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Ministério da Saúde realiza aula inaugural e reforça valorização de trabalhadores técnicos no SUS

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Para fortalecer a formação profissional e ampliar as oportunidades de qualificação de trabalhadores no país, o Ministério da Saúde realizou, nesta quarta-feira (22), a aula inaugural do Programa Nacional de Formação Técnica para o SUS (Formatec-SUS), na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa (PB). Com investimento superior a R$ 30 milhões, o Governo do Brasil promove ações nos estados e municípios, consideradas decisivas para mitigar o déficit de formação, incentivar a atualização profissional e ampliar o provimento de técnicos em áreas estratégicas da saúde pública.

Mais de 36% da força de trabalho do Sistema Único de Saúde (SUS) é composta por profissionais de nível técnico — essenciais para o funcionamento do sistema —, em sua maioria formados pela iniciativa privada. O programa é mais um reforço na política do governo federal para reduzir o tempo de espera por atendimento, ampliando a oferta de cursos técnicos e especializações em áreas estratégicas da saúde.

A aula inaugural, intitulada “Planejamento e dimensionamento de trabalhadores técnicos em saúde: o papel da educação permanente e a resposta estrutural do Formatec-SUS”, foi ministrada pelo secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço. Na ocasião, ele destacou os desafios e a importância do programa e da educação permanente para superá-los.

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“Temos identificado um déficit global da força de trabalho em saúde. Nas Américas, essa carência chega a mais de 15 milhões de profissionais, uma realidade que impacta diretamente o acesso e a assistência à saúde. Nosso desafio é promover políticas e programas que reduzam o tempo de espera do usuário do SUS e também as barreiras de acesso ao cuidado integral. O Formatec-SUS foi estruturado justamente para enfrentar esse cenário, com investimento na formação de profissionais em áreas sobrecarregadas e estratégicas para a saúde pública”, afirmou o secretário.

Na Paraíba, as formações somam mais de 9 mil vagas, com investimento superior a R$ 16 milhões do Ministério da Saúde. O secretário também informou que estudantes ingressantes por meio de ações afirmativas receberão incentivos de permanência. A UFPB lançará edital com 5 mil vagas para especializações técnicas nas áreas cirúrgica, oncológica e de radioterapia.

O Formatec-SUS já é considerado a maior expansão da formação técnica pública em saúde no país, com a oferta de mais de 18 mil vagas para cursos técnicos e pós-técnicos em todo o território nacional. O programa também conta com a adesão das escolas do SUS, o que possibilita a indução de cursos em territórios marcados por vazios formativos, como as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Nessas regiões, o Formatec-SUS estruturou 382 turmas, com 5.843 vagas para cursos técnicos e 5.937 para especializações técnicas.

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A iniciativa se soma a outras ações do governo federal, como os programas Agora Tem Especialistas (ATE) e Mais Médicos, que contribuíram para a implementação de mais de 53 mil equipes multiprofissionais na atenção primária em todos os municípios do país.

Estrutura do Formatec-SUS

As áreas, cursos e regiões prioritárias para seleção no programa incluem cursos técnicos em enfermagem, equipamentos biomédicos, órteses e próteses, radiologia e saúde bucal; cursos de especialização técnica em obstetrícia e neonatologia, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto, UTI neonatal, oncologia, centro cirúrgico, instrumentação cirúrgica, terapia intensiva, radioterapia, mamografia e densitometria óssea; além das regiões prioritárias Norte, Nordeste e Centro-Oeste, definidas conforme o déficit assistencial e a capacidade formativa.

A técnica comunitária de saúde Yasmin de Oliveira, que iniciará a formação em técnico de enfermagem, destaca a importância dessa qualificação para melhorar a qualidade da assistência. “Sabemos que a saúde precisa de profissionais capacitados, e trazer essa oportunidade do Formatec-SUS é muito importante para nós, alunos. Além disso, contribui para fortalecer a humanização nos serviços públicos, especialmente no SUS, a partir do princípio da equidade, o que evidencia a relevância desse profissional no sistema”.

Nádia Conceição
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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SAÚDE

Presidente Lula assina Medida Provisória que proíbe as bets no Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta sexta-feira, 25 de setembro, Medida Provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em ambientes físicos e virtuais, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.

PROIBIÇÃO DAS BETS

Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas têm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.

Confira o cronograma das medidas:

  • Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.
  • Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.
  • A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.
  • Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.
  • De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.
  • A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.

INTERESSE PÚBLICO

A extinção das autorizações decorre de motivo de interesse público e não gera direito a indenização por lucros cessantes, por investimentos realizados ou por expectativa de continuidade da atividade, tampouco à devolução total ou parcial do valor pago pelas outorgas. Até o momento, foram concedidas 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa no país, cada uma no valor de R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas durante o processo de concessão.

FISCALIZAÇÃO E COMBATE AO MERCADO ILEGAL

O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para obloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.

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A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, a exploração e a publicidade das bets.

As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.

PROJETO DE LEI TIPIFICA CRIMES

Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. A proposta tipifica cinco condutas:

  • exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);
  • divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa); 
  • uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);
  • facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e
  • fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou
  • localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).

SAÚDE PÚBLICA

As apostas online passaram a representar uma nova e crescente demanda de saúde pública. O problema vai além da perda financeira: o transtorno do jogo está associado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento, prejuízos às relações pessoais e profissionais e maior uso de álcool e outras drogas.

“Há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir todo o sofrimento que aparece quando ouvimos os relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares. Estamos falando de algo que vai muito além de uma atividade econômica: entra nas casas das pessoas, nas escolas e nos celulares, e afeta não apenas quem desenvolve um comportamento compulsivo, mas também os familiares que estão ao seu redor. Nós temos o autoteste disponível no Meu SUS Digital para que cada pessoa possa avaliar o impacto das apostas na própria vida”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira é o principal fator associado ao suicídio entre apostadores.

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O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online. Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático.

Os efeitos já aparecem na demanda pelo SUS. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, e aprojeção é de aumento de mais 104% até 2028. Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões — quase 79% — estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.

A exposição começa cedo e também afeta familiares. Pesquisa em escolas públicas e privadas mostrou que 20,4% dos estudantes já apostaram online; o contato pode começar aos 11 anos e, entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, a proporção chega a 49,7%.

Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% disseram não ter procurado ajuda por vergonha; entre as que não apostam, 12% relatam impactos decorrentes do jogo de familiares.

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Fonte: Ministério da Saúde

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