BRASÍLIA

Notícias Corporativas

Automação com IA transforma mercado de seguros

Especialista aponta que, embora seguradoras ganhem eficiência com dados, rastreabilidade e transparência ainda são desafios do setor

Publicado em

Automação com IA transforma mercado de seguros

O uso de inteligência artificial avança rapidamente no setor de seguros e já influencia decisões como precificação, triagem de sinistros e detecção de fraudes em seguradoras brasileiras. A tecnologia deixou de ser apenas uma aposta de inovação para ganhar espaço em operações estratégicas do mercado. Ainda assim, sua aplicação encontra barreiras em áreas como subscrição de riscos complexos e análise de sinistros de alto valor. O principal obstáculo não é técnico, mas regulatório: cresce a preocupação sobre como garantir transparência, rastreabilidade e auditoria em decisões tomadas por algoritmos probabilísticos.

Segundo Jonatas Félix, co-fundador e CTO da Abaccus, as seguradoras brasileiras já operam modelos preditivos em precificação e triagem de sinistros, além de ferramentas de detecção de fraude. Mas decisões críticas, como subscrição de riscos complexos ou sinistros de alto valor, ainda dependem do julgamento humano. "A inteligência artificial avança onde pode errar em silêncio. Onde o erro tem consequência jurídica ou regulatória, ela ainda espera na antessala", afirma.

O avanço, porém, já é concreto e mensurável. Um levantamento da McKinsey & Company mostra que seguradoras que adotaram modelos avançados de análise conseguiram melhorar margens de perda em até cinco pontos percentuais, elevar prêmios de novos negócios entre 10% e 15% e aumentar a retenção em segmentos rentáveis de 5% a 10%. Em alguns casos, o tempo de emissão e aceitação de apólices caiu pela metade, enquanto 95% das propostas passaram a ser processadas automaticamente.

Os resultados reforçam que a inteligência artificial já transforma a operação das seguradoras em escala relevante, e é justamente por isso que a discussão sobre governança deixou de ser teórica. À medida que algoritmos assumem etapas mais sensíveis da cadeia decisória, cresce a pressão por mecanismos de explicabilidade, rastreabilidade e auditoria.

Leia Também:  Fujirebio anuncia a obtenção da marcação CE para o ensaio totalmente automatizado Lumipulse® G pTau 217 Plasma

Félix identifica três bloqueios principais para uma adoção mais ampla da IA em decisões críticas. O primeiro é a ausência de rastreabilidade decisória, já que modelos complexos como redes neurais produzem respostas sem caminho auditável. O segundo é a fragmentação de dados, acumulados em sistemas legados incompatíveis. "O terceiro é institucional, já que falta clareza sobre quem é responsável quando a IA erra, o que trava equipes jurídicas e de compliance", acrescenta.

Segundo o executivo, os problemas já aparecem de forma concreta nas operações das seguradoras. "Na nossa base de clientes do setor de seguros, observamos que cerca de 70% das regras críticas ainda estão dispersas em planilhas, enquanto aproximadamente 60% das decisões automatizadas não possuem trilha de auditoria adequada", afirma.

O estudo do Bank for International Settlements (BIS) também alerta: a limitada explicabilidade de modelos complexos de IA, especialmente em aplicações críticas de negócios, representa um desafio crescente para órgãos reguladores e instituições financeiras. Com isso, o avanço da inteligência artificial em decisões estratégicas pode aumentar a pressão por mecanismos de transparência, rastreabilidade e auditoria dos sistemas automatizados.

Para o especialista, a rastreabilidade não é apenas um problema de IA, mas de arquitetura de decisão. Ele explica que são necessárias três camadas tecnológicas: um motor de regras de negócio que centralize a lógica decisória de forma legível, um sistema de versionamento que registre qual regra foi aplicada em cada decisão e uma camada de explicabilidade (XAI) que traduza o output do modelo em fatores compreensíveis para reguladores e segurados.

