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Entrevista com o vice-ministro de relações exteriores de Belarus em visita ao Brasil

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Sergey Lukashevich foi Embaixador de Belarus no Brasil.Fluente em Português, e está no Brasil para um encontro do Brics no Rio de Janeiro.

 

Como descreveria a Belarus moderna aos leitores e espectadores brasileiros? O que distingue o país em termos políticos, económicos, históricos e culturais? Atualmente, qual é o papel e a posição de Belarus no mundo?

 

Há mais de trinta anos que o Brasil é amigo e parceiro confiável de Belarus. Certamente, muitos cidadãos brasileiros já conhecem o nosso país e, talvez, já o tenham visitado, dado que Belarus e o Brasil têm um regime de isenção de visto por até 90 dias. Por isso, aproveito esta oportunidade para convidar cordialmente todos os nossos amigos brasileiros a visitarem o nosso país e a conhecerem melhor o nosso povo hospitaleiro.

Historicamente, Belarus tem sido comparada a um cruzamento de importantes rotas militares e comerciais que ligam o Ocidente ao Leste, e o Norte ao Sul do continente euroasiático. Esta posição estratégica, que inclui a junção de duas civilizações, certamente contribuiu para o desenvolvimento diversificado e o enriquecimento cultural do país. No entanto, mais do que uma vez, esta posição tornou Belarus numa “vítima” das circunstâncias e interesses dos “poderosos deste mundo”, num campo de batalhas sangrentas.

O povo bielorrusso, junto com toda a humanidade progressista, lutou corajosamente contra o nazismo e o fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Belarus pagou um preço enorme – um em cada três habitantes do nosso país morreu. Prestando respeito e homenagem à memória a todos os heróis que defenderam a vida e a liberdade para nós, nossos filhos e netos, os Presidentes de Belarus e do Brasil, dentro de poucos dias, participarão em Moscou nos eventos comemorativos por ocasião do 80º aniversário da vitória na Grande Guerra Patriótica. Tenho certeza de que é um evento extremamente significativo e simbólico para os bielorrussos e brasileiros.

Belarus sempre defendeu e continua a defender a paz. A primeira linha do nosso hino nacional diz: “Nós, bielorrussos, somos pacíficos”. Estas palavras concisas e profundas refletem a alma, o código histórico, cultural e mental do povo bielorrusso.

O nosso país é único à sua maneira. Devido à sua posição geográfica e às circunstâncias históricas, no território de Belarus vivem há séculos representantes de várias religiões e nacionalidades: bielorrussos, russos, ucranianos, judeus, poloneses, tártaros… Eles vivem pacificamente e em harmonia, mantendo a sua língua, tradições e cultura, mas ao mesmo tempo se sentindo parte de um todo, e o nome deste todo é o povo bielorrusso. Esta coexistência pacífica, unidade social e harmonia é, em muitos aspetos, um grande mérito do Chefe de Estado bielorrusso, uma política sábia e equilibrada, efetuada pelas nossos autoridades.

E essa é uma das razões primeiras pelas quais hoje Belarus desempenha um papel importante na garantia da segurança regional. A diplomacia e o apelo à paz fazem do nosso país um jogador sério na arena mundial. Todas as nossas iniciativas de política externa visam criar uma arquitetura de segurança indivisível e abrangente, que permita a coexistência pacífica de todos os estados e povos, com base nos princípios da multipolaridade, respeito pela soberania do estado e direito de escolha do seu próprio caminho.

Muitas das realizações do estado bielorrusso moderno são o resultado de uma política externa independente, equilibrada e multifacetada. Estamos prontos para ser amigos e cooperar com todos os países, sem exceção, mas em condições de igualdade, respeito mútuo e benefício recíproco.

A nossa visão de uma ordem mundial justa é compreendida e apoiada por muitos estados. Esses mesmos princípios universais são a base das boas relações entre a Belarus e o Brasil.

A propósito de Belarus de hoje, posso salientar com orgulho que é um país moderno e desenvolvido, com uma economia aberta. Em termos de área e população, Belarus é incomparavelmente menor que o Brasil, com cerca de metade da área do estado de Minas Gerais. Ao mesmo tempo, tal como o Brasil, Belarus possui uma indústria e uma agricultura desenvolvidas, e oferece aos seus cidadãos cuidados de saúde acessíveis e de elevada qualidade, bem como um ensino de excelência.

