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Por que as mães executivas estão tão exaustas?

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O peso da vigilância emocional

 

No meio de uma reunião estratégica de diretoria ou durante a elaboração de um projeto complexo nos corredores da empresa ou da gestão pública, uma aba do cérebro permanece aberta. Em segundo plano, uma voz silenciosa calcula: a febre da noite passada, a logística de quem vai buscar na escola, a lista do pediatra, a vacina atrasada, a lancheira de amanhã. Fisicamente, ela está sentada na cadeira de liderança. Mentalmente, ela está gerenciando um ecossistema inteiro.

 

Na psicologia, damos um nome para esse estado de alerta contínuo: vigilância emocional.

 

Diferente do trabalho braçal e visível do cuidado — como dar banho ou alimentar —, a vigilância emocional é o planejamento invisível, a antecipação de riscos e a orquestração constante das necessidades familiares. É uma carga mental que não bate ponto, não tira férias e, mais grave ainda, não é contabilizada nas planilhas de produtividade do mercado de trabalho.

 

Nas grandes corporações e na alta administração pública, onde a cultura da alta performance dita o ritmo, exige-se do profissional uma entrega de produtividade linear. Espera-se que você seja igualmente eficiente, ininterrupto e previsível das 8h às 18h, de segunda a sexta, mês após mês.

 

O grande choque — e a tese que tenho aprofundado clinicamente ao longo dos últimos anos — é que a maternidade é exatamente o oposto do modelo linear. A vida com filhos é cíclica, imprevisível e caótica. A febre não respeita o calendário do fechamento de metas. A crise de choro não agenda horário na agenda do Outlook.

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Quando forçamos a natureza cíclica e imprevisível da maternidade a caber dentro das exigências lineares e implacáveis do mundo corporativo moderno, o resultado matemático é apenas um: o esgotamento absoluto da mulher.

 

Muitas mães executivas chegam ao consultório ou às plataformas de saúde mental, como a Unolife, relatando uma sensação profunda de fracasso. Elas sofrem da Síndrome da Impostora porque sentem que estão “deixando a peteca cair” em casa ou no trabalho. No entanto, o olhar clínico precisa mudar de foco. Não é a mulher que está falhando, é a estrutura que é insustentável.

 

O mercado de trabalho, em sua essência, foi desenhado no século passado para um modelo de trabalhador que possuía uma estrutura de cuidado terceirizada e garantida em casa (historicamente, a figura da esposa dedicada exclusivamente ao lar). Hoje, as mulheres ocupam as cadeiras de decisão, lideram equipes e gerenciam orçamentos milionários, mas o “trabalho de base” da vigilância emocional não foi redistribuído na mesma proporção. Elas assumiram o conselho de administração sem deixar a gestão de crise da sala de estar.

 

O resultado é uma epidemia silenciosa de mães que operam no limite do burnout. O corpo humano não foi programado para sustentar um estado de alerta duplo e crônico por anos a fio.

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Reconhecer a vigilância emocional não é um lamento, é um diagnóstico de cenário. Para as mulheres, lideranças e mães que leem esta coluna e sentem o peso dessa exaustão invisível, o primeiro passo terapêutico é a validação. O seu cansaço não é fraqueza, não é falta de organização e não é falha de caráter. É o sintoma natural de quem está tentando conciliar dois universos que operam em rotações inconciliáveis.

 

Até que o mercado de trabalho (e a sociedade como um todo) repense a régua da produtividade linear e distribua de forma justa o trabalho “invisível”, a nossa maior ferramenta de sobrevivência é a rede de apoio e, sobretudo, a autoempatia. Não podemos exigir excelência contínua de um corpo e de uma mente que já estão trabalhando em turno duplo antes mesmo de o dia amanhecer.

 

Sobre a autora: Caroline Macarini é psicóloga clínica, especialista em comportamento humano há mais de 14 anos, escritora do livro “Maternidade e a Sua Saúde Mental” e cofundadora da Unolife. A healthtech atua como um ecossistema de bem-estar, apoiando empresas na adequação corporativa e na gestão preventiva de saúde mental, conectando pessoas a profissionais de excelência a valores acessíveis. Saiba mais em unolife.com.br.

