Notícias Corporativas
Agentes inteligentes criam novas oportunidades de carreira
Com adoção acelerada nas organizações, sistemas autônomos impulsionam o surgimento de novas funções e exigem competências que vão além do uso de ferramentas de inteligência artificial.
Publicado em
8 de junho de 2026por
DINO
A evolução da inteligência artificial está criando uma nova geração de sistemas capazes de executar tarefas e tomar decisões dentro de regras e objetivos previamente definidos. Chamados de agentes de IA, estes recursos começam a ser incorporados às operações de empresas de diversos setores e já impulsionam a demanda por profissionais especializados em seu desenvolvimento, integração e operação.
A adoção ocorre em ritmo acelerado. Segundo relatório da OutSystems, 96% das organizações já utilizam agentes de IA em alguma capacidade e 97% exploram estratégias de "IA agêntica" em escala sistêmica. O avanço da tecnologia também aparece em outros levantamentos do mercado. Pesquisa da CrewAI com 500 executivos de grandes empresas mostrou que 100% das organizações entrevistadas pretendem ampliar o uso de agentes de IA em 2026, indicando que a tecnologia está deixando a fase de experimentação para se tornar parte das operações corporativas.
Embora ferramentas como ChatGPT tenham popularizado o uso da inteligência artificial, os agentes inteligentes representam uma evolução desta tecnologia por serem capazes de interpretar objetivos, acessar informações, utilizar diferentes ferramentas e executar tarefas de forma autônoma. "É a diferença entre pedir algo para uma IA e delegar uma tarefa inteira", explica Rita Rodrigues, coordenadora da graduação em Agentes Inteligentes da FIAP. Segundo ela, enquanto um chatbot pode ajudar a escrever um e-mail, um agente inteligente consegue identificar clientes que precisam ser contatados, analisar históricos de relacionamento, criar mensagens personalizadas, enviá-las automaticamente e até agendar reuniões.
A adoção de agentes inteligentes tem crescido em áreas como atendimento ao cliente, automação de processos, análise de dados e apoio à tomada de decisão, fazendo com que a tecnologia passe a integrar cada vez mais a operação das empresas. Este avanço, porém, também evidencia a falta de profissionais qualificados para desenvolver e gerenciar estas soluções.
De acordo com a coordenadora da FIAP, embora o mercado já conte com muitos usuários de ferramentas de IA, ainda há escassez de especialistas capazes de integrar modelos aos sistemas corporativos, criar automações complexas e garantir segurança, governança e escalabilidade. "O grande desafio deixou de ser apenas acessar modelos de IA. Hoje, as empresas precisam de profissionais que consigam transformar esta tecnologia em sistemas inteligentes confiáveis, integrados e preparados para operações reais", afirma.
A expansão dos agentes de IA também está criando novas oportunidades profissionais. Além de funções já conhecidas na área de inteligência artificial, ganham espaço cargos especializados no desenvolvimento, integração e automação de sistemas inteligentes, como desenvolvedor de agentes de IA, engenheiro de soluções com IA, especialista de automação inteligente e engenheiro de sistemas multiagentes.
O crescimento da demanda por profissionais especializados tem levado instituições de ensino a criarem formações específicas voltadas ao desenvolvimento de agentes inteligentes. Segundo Rita Rodrigues, a decisão de estruturar uma graduação dedicada ao tema reflete a crescente complexidade dos sistemas autônomos utilizados pelas organizações. Para ela, construir agentes de IA exige conhecimentos que vão além do uso de modelos generativos e da criação de prompts. "Hoje, estamos falando de integração com APIs e sistemas corporativos, uso de memória e contexto, arquitetura de agentes, automação de workflows, segurança, governança e monitoramento. É uma combinação de competências que já ultrapassa o escopo de uma disciplina isolada", ressalta.
A expectativa é que a adoção dos agentes inteligentes se expanda para praticamente todos os setores da economia nos próximos anos, incluindo tecnologia, saúde, varejo, serviços financeiros, logística e educação. Para a especialista, o movimento representa uma nova etapa da transformação digital: "Estamos entrando em uma fase em que a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a atuar como parte da infraestrutura operacional das empresas. Isto cria oportunidades significativas para profissionais que decidirem se especializar nessa área desde agora", conclui Rita.
Notícias Corporativas
Brasileiro leva técnica inédita à radiologia europeia
Método “Dry Martini”, desenvolvido pelo radiologista brasileiro Pedro Moraes, foi apresentado no European Congress of Radiology 2026 e busca aumentar a segurança da ablação térmica em regiões delicadas do pescoço
Published
4 minutos atráson
8 de junho de 2026By
DINO
O médico brasileiro, Dr. Pedro Moraes, especialista em tireoide e membro do Instituto Medicina em Foco, ganhou projeção internacional ao apresentar sua técnica inédita, a “Dry Martini”, no European Congress of Radiology (ECR) 2026, em Viena (Áustria), um dos maiores congressos de radiologia do mundo.
De acordo com o profissional, a ideia da técnica surgiu na prática clínica, diante de um desafio bastante específico: como tratar, de forma minimamente invasiva, nódulos localizados em regiões extremamente delicadas do pescoço, próximas à carótida, à traqueia e aos nervos responsáveis pela voz.