Belarus está avançando rapidamente no caminho do progresso econômico sustentável. Estamos entre os reconhecidos líderes mundiais como fabricantes de alimentos de alta qualidade, fertilizantes minerais, produtores de tratores, colheitadeiras e caminhões de mineração amplamente reconhecidos em todo o mundo.

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Os produtos de engenharia mecânica representam até 90% das exportações de mercadorias bielorrussas. O setor industrial se tornou no principal motor do crescimento da economia bielorrussa em 2024. A empresa bielorrussa BelAZ está entre os três maiores fabricantes de caminhões de mineração mundiais. Um em cada 10 tratores e uma em cada 6 colheitadeiras no mundo são produzidos em Belarus.

O desenvolvimento da agricultura nos permite não só garantir a segurança alimentar do país (Belarus ocupa o 23º lugar no mundo entre os 113 países no ranking de segurança alimentar de 2020), como também exportar os produtos fabricados para 110 países do mundo.

A indústria petroquímica de Belarus oferece uma ampla variedade de inseticidas e herbicidas, materiais não tecidos e pneus que também são utilizados ativamente na agricultura e na engenharia mecânica.

Belarus é um dos maiores produtores e exportadores de fertilizantes de potássio do mundo, fornecendo 17% da produção mundial. Além disso todos os três tipos de fertilizantes minerais são produzidos em nosso país: nitrogenados, fosfatados e de potássio.

Sendo um país orientado para a exportação, em face de desafios e restrições externos sem precedentes, não só mantivemos a nossa presença nos mercados estrangeiros, como também aumentamos o fornecimento de produtos bielorrussos para o exterior.

A economia de Belarus representa uma parte significativa do mercado comum da União Económica Eurasiática (UEEA), que abrange a livre circulação de mercadorias, serviços, capital e mão de obra, um espaço alfandegário comum e uma tarifa alfandegária comum, bem como normas e regulamentos técnicos comuns.

Este ano, o nosso país está a presidir à UEEA. Com vista a desenvolver ainda mais um sistema económico e comercial multipolar justo e mutuamente benéfico, estamos a envidar esforços consideráveis para expandir a cooperação com parceiros tanto tradicionais, como novos.

Outro cartão de visita de Belarus é a sua natureza única. Florestas, rios e pântanos cobrem uma parte significativa do território do nosso país, que é frequentemente apelidado de “os pulmões da Europa”. Tal como o Brasil, Belarus está empenhada no avanço da agenda climática, na sustentabilidade ambiental global e na biodiversidade do nosso planeta.

Belarus está a desenvolver ativamente as energias nuclear e alternativa, bem como a tecnologia de TI e a tecnologia espacial, bem como medicina inteligente. Em todas estas áreas vemos boas perspetivas de fortalecer a nossa cooperação com o Brasil, que também é um estado socialmente orientado.

Por fim, tendo em conta o rico património cultural de Belarus e do Brasil, a nossa identidade e as nossas tradições de hospitalidade, acredito que também temos muito a discutir no âmbito humanitário.

Como podemos ver, apesar da distância que separa Belarus e o Brasil, há muitos fatores que nos aproximam e nos unem.

Belarus recebeu recentemente o estatuto de país parceiro do BRICS. Que perspetivas vê o seu país nessa organização e que contributo gostaria de dar para o seu desenvolvimento? Será que o lado bielorrusso já conseguiu promover algumas iniciativas no âmbito do BRICS?

 

Atualmente, estamos a cooperar com o BRICS, tirando partido das oportunidades oferecidas pelo estatuto de estado parceiro deste agrupamento. Isso inclui, em particular, a participação permanente nas cimeiras e reuniões de ministros dos Negócios Estrangeiros do BRICS.

No futuro esperamos que Belarus se torne um membro pleno da associação. Isso ampliará significativamente as oportunidades de cooperação e nos permitirá contribuir para as atividades do BRICS.

