BRASÍLIA

SAÚDE

Sexo em dia depende do equilíbrio entre saúde mental e física

Publicado em

Especialistas apontam que estresse e depressão estão entre principais fatores que afetam libido feminina. Foto: Freepik

Estresse, depressão, ansiedade e conflitos de relacionamento são os principais responsáveis pela queda da libido entre mulheres. A conclusão foi apresentada por especialistas durante o Congresso Brain, realizado em Fortaleza. 

A psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da USP, defendeu no evento que a libido está associada ao contexto físico, às condições psíquicas e aos laços afetivos dos relacionamentos. Para ela, a abordagem da sexualidade deve fazer parte da rotina clínica, independentemente da especialidade médica. 

O congresso reuniu profissionais de psicologia e psiquiatria que discutiram a necessidade de uma visão multidisciplinar para tratar as disfunções sexuais. Os especialistas apresentaram dados sobre como aspectos físicos e emocionais se entrelaçam na saúde sexual, com ênfase nos fatores hormonais e psicológicos que regulam o desejo. A solução deve vir de um trabalho multiprofissional, com o uso medicinal de substâncias – ou não, dependendo de cada caso, que deve ser analisado de forma personalizada.

Os principais fatores de risco para a disfunção sexual feminina identificados no Congresso Brain incluem estresse, depressão e ansiedade, disfunção sexual da parceria, relacionamento conflituoso, baixa inserção social, educação sexual precária, doenças em geral e uso inadequado ou abuso de substâncias.

Como o estresse reduz o desejo sexual

Paralelamente, um estudo realizado com 1.300 profissionais de saúde do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) demonstra o impacto do estresse sobre a vida sexual. Cerca de 45% dos participantes relataram piora na qualidade de vida sexual durante a pandemia, com queda de libido. Os pesquisadores atribuíram os resultados aos altos níveis de estresse e ansiedade, já que a produção elevada de cortisol reduz o apetite sexual.

O Ministério da Saúde classifica o estresse em duas categorias: agudo, provocado por situações traumáticas; e crônico, presente na rotina diária de forma contínua. Quando não tratado, o estresse crônico evolui em três fases. A fase de alerta manifesta sintomas como suor excessivo e secura bucal. Na fase de resistência, aparecem alterações de humor e diminuição do desejo sexual. A última, de exaustão, traz doenças como hipertensão arterial, úlcera e distúrbios sexuais.

Leia Também:  Ministério da Saúde incorpora teste para diagnóstico de histoplasmose no SUS

Além disso, na saúde mental, depressão, ansiedade, estresse crônico, transtorno do pânico e esquizofrenia aparecem como condições que afetam a libido. Problemas financeiros, familiares e no ambiente de trabalho também exercem influência negativa. O cenário atual aponta para uma tendência ao tratamento psicossexual ou terapias combinadas, sem consenso sobre o tratamento ideal com fármacos.

A química do desejo ao longo da vida da mulher

Carmita Abdo explicou em entrevista à revista Saúde que o estrogênio é responsável pela percepção sensorial, incluindo a sensibilidade da pele e das mucosas, saúde dos músculos, dos ossos e cognição. O hormônio também garante a produção de óxido nítrico pelas células endoteliais da vagina, levando à vasodilatação e à lubrificação. “Sem o estrogênio, nada disso acontece”, afirmou a psiquiatra e sexóloga.

A testosterona, embora presente em níveis menores no organismo feminino, é essencial para a motivação sexual, segundo a especialista. As concentrações hormonais variam ao longo da vida da mulher, principalmente no início da menstruação, na gestação, durante a amamentação, no climatério e na menopausa, o que impacta diretamente a libido.

Diabetes e hipertensão entre vilões da libido

Diversos medicamentos também podem comprometer a função sexual feminina. A lista inclui anticonvulsivantes, diuréticos, anti-hipertensivos, anticancerígenos, antialérgicos, corticoides e o hormônio progesterona. Drogas como álcool, cocaína, maconha, nicotina e opioides também afetam negativamente o desejo sexual. 

Muitos pacientes ainda buscam em suplementos naturais, como a maca peruana, alternativas para estimular a libido. O uso deve ser acompanhado por um profissional de saúde, que avalia a necessidade, segurança e evidências disponíveis para cada caso individual.

Doenças crônicas como hipotireoidismo e diabetes podem reduzir o desejo sexual. Essas condições provocam menor lubrificação vaginal nas mulheres, resultando em dor durante o sexo. Nos homens, o diabetes descontrolado leva à disfunção sexual.

