Direto De PE
“O Filho Perdido”: Irene Vucovix transforma dor extrema em um relato devastador sobre maternidade, culpa e tristeza
Publicado em
5 de junho de 2026por
Direto de PE
‘O Filho Perdido’, estreia literária da jornalista Irene Vucovix, é um testemunho real sobre o amor de uma mãe diante da lenta destruição do próprio filho — e da impossibilidade de salvá-lo
Publicado pela Geração Editorial, o livro mescla memória, confissão e reconstrução emocional para narrar uma tragédia marcada por dependência química, violência, transtorno de personalidade antissocial e rupturas familiares profundas. Mas, também fala sobre solidão.
Narrado em primeira pessoa, como um diálogo tardio com o filho que já não pode responder, o livro acompanha a trajetória de uma mãe que vê, impotente, o único filho mergulhar em uma espiral de autodestruição. Prisões, manipulações, furtos, internações psiquiátricas e crises sucessivas atravessam a narrativa até culminar na morte precoce dele, em 2017, aos 39 anos.
Ao longo de 240 páginas, Irene conduz o leitor por um território emocional explorado com tamanha franqueza: os limites do amor materno quando o afeto já não basta para controlar um outro ser.
Uma história real sem romantização
Sem recorrer a sentimentalismos fáceis, “O Filho Perdido” desmonta a visão idealizada da maternidade. Irene apresenta uma mãe que ama profundamente, mas que, em determinado momento, precisa se afastar do filho para sobreviver — e talvez tentar salvá-lo.
“Eu fiquei afastada do meu filho por 19 anos como uma forma de forçá-lo a assumir a vida dele”, revela a autora. Segundo ela, a decisão foi orientada por psiquiatras, diante de um quadro agravado pelo uso intenso de drogas e por traços de psicopatia diagnosticados ainda na adolescência. “Até então eu corria apagando incêndios. Internando, pagando psiquiatra e psicólogo, tirando da cadeia, pagando advogado. Uma loucura”, recorda a autora, que nos anos 80 foi repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo.
A imagem usada pelos médicos permanece viva em sua memória: ela precisava se tornar “uma parede”, alguém que dissesse “não” e não cedesse mais às manipulações do filho.
O relato ganha ainda mais força justamente por fugir da lógica da culpa simplificada. Irene não tenta justificar o filho, nem absolver a si mesma. O livro expõe as ambiguidades, contradições e dores silenciosas que cercam famílias atravessadas pela dependência química e por transtornos mentais graves.
O nascimento do livro: literatura como catarse
Curiosamente, a origem do livro não nasceu de um projeto literário estruturado, mas de um impulso emocional inesperado. Na época em que frequentava oficinas de escrita, Irene leu o conto “Onze Filhos”, de Franz Kafka. “Esse conto me deu um clique: acho que eu vou escrever isso para o meu filho”, conta.
O que começou com apenas 30 linhas acabou se transformando em um livro. Sem conseguir encontrar um ponto de partida, Irene recebeu de uma amiga uma sugestão decisiva: gravar áudios contando a própria história. Foi assim que surgiu a primeira frase da narrativa. “Comecei a gravar como se estivesse falando com ele: ‘você nasceu pequeno, tamanho de menina’. Quando terminei, percebi que tinha encontrado o começo do livro.”
A escrita, no entanto, aconteceu de forma fragmentada e dolorosa. Iniciado em 2019, dois anos após a morte do filho, o manuscrito só foi concluído em 2024. “Mexer nessas coisas todas foi muito duro, mas também foi uma libertação, uma catarse”, afirma.
A infância amorosa e o contraste devastador
Um dos aspectos mais impactantes da obra é o contraste entre a infância afetiva do filho e o homem que ele se tornou mais tarde. Irene relembra uma criança cercada por avós, tios, primos e carinho. Ao revisitar caixas de lembranças, encontrou desenhos, ubmarinos de papel, bilhetes escritos à mão com frases como “mãe, te amo”.
Ao mesmo tempo, reconhece sinais que talvez tenham sido ignorados pela família no início. “Notei algo estranho desde criança. Dinheiro sumia da carteira do meu pai, pequenas infrações que a gente não queria ver.”
A situação se agravou drasticamente na adolescência. “Quando ele tinha 13 anos, as coisas começaram a ficar bem complicadas, iniciou o uso de drogas pra valer”, lembra. “Ele ficou um homem grande, bonito, sedutor e altamente manipulador.” O primeiro diagnóstico de transtorno de personalidade antissocial veio quando ele tinha apenas 15 anos.
Um livro que acolhe outras mães
Desde o lançamento, em novembro de 2025, Irene vem recebendo mensagens de leitores que se identificam com a história — especialmente mães. “Agora, com o livro, muitas mães me abraçam. Tem gente que chega e fala: ‘vamos te dar um abraço’. E é a coisa mais gostosa do mundo, porque você se sente acolhida.”Segundo ela, o maior sofrimento dessas famílias é justamente o isolamento. “Quando você enfrenta esse tipo de problema, você se sente muito só. As decisões são solitárias.”