Belarus está pronta para trabalhar ativamente em todas as dimensões: de questões comerciais e económicas, culturais e humanitárias, parlamentares e de segurança.

As nossas atividades no BRICS serão orientadas para o desenvolvimento económico sustentável, com vista a preservar e aumentar o potencial humano, garantindo elevados padrões sociais e uma qualidade de vida decente, através da introdução de inovações e das mais recentes tecnologias.

A prioridade de Belarus no BRICS será fortalecer a cooperação em política e segurança com base nos princípios de respeito mútuo, segurança indivisível e garantias de desenvolvimento do país sem confrontação. Tal é o requisito para a construção de um sistema de relações internacionais multipolar justo.

A exportação de fertilizantes de Belarus contribui significativamente para o desenvolvimento sustentável da agricultura a nível mundial e para a luta contra a fome. Belarus está pronta para continuar a trabalhar ativamente para garantir a segurança alimentar global e participar ativamente na luta contra a fome, a pobreza e as consequências das alterações climáticas.

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A este respeito gostaria de salientar que o agravamento da situação da segurança alimentar no mundo não é causado apenas por crises globais e alterações climáticas, mas também pela política de sanções de vários estados europeus, inclusive os nossos vizinhos. As sanções limitam a possibilidade de Belarus fornecer fertilizantes aos mercados internacionais, o que ameaça a segurança alimentar global. Ao avaliar de forma ponderada as consequências prejudiciais de tais ações, a Belarus pede o abandono da prática de medidas coercivas unilaterais ilegais. Esperamos usar o peso e o potencial do BRICS para superar os obstáculos artificiais de sanções impostos pelos países ocidentais à exportação de fertilizantes minerais de Belarus.

Atualmente a questão de uma solução pacífica para a crise ucraniana está a adquirir uma nova importância. Na sua opinião, quais são as perspectivas para esse processo e que contributo poderia Belarus dar a ele?

 

Ao avaliar as perspectivas de resolução da crise ucraniana é importante considerar não apenas os esforços diplomáticos mas também as causas fundamentais do conflito, sem a eliminação das quais a paz duradoura é impossível. De qualquer forma, o diálogo direto entre as partes é vital.

O conflito entre povos irmãos próximos de nós é uma grande tragédia. Desde o início, temos vindo a tomar medidas de manutenção da paz e a tentar evitar que o conflito se agrave. Em 2022 Belarus ofereceu uma plataforma para negociações diretas entre a Rússia e a Ucrânia. Embora não tenha havido um avanço imediato, as três rondas de reuniões possibilitaram a resolução de questões urgentes, como a organização de corredores humanitários para a evacuação de civis e a entrega de ajuda a áreas perigosamente próximas à linha de contacto.

Belarus tem uma experiência positiva ao disponibilizar uma plataforma de negociação no âmbito do trabalho do Grupo de Contacto Trilateral sobre a resolução da situação no leste da Ucrânia. Continuamos a oferecer o nosso território para a troca de mortos e prisioneiros de guerra entre as duas partes.

Belarus está pronta para continuar a fazer o máximo possível para dar continuidade às negociações substantivas sobre as questões da regulização pacífica na Ucrânia e manifestou interesse em participar diretamente nelas. A voz de Belarus deve necessariamente ser ouvida na mesa de negociações e os acordos finais devem também ter em conta os interesses do país bielorrusso.

A República de Belarus faz fronteira tanto com a Rússia como com a Ucrânia e é diretamente afetada pelas consequências desse conflito. Prestámos abrigo e refúgio a centenas de milhares de ucranianos que fugiam das hostilidades. Sem o envolvimento pleno do nosso país é impossível imaginar a manutenção da paz e da segurança a longo prazo na região.

Também assistimos a iniciativas de paz multilaterais paralelas, incluindo o grupo Amigos da Paz, criado pela China, pelo Brasil e por países do Sul Global com ideias semelhantes. Isto mostra que a procura de negociações de paz efetivas sobre a Ucrânia está a aumentar. Todos estão cansados da guerra há muito tempo.

