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A Arte de Viralizar

Perfis de um viral só: os prós e contras de contratar um influenciador em formação ou ascensão  

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Por Ígor Beltrão, co-fundador e diretor artístico da Viraliza, maior agência de marketing de influência do Nordeste brasileiro

Um vídeo bate 10 milhões de visualizações. O nome do criador começa a pipocar no X, nos grupos de WhatsApp e nos stories de celebridades. E aí? Contrato? Espero? Ignoro?

Se você trabalha em uma empresa ou agência e, em algum momento, vai lidar com influenciadores digitais — seja no marketing, no comercial ou até no atendimento — é bom entender que nem todo viral se transforma em influência duradoura. E que, por outro lado, toda grande audiência começa em algum lugar.

Nesta coluna, a gente analisa os dois principais perfis de influenciadores em ascensão e os cuidados (e oportunidades) de apostar em alguém que ainda está “em formação”.

Do zero ao milhão: dois perfis de influenciadores em ascensão

Nem todo criador começa igual. No universo dos influenciadores em ascensão, existem dois perfis que merecem atenção:

  1. O que viralizou do dia pra noite

Aqui entra o perfil como o da Jennifer, da “Janela do Avião” — um exemplo recente de alguém que teve um vídeo viral com repercussão nacional e, em pouco tempo, estava fazendo campanhas para marcas como Magazine Luiza. Esse tipo de criador ganha muita visibilidade rapidamente, mas nem sempre está preparado para lidar com a demanda, os contratos ou mesmo com a criação de conteúdo sob encomenda.

  1. O que vem se formando aos poucos
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Esse já passou por dezenas de testes, erros e acertos. Criadores que produzem consistentemente, mesmo antes de viralizar, chegam mais prontos para esse momento. Como diz o próprio Mr. Beast, um dos maiores criadores do mundo: “Você só começa a entender o jogo depois dos seus cem primeiros vídeos.” Esse tipo de influenciador pode até não explodir de imediato, mas tende a oferecer entregas mais estáveis e conscientes.

Oportunidade ou cilada? Depende da abordagem

Contratar um influenciador em formação pode, sim, ser vantajoso. Um dos fatores é a precificação: muitos criadores que viralizam do dia pra noite ainda não sabem colocar preço no próprio conteúdo — o que pode significar valores mais acessíveis. Além disso, a audiência recém-chegada costuma estar bastante engajada, o que gera um pico de atenção muito valioso para campanhas de oportunidade.

Mas é preciso cuidado. A falta de estrutura pode comprometer a entrega. Em casos como o da própria Jennifer, algumas campanhas mostraram dificuldade na naturalidade diante das câmeras, com falas robóticas e falta de desenvoltura — o que é compreensível, considerando que, até então, ela não era criadora profissional. Para as marcas, isso reforça a importância de entender o momento do influenciador e, se for o caso, oferecer suporte com equipe, roteiro ou produção.

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Checklist rápido: como contratar com critério

Se a sua marca está avaliando trabalhar com alguém que acabou de viralizar ou está em crescimento acelerado, aqui vão algumas perguntas que podem guiar essa decisão:

O influenciador continuou postando após o viral? Ou sumiu?

Ele(a) já demonstra alguma tentativa de profissionalização? (equipe, media kit, postura)?

Tem alguém assessorando? Ou está sozinho lidando com tudo?

Ele(a) tem familiaridade com formatos de publi? Ou precisaria de apoio para gravar?

É possível fechar um contrato de curto prazo com cláusulas claras de entrega?

Nem todo viral é uma aposta ruim. Mas toda aposta precisa de critério.

O criador em formação pode ser um talento bruto pronto para ser lapidado. O que viralizou ontem pode, sim, ser o próximo grande nome da internet — se tiver estratégia, consistência e apoio.

Mas o ponto principal é: não é sobre o número de views. É sobre o que vem depois.

E cabe às marcas e agências fazerem essa leitura com mais profundidade do que os likes mostram.

