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Milho recua em Chicago e pressão aumenta no Brasil com safra maior e demanda fraca dos EUA

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O mercado internacional do milho iniciou esta sexta-feira (15) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), ampliando as perdas registradas na sessão anterior diante da frustração dos investidores com a ausência de novos acordos comerciais entre Estados Unidos e China. Além da demanda mais fraca pelo cereal norte-americano, o avanço das projeções de safra no Brasil e na Argentina também intensifica a pressão sobre os preços globais.

Os contratos futuros operaram no campo negativo durante a manhã. O vencimento julho/26 era negociado a US$ 4,63 por bushel, com baixa de 3,75 pontos. O setembro/26 recuava para US$ 4,70, enquanto o dezembro/26 era cotado a US$ 4,87. Já o março/27 trabalhava em US$ 5,01 por bushel, acumulando perdas de 3,25 pontos.

Analistas internacionais destacam que o mercado reagiu negativamente ao encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, encerrado sem anúncios concretos relacionados ao comércio agrícola. A expectativa de parte dos investidores era de que a reunião pudesse destravar novos volumes de compras chinesas de grãos norte-americanos, especialmente soja e milho.

Segundo análise divulgada pelo portal Successful Farming, a ausência de um acordo formal aumentou a insegurança entre operadores e fundos de investimento, que esperavam sinais mais claros de retomada da demanda chinesa.

Demanda enfraquecida nos EUA amplia pressão sobre preços

Além das incertezas geopolíticas, os dados semanais de exportação dos Estados Unidos também reforçaram o viés baixista para o milho em Chicago.

As vendas líquidas norte-americanas para a safra 2025/26 somaram 684,8 mil toneladas na semana encerrada em 7 de maio, abaixo das expectativas do mercado, que projetavam embarques entre 900 mil e 2,2 milhões de toneladas considerando as duas temporadas analisadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

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O México liderou as aquisições, com 232 mil toneladas. Para a temporada 2026/27, foram registradas apenas 400 toneladas em novas vendas, evidenciando um ritmo mais lento da demanda internacional.

Outro fator de pressão foi a valorização do dólar frente às principais moedas globais, movimento que reduz a competitividade do milho norte-americano no mercado externo.

Diante desse cenário, os contratos encerraram a última sessão em forte baixa. O milho julho fechou cotado a US$ 4,67 1/2 por bushel, queda de 13,25 centavos, equivalente a 2,75%. O vencimento setembro terminou a US$ 4,74 1/4, com recuo de 13 centavos.

Safras maiores no Brasil e Argentina ampliam oferta global

No mercado brasileiro, a combinação entre avanço da colheita, aumento das estimativas de produção e baixa liquidez também mantém o setor pressionado.

De acordo com a TF Agroeconômica, a Bolsa Brasileira (B3) encerrou a quinta-feira em movimento misto, mas ainda sob influência negativa de Chicago, do dólar abaixo de R$ 5,00 e das revisões positivas para as safras da América do Sul.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa da safra brasileira de milho de 139,57 milhões para 140,17 milhões de toneladas. Apesar do aumento da produção, a projeção de exportação foi mantida em 46,5 milhões de toneladas.

Na Argentina, o ajuste foi ainda mais significativo. A produção foi revisada para 68 milhões de toneladas, incremento de 1 milhão de toneladas sobre a projeção anterior e cerca de 30% acima do recorde histórico do país, ampliando a concorrência no mercado internacional.

B3 registra mercado travado e compradores cautelosos

Na B3, os contratos futuros encerraram o dia sem direção única. O vencimento maio/26 fechou a R$ 65,22 por saca, com leve baixa diária de R$ 0,01 e perda semanal acumulada de R$ 0,80.

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O julho/26 terminou cotado a R$ 67,02, recuo de R$ 0,08 no dia. Já o setembro/26 encerrou a R$ 69,94 por saca, queda diária de R$ 0,26, mas ainda acumulando valorização semanal.

Nos estados produtores, o mercado físico segue lento, com compradores retraídos e produtores evitando negociações mais agressivas.

No Rio Grande do Sul, a colheita atingiu 94% da área cultivada, enquanto os preços médios ficaram em R$ 58,08 por saca. Em Santa Catarina, vendedores mantêm pedidas próximas de R$ 70,00, mas compradores indicam valores ao redor de R$ 65,00, travando os negócios.

No Paraná, a expectativa de uma segunda safra robusta mantém a demanda mais cautelosa, com negociações próximas de R$ 60,00 CIF. Em Mato Grosso do Sul, o avanço da oferta pressionou ainda mais as cotações, que variam entre R$ 51,00 e R$ 53,00 por saca.

Mercado segue atento ao clima, exportações e câmbio

O setor acompanha agora os próximos desdobramentos das relações comerciais entre Estados Unidos e China, além do comportamento do dólar e das condições climáticas na América do Sul e nos EUA.

A expectativa de uma oferta global mais ampla, combinada à demanda internacional mais lenta, mantém o viés de pressão sobre os preços do milho no curto prazo, tanto no mercado internacional quanto na comercialização doméstica brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Ministro André de Paula se reúne com autoridades chineses para fortalecer cooperação no agro

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O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, lidera missão oficial à China, entre os dias 17 e 21 de maio, com compromissos nas cidades de Xangai e Pequim.

Na agenda, reuniões com autoridades da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC), participação na SIAL 2026 – considerada a maior feira de alimentos e bebidas da Ásia e uma das principais do mundo no setor – além de encontros com empresários brasileiros e chineses.

O objetivo desses encontros é ampliar a presença dos produtos do agronegócio brasileiro, identificar oportunidades de negócios e fortalecer a cooperação em temas sanitários e fitossanitários.

A China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Em 2025, a China importou mais de US$ 55,3 bilhões em produtos agropecuários do Brasil, o equivalente a 32,7% do total exportado pelo setor. Entre 2019 e 2025, foram abertos 25 mercados para produtos brasileiros no país asiático, incluindo complexo soja, proteinas animais, gergelim, farinha de aves e suínos, DDG de milho, entre outros.

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SIAL 2026

A agenda terá início em Xangai, onde o ministro participará da SIAL 2026, considerada a maior feira de alimentos e bebidas da Ásia e uma das principais do mundo no setor.

Durante a programação, André de Paula visitará o Estande Brasil, organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), além de participar das inaugurações dos estandes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e da Associação Brasileira de Proteina Animal (ABPA). A Sial Xangai ocupa uma área de cerca 220 mil metros quadrados, mais de 5 mil expositores de 75 países.

Nesta edição, o Brasil vai contar com um número recorde de empresas participantes. Serão 82 empresas expositoras distribuídas em cinco pavilhões brasileiros, organizados pela ApexBrasil e por parceiros setoriais. Essa presença supera a edição passada, quando 54 empresas participaram da feira. A expectativa é gerar US$ 3,3 bilhões em negócios imediatos e futuros.

O ministro também participará do encerramento do Seminário Brasil-China de Agronegócio e de encontros com representantes de cooperativas.

Reuniões

Em Pequim, a delegação brasileira terá reuniões com representantes da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC), do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais e do Ministério do Comércio da China. As reuniões tratarão de temas relacionados à cooperação sanitária e fitossanitária, ampliação do comércio agropecuário e fortalecimento das relações institucionais entre os países. Há previsão da participação no “Diálogo Brasil–China sobre Finanças Verdes e Cooperação em Agricultura Sustentável” e ainda no seminário organizado pela ABPA.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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