Para Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional e especialista em mercado de luxo, a apresentação da cantora colombiana mostra como grandes eventos esportivos passaram a unir entretenimento, propósito e construção de valor simbólico em escala mundial
A cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2026 teve brilho, música e moda, mas um dos números que mais chamaram atenção não veio do placar nem do palco. Durante a apresentação de “Dai Dai”, música oficial do torneio interpretada por Shakira e Burna Boy, a FIFA deu visibilidade a uma meta de arrecadação voltada a uma causa social: arrecadar US$ 100 milhões para o Fundo de Educação FIFA Global Citizen.
A ação transforma a maior competição esportiva do planeta em uma plataforma de mobilização global, conectando entretenimento, impacto social e visibilidade internacional. A escolha de Shakira para liderar esse movimento não é casual. A artista já construiu uma das trajetórias mais associadas à história recente das Copas do Mundo e retorna ao torneio como uma figura capaz de conectar diferentes gerações, culturas e mercados.
No Estádio Azteca, na Cidade do México, a cantora surgiu com um body amarelo vibrante repleto de recortes e uma minissaia patchwork em tons de branco e lilás, em uma apresentação que rapidamente dominou as redes sociais e os noticiários de moda e entretenimento.
Para Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional e especialista em mercado de luxo, a arrecadação bilionária em potencial revela uma transformação importante na forma como grandes eventos constroem relevância. “Estamos diante de um movimento que chamamos de luxo de significado. O valor não está apenas no espetáculo, mas na capacidade de conectar audiência, emoção e propósito em uma mesma narrativa. Quando uma artista do porte da Shakira associa sua imagem a uma meta de impacto social dessa magnitude, ela amplia o capital simbólico do evento e fortalece a percepção de legado”, afirma.
Segundo a especialista, o futebol deixou de ser apenas um produto esportivo para se tornar uma poderosa plataforma cultural. “As marcas mais valiosas do mundo entenderam que pertencimento é a nova moeda da relevância. A Copa reúne bilhões de pessoas em torno de uma emoção coletiva e, quando essa atenção é direcionada para uma causa, cria-se uma experiência de valor compartilhado. Isso gera engajamento, reputação e conexão emocional muito além dos 90 minutos de jogo”, explica.
Tamara destaca ainda que a presença de Shakira reforça uma tendência cada vez mais evidente no mercado global: a fusão entre entretenimento, influência e propósito. “Hoje, grandes artistas não são apenas celebridades. São plataformas de significado. O que vemos é a construção de um ecossistema onde música, moda, esporte e impacto social atuam juntos para criar desejo, identificação e mobilização. Esse é um dos ativos mais poderosos da economia da atenção contemporânea”.
Com a expectativa de alcançar a marca de US$ 100 milhões para projetos educacionais, a campanha vinculada à música oficial da Copa mostra que os grandes palcos esportivos estão cada vez mais disputados não apenas por marcas e patrocinadores, mas também por iniciativas capazes de deixar um legado concreto após o apito final.