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Especialista fala sobre juros altos, moradia e saneamento

Mesmo após a redução da Selic para 14,75% em março de 2026, a construção civil segue pressionada por crédito caro e custo de obra em alta. O especialista Fernando Nunes Camilo avalia que habitação, saneamento e infraestrutura social só preservarão seu impacto econômico e urbano se vierem acompanhados de soluções construtivas de alto desempenho, durabilidade e manutenção reduzida.

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Especialista fala sobre juros altos, moradia e saneamento

Após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic para 14,75% ao ano em 18 de março de 2026, a construção civil continuou tratando o custo do crédito como um freio à atividade. Os juros seguem em nível suficientemente alto para adiar investimentos produtivos, pressionar o orçamento das famílias e prolongar a dificuldade de financiamento em uma cadeia fortemente dependente de capital de longo prazo. Em janeiro, o indicador de atividade da construção caiu a 43,1 pontos, pior resultado para o mês desde 2017, e o indicador de acesso ao crédito ficou em 39,0 pontos no quarto trimestre de 2025, sinalizando restrição relevante.

No mercado imobiliário, o efeito acumulado desse ciclo monetário apareceu tanto na demanda quanto no custo da obra. Em novembro de 2025, entidades do setor estimavam que a Selic em 15% havia excluído cerca de 800 mil famílias do mercado de crédito para imóveis de R$ 500 mil, com perda média de 160 mil famílias a cada ponto percentual adicional na taxa.

Nesse ambiente, os programas públicos voltados à habitação ganham peso adicional para sustentar produção e emprego no setor da construção civil. Desde a recriação do Minha Casa, Minha Vida, em 2023, o programa já injetou R$ 335,3 bilhões na economia e correspondeu a 53% dos lançamentos imobiliários de 2025, além de somar 2,2 milhões de unidades contratadas no ciclo 2023-2026. Para Fernando Nunes Camilo, engenheiro civil especializado em sistemas habitacionais e de saneamento, esse volume exige que a escala venha acompanhada de desempenho construtivo, controle de umidade e soluções capazes de reduzir manutenção ao longo da vida útil dos empreendimentos.

Na avaliação do especialista, a mesma lógica vale para a infraestrutura urbana. O projeto de concessão de saneamento da Bacia do Rio Doce mobiliza R$ 7,5 bilhões para apoiar a universalização do abastecimento de água e do esgotamento sanitário em 200 municípios mineiros até 2033, enquanto a entrega de um túnel financiado em R$ 702,8 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio de Janeiro foi apresentada como parte de um sistema capaz de reduzir em até 90% o tempo de deslocamento e gerar mais de 15 mil empregos diretos e indiretos. "Obras dessa escala só preservam seu impacto social quando combinam engenharia de durabilidade, drenagem eficiente e execução padronizada", diz Fernando.

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O movimento não é apenas brasileiro. Em Cherkasy, na Ucrânia, foram inaugurados em março de 2026 um centro regional de emergência médica e moradias temporárias para cerca de 130 deslocados, em projeto apoiado pelo Banco Europeu de Investimento. No Peru, o BID aprovou US$ 130 milhões para melhorar o acesso fluvial de comunidades amazônicas ribeirinhas, ampliando a conexão com serviços básicos e reforçando um programa voltado a 2.780 comunidades e cerca de 445 mil habitantes que dependem exclusivamente do transporte pelos rios. "Esses casos mostram que habitação, saneamento e mobilidade de acesso precisam ser tratados como uma única agenda de infraestrutura social", afirma.

A partir dessa convergência, Fernando entende que a resposta técnica para o ciclo atual não está apenas em destravar crédito, mas em qualificar a entrega. "Quando programas habitacionais, concessões de saneamento e obras de mobilidade avançam simultaneamente, a prioridade passa a ser evitar patologias recorrentes, ampliar a resiliência das edificações e reduzir o custo futuro de operação para famílias, municípios e operadores". O argumento ganha relevância em um cenário em que o próprio Ministério das Cidades informou aportes de R$ 60,6 bilhões em saneamento ambiental sob gestão federal e associou o avanço da infraestrutura às metas de universalização previstas até 2033.

