para compartilhar experiências sobre mobilização, engajamento, gestão e impacto do trabalho voluntário.

As inscrições são gratuitas pelo link https://forms.gle/5AA1uGLzPN8vsuJ7A . No INCAvoluntário, área de ações sociais do Instituto Nacional de Câncer, cerca de 300 voluntários doaram mais de nove mil horas de trabalho apenas no primeiro trimestre de 2026.

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Se essas horas fossem remuneradas, representariam aproximadamente R$ 67 mil no período (ou R$ 268 mil por ano), valor que ajuda a dimensionar a importância do voluntariado para a manutenção de atividades voltadas ao acolhimento e apoio social de pacientes em tratamento oncológico.

No Instituto Apontar, que atende atualmente cerca de 800 crianças e adolescentes a partir do quarto ano do Ensino Fundamental, o apoio pro bono do escritório Vinhas e Redenschi Advogados também revela o peso econômico da atuação voluntária qualificada. Há oito anos, o escritório contribui com demandas jurídicas que vão de contratos, locações e doações à estruturação estatutária e apoio à governança. Caso fosse remunerado, o valor do serviço ficaria entre R$ 80 mil e R$ 100 mil por ano.

Já no Pro Criança Cardíaca, que completa 30 anos em 2026, mais de 60 profissionais voluntários doam tempo e conhecimento para garantir parte essencial do atendimento gratuito oferecido a crianças e adolescentes com cardiopatias congênitas e adquiridas. Somente em 2025, esse trabalho representou uma contribuição estimada em R$ 995.593 para a instituição. Entre as frentes de atuação estão Odontologia, Nutrição, Psicologia, Direito, Educação e Contação de Histórias. “Quando uma pessoa ou uma empresa doa tempo, conhecimento e experiência, ela está ajudando uma instituição e, também, fortalecendo uma rede de cuidado, cidadania e resposta social.

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O voluntariado tem impacto humano, institucional e econômico, e precisamos falar sobre isso com mais clareza”, afirma Fernanda Vieira, gerente-geral do INCAvoluntário, anfitrião desta edição do evento. O Reverbera é uma iniciativa colaborativa criada a partir do movimento de compartilhamento de conhecimento iniciado durante a Feira Internacional de Captação de Recursos para Organizações da Sociedade Civil.

No Rio, os encontros reúnem profissionais, gestores e representantes do Terceiro Setor para trocar experiências práticas, desafios e soluções voltadas ao fortalecimento das organizações sociais.

SERVIÇO

Reverbera – 3ª edição

Tema: Voluntariado

Data: 23 de julho

Horário: 9h às 12h

Local: Auditório do INCAvoluntário — Rua Washington Luís, 35, 3º andar — Centro — Rio de Janeiro

Inscrições: https://forms.gle/5AA1uGLzPN8vsuJ7A

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ECONOMIA

Ingrediente brasileiro ganha espaço no mercado sem glúten dos Estados Unidos

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Três Coqueiros inicia processo de internacionalização e aposta na versatilidade do polvilho de fermentação natural para alcançar o mercado internacional.

Presente em receitas tradicionais como pão de queijo, biscoitos e bolos, o polvilho ainda é pouco conhecido nos Estados Unidos fora da comunidade brasileira. Em um mercado marcado pela procura por alimentos sem glúten, ingredientes naturais e alternativas à farinha de trigo, a Três Coqueiros identificou uma oportunidade para apresentar ao consumidor norte-americano uma matéria-prima que faz parte da cultura alimentar do Brasil há gerações.

Com mais de 30 anos de atuação, a empresa catarinense iniciou seu processo de internacionalização sob a liderança da CEO Mariane Domingos. A estratégia busca ampliar a presença do polvilho no exterior, mostrando que o ingrediente pode ir além das receitas brasileiras e ser incorporado a diferentes preparações.

“Não queremos apenas exportar polvilho. Queremos mostrar ao mundo o potencial da mandioca brasileira. Acreditamos que ela será uma das matérias-primas mais importantes para a alimentação do futuro, especialmente em produtos sem glúten, ingredientes funcionais e alimentos mais naturais”, afirma Mariane. Pedro Domingos, irmão de Mariane, atua como diretor financeiro e participa da estratégia de crescimento da companhia.

Estratégia começa pelo consumidor brasileiro

A entrada da Três Coqueiros nos Estados Unidos é conduzida pela World Bridge Brands (WBB), empresa especializada no desenvolvimento de marcas brasileiras no mercado norte-americano e que trabalha com negócios como Chilli Beans e Natura.