"Sem essas três camadas integradas, a seguradora até consegue automatizar, mas não consegue auditar. Automatizar sem auditar é trocar um risco operacional por um risco regulatório", observa o co-fundador e CTO da Abaccus.

Leia Também:  Falta de conhecimento técnico ainda é desafio para gestores

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) já garante ao titular o direito de revisão de decisões automatizadas, obrigando seguradoras a documentar seus modelos. Embora a Superintendência de Seguros Privados (Susep) ainda não tenha publicado uma regulamentação específica sobre IA, ela acompanha o movimento global, especialmente o AI Act europeu, que classifica underwriting e sinistros como sistemas de alto risco e exige explicabilidade e supervisão humana.

"As seguradoras que se preparam agora para auditabilidade e explicabilidade vão ter uma vantagem competitiva real quando essa regulamentação chegar. As que esperarem vão ter que fazer um retrofitting doloroso", ressalta.

Jonatas Félix avalia ainda que o mercado brasileiro não está preparado para futuras exigências de auditoria algorítmica. "Preparação não se constrói em seis meses antes da regulamentação. É uma mudança de arquitetura que precisa acontecer enquanto os sistemas estão em produção. As exceções são algumas insuretechs e grupos globais que já nasceram com essa mentalidade", afirma.

Além da tecnologia, o executivo afirma que há gargalos culturais e operacionais. Segundo ele, muitas regras de negócio ainda estão dispersas em documentos e memórias individuais, dificultando a formalização necessária para automação. "Decisões críticas carregam peso financeiro e jurídico alto. Entregar parte desse julgamento para um sistema exige mudança de mentalidade, que só acontece com transparência e evidência de que o profissional continua relevante", conclui.

Sobre Jonatas Félix

Jonatas Félix é cofundador e CTO da Abaccus, plataforma brasileira de gestão de regras de negócio e cálculos que atende seguradoras e empresas de diversos segmentos no Brasil.

Para saber mais, basta acessar: https://abaccus.com.br/

Advertisement

Notícias Corporativas

Electrolux vincula bônus de executivos a metas climáticas

Com governança global atualizada, nova fase da estratégia ‘For The Better’ amplia o diálogo com consumidores e aposta cada vez mais na circularidade ao longo do ciclo de vida dos eletrodomésticos

Published

on

By

Electrolux vincula bônus de executivos a metas climáticas

O Electrolux Group anuncia a evolução de sua estrutura estratégica global, o "For the Better", reafirmando a sustentabilidade como o núcleo de sua operação de negócios e mantendo metas de circularidade e climáticas mais ambiciosas do setor. Nesta nova fase, o foco na circularidade foi intensificado, incluindo durabilidade e reparabilidade, ecossistemas de casa conectada e parcerias estratégicas, fomentando a inovação como facilitadora para que o consumidor reduza o impacto ambiental de forma intuitiva.

Como prova do compromisso com essa agenda, a sustentabilidade impacta diretamente a gestão do Grupo: 20% da remuneração variável das lideranças globais está atrelada ao cumprimento das metas de redução de CO₂. Essa medida reforça a prestação de contas e garante que a descarbonização seja uma prioridade em todos os níveis de decisão da companhia.

"A atualização do For the Better não apenas alinha ainda mais nossas ambições ambientais à estratégia do negócio, mas também responde às tendências de demandas regulatórias globais e às expectativas crescentes dos consumidores. Hoje, no Brasil, durabilidade e eficiência são os principais aspectos de apelo para a decisão de compra de um produto mais sustentável, e nossos esforços estão voltados para entregar eletrodomésticos que atendam a esse comportamento, ao mesmo tempo em que educamos e sensibilizamos as pessoas", explica João Zeni, diretor de sustentabilidade do Electrolux Group América Latina. "O objetivo é que o produto entregue cada vez mais valor ao longo do seu ciclo de vida, unindo durabilidade e inteligência", acrescenta.

