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Povos de terreiro apresentam caderno com propostas para candidatos do DF

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Documento construído por cinco organizações reúne demandas e propostas para áreas como saúde, educação, direitos humanos, cultura e proteção territorial

Os povos tradicionais de terreiro do Distrito Federal e Entorno passam a contar com uma agenda sistematizada de propostas para o fortalecimento de políticas públicas voltadas às suas comunidades. Construído coletivamente durante a 1ª Conferência dos Povos de Terreiro do Distrito Federal e Entorno, o Caderno de Propostas para os Povos Tradicionais de Terreiro do DF e Entorno reúne 85 medidas organizadas em 13 eixos: Educação, Saúde, Segurança, Terracap, Direitos Humanos, Igualdade Racial, Cultura, Assistência Social, Trabalho e Renda, Turismo, Meio Ambiente, Praça dos Orixás e um Eixo Único.

A elaboração do documento envolveu a Associação das Tradições Culturais e Sociais Afro-Brasileiras e Ameríndias do Estado de Goiás (Atracar), a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro), o Coletivo das Yás do DF e Entorno, o Fórum Religioso Permanente Afro-Brasileiro de Brasília e Entorno (Foafro) e o Instituto Rosa dos Ventos. A construção conjunta parte das demandas e experiências dos próprios povos de terreiro e organiza uma agenda política voltada ao reconhecimento de seus territórios, à garantia de direitos e ao enfrentamento do racismo religioso.

A Praça dos Orixás ocupa lugar de destaque no documento, com propostas que incluem sua revitalização e recuperação, garantia de infraestrutura, segurança e acessibilidade, realização de atividades permanentes e o reconhecimento do espaço como território de cultura, memória, patrimônio e fé dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana. O caderno também propõe ações educacionais, estruturais, sociais, turísticas, de acessibilidade e tecnologia para o espaço.

“A poucos quilômetros do centro do poder, encontra-se esse espaço de celebração às culturas de matriz africana. Isso tem um significado histórico e social extremamente importante. Significa que os nossos saberes tradicionais também fazem parte da construção da cidade. Trazer essas medidas para a Praça dos Orixás é fortalecer o papel fundamental das guardiãs e dos guardiões dessas tradições para a cultura e a cidadania do brasiliense”, observa a presidente do Instituto Rosa dos Ventos, Stéffanie Oliveira.

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Educação 

Entre as propostas estão medidas para a implementação efetiva da Lei nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira na educação básica. “A criação dessa lei é de 2003. Porém, ainda hoje, muitas instituições apresentam dificuldades para aplicá-la ou destinam esses conteúdos para o período da Consciência Negra, em novembro”, aponta Mãe Vilcilene Ty Jagun, do Coletivo das Yás.

“As escolas preferem não trabalhar a cultura africana ou afro-brasileira, mas usam tópicos desse grandioso saber como se fossem temas transversais. É necessário uma fiscalização do cumprimento dessa lei. Tanto por parte da instituição, quanto dos educadores”, completa a sacerdotisa.

Lei do Silêncio

O documento também propõe a revisão Lei Distrital nº 4.092/2008, mais conhecida como a Lei do Silêncio, que regulamenta o controle de sons e ruídos em zonas urbanas e rurais do DF. As entidades entendem que é preciso levar em consideração as especificidades culturais, religiosas e territoriais dos povos de terreiro, de modo a garantir o direito à livre manifestação e combater a criminalização das práticas tradicionais de matriz africana.

O advogado e Babalorixá Thiago de Oliveira avalia que a Lei do Silêncio do DF apresenta várias lacunas, gerando insegurança jurídica e desigualdade na fiscalização e na sua aplicação da lei, principalmente em cultos de religiões de matriz africanas e outras manifestações culturais de origem afro-brasileira. “O Poder Público, que aplica a lei por meio do DF Legal ou da Polícia Militar, não entende que ali é um espaço religioso e aquilo é uma manifestação religiosa. Isso ocorre por conta do racismo religioso institucional. A lei é aplicada sem essa sensibilidade  ou entendimento da situação como um todo ”, sustenta o advogado.