Segundo Fernando, a pressão simultânea de juros ainda elevados e custo de construção em alta torna mais importante a adoção de métodos padronizados de engenharia voltados ao desempenho. "Na prática, isso significa projetar fundações, lajes, interfaces com redes de água, esgoto e drenagem e detalhes construtivos com foco preventivo, sobretudo em obras de moradia acessível e em áreas de solo úmido ou argiloso, onde falhas de durabilidade tendem a se transformar rapidamente em despesa de manutenção e perda de habitabilidade", explica.

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Fernando Nunes Camilo acumula mais de 14 anos de atuação em habitação de interesse social, infraestrutura de água e saneamento e sistemas construtivos de alto desempenho. Entre os trabalhos que embasam sua leitura do setor está a autoria de um manual técnico para um sistema integrado de impermeabilização de fundações e lajes, concebido para bloquear de forma permanente a migração de umidade do solo por meio de barreiras físicas, químicas e construtivas redundantes, com aplicação replicável em empreendimentos residenciais e comerciais.

Na BeloSuí Construtora, onde atua como cofundador, diretor técnico e engenheiro responsável desde 2017, ele participou da liderança de projetos habitacionais desde a viabilidade até a entrega, com implementação de sistemas de gestão da qualidade e supervisão de soluções próprias de impermeabilização e durabilidade. A empresa entregou 70 unidades residenciais em três empreendimentos, com valor total gerido de cerca de R$ 22,5 milhões. Em experiência anterior, na Escon Engenharia, coordenou obras de abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem urbana que atenderam 356 unidades residenciais e somaram 5.109 metros lineares de redes.

Para os próximos anos, Fernando projeta uma agenda em que inovação construtiva, regulação, sustentabilidade e impacto social precisem caminhar de forma integrada. Na avaliação do engenheiro, o avanço da habitação acessível e da infraestrutura de saneamento dependerá cada vez mais de projetos compatíveis com normas de desempenho, gestão de qualidade, redução de desperdícios e desenho técnico capaz de prolongar a vida útil das edificações, especialmente em territórios vulneráveis. "A competitividade do setor deixará de ser medida apenas pela velocidade de entrega e passará a ser aferida também pela capacidade de produzir moradias e redes urbanas mais saudáveis, resilientes e economicamente sustentáveis", finaliza.

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Mudanças no IRPF 2026 exigem mais atenção do contribuinte

Grant Thornton aponta que mudanças no prazo, novos critérios de obrigatoriedade e maior cruzamento de dados pela Receita Federal tornam o preenchimento mais complexo e elevam o risco de malha fina.

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Mudanças no IRPF 2026 exigem mais atenção do contribuinte

As novas regras do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) tornam a declaração mais complexa e exigem maior atenção dos contribuintes. Segundo especialistas da Grant Thornton Brasil, o cenário combina prazo mais curto, ampliação dos critérios de obrigatoriedade e um nível mais sofisticado de fiscalização pela Receita Federal. Entre as principais mudanças estão o prazo mais curto para envio da declaração, de 23 de março a 29 de maio de 2026, a redução dos lotes de restituição e a inclusão de novos campos no sistema, como nome social, raça e identificação de bens com usufruto.

Também foram ampliados os critérios de obrigatoriedade, incluindo contribuintes com rendimentos tributáveis acima de R$ 35 mil, rendimentos isentos superiores a R$ 200 mil, operações em bolsa acima de R$ 40 mil ou patrimônio a partir de R$ 800 mil. Além disso, regras envolvendo apostas e investimentos no exterior passam a ter maior impacto na declaração. Ganhos com bets passam a ser tributados em 15% e devem ser informados mesmo sem saque, enquanto lucros de offshores passam a ser tributados anualmente, ainda que não distribuídos.

Especialistas da Grant Thornton Brasil orientam sobre pontos importantes para garantir a consistência da declaração e reduzir riscos com a Receita Federal:

1. Usar a pré-preenchida como apoio — não como verdade absoluta

"A declaração pré-preenchida é uma ferramenta útil, mas não substitui a validação do contribuinte. Com a transição de sistemas e novas fontes de dados, é natural existirem divergências. O informe de rendimentos continua sendo a base oficial e deve prevalecer", explica Alberto Procópio, especialista da Grant Thornton Brasil.