Essa iniciativa, como qualquer outra proposta de paz está enfrentando diferentes avaliações atualmente, inclusive críticas. Entretanto, a busca por novos formatos de diálogo certamente não perde seu valor e relevância.

Belarus, assim como o Brasil vê a necessidade de uma plataforma onde diferentes pontos de vista possam ser expressos e ouvidos e em que soluções mutualmente aceitáveis possam ser elaboradas.

A retomada do processo de diálogo entre a Rússia e os Estados Unidos é um passo importante para restaurar a confiança mútua e para encontrar soluções mutualmente aceitáveis. Gostaria que esses esforços fossem sistemáticos e não fragmentados.

Estou confiante de que com a vontade política de todos os envolvidos a paz poderá ser restaurada em breve. Nesse caso, os principais fatores de sucesso são a disposição das partes para se comprometerem e a existência de um mecanismo eficaz para monitorizar o cumprimento dos acordos firmados.

Fonte: written by Fabiana Ceyhan Site https://mundoeturismo.com.br/

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Kwibuka32 na CLDF marca memória, respeito e reflexão sobre o genocídio em Ruanda

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A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) sediou, na manhã desta terça-feira (7/4), a cerimônia oficial do Kwibuka32, que marca os 32 anos do genocídio de 1994 contra os tutsi em Ruanda. O evento, realizado em parceria com a Embaixada de Ruanda, reuniu parlamentares, diplomatas, acadêmicos, representantes do governo brasileiro e da sociedade civil em um ato de memória, reflexão e reafirmação do compromisso com a prevenção de novas atrocidades.


Em nome do governo e do povo de Ruanda, o embaixador agradeceu à deputada Doutora Jane e aos membros da CLDF pela “graciosa acolhida” e pelo apoio à realização da solenidade. Também participaram o decano do Corpo Diplomático Africano, embaixador de Camarões, Martin Agbor Mbeng; o representante da Secretaria para África e Oriente Médio do Itamaraty, conselheiro Márcio dos Anjos; embaixadores e embaixatrizes, além de servidores de órgãos do governo brasileiro.
Foram destacados ainda como convidados o professor Jean Pierre Karegeye, que viajou especialmente para o evento, e Jeanne Celestine Lakin, sobrevivente do genocídio, cujo depoimento em vídeo foi exibido como testemunho pessoal e instrumento de preservação da memória.
A cerimônia integra o calendário internacional do Kwibuka — palavra em kinyarwanda que significa “lembrar” — e coincide com o Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio contra os Tutsi em Ruanda, estabelecido pela Organização das Nações Unidas.

Genocídio planejado: décadas de discriminação e desumanização
Em seu discurso, o embaixador ressaltou que o genocídio de 1994 “não foi um surto repentino de violência”, mas o resultado de décadas de divisão, discriminação e desumanização sistematicamente enraizadas na sociedade ruandesa.
Ele lembrou que as bases do genocídio remontam ao período colonial, quando identidades foram formalizadas e politizadas, estabelecendo estruturas de exclusão e desigualdade. A partir de 1959, repetidos ciclos de violência e perseguição forçaram muitos tutsi ao exílio. Nas décadas seguintes, práticas discriminatórias e narrativas de ódio foram institucionalizadas e normalizadas, configurando um sistema comparável a um regime de apartheid.
No início dos anos 1990, esse cenário se transformou em uma estrutura organizada, sustentada por propaganda extremista, milícias e preparação deliberada da violência, culminando no genocídio contra os tutsi. Em cerca de cem dias, mais de um milhão de pessoas foram assassinadas, deixando o país devastado, comunidades destruídas e “a própria humanidade testada em seu núcleo”, nas palavras do representante ruandês.