É nesse ponto que “O Filho Perdido” ultrapassa a dimensão autobiográfica e se transforma também em documento social. A obra toca em temas frequentemente escondidos dentro das casas: dependência química, violência doméstica, culpa, vergonha, adoecimento mental e esgotamento emocional.
Mais do que reconstruir a memória do filho, Irene tenta devolver humanidade a alguém que terminou reduzido aos próprios erros. “Meu filho foi muito mais do que o fim que teve. Ele foi amado, teve uma história. E eu precisava contar isso.”
Jornalismo, literatura e maturidade
Paulistana, Irene Vucovix construiu uma longa carreira no jornalismo. Foi repórter da Editora Abril e, nos anos 1980, atuou como repórter especial do O Estado de S. Paulo. Mais tarde, dirigiu durante mais de duas décadas uma agência de comunicação. A aproximação com a literatura veio após a aposentadoria, quando passou a frequentar oficinas de escrita em busca de uma linguagem diferente da objetividade jornalística.
Em 2023, seu conto “Retalhos” ficou entre os três selecionados do Prêmio Arte e Literatura USP60+. Já em 2024, “Senhora dos Solitários” integrou a antologia “Quem, onde e adeus”, da editora Sinete. Mas é em “O Filho Perdido” que Irene encontra sua voz mais contundente — uma escrita seca, íntima e corajosa, capaz de transformar devastação em narrativa.
Serviço
Livro: O Filho Perdido
Autora: Irene Vucovix
Gênero: Memórias / Não ficção
Editora: Geração Editorial
Preço: a partir de R$ 53,49
Onde encontrar: plataformas digitais e livrarias como Amazon Brasil, Livraria da Vila, Livraria da Travessa e Martins Fontes Paulista.
Direto De PE
Ludopatia adoece famílias inteiras, alerta a psicóloga Gleice Cristina Salteiro
Published
3 horas atráson
14 de agosto de 2026By
Direto de PE
Referência no tratamento do vício em apostas digitais e à frente do Instituto Vencendo o Jogo, a especialista defende que o acolhimento aos familiares é tão decisivo quanto o cuidado ao apostador.
“Enganei toda a minha família. Desviei dinheiro da empresa do meu pai, vendi minha casa para jogar e cheguei a pensar em tirar minha própria vida.” O relato do empresário André Rolim, dado à CPI das Bets no Senado, traduz em poucas frases o que os números já anunciavam em escala nacional. Cerca de 25,2 milhões de brasileiros apostaram em casas reguladas em 2025, e estimativa da UNIFESP aponta que aproximadamente 11 milhões já apresentam algum grau de uso problemático das apostas. Por trás de cada apostador, porém, existe uma casa inteira que adoece junto.
A ludopatia raramente pesa apenas sobre quem joga. Quando alguém entra no ciclo compulsivo das apostas digitais, o abalo alcança de imediato o círculo mais próximo e converte lares em territórios de tensão, desconfiança e sofrimento. Ainda que o olhar externo costume recair sobre o rombo financeiro, o estrago mais grave se instala em silêncio e corrói aos poucos a saúde mental de cônjuges, filhos e demais familiares. Não à toa, especialistas já tratam o fenômeno como questão de saúde pública, associada à ansiedade, à depressão e ao aumento do risco de suicídio.

É esse território pouco visível que orienta o trabalho da psicóloga Gleice Cristina Salteiro, referência no tratamento da ludopatia e à frente do Instituto Vencendo o Jogo do Vício em Apostas Digitais. Para ela, conviver com a dependência mantém a família em estado de alerta permanente. Mentiras sobre o destino do dinheiro, contas bloqueadas sem aviso, empréstimos ocultos e a ameaça de ruína compõem um cenário que se renova a cada dia. Não raro, parceiros e pais de dependentes passam a apresentar quadros severos de ansiedade, depressão e esgotamento, tomados por uma impotência diante de uma compulsão que parece invisível, mas que dissolve a harmonia doméstica.
Segundo a especialista, o resgate da dinâmica familiar figura entre os pilares do tratamento, e a recuperação só avança quando abarca todo o ecossistema que envolve o paciente.
“O vício em apostas isola a família em um mar de culpa e silêncio. No consultório e no trabalho desenvolvido pelo Instituto, percebemos que o acolhimento aos familiares é tão vital quanto o atendimento ao próprio apostador, pois a reestruturação dos limites e a cura emocional caminham juntas”, explica Gleice Cristina Salteiro.

É desse princípio que nasce o programa Famílias que Curam, frente psicoeducativa do Instituto voltada a orientar parentes e reconstruir vínculos, comunicação e recursos emocionais para enfrentar a recuperação. Com metodologia própria reconhecida pelo INPI e atendimento sigiloso, online para todo o Brasil e presencial em Presidente Prudente e região, o Instituto Vencendo o Jogo trabalha sob a premissa de que ninguém precisa vencer isso sozinho.
