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POLÍTICA NACIONAL

Retrospectiva: Câmara aprovou no primeiro semestre regras para definir valor da pensão alimentícia

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A Câmara dos Deputados aprovou no primeiro semestre novas regras para pensão alimentícia. De autoria da deputada Maria Arraes (PSB-PE), o Projeto de Lei 2121/25 foi aprovado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e seguiu para o Senado.

O projeto estabelece critérios para definir o valor da pensão alimentícia do filho com até 18 anos, tendo como alimentante o pai ou a mãe.

A proposta altera o Código Civil e diz que a fixação do valor deverá levar em conta a sobrecarga de quem tem a guarda de criança ou adolescente e o comprovado abandono afetivo pelo pai ou pela mãe pagador da pensão.

Criança com TDAH
Neste semestre, a Câmara dos Deputados aprovou ainda projeto de lei que institui a Política Nacional de Atenção às Pessoas Diagnosticadas com Transtornos do Neurodesenvolvimento, com foco em pessoas com dificuldades de aprendizagem.

O texto, dos deputados Alex Manente (Cidadania-SP), Amom Mandel (Republicanos-AM) e Any Ortiz (PP-RS), foi enviado ao Senado com a relatoria da deputada Andreia Siqueira (PSB-PA).

Segundo o Projeto de Lei 4225/23, pessoas com dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outros transtornos de aprendizagem contarão com adaptações na realização de provas no ambiente escolar, em concursos públicos, processos seletivos e avaliações.

Esse público deverá ter acesso, por exemplo, a:

  • tempo adicional para as avaliações;
  • ambiente com menos estímulos para distraí-los;
  • oferta de pessoa para ler (ledor) o material;
  • recursos tecnológicos de apoio; e
  • flexibilização de formatos de prova, observadas as normas específicas de cada sistema de ensino ou de seleção.

As regras serão aplicáveis à educação básica, à educação profissional e tecnológica e à educação superior, bem como às políticas de qualificação profissional e de inserção no trabalho, sem prejuízo de outros direitos previstos em legislação específica.

Passaporte estudantil
Estudantes de baixa renda que realizem estudos ou pesquisas no exterior poderão contar com isenção de taxas para emissão de passaportes e outros documentos de viagem.

A Câmara aprovou a regra por meio do Projeto de Lei 861/19. O texto teve origem no Senado e retornou àquela Casa para nova votação, por ter sido modificado pelos deputados.

O texto foi relatado pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) e beneficia estudantes que pertençam a famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e que tenham renda familiar mensal de até três salários mínimos.

Pais de PCD
A Câmara dos Deputados aprovou a redução da jornada de trabalho, sem prejuízo salarial, para pais de pessoas com deficiência. O Projeto de Lei 2458/25, da deputada Laura Carneiro, foi aprovado em caráter conclusivo na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e será enviado ao Senado.

Segundo o texto, a norma valerá para trabalhadores contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A necessidade e o percentual da redução da jornada serão definidos por avaliação biopsicossocial, realizada pelo menos a cada dois anos. Conforme o resultado, o benefício poderá ser ampliado, mantido, reduzido ou suspenso.

Foto: Valquir Kiu Aureliano/Prefeitura de Curitiba
Comunidade terapêutica em Curitiba, Paraná

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Acolhimento por drogas
Foi aprovado pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1822/24, que permite o acolhimento voluntário de crianças e adolescentes usuários ou dependentes de drogas em comunidades terapêuticas. A proposta agora está em análise no Senado.

De autoria do deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), o texto teve a relatoria do deputado Dr. Fernando Máximo (PL-RO).

Segundo o texto, as comunidades terapêuticas acolhedoras poderão realizar esse acolhimento para tratamento por dependência química em conjunto com os pais ou responsáveis legais.

O acolhimento conjunto deverá ser feito em instituições credenciadas e não substitui nem dispensa a frequência da criança ou adolescente à escola básica obrigatória. A exceção é se houver ameaça comprovada à sua vida ou à sua integridade física por parte de organizações criminosas ou grupos de tráfico de drogas em decorrência de envolvimento anterior.

Nesse caso, sua salvaguarda será garantida com decisão judicial ou laudo médico que permita a restrição de circulação em vias públicas durante o programa de tratamento. O estudo continuaria no próprio estabelecimento terapêutico ou em modalidade de ensino compatível com a condição de segurança pretendida.

