Educação
Escola em tempo integral e renegociação do Fies são destaques no balanço MEC 2023
Escola em tempo integral e renegociação do Fies são destaques no balanço MEC 2023
Poupança para conclusão do ensino médio também é foco na retrospectiva das ações do Ministério em 2023, junto à alfabetização, conectividade e retomada de obras
O Ministério da Educação (MEC) encerra o ano de 2023 com o lançamento de novas políticas educacionais, a retomada e o fortalecimento de programas consagrados e já com novos projetos para reconstruir o Brasil por meio da educação pública, de qualidade e para todas as pessoas.
Sob o comando do Ministro de Estado da Educação, Camilo Santana, desde janeiro de 2023, a Pasta teve o ano marcado pela retomada do diálogo e pela valorização do pacto federativo, com o MEC reassumindo o papel de articulador das políticas implementadas em colaboração com estados e municípios. O ano também ficou marcado pelos desafios para a reconstrução da estrutura e modernização da gestão, com investimento em planejamento estratégico e na realização de concursos públicos.
O tripé do primeiro ano de gestão foi a alfabetização, o tempo integral e a conectividade das escolas. Nesse sentido, o Ministério da Educação lançou três novas políticas prioritárias para mudar o futuro dos estudantes brasileiros.
Programa Escola em Tempo Integral – O programa teve a adesão de todos os estados brasileiros e Distrito Federal, e de mais de 90% dos municípios do país, que pactuaram, junto ao MEC, a criação de mais de 1 milhão de novas matrículas em tempo integral, no período 2023-2024, em suas redes. Para essa expansão, os entes já receberam R$ 800 milhões do MEC, além de incentivo técnico e pedagógico. A meta é chegar a 3,2 milhões de novas matrículas de tempo integral até 2026, com investimento, em 2023 e 2024, de R$ 4 bilhões.
Compromisso Nacional Criança Alfabetizada – No total, o Compromisso teve adesão de todos os estados, do Distrito Federal e de 99,2% dos municípios brasileiros, que, até o final do ano, já receberam do MEC o valor inicial de R$ 127,1 milhões do programa. Para beneficiar 15,8 milhões de estudantes, o MEC planeja investir R$ 3 bilhões até 2026.
O Compromisso tem como objetivo garantir que 100% das crianças brasileiras estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental; além de recompor as aprendizagens, com foco na alfabetização, de 100% das crianças matriculadas no 3º, 4º e 5º ano, afetadas pela pandemia.
Estratégia Nacional de Escolas Conectadas – Coordenada pelo MEC e pelo Ministério das Comunicações, a Estratégia reúne todas as políticas públicas relacionadas, e já em andamento, com o objetivo de universalizar a conectividade nas escolas até 2026. O período para adesão ainda está aberto. O investimento previsto é de R$ 8,8 bilhões para as ações relacionadas, incluindo R$ 6,5 bilhões do eixo “Inclusão Digital e Conectividade” do Novo PAC. Ao todo, R$ 279 milhões já foram repassados até aqui.
Ensino médio – Em 2023, o MEC promoveu amplo debate para subsidiar a avaliação e reestruturação do ensino médio, com consulta pública e pesquisa que ouviu quase 150 mil estudantes, professores e comunidade escolar. O Projeto de Lei que hoje tramita no Congresso é fruto de uma construção conjunta com entidades diversas, como Conselho Nacional de Educação (CNE), Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais e Distrital de Educação (Foncede), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e Fórum Nacional de Educação (FNE).
O MEC também anunciou o Pé-de-Meia, uma poupança para incentivo à permanência e conclusão dos estudantes no ensino médio, enfrentando as altas taxas de abandono e a evasão dos jovens nesta etapa. Ato conjunto dos ministérios da Educação e da Fazenda vai definir valores, formas de pagamento, critérios de operacionalização e uso da poupança. A iniciativa prevê a criação de um fundo, administrado pela Caixa.
Desenrola da Educação – A renegociação de dívidas do Fies com condições facilitadas é outra ação de destaque do MEC no ano. Os descontos sobre o valor da dívida podem chegar a até 99% para alguns perfis de estudantes e até 100% dos juros. O Renegocia Fies pode beneficiar 1,2 milhão de estudantes, com potencial de renegociação de dívidas que hoje chegam a R$ 55,6 bilhões.
Educação superior – O governo federal, por meio do MEC, também recompôs os orçamentos das universidades e institutos federais, num investimento de R$ 2,44 bilhões.
Obras – O Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Educação Básica e Profissionalizante, que também encerra seu prazo de manifestação de interesse em dezembro, prevê um investimento de R$ 5,7 bilhões até 2026, para a conclusão de mais de 5.600 obras educacionais paralisadas ou inacabadas em todo o país. Ao longo de 2023, o Ministério também já repassou R$ 1,02 bilhão para 631 obras escolares de educação infantil e ensino fundamental e mais R$ 720,8 milhões para novos campi, laboratórios e equipamentos da educação superior e profissional e tecnológica.
Novo PAC – O Programa de Aceleração do Crescimento anunciado em 2023 também tem uma série de obras previstas para a educação. O Novo PAC Seleções da Educação Básica vai investir R$ 9,4 bilhões na construção de 1.000 creches e pré-escolas, 625 escolas em tempo integral, e na compra de 1.500 ônibus de transporte escolar. A Seleção Institutos Federais prevê a instalação de novos campi e conclusão de obras nos Institutos Federais em todo o País, para garantir a permanência dos estudantes e a expansão da rede de educação profissional e tecnológica, priorizando locais sem cobertura de ensino público. Estão previstas 100 novas unidades.