O médico explica que a ablação térmica da tireoide já é uma técnica consolidada em diversos países, especialmente na Ásia e na Europa. Ainda assim, alguns casos continuam sendo considerados desafiadores devido à proximidade com estruturas nobres da região cervical. “O meu objetivo foi desenvolver uma forma mais previsível e segura de criar e manter uma zona de proteção ao redor dessas áreas críticas durante o procedimento”, afirma.
A técnica foi desenvolvida a partir de conceitos já consolidados na radiologia intervencionista, como a hidrodissecção com solução glicosada, aliados à experiência prática em procedimentos guiados por ultrassom e ao estudo das principais referências internacionais em ablação térmica da tireoide. O diferencial do método “Dry Martini”, segundo o profissional, foi transformar esse mecanismo de proteção em uma abordagem mais estável, contínua e reprodutível ao longo de toda a ablação.
De acordo com o médico, o nome “Dry Martini” surgiu devido ao aspecto visual observado durante o procedimento — realizado com acompanhamento em tempo real por ultrassonografia — que lembra uma azeitona atravessada por um palito, em referência ao tradicional drink homônimo. “Além disso, transmite a ideia de equilíbrio e precisão: manter uma separação delicada, mas constante, entre o calor terapêutico e as estruturas que precisam ser preservadas”, acrescenta.
Precisão é essencial em regiões delicadas do pescoço
Dr. Pedro Moraes ressalta que o pescoço é uma região extremamente compacta. Em poucos centímetros, estão concentrados vasos importantes, vias respiratórias, nervos responsáveis pela fala e estruturas fundamentais para funções básicas do corpo.
Assim, quando um nódulo está muito próximo dessas regiões, qualquer procedimento precisa ser realizado com um nível elevado de precisão. De acordo com o médico, o calor utilizado na ablação pode tratar o nódulo de forma eficaz, mas também pode causar lesões indesejadas caso não haja controle adequado da distância e da dissipação térmica.
“Por exemplo, uma lesão no nervo laríngeo recorrente pode causar alteração da voz; uma lesão na traqueia pode gerar complicações respiratórias; e estruturas vasculares como a carótida exigem atenção máxima durante todo o procedimento, pois são vitais para o suprimento sanguíneo do cérebro”, detalha.
Resultados iniciais indicam segurança e eficácia da técnica
Os resultados iniciais apontaram 100% de sucesso técnico nos 15 casos avaliados e, segundo o profissional, o que mais chamou atenção foi a consistência da técnica, mesmo em situações consideradas de maior complexidade anatômica.
De acordo com ele, foi possível manter a margem de segurança ao longo dos procedimentos sem grandes intercorrências, o que era o principal objetivo do método. Além disso, os pacientes apresentaram boa resposta clínica e redução significativa dos nódulos durante o acompanhamento inicial.
Outro ponto destacado pelo médico foi o perfil dos pacientes atendidos. Segundo ele, muitos chegavam ao consultório receosos com a possibilidade de cirurgia, principalmente pelo medo de cicatrizes, da necessidade de anestesia geral ou de possíveis alterações hormonais futuras.
“Ver a recuperação rápida e o impacto positivo na qualidade de vida dessas pessoas utilizando uma técnica minimamente invasiva, com anestesia local, sem cortes e sem necessidade de internação, foi algo muito marcante”, relembra.
Ablação térmica surge como alternativa minimamente invasiva
Dr. Pedro Moraes reforça que a cirurgia continua sendo fundamental e insubstituível em muitos casos, especialmente nos tumores mais avançados. No entanto, segundo ele, atualmente já existe um grupo mais bem definido de pacientes que pode se beneficiar de tratamentos minimamente invasivos.
Nesse contexto, a ablação térmica surge como uma alternativa capaz de tratar determinados nódulos sem a necessidade de cortes ou da remoção da tireoide, preservando a função da glândula, evitando cicatrizes cirúrgicas e proporcionando uma recuperação significativamente mais rápida.
Reconhecimento internacional destaca inovação brasileira
Para o médico, ter o trabalho apresentado no European Congress of Radiology foi uma conquista muito especial. “Pessoalmente, representa a sensação de que todo o investimento em formação, pesquisa e dedicação realmente valeu a pena. São mais de 15 anos dedicados ao estudo da tireoide e do pescoço. Além disso, é muito gratificante ver uma ideia desenvolvida no Brasil sendo reconhecida em um dos maiores congressos de radiologia do mundo”, comemora.
O especialista também destaca que a medicina brasileira reúne profissionais altamente qualificados e criativos, muitas vezes atuando em cenários desafiadores. Para ele, ter um trabalho selecionado no ECR demonstra a capacidade do país de desenvolver inovação com relevância e reconhecimento internacional.
“Isso fortalece não apenas a pesquisa individual, mas também a visibilidade da medicina e do meio acadêmico nacional como um todo. Por isso, técnicas que aumentem a margem de segurança têm um impacto muito importante não apenas do ponto de vista técnico, mas, principalmente, na segurança e na qualidade de vida do paciente”, observa.
O próximo passo, de acordo com Dr. Pedro Moraes, é ampliar o número de casos, aumentar o tempo de seguimento dos pacientes e avaliar a reprodutibilidade da técnica em diferentes cenários clínicos.
“Acredito que estamos vivendo uma transformação importante na forma como tratamos doenças da tireoide e das paratireoides. Mas é fundamental que essa evolução aconteça com responsabilidade, produção científica sólida e acompanhamento de longo prazo”, conclui.

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