Os sócios Nathali Oliveira e Paulo Argollo estão à frente do projeto, que envolve o posicionamento da marca, a adaptação de sua apresentação para o novo mercado e a negociação com diferentes canais de varejo.

A primeira etapa da estratégia busca alcançar os brasileiros que vivem no país e já conhecem o polvilho. Esse público representa uma base inicial de consumidores familiarizados com o ingrediente e com receitas nas quais ele é utilizado.

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Ao mesmo tempo, a WBB pretende ampliar o alcance do produto entre norte-americanos que procuram opções naturalmente livres de glúten, ingredientes de origem vegetal e novas possibilidades para substituir a farinha de trigo.

“O público brasileiro representa uma porta de entrada importante, porque já conhece o produto e mantém uma relação afetiva com receitas feitas à base de polvilho. Mas existe um mercado muito maior entre consumidores que procuram alimentos gluten-free, ingredientes naturais e novas possibilidades para a alimentação”, afirmam os sócios da WBB.

O trabalho também inclui uma etapa de educação do consumidor. A proposta é explicar a origem do polvilho, suas formas de utilização e as características que o diferenciam de outros amidos encontrados no mercado americano.

Produto ficou fora da tarifa adicional

Outro fator considerado favorável para a expansão é que o polvilho não foi atingido pela tarifa adicional imposta pelo governo de Donald Trump a determinados produtos brasileiros.

A fécula de mandioca está entre as exceções previstas na medida, o que reduz o impacto comercial da nova taxação sobre a entrada do ingrediente nos Estados Unidos.

Para a Três Coqueiros, o cenário cria condições mais favoráveis para iniciar a prospecção de canais de venda e apresentar o produto a um público que vem ampliando o interesse por alimentos sem glúten e ingredientes com origem identificável.

Fermentação natural diferencia o produto

A estratégia de internacionalização está apoiada no método de produção adotado pela empresa. A Três Coqueiros adquire a mandioca de pequenos produtores locais, fortalecendo uma cadeia regional que acompanha o negócio desde sua origem.

Depois do processamento da raiz, o amido permanece em tanques por aproximadamente quatro meses, período em que ocorre a fermentação natural. Em seguida, o polvilho é seco ao sol. O processo respeita o tempo necessário para que o produto desenvolva suas características de qualidade, funcionalidade e sabor.

A escolha diferencia a Três Coqueiros de métodos industriais que aceleram ou modificam o amido com o uso de substâncias químicas. Dependendo da finalidade do produto, esses processos podem utilizar elementos como cloreto de cálcio, anidrido acético, ácido clorídrico concentrado, peróxido de hidrogênio a 35%, sulfato de cobre e soda cáustica a 4%.

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A empresa, por sua vez, preserva a fermentação biológica natural, sem recorrer à aceleração química desse ciclo.

“Nosso polvilho é produzido respeitando o tempo da fermentação e cada etapa do processo. Não existe um ingrediente capaz de substituir esse tempo. É mandioca, fermentação natural e secagem ao sol. Esse cuidado faz toda a diferença na qualidade do produto”, explica Mariane.

A Três Coqueiros produz cerca de 1.500 toneladas de polvilho por ano.

Além de manter o método tradicional, a companhia investe em análises laboratoriais para compreender melhor as propriedades do polvilho fermentado e estudar novas aplicações para a mandioca. Os planos incluem o desenvolvimento de ingredientes e soluções alimentícias que combinem praticidade, versatilidade e uma composição mais simples.

Mariane Domingos. Foto: Divulgação.

Mandioca brasileira como ingrediente do futuro

Para a CEO, a chegada aos Estados Unidos pode abrir caminho não apenas para a empresa, mas também para uma nova percepção internacional sobre a mandioca brasileira.

Além de estar associada à identidade alimentar do país, a raiz pode ser utilizada no desenvolvimento de diferentes produtos, atendendo a consumidores interessados em alternativas sem glúten e alimentos produzidos com processos mais naturais.

A proposta da Três Coqueiros é combinar essa demanda contemporânea com um conhecimento transmitido dentro da família ao longo de gerações e com a valorização dos pequenos agricultores responsáveis pelo fornecimento da matéria-prima.

“Queremos que, quando alguém pensar em mandioca de alta qualidade, pense no Brasil. E, quando pensar no Brasil, conheça a Três Coqueiros. Nosso objetivo é unir tradição, qualidade e inovação para construir uma marca brasileira reconhecida internacionalmente”, conclui Mariane.

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