Essas instituições de acolhimento deverão assegurar a separação entre as crianças e adolescentes dos adultos, em especial no alojamento, dormitório, instalações sanitárias e espaços de tratamento.

Outra modalidade de tratamento é a internação assistida, que deverá ocorrer com o consentimento dos pais ou responsáveis legais e a concordância do adolescente entre 12 e 18 anos, conforme definição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A diferença em relação à modalidade hoje existente, denominada voluntária, é que o novo tipo não dependerá de declaração escrita e seu término não está vinculado explicitamente a laudo médico ou pedido escrito da pessoa sob tratamento.

Sofrimento animal
A Câmara dos Deputados também aprovou o projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização de produtos obtidos por meio de alimentação forçada de animais – como o foie gras. O texto aguarda sanção presidencial.

Foie gras é o nome dado ao fígado gordo de pato ou ganso, iguaria da culinária francesa obtida com a alimentação forçada desses animais.

Aprovado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, o Projeto de Lei 90/20 é oriundo do Senado e prevê penas de detenção de três meses a um ano e multa pelo descumprimento da norma, além de outras sanções estabelecidas na Lei dos Crimes Ambientais.

A proibição abrangerá tanto os produtos in natura quanto os enlatados obtidos por meio do gavage, método de alimentação forçada com a introdução de um tubo na garganta da ave, o que leva à hipertrofia do fígado.

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A comercialização dos produtos obtidos já é proibida em alguns países, como Argentina, Austrália e Índia. O texto foi relatado pelo deputado Fred Costa (PRD-MG).

Tarifa mínima de água
A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que proíbe a cobrança de tarifa mínima de consumo pelos serviços públicos de água e esgoto.

O Projeto de Lei 1845/25, do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), altera a Lei do Saneamento Básico e agora está em análise no Senado. O texto foi relatado pelo deputado Kim Kataguiri (Missão-SP).

Segundo o projeto, somente uma das opções da Norma de Referência 13/25, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), vai bancar os custos recorrentes do serviço que não dependem do volume consumido: a tarifa fixa e básica sem franquia de consumo.

Atualmente, a norma de referência traça regras gerais que devem ser seguidas pelas agências reguladoras da prestação do serviço nos estados e permite o uso de uma parcela fixa calculada com base em uma franquia de consumo mínimo. Nessa situação, quer o usuário tenha ou não tenha consumido o volume definido, ele é cobrado em toda conta.

No entanto, o texto aprovado pelos deputados continua a remeter à norma de referência da ANA a definição dos parâmetros para calcular esse valor fixo.

A parcela variável conforme o volume consumido continua a fazer parte da composição total da tarifa final. Desde que haja disponibilidade regular do serviço ao usuário, a parcela fixa não dependerá da existência de consumo efetivo.

Seguro-defeso
Com a aprovação da Medida Provisória 1323/25, a Câmara dos Deputados fixou novas condições de cadastro e identificação para evitar fraudes no pagamento do seguro-defeso.

Convertida na Lei 15.399/26, a MP também autoriza a quitação das parcelas pendentes em 2026 se o beneficiário atender aos requisitos exigidos em lei.

Segundo o texto, para ter direito ao benefício de anos anteriores, o interessado deve tê-lo solicitado dentro dos prazos legais. O pagamento ocorrerá em até 60 dias depois da regularidade plena do pescador no programa.

Para 2026, o total do seguro-defeso previsto, exceto esses atrasados, é de R$ 7,9 bilhões.

Além disso, o texto prorroga, até 31 de dezembro de 2026, o prazo para os pescadores artesanais apresentarem o já exigido Relatório Anual de Exercício da Atividade Pesqueira (Reap) referente aos anos de 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025.

Pescadores artesanais habilitados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e suas associações e cooperativas contarão com os mesmos encargos financeiros de custeio e investimento usados nos programas de reforma agrária, inclusive bônus ou redutores.

Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Da faxina à política: Vera Lourenço entra na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados pelo DF

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Integrante do Coletivo Coragem 3535, empresária e escritora leva para a disputa eleitoral uma bandeira construída ao longo de sua trajetória: profissionalização, geração de renda e valorização dos trabalhadores da limpeza

Faxina não é bico. É profissão.

A frase resume uma das principais bandeiras que Vera Lourenço pretende levar para a política. Empresária, escritora e atuante em projetos de capacitação profissional, ela entra na disputa por uma vaga de deputada federal pelo Distrito Federal, pelo Democrata 35, integrando o Coletivo Coragem 3535.

