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“O que ninguém fala sobre as feiras do agro”

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Minha sincera opinião sobre as feiras do agro

Há exatamente 20 anos, visitei pela primeira vez a maior feira do agro da América Latina. Eu tinha 22 anos e fiquei impressionado com tudo aquilo. A estrutura, a quantidade de empresas, o movimento de pessoas.

Em meio às ruas de chão batido, havia stands enormes, bem montados, com equipes completas — da recepção ao atendimento técnico. Para quem estava começando, era algo mágico. Um único dia não era suficiente para ver nem metade do que estava exposto.

No ano seguinte, voltei. Mas dessa vez, do outro lado — como expositor.

E o que mudou?

Tudo.

De lá pra cá, foram mais de 20 anos participando desse tipo de evento, praticamente todos os anos. E, sendo bem sincero, até hoje eu me faço a mesma pergunta:

Por que essas feiras não evoluíram?

E mais:
por que continuam replicando esse mesmo modelo pelo Brasil inteiro, em feiras regionais e até microrregionais?

Na teoria, o produtor rural — que é a peça mais importante do evento — deveria usar esse tempo para aprender, conhecer novas tecnologias, entender melhor máquinas, insumos, sementes e tudo que pode ajudar no seu crescimento.

Mas, na prática, não é isso que acontece.

As feiras viraram um grande balcão de negócios.

Existe uma pressão enorme por venda.
Pressão das fábricas, das revendas, dos bancos… e até da própria feira.

Tudo precisa justificar o investimento feito.

Os stands estão cada vez mais caros, mais sofisticados, cheios de detalhes que muitas vezes não refletem a realidade das empresas no dia a dia.

Enquanto isso, as máquinas ficam fechadas.

E não é por acaso. Existe um problema real: muita gente que nem é do setor entra nos equipamentos como se fossem brinquedos, aperta tudo, mexe em tudo — e isso acaba gerando prejuízo.

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Do lado de quem está vendendo, a situação também é complicada.

O vendedor fica dividido:

Atende com calma um possível cliente, explicando tudo direito…
ou corre para fechar um negócio que já está encaminhado?

No fim das contas, o sustento dele depende da venda.

E isso pesa.

Durante a feira, os números impressionam.

São milhões — às vezes bilhões — em pedidos.

Mas existe um problema que quase ninguém fala:

Grande parte disso não vira venda de verdade.

Um mesmo produtor faz vários pedidos do mesmo equipamento, em bancos diferentes.
Esses números entram na conta como “negócios gerados”, mas muitos deles nunca vão se concretizar.

Então a situação fica assim:

O produtor, que deveria aproveitar a feira com tranquilidade, acaba pressionado a assinar propostas.

As empresas gastam valores altos para participar — e não podem baixar o nível, porque a concorrência não baixa.

Os bancos acumulam propostas que muitas vezes nem serão aprovadas.

E aí fica a pergunta:

Quem realmente está ganhando com isso?

Muita gente pode pensar que são os organizadores.

Mas, sendo justo, eu também tenho minhas dúvidas.

Manter uma feira desse tamanho não é barato.

O espaço fica o ano inteiro praticamente parado, exigindo manutenção constante.
Infraestrutura, energia, água, banheiros, transporte, montagem… tudo custa caro.

Até uma feira se consolidar, quantos anos será que ela opera no prejuízo?

Se colocar esse mesmo dinheiro em outra atividade, será que não daria mais retorno?

Eu não duvido que exista lucro.
Mas também não acho que seja algo simples ou garantido.

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E, mais do que lucro, existe o fator reconhecimento — fazer um evento grande, bonito, respeitado.

Só que, no meio disso tudo, parece que o principal se perdeu.

Depois de tantos anos vivendo isso de perto, a minha visão é clara:

As feiras perderam o rumo.

Hoje, é difícil encontrar alguém totalmente satisfeito dentro desse sistema.

Talvez — e só talvez — quem monta os stands.

O mais preocupante é o caminho que está sendo seguido.

Em anos mais difíceis, tanto produtores quanto empresas ficam com o caixa apertado.
E começa a surgir uma pergunta inevitável:

Vale mesmo a pena participar?

Porque já ficou provado que, mesmo em anos sem feira, as vendas continuam acontecendo.

Se nada mudar, o risco não é a feira perder público.

É começar a perder expositores.

E aí o problema fica sério.

 

Profissional com mais de 20 anos de experiência no setor agro, especializado em gestão comercial e desenvolvimento de estratégias de mercado. Com formação em Agronomia e MBA em Gestão Estratégica e Projetos, atuou como Gestor comercial e Gestor Comercial Corporativo, liderando equipes e impulsionando o mercado de máquinas agrícolas e sistemas de irrigação na Região de GO ,MG e DF.  Há 2 anos criou a TERRAVOX, com o intuito de oferecer consultoria estratégica no mercado de máquinas agrícolas, garantindo soluções eficazes para produtores rurais. Sua trajetória sempre foi marcada pela construção de relações baseadas na confiança e resultado. Hoje considera que a TERRAVOX é a maior referência regional no segmento de estratégia, gestão e inteligência de mercado de máquinas agrícolas.