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Eixo único 

Outra demanda que integra o caderno envolve diversos setores da administração pública do Distrito Federal, com a criação de estruturas – pasta, coordenações e diretorias vinculadas a secretarias do GDF –, para tratar das políticas voltadas aos povos e comunidades de matriz africana. A coordenadora do Coletivo de Yás do DF, Mãe Baiana de Oyá, entende que o enfrentamento ao racismo religioso demanda ação integrada de diferentes setores do governo local.

“Não queremos mais que as nossas pautas sejam tratadas como demandas de menor importância. Os povos de terreiros do DF merecem uma estrutura dentro do estado para pensar naquilo que precisamos, nas nossas especificidades e naquilo que qualquer cidadão precisa, como Educação, Saúde, Justiça, Cultura, preservação do Meio Ambiente e terra para viver e celebrar a nossa cultura e os nossos saberes ancestrais”, assinala Mãe Baiana.

Caderno de propostas

A proposta é ampliar o acesso público à agenda construída pelas entidades, deixando o caderno disponível para consulta e conhecimento da sociedade no Linktree da Rosa dos Ventos, disponível na bio do perfil do Instituto Rosa dos Ventos, no Instagram. Assim, as propostas podem circular entre gestores públicos, instituições, organizações da sociedade civil, agentes culturais e comunidades de terreiro, contribuindo para o debate sobre políticas públicas destinadas aos povos tradicionais de matriz africana.

Serviço – Caderno de Propostas para os Povos Tradicionais de Terreiro do DF e Entorno

Redes: https://www.instagram.com/rosadosventosinstituto/

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Labarr inaugura loja no ParkShopping e abre nova fase de expansão

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Chocolateria brasiliense, pioneira na proposta bean to bar na capital e premiada no Brasil e no exterior, estreia operação em shopping center e prepara ampliação da produção

Depois de uma década transformando cacau brasileiro em chocolates que carregam sabores, ingredientes e histórias do país, a Labarr inicia um novo capítulo de sua trajetória. Fundada em Brasília, em 2016, pelos sócios Adriana Labarrère e Leandro Isaías Alves, a chocolateria acaba de inaugurar sua primeira operação em shopping center, no ParkShopping, em uma loja de 42 m² que reúne chocolates, presentes e um espaço para café.

A chegada ao shopping marca um passo importante na expansão da marca brasiliense e inaugura um formato que poderá chegar a outros endereços da capital. A estratégia é ampliar o contato com novos públicos sem abrir mão de uma das características que acompanham a Labarr desde o início: produzir chocolates de origem, a partir de cacau brasileiro, explorando ingredientes e sabores capazes de revelar diferentes territórios do país.

Na nova unidade, o público encontra mais de 80 produtos, entre chocolates ao leite, intensos, veganos e diet, todos sem glúten. Bombons, barras e caixas para presente dividem espaço com receitas que exploram combinações menos convencionais e traduzem o olhar criativo da marca para a brasilidade.

Mangaba, caju, cajá, siriguela, pequi, baru, pimenta-de-macaco e maracujá-do-Cerrado estão entre os ingredientes que já ganharam diferentes interpretações ao lado do chocolate. Frutas sazonais e descobertas feitas em viagens e encontros com produtores também alimentam um repertório que se renova ao longo do ano.

Os produtos têm preços a partir de R$ 10. As barras chegam a R$ 40, enquanto caixas especiais podem alcançar R$ 400, de acordo com a composição e a personalização. O espaço para café amplia a experiência no local e tem entre os destaques o chocolate para beber, também disponível em versão vegana, por R$ 23. Para complementar a bebida, o cliente pode escolher nibs de cacau ou marshmallow maçaricado, por R$ 4 cada. O mix reúne ainda chá de cacau e drágeas, além de geleias, vinhos e mel de cacau selecionados de parceiros.

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Assinado pelo escritório Quinze47, de Gabriela e Guilherme Albuquerque e Ricardo Bicalho, o projeto arquitetônico da nova loja traduz a história da Labarr em uma combinação de rusticidade e sofisticação. Cobogós, lajotas e pisos que remetem às fazendas produtoras ajudam a criar uma atmosfera conectada à procedência dos ingredientes e ao universo que inspira a produção dos chocolates.