2. Tratar o IR como um processo contínuo, não como uma tarefa de última hora

Organizar documentos ao longo do ano – como comprovantes de rendimentos, despesas e movimentações – reduz erros e aumenta a qualidade da informação declarada. "O contribuinte que deixa para reunir tudo no fim está mais exposto a inconsistências. Hoje, o IR exige um acompanhamento quase que permanente da vida financeira", afirma Procópio.

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3. Classificar corretamente cada tipo de rendimento

Rendimentos tributáveis, isentos e de tributação exclusiva seguem regras diferentes e devem ser informados nos campos corretos. "Grande parte das retenções acontece por erro de classificação. Não é omissão — é erro de preenchimento. E a Receita não diferencia isso no primeiro momento", alerta o sócio.

4. Atenção redobrada com dependentes e deduções

A inclusão incorreta de dependentes, duplicidade de informações ou deduções indevidas são gatilhos clássicos de malha fina. "Dependentes exigem consistência entre declarações. Qualquer divergência, especialmente entre pais, pode gerar questionamento automático", diz Procópio.

5. Evitar distorções patrimoniais — coerência é chave

A Receita cruza renda, patrimônio e movimentações financeiras. Se essa relação não fizer sentido, a declaração pode ser retida. "Hoje, não basta declarar — é preciso que a evolução patrimonial seja compatível com os rendimentos. Esse é um dos principais filtros da Receita", reforça Danielle Spada, especialista de Global Mobility Services da Grant Thornton Brasil.

6. Não atualizar bens pelo valor de mercado sem previsão legal

Imóveis devem ser declarados pelo custo de aquisição, e aplicações financeiras seguem regras específicas de reporte. "Atualizar valores indevidamente cria um descasamento automático com as bases da Receita. Esse tipo de ajuste, sem respaldo legal, é facilmente identificado", ressalta Danielle.

7. Entender as diferenças entre PGBL e VGBL antes de declarar

"Essa é uma das confusões mais recorrentes. O PGBL pode ser utilizado para dedução, enquanto o VGBL deve ser tratado como aplicação financeira. Um erro aqui impacta diretamente o cálculo do imposto", destaca a especialista.

8. Declarar corretamente ganhos com apostas e ativos no exterior

Com a regulamentação recente, esses dados passaram a ser monitorados de forma estruturada. "A Receita já recebe essas informações diretamente das fontes — operadoras de apostas, instituições financeiras e acordos internacionais. Mesmo valores não sacados ou contas no exterior entram no radar", informa Danielle.

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9. Não subestimar o nível de cruzamento de dados da Receita

O avanço tecnológico ampliou significativamente a capacidade de fiscalização. "Hoje, a Receita cruza dados de cartórios, bancos, corretoras, movimentações internacionais e até registros migratórios. A lógica mudou: o sistema já sabe, e a declaração precisa refletir isso", pontua Procópio.

10. Acompanhar o processamento e agir rápido em caso de pendências

Após o envio, é essencial monitorar a situação da declaração e corrigir inconsistências rapidamente. "Muitas situações de malha fina podem ser resolvidas com retificação ou apresentação de documentos. O problema é quando o contribuinte não acompanha e perde o timing de ajuste", salienta Danielle.

Fiscalização pede mais rigor e necessidade de planejamento

O avanço tecnológico da Receita Federal elevou o nível de cruzamento de dados e ampliou a pressão sobre os contribuintes. "Hoje, a Receita cruza informações de bancos, cartórios, corretoras e até movimentações internacionais. Não declarar deixou de ser uma opção viável", declara Alberto Procópio. Danielle Spada menciona que o cenário exige mais atenção: "Já vemos casos em que a própria declaração pré-preenchida traz informações que o contribuinte nunca declarou, como contas no exterior. Isso mostra o nível de integração dos dados hoje".

As mudanças também impactam a restituição, que passa a ter quatro lotes, entre maio e agosto, com prioridade para quem utiliza a declaração pré-preenchida e opta por receber via Pix. Já o imposto devido pode ser pago à vista ou parcelado em até oito vezes, com incidência de juros. Para os especialistas, o contexto reforça a importância do planejamento. "O contribuinte precisa olhar para o IR como parte da sua estratégia financeira. Um preenchimento bem feito não apenas evita problemas com a Receita, mas também garante o correto aproveitamento de deduções", finaliza Procópio.

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