Reconhecer o sofrimento invisível que atravessa a casa é o primeiro passo para interromper o ciclo. Tratar a ludopatia, nesse entendimento, deixa de ser tarefa individual e se torna esforço coletivo, no qual restaurar os vínculos afetivos importa tanto quanto conter o impulso de apostar. Quem identificou algum desses sinais, em si ou em alguém próximo, encontra caminhos de acolhimento no site institutovencendoojogo.com.bre nos canais de atendimento da psicóloga Gleice Salteiro (CRP 06/48132).

Grupo discute saúde e condições de trabalho docente
Ministério da Saúde firma contrato para ampliar atendimento especializado pelo SUS em Belo Horizonte
População de Careiro Castanho (AM) é atendida por carreta de saúde da mulher do Ministério da Saúde; veja como funciona
População de Itabuna (BA) é atendida por carreta de saúde da mulher do Ministério da Saúde; veja como funciona
População de Ceres (GO) passa a ser atendida por carreta de saúde da mulher; veja como funciona
politica
Convenção do PSB-DF oficializa candidatura de Ricardo Cappelli ao Governo do Distrito Federal
O Partido Socialista Brasileiro do Distrito Federal (PSB-DF) realizará, na próxima segunda-feira, 3 de agosto, a convenção partidária que oficializará...
CASO VACA DE OURO: Cappelli vai ao MPDFT sobre relação entre governadora e empresário da Urbi
O pré-candidato ao Governo do Distrito Federal Ricardo Cappelli (PSB) se reuniu hoje (20) com o procurador-geral de Justiça...
Cappelli propõe Fila Zero e critica desperdícios na saúde do DF
Pré-candidato afirma que problema é de gestão, critica o modelo do IGES-DF e diz que reorganização dos gastos permitirá...
DISTRITO FEDERAL
“O Figurante”, comédia dramática com Mateus Solano dá luz aos invisibilizados
O cotidiano de um figurante do audiovisual dá luz aos invisibilizados, de todos os seguimentos da sociedade, que nem sempre...
4º Encontro de Mestras e Griôs reflete sobre legado e continuidade nas culturas de tradição
Evento, sediado em Taguatinga, reúne mestras, convidadas e aprendizes em um dia de prosas intergeracionais e celebração No dia...
Janine Brito participou de talk show na inauguração do primeiro Hub de Empreendedorismo Feminino do DF
Ao lado de Sandra Costa, do Laboratório Sabin, a empresária falou sobre mulheres empreendedoras em espaço criado para congregar iniciativas...
BRASIL E MUNDO
Mariah Carey abre venda de ingressos para data extra do seu espetáculo natalino em São Paulo
Realizado pela 30e, maior companhia brasileira de entretenimento ao vivo, e apresentado pelo Itaú Live, o show está marcado para...
Nova ficção científica da Warner Bros. Pictures com Anne Hathaway e Ewan Mcgregor estreia hoje (13)
O Fim da Rua tem seu lançamento oficial já com 89% de aprovação no Rotten Tomatoes O novo longa...
Ana Paula Siebert aposta em loiro Pearl Sand Blonde e resgata visual mais iluminado
Mudança para um tom mais claro e perolado reforça a identidade visual da influenciadora, mas exige atenção redobrada à saúde...
ECONOMIA
Ingrediente brasileiro ganha espaço no mercado sem glúten dos Estados Unidos
Três Coqueiros inicia processo de internacionalização e aposta na versatilidade do polvilho de fermentação natural para alcançar o mercado internacional....
Claudio Gonçalves destaca no programa Chega Mais Vale, do SBT, que inclusão racial é caminho para revelar talentos nas empresas
No último dia 24 de julho, o empresário Claudio Gonçalves participou do programa Chega Mais Vale, exibido pelo SBT e...
SUPERQUARTA: COPOM E FED DECIDEM OS JUROS EM MEIO A CENÁRIO DE INCERTEZA NA ECONOMIA GLOBAL
Foto: Otavio Henriques/pinterest.com Nesta quarta-feira (17), o mercado financeiro acompanha uma das datas mais importantes do calendário econômico: a chamada...
ESPORTES
Corinthians segura empate com o Rosario Central mesmo com um jogador a menos na Libertadores
O Corinthians empatou por 0 a 0 com o Rosario Central, na noite desta quinta-feira (13), no Estádio Gigante de...
Cienciano goleia o Botafogo por 6 a 1 e deixa time brasileiro à beira da eliminação na Sul-Americana
O Botafogo sofreu uma dura derrota por 6 a 1 para o Cienciano, na noite desta quinta-feira (13), no Estádio...
Santos vence Macará de virada e abre vantagem nas oitavas da Sul-Americana
O Santos saiu atrás no placar, mas reagiu e venceu o Macará por 2 a 1, de virada, nesta quinta-feira...
MAIS LIDAS DA SEMANA
-
BRASIL3 dias atrásBarro Preto Fashion Day atrai empresários de moda em Belo Horizonte
-
ECONOMIA4 dias atrás
Ingrediente brasileiro ganha espaço no mercado sem glúten dos Estados Unidos
-
TECNOLOGIA4 dias atrásSegurança Digital em Alta: Por que Cada Vez Mais Brasileiros
-
ENTRETENIMENTO1 dia atrásAlceu Valença, Michel Teló, Mari Fernandez no Maior São João do Cerrado