A escolha do ParkShopping faz parte de uma estratégia de crescimento gradual. Além de testar um novo modelo de operação, a unidade permite à Labarr alcançar consumidores de diferentes regiões do Distrito Federal, turistas e pessoas que ainda não conheciam a chocolateria.

“Essa loja vem como uma forma de ampliar nossos pontos e aumentar o alcance do nosso produto”, afirma Adriana Labarrère.

Crescer sem perder a essência

A abertura no ParkShopping é uma das frentes de uma etapa mais ampla de expansão. Atualmente, a fábrica da Labarr produz, em média, 18 toneladas de chocolate por ano e já se prepara para ganhar uma nova estrutura. A previsão é transferir a operação, no próximo ano, para um galpão maior, capaz de acompanhar o aumento da demanda e sustentar os novos projetos da empresa.

O movimento acompanha uma meta ambiciosa: dobrar o faturamento neste ano e repetir o desempenho em 2027. Mais do que aumentar a escala, a intenção é estruturar a empresa para crescer de maneira consistente, preservando o cuidado e o acompanhamento de todas as etapas que caracterizam sua produção.

Para a próxima década, o horizonte ultrapassa Brasília. A ambição da Labarr é se consolidar como uma marca brasileira capaz de apresentar ao mundo um chocolate conectado à diversidade do país — seus ingredientes, produtores, paisagens, cultura e modos de fazer. “Queremos ser reconhecidos como uma marca brasileira que leva a história, a cultura, o regionalismo e os ingredientes daqui para o mundo”, resume Adriana.

Do grão à barra, com sotaque do Cerrado

Pioneira em Brasília na proposta bean to bar, a Labarr participa de todas as etapas de elaboração do chocolate, da escolha e processamento das amêndoas de cacau à produção das barras e demais produtos. A matéria-prima é adquirida de pequenos produtores de diferentes regiões brasileiras, principalmente do sul da Bahia, em uma relação que permite à empresa conhecer de perto a procedência do cacau e acompanhar a forma como ele é cultivado.

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A Fazenda Santa Teresa é hoje a principal fornecedora de cacau da chocolateria. A equipe realiza visitas anuais à propriedade, fortalecendo uma relação direta com a produção e com os produtores que estão na base de sua cadeia. Se o cacau vem de diferentes partes do Brasil, é no Cerrado que a Labarr encontra uma de suas principais referências criativas.

Nascida em Brasília, a marca incorporou ingredientes do bioma a seu repertório e fez dessa aproximação com o território uma assinatura de seus chocolates.“Para a gente, não tem graça fazer mais do mesmo. A nossa maior motivação é contar histórias através do chocolate”, explica Adriana.

Essa busca por novas narrativas também leva a equipe a viajar pelo país em busca de produtores, sabores e ingredientes. Uma recente passagem pelo Jalapão, por exemplo, trouxe referências que já começaram a chegar à loja e deverão inspirar novas coleções, incluindo uma futura linha de Páscoa conectada ao Cerrado.

Ao longo de dez anos, essa combinação entre pesquisa, qualidade e criatividade rendeu à chocolateria brasiliense reconhecimentos no Brasil e no exterior. A Labarr já recebeu premiações no Northwest Chocolate Festival, nos Estados Unidos, e na Academy of Chocolate, em Londres, além do título de Melhor Chocolateria de Brasília pelo Prêmio Encontro Gastrô e de medalhas no Prêmio Bean to Bar Brasil.

A nova loja, portanto, representa mais do que a abertura de um endereço. É o início de uma fase em que uma marca criada em Brasília se prepara para ampliar sua presença, sua capacidade de produção e o alcance de um chocolate que aposta na diversidade brasileira como principal ingrediente de sua identidade.

Serviço

Labarr – Fábrica e Cafeteria
SCRN 710/711, Bloco H, Loja 35
Segunda a sexta-feira, das 10h às 19h
Sábado, das 9h às 18h

Labarr – ParkShopping
SAI/SO Área 6580, Guará
Loja 228 C – 2º piso
Telefone: (61) 99378-2721

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