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Reconstrução, reconciliação e “Nunca mais” como política de Estado
O embaixador destacou que as reflexões sobre o passado estão diretamente ligadas ao caminho trilhado por Ruanda desde 1994. Após o fim do genocídio, em julho daquele ano, com a vitória da Frente Patriótica Ruandesa, o país se viu diante de um dilema decisivo: optar pela vingança ou por uma rota diferente.
“Ruan¬deses escolheram a unidade, a reconciliação e a construção nacional”, afirmou. Essa escolha se materializou na criação do Governo de Unidade Nacional, em julho de 1994, com o compromisso de reconstruir o país com base na inclusão e na coesão, rompendo com as divisões que haviam conduzido à tragédia.
Ao longo dos anos, essa orientação foi traduzida em políticas concretas, como a criação, em 1999, da Comissão Nacional de Unidade e Reconciliação, focada em diálogo e coesão social, e a implementação, em 2002, dos tribunais comunitários de Gacaca, que permitiram um modelo de justiça participativa, com responsabilização e envolvimento direto das comunidades.
Segundo o embaixador, a Ruanda de hoje demonstra que a recuperação é possível, mesmo após um trauma dessa magnitude, quando há liderança comprometida, instituições fortes e foco em coesão social. Ele acrescentou, porém, que a vigilância precisa ser permanente, pois os fatores que levam ao genocídio podem reaparecer se não forem enfrentados: “Em Ruanda, ‘Nunca Mais’ não é apenas um slogan, mas um compromisso duradouro”, disse, lembrando declaração do presidente Paul Kagame, durante o Kwibuka21, de que “Ruanda mudou para melhor e para sempre”.

 

Falhas da comunidade internacional e riscos atuais na região dos Grandes Lagos
Diante de parlamentares e representantes do governo brasileiro, o embaixador afirmou que o Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio contra os Tutsi não é uma questão apenas de Ruanda, nem um fardo exclusivo de sobreviventes. Segundo ele, a presença de autoridades brasileiras e diplomatas na CLDF demonstra que “lembrança e responsabilidade são partilhadas pela comunidade internacional”.
O diplomata chamou atenção para perguntas que continuam a desafiar governos e instituições: se as lições daquela história foram realmente aprendidas, se a “responsabilidade de proteger” em situações de crimes contra a humanidade está sendo cumprida e se as instituições estão preparadas para agir com rapidez diante de riscos evidentes.
Ele lembrou que, em 1994 e nos anos anteriores, havia sinais claros de alerta, mas a comunidade internacional falhou em agir. “Não se nomeou o crime, não se impediu o genocídio. A história registrará para sempre esse fracasso”, afirmou, destacando que essa omissão deve servir de lição para situações atuais.
O embaixador citou, em particular, a instabilidade no leste da República Democrática do Congo e a atuação de grupos armados, incluindo a FDLR, organização criada por perpetradores do genocídio contra os tutsi, como motivo de preocupação permanente. Ele mencionou a persistência de ideologias extremistas e narrativas de divisão dirigidas contra comunidades tutsi na região, como os Banyamulenge, que seguem alimentando episódios de violência, perseguição e deslocamentos.

Desinformação, negação e o papel do Brasil na prevenção de atrocidades
Outro ponto central do discurso foi o alerta contra a distorção histórica e a negação do genocídio. De acordo com o embaixador, a prevenção exige clareza sobre o significado jurídico de genocídio: a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso.
“Esforços de negar ou minimizar o que ocorreu em 1994 ferem a dignidade das vítimas e dos sobreviventes e enfraquecem as bases da prevenção”, afirmou. Na era digital, acrescentou, a disseminação rápida de desinformação e discursos de ódio torna o desafio ainda mais complexo, reforçando a necessidade de educação, memória e responsabilidade no espaço público.
O representante ruandês defendeu investimentos contínuos em educação, diálogo, fortalecimento institucional e cooperação internacional. Ele ressaltou o papel de países como o Brasil, que têm tradição de diálogo e atuação multilateral, no apoio a iniciativas pela paz, pela compreensão mútua e pela prevenção de atrocidades em massa.
O embaixador também agradeceu especialmente a Brasília, São Paulo e Goiânia pela criação, em parques públicos, dos monumentos Chama da Esperança, em memória das vítimas do genocídio contra os tutsi. Segundo ele, esses gestos são “sinais concretos de solidariedade com o povo de Ruanda e de compromisso compartilhado com a lembrança e com o ‘nunca mais’”.
Ao encerrar a cerimônia na CLDF, o diplomata agradeceu a presença de todos, classificando-a como prova de solidariedade com Ruanda e de compromisso comum com a memória e a prevenção de genocídios.

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