Esta mudança estratégica reflete a importância do tema para o mercado: atualmente, dois terços dos consumidores globais consideram a sustentabilidade um fator decisivo na compra de eletrodomésticos. No Electrolux Group, essa visão já se traduz em performance financeira: em 2025, os produtos mais eficientes representaram 36% do lucro bruto da companhia, globalmente.

Leia Também:  Fujirebio anuncia a obtenção da marcação CE para o ensaio totalmente automatizado Lumipulse® G pTau 217 Plasma

Inovação e circularidade no centro da estratégia

O novo direcionamento refina os pilares de atuação do Grupo para acelerar a entrega de resultados práticos:

Melhores Soluções (Better Solutions): o foco principal é o desempenho dos eletrodomésticos, com foco em eficiência energética, funcionalidades inteligentes e uso de materiais reciclados. A circularidade é viabilizada por meio do relacionamento com os consumidores ao longo de todo o ciclo de vida do produto, priorizando a durabilidade por meio do uso correto e manutenção preventiva. Atualmente, o uso de plástico e aço reciclados já representa 23% dos materiais utilizados globalmente, com a meta de atingir 35% até 2030.

Melhor Viver (Better Living): a marca passa a atuar como uma curadora de hábitos saudáveis e sustentáveis. Esta frente agora inclui o engajamento com comunidades de entorno e o estabelecimento de parcerias como elementos-chave da agenda de sustentabilidade do Grupo, fortalecendo sua contribuição para um impacto positivo na sociedade.

Melhor Empresa (Better Company): a base da operação continua focada em uma cadeia de suprimentos ética e segura. Em 2025, o Grupo registrou uma redução de 45% nas emissões de carbono em seus produtos em relação a 2021, antecipando metas de 2030 e reforçando o compromisso com o Net-zero até 2050.

Impacto regional

Na América Latina, o compromisso com a nova estrutura reflete-se em iniciativas que unem tecnologia e eficiência de recursos. Um exemplo é a nova fábrica em São José dos Pinhais (PR). Inaugurada com aproximadamente 50 mil m², a planta é 100% sustentável: toda a energia elétrica consumida provém de fontes renováveis e a unidade nasceu com a meta "Zero Aterro", garantindo que nenhum resíduo seja enviado para aterros sanitários desde o primeiro dia.

Leia Também:  Torneio de Simulação de Negócios ganham espaço em campeonatos mundiais em 2023

O progresso em circularidade também é visível no uso de embalagens com 30% de plástico reciclado (PCR) em lavadoras produzidas no Brasil, em parceria com a Braskem e AGM Embalagens. Além disso, a busca por eficiência energética impulsiona a inovação do Electrolux Group. Em 2025, por exemplo, os refrigeradores eficientes vendidos pela marca economizaram 152,3 GWh — energia suficiente para abastecer 952 mil residências brasileiras por um ano inteiro, em comparação com modelos de uma década atrás.

Reforçando o ciclo de vida completo do produto, o Serviço de Coleta e Descarte Consciente do Grupo — pioneiro entre fabricantes de linha branca — completa quatro anos com números expressivos: mais de 14 mil produtos coletados, somando 680 toneladas de materiais reciclados corretamente.

Além da frente operacional, o impacto social é ampliado pela Electrolux Food Foundation. Em 2025, a fundação educou 380 mil pessoas em alimentação sustentável e doou 3,6 milhões de refeições em 45 países, por meio de programas como o Food Heroes e Like a Chef.

"Não estamos apenas fabricando equipamentos para a casa. Estamos criando parcerias com nossos consumidores para uma vida melhor. Nossa meta é liderar a mudança sistêmica que o planeta exige, integrando inovação e responsabilidade social em cada solução que entregamos ao mercado", conclui João Zeni.

Continue Reading

politica

DISTRITO FEDERAL

BRASIL E MUNDO

ECONOMIA

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA

Botão WhatsApp - Canal TI
Botão WhatsApp - Canal TI