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Expedição do SUS amplia acesso de indígenas do Alto Rio Negro a consultas e exames especializados

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Entre os dias 8 e 15 de outubro, o Sistema Único de Saúde (SUS) realiza uma expedição de atenção especializada à saúde indígena no Amazonas. A ação será realizada na Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. Franklin Quirino, em São Gabriel da Cachoeira, e prevê 743 atendimentos e procedimentos para indígenas assistidos pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Negro.

Ao longo dos oito dias, estão previstas 120 consultas em clínica médica, 120 em pediatria e 263 atendimentos em saúde da mulher, além de 120 ultrassonografias e 120 exames laboratoriais. Os atendimentos também contemplam avaliação para diagnóstico de doenças crônicas e outros agravos, acompanhamento dos casos e articulação entre a Atenção Primária, a atenção especializada e os demais pontos da Rede de Atenção à Saúde.

Entre os públicos prioritários estão usuários da Casa de Saúde Indígena (Casai) de São Gabriel da Cachoeira que aguardam avaliação ou acompanhamento especializado, crianças com necessidade de atendimento pediátrico, mulheres com demandas ginecológicas, pessoas com doenças crônicas e pacientes com indicação para ultrassonografia e exames laboratoriais.

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“Estamos levando a atenção especializada para mais perto dos povos indígenas, respeitando as características do território e de cada população. Essa ação permite reduzir o tempo de espera por consultas e exames, avançar no diagnóstico e dar continuidade ao cuidado. É o SUS chegando aonde as pessoas estão, respeitando as necessidades de cada população e garantindo uma atenção diferenciada’’, destacou a secretária adjunta da Sesai, Putira Sacuena, que acompanha a ação. 

A iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas, criado pela Lei nº 15.233/2025, e prevê atendimentos destinados à redução de demandas reprimidas e à continuidade do cuidado à saúde. A expedição é articulada pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), pelo DSEI Alto Rio Negro e pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), com a participação da Casai São Gabriel da Cachoeira e da rede local de saúde, em parceria com o Departamento de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (DMIRN) e com o Hospital Israelita Albert Einstein.

Atendimento estratégico em áreas de difícil acesso

O DSEI Alto Rio Negro abrange os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. São cerca de 29,9 mil indígenas, de 23 etnias, distribuídos em 650 aldeias e atendidos por 25 polos-base. A dispersão geográfica e a dependência dos transportes terrestre, fluvial e aéreo estão entre os principais desafios para garantir acesso regular à atenção especializada na região.

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A Casai São Gabriel da Cachoeira tem papel estratégico nesse atendimento ao receber usuários provenientes dos 25 polos-base do DSEI Alto Rio Negro, além de pacientes oriundos de polos da área de abrangência do DSEI Yanomami localizados na região.

Edjalma Borges
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Estigma social atrasa tratamento e piora o prognóstico de quem vive com obesidade

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Falta de apoio familiar e julgamento afastam pessoas dos consultórios e geram prejuízos que podem ser irreversíveis, alerta cirurgião bariátrico

 

Os pacientes que buscam o cirurgião bariátrico César De Fazzio, diretor do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília, raramente chegam cedo. Em geral, eles passam anos ouvindo que não têm força de vontade, que são preguiçosos ou que basta fechar a boca. E, muitas vezes, quem mais repete esse julgamento são familiares e pessoas próximas. “Eu costumo dizer que quem chega ao consultório depois de ouvir tanto absurdo já é um vencedor, só por ter tido a coragem de entrar pela porta”, afirma o médico.

Esse atraso na procura pelo tratamento tem consequências clínicas concretas e, em alguns casos, irreversíveis. Cada ano que o paciente adia o tratamento é um ano a mais de doença ativa no organismo, assim como as comorbidades associadas a ela. “Um diabético operado nos primeiros anos de doença tem chance real de remissão. O mesmo paciente operado dez anos depois, já usando insulina, na maioria das vezes vai conseguir controle e redução de medicação, mas não a remissão completa, porque a reserva pancreática já se perdeu”, explica De Fazzio. O mesmo vale para as articulações: o emagrecimento alivia a dor, mas a lesão instalada não se desfaz.

Por trás do estigma está um equívoco fundamental sobre a natureza da obesidade. A doença tem base metabólica e hormonal. Trata-se de um problema crônico e multifatorial que pode ser agravado quando o julgamento vem, inclusive, de dentro do próprio sistema de saúde. De Fazzio relata que vários pacientes chegam ao consultório depois de terem sido desestimulados por profissionais de saúde que não dominam a fisiopatologia da obesidade e, por isso, subestimam a complexidade dessa condição de saúde.

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Acolhimento como parte do protocolo clínico

O ambiente doméstico pode ser tanto o maior aliado quanto o principal obstáculo no tratamento. De Fazzio relata casos de pacientes na primeira semana de pós-operatório — com dieta restrita e organismo em adaptação — que voltaram para casa e encontraram churrascos, festas e pedidos de pizza, sem nenhuma consideração pelo momento que atravessavam. Há ainda pacientes que chegam ao consultório escondidos, sem contar a ninguém sobre a consulta ou o tratamento.

“Quando percebo que o paciente está atravessando essa jornada sozinho, peço para trazer alguém à consulta, que pode ser um familiar ou amigo próximo. Sento com essa pessoa e explico como ela pode ser o diferencial positivo no tratamento. Funciona, porque na maioria das vezes o familiar não está sabotando por maldade, mas por desinformação”, conta o médico.

Além disso, a forma como o profissional de saúde recebe o paciente também contribui para o sucesso do tratamento. O paciente com obesidade chega ao consultório já machucado por anos de julgamento, e se ele encontra mais um profissional apressado que apenas entrega uma receita sem escutá-lo, dificilmente dará continuidade ao protocolo, diz De Fazzio. Por isso, a escuta ativa, a explicação detalhada sobre a doença e a construção de um vínculo de confiança são, na visão do cirurgião, tão determinantes para o resultado de longo prazo quanto a técnica cirúrgica ou a medicação escolhida.

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“Acolher é escutar de verdade. É perguntar sobre a história daquela pessoa, entender o que ela já tentou, o que deu errado, o que ela sente. Obesidade é uma doença crônica, então o acompanhamento dura anos. Ninguém mantém um vínculo desses com quem o faz se sentir julgado”, conclui o especialista.

 

Sobre César De Fazzio

O cirurgião bariátrico César De Fazzio dedica-se à área do aparelho digestivo há mais de 15 anos. Fundador do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília-DF, é referência no tratamento cirúrgico e clínico da obesidade. Com um olhar sistêmico do paciente, o especialista coordena todas as etapas do emagrecimento, integrando medicina, nutrição e psicologia em um acompanhamento multidisciplinar. Sua prática é pautada em evidências científicas, pela ética e pelo uso de tecnologia de ponta com materiais de alta qualidade em intervenções minimamente invasivas, visando resultados de longo prazo. Prioriza a segurança e um atendimento transparente e individualizado.

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