Mitos e tabus afetam vida sexual saudável

A psicóloga Fernanda Cabral Bonato, especialista em terapia sexual pela Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH), apresentou no Congresso Brain a importância das orientações sobre anatomia. As pacientes, no conhecimento do próprio corpo e da resposta sexual, podem minimizar danos gerados por mitos e tabus.

Leia Também:  Ministério da Saúde inicia campanha de vacinação contra a gripe na Região Norte

“Trazer recursos educacionais pode destravar o prazer sexual”, declarou Bonato em entrevista à revista Saúde. “É importante questionar essa mulher sobre o que ela sabe sobre a própria sexualidade e o conhecimento anatômico. Tem muita gente que não conhece a própria vulva e a chama de vagina.” A especialista ressaltou ainda a necessidade de resgatar informações sobre prazer e direito sexual, especialmente para vítimas de abuso ou violência sexual.

Equipe multidisciplinar é essencial para tratamento

O transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) é a disfunção sexual mais presente entre as mulheres, de acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Um estudo publicado no The Journal of Sexual Medicine, que analisou 14 mil mulheres entre 40 e 80 anos de quase 30 países, indicou queixas relativas ao transtorno em até 43% das participantes.

O diagnóstico considera critérios como desejo espontâneo reduzido ou ausente, baixa capacidade de resposta à estimulação e incapacidade de manter o desejo durante o sexo por pelo menos seis meses, com presença de sofrimento.

O tratamento das disfunções sexuais requer equipe multidisciplinar com ginecologistas, psicólogos e psiquiatras, segundo defenderam os especialistas no congresso. Entre as questões físicas, diabetes, hipertensão arterial e obesidade podem influenciar a libido de maneira relevante.

Quando diagnosticado, o uso de testosterona em gel surge como opção de tratamento. As pesquisas recentes sobre tratamento medicamentoso do desejo sexual hipoativo enfrentam desafios, com grande parte dos estudos suspensos ou sem resultados consistentes. Os mais promissores envolvem a kisspeptina e o Lybridos, com ensaios de fase III em andamento. A flibanserina e o bremelanotide, aprovados pela Food and Drug Administration dos Estados Unidos, tiveram eficácia questionada pela comunidade científica.

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

SAÚDE

Brasil e Canadá formalizam cooperação internacional em saúde com assinatura de memorando e adesão à Coalizão Global do G20

Published

on

Após duas décadas sem acordos estruturados na área da saúde entre Brasil e Canadá, os dois países retomaram, nesta terça-feira (19), a cooperação bilateral com a assinatura de um memorando de entendimento no terceiro dia da missão oficial do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Genebra. A iniciativa consolida a agenda internacional da saúde no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e inaugura uma nova etapa da parceria entre os países em temas estratégicos como saúde e clima, adaptação dos sistemas de saúde às mudanças climáticas, saúde digital, fortalecimento de sistemas públicos universais e transferência de tecnologia.

Outro resultado do encontro foi a manifestação formal de interesse do Canadá em integrar a Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo em Saúde, iniciativa liderada pelo Brasil e, atualmente, presidida pelo ministro Padilha. A adesão reforça o protagonismo internacional brasileiro na agenda de saúde global e amplia a articulação entre países do Norte e do Sul Global em torno de uma agenda comum de acesso equitativo à saúde.

Em carta encaminhada à Coalizão, a vice-ministra da Saúde do Canadá, Shalene Curtis-Micallef, e a presidente da Agência de Saúde Pública do Canadá, Nancy Hamzawi, reafirmaram o compromisso do país com a cooperação internacional voltada à ampliação do acesso a vacinas, diagnósticos, terapêuticos e outras tecnologias em saúde, especialmente para populações em situação de vulnerabilidade e doenças negligenciadas, em alinhamento aos princípios da Carta de Genebra, documento que marca a criação da iniciativa.

“A Coalizão responde a uma das maiores prioridades do governo do presidente Lula: reduzir a dependência externa do Sul Global na produção de medicamentos, vacinas, diagnósticos e equipamentos de saúde, por meio do fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. O Brasil tem orgulho de contar com instituições públicas de excelência, como a Fiocruz e o Instituto Butantan, e reafirma seu compromisso com o acesso equitativo, porque inovação sem acesso não é inovação, é injustiça”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Leia Também:  Reconstrução pós-mastectomia: dicas para mulheres que consideram a cirurgia após o câncer de mama

O Canadá também indicou representantes para integrar o Comitê Diretor da Coalizão, responsável pelas decisões estratégicas da iniciativa. A entrada do país fortalece o peso político e técnico da Coalizão, diante da reconhecida capacidade canadense em pesquisa biomédica, inovação, regulação sanitária e produção biofarmacêutica, especialmente após os investimentos realizados para ampliar sua capacidade de resposta a futuras pandemias.