 

*As ideias e opiniões expressas nos artigos são de exclusiva responsabilidade de seus autores, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal Radar Digital Brasília.

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A bomba-relógio do Burnout: por que a saúde mental virou passivo jurídico nas empresas brasileiras

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Entre a pressão por metas cada vez mais agressivas e o ritmo frenético do mercado brasileiro, uma crise silenciosa tem corroído a produtividade e o caixa das organizações em todo o país: o esgotamento mental. Por muito tempo, a exaustão no ambiente de trabalho foi tolerada como um “efeito colateral” do sucesso, e a saúde mental era tratada como um benefício opcional ou tema reservado para campanhas pontuais de endomarketing. No entanto, a realidade do mercado mudou drasticamente.

Com a entrada em vigor das novas diretrizes da NR1 (Norma Regulamentadora 1) no final de maio, as regras do jogo corporativo foram reescritas. A legislação agora exige que as organizações gerenciem os chamados “riscos psicossociais” com o mesmo rigor legal e estrutural aplicado aos riscos físicos, químicos ou biológicos. Na prática, isso significa que cuidar da mente do colaborador deixou de ser apenas uma questão de empatia e cultura para se tornar um critério rígido de compliance e um passivo jurídico real.

Como psicóloga clínica e fundadora de uma healthtech que lida diariamente com as dores de colaboradores e gestores de RH em escala nacional, observo o impacto estrutural dessa mudança. Riscos psicossociais não são conceitos abstratos; estamos falando de metas inatingíveis, hiperconectividade, falta de clareza nas funções e assédio moral velado. Quando um colaborador desenvolve Síndrome de Burnout ou crises de ansiedade severas, a Justiça do Trabalho não procura apenas atestados, ela analisa a estrutura organizacional que permitiu e alimentou esse adoecimento.

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Para os empresários, ignorar a atualização da NR1 é assumir um risco financeiro imensurável. O esgotamento afasta talentos, inflaciona os custos de sinistralidade do plano de saúde, gera multas pesadas e inviabiliza contratos B2B rigorosos. Não basta mais remediar, é mandatório prevenir.

Para adequar sua empresa a esse novo cenário sem inflacionar a operação, três passos executivos são fundamentais:

  • Mapeamento ativo (o fim do “achismo”): substitua as pesquisas de clima anuais por diagnósticos contínuos baseados em dados. É preciso identificar quais setores apresentam os maiores índices de sobrecarga cognitiva, desengajamento e estresse, intervindo cirurgicamente antes que o afastamento ocorra.
  • Preparação das lideranças: gestores não precisam atuar como terapeutas, mas devem ser treinados para identificar os primeiros sinais de exaustão em suas equipes. Lideranças preparadas sabem como acolher o colaborador sem expô-lo, promovendo um ambiente de real segurança psicológica.
  • Democratização do acesso à saúde: oferecer aplicativos de meditação superficial ou palestras motivacionais não resolve a raiz do problema. A empresa precisa conectar seu time a profissionais reais de saúde mental, garantindo sessões terapêuticas efetivas que tratem a base do adoecimento com especialistas.
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A nova NR1 não é uma punição, mas um convite à modernização da gestão no Brasil. Negócios verdadeiramente prósperos já entenderam que a alta performance corporativa não pode custar a sanidade das equipes. Proteger a saúde mental do trabalhador é, hoje, a estratégia de negócios mais inteligente, segura e urgente que um líder pode adotar. Afinal, uma empresa só se sustenta em pé se as mentes que a constroem também estiverem.

 

Sobre a autora: Caroline Macarini é psicóloga clínica, especialista em comportamento humano há mais de 14 anos e cofundadora da Unolife. A healthtech atua como um ecossistema de bem-estar, apoiando empresas na adequação corporativa e na gestão preventiva de saúde mental, conectando pessoas a profissionais de excelência a valores acessíveis. Saiba mais em unolife.com.br.

 

 

*As ideias e opiniões expressas nos artigos são de exclusiva responsabilidade de seus autores, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal Radar Digital Brasília.

 

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