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“Diatribe de Amor” retorna a Brasília com temporada que propõe debate urgente sobre violência contra a mulher

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Espetáculo de Gabriel García Márquez fica em cartaz no Teatro do Sesc 504 Sul e promove conversa aberta sobre arte, terapia e segurança pública

“Nada se parece tanto com o inferno quanto um matrimônio feliz!”. É com essa frase impactante que Diatribe de Amor, única peça de teatro escrita por Gabriel García Márquez, volta aos palcos de Brasília em nova temporada, entre 30 de janeiro e 8 de fevereiro, no Teatro Ary Barroso, na Estação Sesc 504 Sul.

O espetáculo, que já emocionou o público brasiliense em temporadas anteriores, retorna com força renovada e um olhar ainda mais atento às questões contemporâneas, especialmente à violência contra a mulher. A produção propõe que o debate não fique restrito ao mês de março: “não precisamos esperar, é urgente”, reforça a equipe.

A nova temporada inclui, no sábado, 7 de fevereiro, às 17h, uma conversa aberta ao público com a presença da sexóloga Luisa Miranda, da policial militar Juliana Salvador e da diretora Luciana Martuchelli, discutindo como a arte pode provocar, sensibilizar e dialogar com a terapia e a segurança pública. Também serão disponibilizados ingressos gratuitos para grupos de atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica, mediante contato com a produção.

Além do debate social, a montagem mantém uma campanha afetiva e formadora de público: “Traga alguém que nunca veio ao teatro”. Quem participar da iniciativa garante direito à meia-entrada, e os estreantes são convidados a compartilhar suas impressões após a sessão.

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“É muito comum termos pessoas que assistem teatro pela primeira vez nas nossas temporadas. Desta vez, quero estimular ainda mais esse movimento”, explica a atriz e produtora Juliana Zancanaro.

Sobre a trama

Na história, Graciela Jaraiz de la Vera se prepara para celebrar suas bodas de prata de maneira nada convencional. Entre maquiagem e a escolha do vestido, ela revela ao público segredos, memórias e percepções de seu casamento, deixando claro que aquela será a mais importante de todas as festas: a última.

Apesar de dois atores em cena, Diatribe de Amor é estruturada como um monólogo, recurso que reforça simbolicamente a presença de um marido inerte. Com texto lírico e profundamente poético, característico de García Márquez, a peça expõe o machismo estrutural presente nas relações afetivas, especialmente nos países latinos.

A tradução do espanhol para o português é assinada pelo pesquisador e doutor em Teoria da Literatura pela UnB André Aires, que também dirige o espetáculo. A obra estreou em 2016 como parte de sua defesa de doutorado e, desde então, passou por diferentes palcos.

Reconhecimento e trajetória

A atriz Juliana Zancanaro interpreta Graciela e integra, ao lado do diretor, a Cia. YinsPiração Poéticas Contemporâneas, dirigida por Luciana Martuchelli. Em 2023, o grupo levou o espetáculo ao 5º Congreso Internacional de Celebración del Teatro, no México, apresentando a obra em espanhol.

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“Foi um grande desafio e alegria apresentar o espetáculo em uma das casas do autor, na língua original, em um teatro histórico inaugurado em 1888, com casa cheia”, relembra Juliana. Gabriel García Márquez viveu por muitos anos no país e é autor de clássicos como Cem Anos de Solidão e O Amor nos Tempos do Cólera.

Durante a temporada, Juliana também lança seu primeiro livro de poemas, A Poesia Não Interessa, pelo coletivo Maria Cobogó, à venda no hall do teatro com valor promocional para quem apresentar ingresso do espetáculo.


Serviço

Espetáculo: Diatribe de Amor
Datas: 30 de janeiro a 8 de fevereiro
Horários:
– Sexta e sábado, às 20h
– Domingo, às 19h

Local: Teatro Ary Barroso – Estação Sesc 504 Sul
Ingressos: R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia – estudantes, professores, artistas e maiores de 60 anos)
Ingressos antecipados: https://www.sympla.com.br/evento/diatribe-de-amor/3277898
Classificação indicativa: 16 anos

Debate

Tema: Violência contra a mulher: arte, terapia e segurança pública
Data: 7 de fevereiro (sábado)
Horário: 17h

Livro

A Poesia Não Interessa, de Juliana Zancanaro
Valor promocional para quem apresentar ingresso: R$ 35

Mais informações: @zancanaroju e @taofilmes

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Cultura

“Poéticas de Brasília” chega aos palcos em espetáculo que revisita a alma da Capital

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Sob direção de Mateus Ferrari com Abaeté Queiroz e Marcio Menezes, montagem une teatro, música e  história para revelar uma Brasília múltipla, afetiva e em permanente construção de sonhos e realidades. De 22 a 24 de maio, no Cruzeiro, com entrada gratuita

O que define Brasília para além de suas curvas de concreto e do horizonte vasto? Fugindo da cronologia oficial e mergulhando na subjetividade de quem habita o quadradinho, o espetáculo Poéticas de Brasília inicia sua temporada explorando a capital federal como um organismo vivo, atravessado por sonhos, contradições e utopias.

Com direção de Mateus Ferrari, a obra traz uma dramaturgia assinada coletivamente pelo diretor e pelos atores Abaeté Queiroz e Márcio Menezes. A peça utiliza uma estrutura fragmentada para costurar teatro, música, humor e documento histórico. Em cena, o trio conduz o público por uma colagem onde relatos de época convivem com canções populares e cenas poéticas.

O ponto de partida são as praças e as lembranças afetivas de quem viveu — ou herdou — a experiência brasiliense. Canções de artistas emblemáticos da cidade ajudam a construir uma atmosfera emocional, conectando a memória pessoal de cada espectador à memória coletiva do país.

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A narrativa mergulha nas origens da capital, revisitando marcos como os sonhos de Dom Bosco, os projetos de interiorização e a Missão Cruls. Com uma linguagem leve e frequentemente irônica, os personagens discutem as versões oficiais da fundação, brincando com as lacunas da história para evidenciar como Brasília também foi erguida sobre narrativas, invenções e idealizações políticas.

Um dos pontos altos da montagem é a abordagem da figura de Juscelino Kubitschek. Longe da rigidez dos monumentos, JK surge como personagem central de um imaginário apaixonado: em uma das cenas, a criação da capital é apresentada como o fruto de uma relação amorosa entre o presidente e o Brasil — uma declaração de amor que transforma o projeto político em metáfora poética e afetiva.

Poéticas de Brasília não se limita ao centro do poder. Ao longo do espetáculo, emergem referências às cidades-satélites, aos trabalhadores candangos e às diversas formas de existir no Distrito Federal. O resultado é um mosaico de vozes que revela uma Brasília múltipla: monumental e periférica, oficial e popular, utópica e profundamente humana.

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O projeto, com produção da Tato Comunicação, é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC/DF) e apoio do Supermercado Veneza e CEMI Cruzeiro. No segundo semestre, vai circular pelo Plano Piloto e Plantina.

SERVIÇO

 Poéticas de Brasília

Direção: Mateus Ferrari/ Dramaturgia e Elenco: Abaeté Queiroz, Márcio Menezes e Mateus Ferrari/ Produção: Tato Comunicação

Temporada:

Sexta-feira, 22 de maio — 15h30

Sessão-escola para alunos do CEMI Cruzeiro e comunidade

Sábado, 23 de maio — 19h

Domingo, 24 de maio — 19h

Aberto ao público 

Local: Auditório do CEMI do Cruzeiro – SRES Área Especial / Cruzeiro Velho

Ingressos: Gratuito

Classificação Indicativa: Livre

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