O ministro Alexandre Padilha anunciou a adesão de quatro organismos internacionais à Coalizão: a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a Medicines for Malaria Venture (MMV), o Medicines Patent Pool (MPP) e o South Centre. Com isso, a Coalizão amplia sua articulação internacional e passa a contar com 28 organizações participantes, reunindo atores estratégicos das áreas de inovação, pesquisa, financiamento, produção e políticas públicas em saúde.

O presidente da Fiocruz e secretário-executivo da Coalizão, Mario Moreira, destacou que a iniciativa representa um avanço estratégico para a soberania sanitária global. “Precisamos superar a lógica em que alguns países apenas produzem, enquanto outros permanecem dependentes de tecnologias em saúde. Essa discussão trata de soberania, resiliência e do direito de cada país desenvolver suas próprias capacidades científicas, tecnológicas e produtivas”, afirmou.

Durante a reunião, o Canadá também aderiu ao Plano de Ação de Belém, iniciativa internacional voltada à adaptação dos sistemas de saúde frente aos impactos da crise climática. Com isso, o país passa a integrar os esforços liderados pelo Brasil para fortalecer sistemas de saúde mais resilientes e sustentáveis.

Foto: Rafael Nascimento/ MS
Foto: Rafael Nascimento/ MS

O encontro também reforçou a parceria entre a Anvisa e a agência reguladora canadense. As duas instituições ocupam atualmente as vice-presidências da Associação Internacional de Agências Reguladoras e vêm ampliando a articulação conjunta em temas regulatórios, produção local e vigilância sanitária.

Dengue como pauta central da Coalizão

Em março deste ano, durante reunião de alto nível dos membros da Coalizão, a dengue foi definida como o primeiro desafio prioritário da iniciativa. Atualmente, quase metade da população mundial está em risco de contrair a doença, com estimativas entre 100 milhões e 400 milhões de infecções por ano

Leia Também:  Oficina nacional reforça atenção à saúde mental da população em situação de rua

“A dengue, que historicamente afetava países tropicais, hoje está presente em mais de 100 países e em todos os continentes. As mudanças climáticas ampliaram as condições para transmissão da doença e reforçam a necessidade de integrar as arboviroses ao Plano de Ação de Belém”, afirmou Padilha.

O ministro destacou ainda a importância da inovação e da produção regional de tecnologias em saúde no enfrentamento da doença. “A vacina Butantan-DV representa uma esperança concreta para o Brasil e demonstra a importância de fortalecer capacidades nacionais e regionais de pesquisa, desenvolvimento e produção”, ressaltou.

Padilha também convidou governos, instituições de pesquisa, organizações internacionais, financiadores e o setor privado a participarem da primeira Chamada de Propostas da Coalizão, aberta até 1º de julho. “Os desafios globais exigem respostas ambiciosas e coordenadas. Esta chamada representa apenas o início de uma agenda internacional de cooperação voltada à inovação, produção regional e acesso equitativo à saúde”, concluiu.

Sobre a Coalizão Global do G20

Criada a partir da assinatura da Carta de Genebra, durante a 78ª Assembleia Mundial da Saúde, a Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo em Saúde atua para reduzir desigualdades no acesso a tecnologias em saúde e promove a produção local e regional, o fortalecimento das cadeias de suprimento e a cooperação internacional em pesquisa, inovação e desenvolvimento produtivo.

A iniciativa é multissetorial e reúne governos, organizações internacionais, setor privado, instituições públicas, filantrópicas, academia e sociedade civil. A Coalizão tem secretariado executivo da Fiocruz e foi concebida durante a presidência brasileira do G20, em 2024, e consolida-se como uma das principais iniciativas internacionais voltadas à soberania sanitária e à redução das desigualdades globais em saúde.

Carolina Miltão
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

COMENTE ABAIXO:
Continue Reading

politica

DISTRITO FEDERAL

BRASIL E MUNDO

ECONOMIA

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA

Botão WhatsApp - Canal TI
Botão WhatsApp - Canal TI