 

 

 

*As ideias e opiniões expressas nos artigos são de exclusiva responsabilidade de seus autores, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal Radar Digital Brasília.

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Opinião

Erro de julgamento: Especialista em direito desportivo analisa caso do União – TO

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Foto: Divulgação/União TO

“O caso União-TO não é apenas uma disputa sobre regulamentos: é um alerta sobre o quanto o sistema do futebol brasileiro ainda caminha sobre estruturas frágeis, onde erros administrativos e interpretações apressadas podem colocar em risco a integridade esportiva e os direitos de atletas, clubes e torcedores”
A recente decisão do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) em anular o rebaixamento do clube União – TO e posteriormente realizar apenas um jogo na semifi nal do Campeonato Tocantinense, despertou atenção para questões judiciais.
Em análise do caso o advogado catarinense Cláudio Klement Rodrigues, especialista na defesa de atletas e clubes profi ssionais: “O futebol brasileiro viveu mais um capítulo polêmico envolvendo o cumprimento das decisões da Justiça Desportiva. O caso do União Atlético Clube (União-TO), julgado recentemente pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), escancarou não apenas falhas no processo decisório original, mas também a fragilidade institucional de algumas federações estaduais em respeitar os marcos legais que sustentam a integridade das competições. Tudo começou quando o União-TO foi denunciado por suposta escalação irregular do zagueiro Sheik durante a primeira fase do Campeonato Tocantinense 2025. O atleta, suspenso por acúmulo de cartões, teria atuado indevidamente após erro de comunicação na súmula de arbitragem. A denúncia foi levada pelo Batalhão-TO ao TJD/TO e, posteriormente, ao Pleno do STJD, que inicialmente puniu o União com: a) perda de 6 pontos; b) multa de R$ 10 mil; c) rebaixamento à Segunda Divisão; d) anulação da classifi cação para a semifi nal”, explica.
Assim como o caso do União – TO, erros cometidos no processo de julgamento podem gerar uma série de consequências como por exemplo a responsabilidade do estado, revisão criminal. “A decisão inicial benefi ciou
diretamente o Batalhão, que conquistou vaga na elite com base na punição imposta ao rival. O União-TO ingressou com embargos de declaração, argumentando erro material na decisão. O relator, o auditor Dr. Sérgio Henrique Furtado Coelho Filho, apontou desproporcionalidade na punição e inconsistência jurídica. Para o STJD, a infração se deu em uma única partida, o que tornava desmedida a pena aplicada; o próprio árbitro cometeu falha técnica na súmula, difi cultando a percepção da irregularidade; e a Federação Tocantinense havia sido consultada previamente sobre a escalação, e teria autorizado a participação do atleta”.
Dentre as mudanças realizadas pelo STJD no caso, destacam-se: Perda de apenas 3 pontos, multa ajustada para R$ 5 mil, manutenção do União-TO na Primeira Divisão, determinação de nova semifi nal entre Tocantinópolis e Gurupi, manutenção do Araguaína na fi nal, cassação da resolução 003/2025 da FTF. De acordo com o Art. 214 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), um clube incorre em escalação irregular quando permite que atleta suspenso, não registrado ou sem condições legais de jogo atue em competição ofi cial. Mesmo que haja erro de terceiros — como árbitros ou federação — a responsabilidade objetiva costuma recair sobre o clube. “Art. 214. Incluir na equipe, ou fazer constar da súmula ou documento equivalente, atleta em situação irregular para participar de partida, prova ou equivalente”.
Por fi m, Cláudio, ressalta que: “A justiça desportiva também erra — e corrige. O STJD demonstrou maturidade institucional ao revisar sua própria decisão diante de elementos novos e falhas processuais. O cumprimento de decisões é obrigatório. A Federação Tocantinense de Futebol (FTF) tem a obrigação de executar a decisão fi nal do STJD, sob risco de intervenção da CBF, perda de legitimidade e até desfi liação, conforme prevê o Art. 23 do Estatuto da CBF. Clareza e a técnica na arbitragem são fundamentais. Uma súmula mal preenchida pode desencadear um efeito dominó com impacto direto sobre o campeonato inteiro. O caso União-TO não é apenas uma disputa sobre regulamentos: é um alerta sobre o quanto o sistema do futebol brasileiro ainda caminha sobre estruturas frágeis, onde erros administrativos e interpretações apressadas podem colocar em risco a integridade esportiva e os direitos de atletas, clubes e torcedores. Como advogado desportivo, reforço a necessidade de transparência, previsibilidade e respeito à ordem jurídica. Clubes, empresários e gestores devem estar sempre atentos ao que acontece nos bastidores dos tribunais desportivos — pois é lá que, muitas vezes, os campeonatos são decididos antes mesmo da bola rolar”.

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