Integrante do Coletivo Coragem 3535, empresária e escritora leva para a disputa eleitoral uma bandeira construída ao longo de sua trajetória: profissionalização, geração de renda e valorização dos trabalhadores da limpeza
“Faxina não é bico. É profissão.”
A frase resume uma das principais bandeiras que Vera Lourenço pretende levar para a política. Empresária, escritora e atuante em projetos de capacitação profissional, ela entra na disputa por uma vaga de deputada federal pelo Distrito Federal, pelo Democrata 35, integrando o Coletivo Coragem 3535.
Vera aparece no coletivo ao lado de Noely Morais, Laisne Olli e Avenir Rosa, também apresentados como candidatos a deputado federal. A proposta do grupo é reunir diferentes experiências e pautas sociais sob uma atuação coletiva.
No caso de Vera, a entrada na política representa a ampliação de uma bandeira que começou muito antes do período eleitoral: a valorização de quem vive do trabalho de limpeza.
Uma trajetória que o Radar já contou
A história de Vera Lourenço não é nova para os leitores do Radar Digital Brasília.
Em abril deste ano, o portal apresentou sua trajetória ao mostrar como a filha de uma faxineira e de um eletricista, nascida em Recife e caçula de uma família de dez irmãos, transformou experiências vividas desde a infância em uma atuação voltada ao empreendedorismo e à valorização profissional.
Agora, essa trajetória ganha um novo capítulo.
Vera pretende levar para a Câmara dos Deputados questões que afirma conhecer não apenas por meio de projetos sociais ou empresariais, mas pela própria história familiar e pela convivência com trabalhadores do setor.
Mais de 300 mulheres capacitadas
Com recursos próprios, Vera afirma já ter capacitado mais de 300 mulheres, em iniciativas realizadas na Comunidade Santa Luzia, no Distrito Federal, e também em São Paulo.
As ações envolvem conhecimento técnico, profissionalização, empreendedorismo e orientação para que mulheres que trabalham com limpeza possam enxergar a atividade também como possibilidade de construção de autonomia financeira.
Segundo Vera, após as capacitações, algumas dessas profissionais passaram a registrar faturamentos mensais de R$ 5 mil, R$ 7 mil ou mais com serviços de limpeza.
Para ela, esses resultados revelam que, muitas vezes, a barreira não está na capacidade de trabalhar, mas na falta de acesso a conhecimento, qualificação, posicionamento profissional e oportunidades.
Uma pauta que vai além das faxineiras
Embora sua própria história esteja fortemente relacionada à faxina, Vera afirma que a representação que pretende construir é mais ampla.
Sua pauta inclui garis, profissionais da limpeza urbana, empregadas domésticas, diaristas, faxineiras, trabalhadores de limpeza profissional, profissionais de lava-jatos e pessoas que atuam em diferentes atividades de higienização e conservação.
Entre os problemas que pretende colocar em discussão estão a informalidade, ausência de registro, condições inadequadas de trabalho, falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), necessidade de qualificação e acesso dos trabalhadores às informações sobre seus direitos.
São profissionais que diariamente mantêm residências, empresas, condomínios, estabelecimentos comerciais, ruas e espaços públicos funcionando, mas que, na avaliação de Vera, ainda recebem pouca atenção das políticas públicas.
A profissionalização, a segurança no trabalho, o empreendedorismo e a geração de renda deverão, portanto, ocupar espaço central em sua plataforma política.
“A Filha da Faxineira”
A ligação com esse universo também está registrada na literatura.
Vera é autora do livro “A Filha da Faxineira”, obra inspirada em sua própria trajetória e no legado de sua mãe.
A história parte da experiência familiar para defender uma ideia que acompanha sua atuação: a origem social de uma pessoa não precisa determinar até onde ela poderá chegar.
A mãe, trabalhadora da limpeza, deixou de ser apenas uma referência familiar para se tornar também parte da identidade pública construída pela filha.
Do empreendedorismo à vida pública
Antes de entrar na disputa eleitoral, Vera já mantinha atuação política partidária. Ela exerce função de diretora de articulação multipartidária do Democrata Mulher DF, além de desenvolver atividades relacionadas à capacitação de profissionais.
A candidatura coloca essa experiência diante de um novo desafio: transformar demandas observadas no cotidiano dos trabalhadores em propostas que possam chegar ao Congresso Nacional.
Mais do que falar sobre limpeza, Vera afirma querer falar sobre quem trabalha, produz renda, sustenta famílias e nem sempre encontra representação nas políticas públicas.
Sua presença no Coletivo Coragem 3535 insere essa pauta em uma candidatura que busca apresentar ao eleitor diferentes histórias e áreas de atuação reunidas em torno de uma proposta coletiva.
Para Vera Lourenço, porém, há uma mensagem que deverá permanecer individualmente associada à sua trajetória:
“Faxina não é bico. É profissão.”
Da filha da faxineira à empresária, da capacitação de mulheres à disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, Vera Lourenço tenta agora transformar uma história pessoal em representação política.