Já a Seleção Universidades e Hospitais Universitários vai investir R$ 4,5 bilhões na instalação de novos campi de ensino superior e para a retomada e conclusão das obras que estavam paradas. O programa garante melhores condições para o funcionamento da rede de hospitais universitários e para a formação médica e multiprofissional, com incremento na capacidade de assistência e qualidade dos serviços no Sistema Único de Saúde.
Reajustes em programas e repasse de recursos – O ano de 2023 do MEC também ficou marcado pelo volume de repasses para a educação, com aumento em programas que não eram reajustados há anos. O Plano Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) teve reajuste no que é repassado para as escolas públicas variando entre 28% e 39%, depois de seis anos sem aumento. Em 2023, foram pagos R$ 5,3 bilhões. O Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) também teve reajuste de 48% e pagou R$ 1,8 bilhão. Já o Programa Nacional de Transporte Escolar (Pnate) teve aumento de 16% e pagamento efetuado de R$ 789 milhões. O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) executou R$ 2 bilhões no ano.
O MEC ainda repassou R$ 29,5 bilhões por meio das complementações do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb); e assinou acordos, junto à Advocacia-Geral da União (AGU) e aos estados, para reaver valores do antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Foram R$ 593 milhões com o Rio Grande do Norte, R$ 898 milhões com o Ceará e R$ 475 milhões com o Maranhão.
Além disso, no ano de 2023, o MEC liberou mais de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares de bancada, individuais e de comissão para universidades, Institutos Federais, obras do FNDE e ações de outras unidades da Pasta. “Dinheiro para a educação é investimento, não é gasto”, defendeu o Ministro Camilo Santana em inúmeras oportunidades.
Reajustes nas bolsas – Os reajustes nas bolsas de educação foram outra entrega importante, logo no início do ano. As de pós-graduação tiveram reajuste em todas as modalidades: 40% no mestrado e doutorado; 27% no pós-doutorado; e de 40% a 75% na formação de professores da educação básica. Ao todo, o MEC beneficiou 178 mil bolsistas.
Além de aumentar os valores, o Ministério ampliou o volume de bolsas: mais de 102 mil bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado; 5,3 mil novas bolsas de pós-graduação e 6,8 mil no exterior. As bolsas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) e do Programa de Residência Pedagógica (PRP), para formação de professores, totalizaram 80 mil benefícios após a ampliação de 23 mil bolsas pelo MEC.
A Bolsa Permanência, direcionada a estudantes quilombolas, indígenas, integrantes do Programa Universidade para Todos (Prouni) e alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica matriculados em instituições federais de ensino superior, também foi reajustada de 55% a 75%. Mais de 25 mil bolsistas foram beneficiados, com um investimento total de R$ 234 bilhões.
Formação – Para a formação continuada de professores, em universidades públicas, o MEC pagou R$ 191,5 milhões. Já o executado com Salário-Educação chegou a R$ 14,4 bilhões.
Inclusão e Ações Afirmativas – O ano do MEC começou com a marca da retomada da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) na estrutura organizacional da Pasta. Com esse reforço, o MEC apresentou o Plano de Afirmação e Fortalecimento da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI). Serão investidos R$ 3 bilhões para beneficiar estudantes do público-alvo da educação especial. Desses, R$ 237 milhões já foram executados, investidos em novas salas de recursos multifuncionais, atendendo a 11.400 escolas e mais de 190 mil estudantes. Também foram alterados os fatores de ponderação do Fundeb, com aumento de 17% no valor mínimo por aluno da educação especial inclusiva, que subiu de R$ 6,3 mil para R$ 7,3 mil.
O MEC também esteve diretamente envolvido em estudos e negociações que levaram à Nova Lei de Cotas, com mudança do mecanismo de ingresso de cotistas ao ensino superior federal, redução da renda familiar para reservas de vagas e a inclusão de estudantes quilombolas como beneficiários das cotas. Entre os benefícios também está a redução do rendimento per capita mensal máximo para um salário mínimo e inclusão dos quilombolas.
O Ministério da Educação ainda retomou dois programas consolidados. O Programa Abdias Nascimento vai investir mais de R$ 118 milhões em diversas ações afirmativas na pós-graduação stricto sensu e na formação de professores para a educação básica até 2024. O objetivo é formar e capacitar, no Brasil e exterior, estudantes autodeclarados pretos, pardos e indígenas, estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades, em universidades, instituições de educação profissional e tecnológica e centros de pesquisa de excelência.
Já o Mulheres Mil foi retomado com o objetivo de elevar a escolaridade e promover a inclusão socioprodutiva de mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica por meio da oferta de cursos de qualificação profissional. Para 2023, foram pactuadas 47.071 vagas em 446 municípios, tendo como ofertantes a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e as secretarias estaduais de Educação.
Diálogo e participação social – O 2023 do MEC também será lembrado como o ano da recomposição do Fórum Nacional de Educação (FNE), da instauração de grupos de trabalho distintos e da recriação de comissões para fortalecimento do diálogo com os diversos públicos da educação. A Pasta também se dedicou à preparação para a Conferência Nacional de Educação (Conae) 2024 e para a Conferência Regional de Educação Superior da América Latina e Caribe (CRES +5).
Assessoria de Comunicação Social do MEC
EDUCAÇÃO
Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência
Published
5 horas atráson
4 de setembro de 2026By
infocoweb
A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026.
A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782.
No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas.
A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios.
Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso.
Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade.
Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”.
Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações.
A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais.
A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade.
“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”.
Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência.
A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção.
No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades.
A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão.
Multimídia
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação

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