 

 

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A Arte de Viralizar

Do “alcance alugado” à Propriedade Intelectual: a nova governança da Creator Economy

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A economia criativa atravessa uma crise de identidade. Enquanto a IA mimetiza fórmulas de engajamento, o diferencial competitivo migra da vitrine para a infraestrutura de negócios. O jogo estratégico agora é sobre quem detém autenticidade radical.
Tenho observado que o marketing de influência atravessa, em 2026, sua mais severa crise de identidade. Após uma década de crescimento pautado em métricas de vaidade e alcance massivo, o setor esbarra em um teto estrutural: a comoditização do conteúdo.
Com a Inteligência Artificial (IA) generativa replicando fórmulas de engajamento e edições dinâmicas em escala industrial, o diferencial competitivo deslocou-se. O risco para marcas e líderes é claro: sem uma visão estratégica de longo prazo, o criador de conteúdo vira apenas uma commodity substituível por algoritmos.
Este cenário, que dominou as discussões de inovação no SXSW 2026, sinaliza uma mudança de paradigma urgente. O criador de conteúdo como simples “vitrine” faliu. Em seu lugar, emerge o criador como infraestrutura de negócios e detentor de Propriedade Intelectual (IP).
A armadilha da audiência alugada
A urgência dessa transição é validada por um afunilamento do capital. Enquanto a Goldman Sachs Research projeta que a economia criativa movimentará US$ 480 bilhões até 2027, o valor real está migrando da “audiência alugada”, aquela que pertence exclusivamente às plataformas e seus algoritmos, para a autonomia da narrativa.
A IA já sentou à mesa da criação e ela é infinitamente mais eficiente na execução técnica. Se uma marca ou um criador se limita a seguir padrões de algoritmo, está competindo com uma máquina de custo zero.
É aqui que entra o conceito do Humano Premium. O que o código ainda não mimetiza é o repertório cultural, o erro autêntico, a opinião ácida e o contexto histórico. Onde a IA entrega perfeição técnica, o humano entrega conexão emocional. Na nova economia, o “perfeito” virou commodity; o “real” virou o novo luxo.
De fãs para comunidades: o ROI da relevância
Essa mudança de tom reflete a saturação do modelo de interrupção. Dados do relatório State of the Creator Economy indicam que a sustentabilidade financeira migrou para modelos de comunidades proprietárias, com canais de monetização direta.
Para a gestão de marcas, isso significa que o alcance abre a porta, mas é a relevância que a mantém aberta. O criador deixou de ser apenas um canal de mídia para virar uma camada logística de negócios. O desafio para os CMOs e CEOs é parar de comprar “espaço em posts” e começar a investir na co-criação de universos narrativos que sobrevivam às mudanças de humor das Big Techs.
O playbook da liderança na era da pós-automação
Para líderes e gestores que buscam governar a influência em 2026, a estratégia exige quatro pilares fundamentais:
1. Abandono das fórmulas rígidas: Conteúdos com excesso de zelo estético ou roteiros engessados são lidos pelo público como ruído. A imperfeição intencional e o improviso real são os novos drivers de confiança e conversão.
2. Construção de IP Coletivo: A marca e o criador devem co-criar ativos proprietários. Quem não for dono da própria narrativa será refém eterno das mudanças discricionárias das plataformas.
3. Valorização do ócio criativo: A ciência da criatividade prova que a “produtividade tóxica” destrói a inovação. Criadores e estrategistas precisam de tempo de desconexão para gerar insights complexos que a IA ainda não processa.
4. Creator as a Founder: O influenciador de sucesso deve ser gerido sob a lógica de uma startup. Ele deve deter seus próprios produtos e, principalmente, a governança sobre seus dados.
Vencer na economia criativa atual não é mais sobre quem posta mais, mas sobre quem consegue transformar visão em linguagem e audiência em um ativo de valor sustentável. A pergunta para o líder de hoje não é quanto alcance ele pode comprar, mas quanto valor real sua narrativa consegue reter.

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Igor Beltrão
Diretor Artístico da Viraliza Entretenimento, especialista em estratégia de conteúdo e novos modelos de monetização na economia da influência. Com olhar focado na intersecção entre criatividade e governança de dados, lidera a transformação de audiências passivas em ativos proprietários de alto valor.

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