Vera aparece no coletivo ao lado de Noely Morais, Laisne Olli e Avenir Rosa, também apresentados como candidatos a deputado federal. A proposta do grupo é reunir diferentes experiências e pautas sociais sob uma atuação coletiva.

No caso de Vera, a entrada na política representa a ampliação de uma bandeira que começou muito antes do período eleitoral: a valorização de quem vive do trabalho de limpeza.

Uma trajetória que o Radar já contou

A história de Vera Lourenço não é nova para os leitores do Radar Digital Brasília.

Em abril deste ano, o portal apresentou sua trajetória ao mostrar como a filha de uma faxineira e de um eletricista, nascida em Recife e caçula de uma família de dez irmãos, transformou experiências vividas desde a infância em uma atuação voltada ao empreendedorismo e à valorização profissional.

Agora, essa trajetória ganha um novo capítulo.

Vera pretende levar para a Câmara dos Deputados questões que afirma conhecer não apenas por meio de projetos sociais ou empresariais, mas pela própria história familiar e pela convivência com trabalhadores do setor.

Mais de 300 mulheres capacitadas

Com recursos próprios, Vera afirma já ter capacitado mais de 300 mulheres, em iniciativas realizadas na Comunidade Santa Luzia, no Distrito Federal, e também em São Paulo.

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As ações envolvem conhecimento técnico, profissionalização, empreendedorismo e orientação para que mulheres que trabalham com limpeza possam enxergar a atividade também como possibilidade de construção de autonomia financeira.

Segundo Vera, após as capacitações, algumas dessas profissionais passaram a registrar faturamentos mensais de R$ 5 mil, R$ 7 mil ou mais com serviços de limpeza.

Para ela, esses resultados revelam que, muitas vezes, a barreira não está na capacidade de trabalhar, mas na falta de acesso a conhecimento, qualificação, posicionamento profissional e oportunidades.

Uma pauta que vai além das faxineiras

Embora sua própria história esteja fortemente relacionada à faxina, Vera afirma que a representação que pretende construir é mais ampla.

Sua pauta inclui garis, profissionais da limpeza urbana, empregadas domésticas, diaristas, faxineiras, trabalhadores de limpeza profissional, profissionais de lava-jatos e pessoas que atuam em diferentes atividades de higienização e conservação.

Entre os problemas que pretende colocar em discussão estão a informalidade, ausência de registro, condições inadequadas de trabalho, falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), necessidade de qualificação e acesso dos trabalhadores às informações sobre seus direitos.

São profissionais que diariamente mantêm residências, empresas, condomínios, estabelecimentos comerciais, ruas e espaços públicos funcionando, mas que, na avaliação de Vera, ainda recebem pouca atenção das políticas públicas.

A profissionalização, a segurança no trabalho, o empreendedorismo e a geração de renda deverão, portanto, ocupar espaço central em sua plataforma política.

“A Filha da Faxineira”

A ligação com esse universo também está registrada na literatura.

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Vera é autora do livro “A Filha da Faxineira”, obra inspirada em sua própria trajetória e no legado de sua mãe.

A história parte da experiência familiar para defender uma ideia que acompanha sua atuação: a origem social de uma pessoa não precisa determinar até onde ela poderá chegar.

A mãe, trabalhadora da limpeza, deixou de ser apenas uma referência familiar para se tornar também parte da identidade pública construída pela filha.

Do empreendedorismo à vida pública

Antes de entrar na disputa eleitoral, Vera já mantinha atuação política partidária. Ela exerce função de diretora de articulação multipartidária do Democrata Mulher DF, além de desenvolver atividades relacionadas à capacitação de profissionais.

A candidatura coloca essa experiência diante de um novo desafio: transformar demandas observadas no cotidiano dos trabalhadores em propostas que possam chegar ao Congresso Nacional.

Mais do que falar sobre limpeza, Vera afirma querer falar sobre quem trabalha, produz renda, sustenta famílias e nem sempre encontra representação nas políticas públicas.

Sua presença no Coletivo Coragem 3535 insere essa pauta em uma candidatura que busca apresentar ao eleitor diferentes histórias e áreas de atuação reunidas em torno de uma proposta coletiva.

Para Vera Lourenço, porém, há uma mensagem que deverá permanecer individualmente associada à sua trajetória:

“Faxina não é bico. É profissão.”

Da filha da faxineira à empresária, da capacitação de mulheres à disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, Vera Lourenço tenta agora transformar uma história pessoal em representação política.

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