BRASÍLIA

POLÍTICA NACIONAL

Retrospectiva: na área de transportes, Câmara aprovou anistia de multas aplicadas a caminhoneiros

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No primeiro semestre deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 1343/26, que reforça a aplicação do piso mínimo do frete rodoviário de cargas e anistia as multas aplicadas a caminhoneiros por protestos após as eleições de 2022. O texto também muda regras sobre excesso de carga.

A MP, que aguarda sanção presidencial, anistia multas aplicadas a transportadores de cargas, pessoas físicas e jurídicas, e motoristas que tenham participado de bloqueios de rodovias pelo país no fim de 2022 após a divulgação do resultado das eleições para a Presidência da República devido à derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Naquela ocasião, a Justiça determinou a liberação do trânsito e aplicou multas aos participantes dos bloqueios. A anistia aprovada pelos deputados envolve multas aplicadas por decisões judiciais ou administrativas e sanções civis e administrativas, inclusive quando o valor já estiver inscrito em dívida ativa.

Outra anistia é para quem descumpriu as normas do frete, como pagamento abaixo do piso estipulado pela Lei 13.703/18. Assim, embora a MP fixe regras mais rígidas para o cumprimento do frete mínimo e a definição de seu valor, aqueles que foram punidos administrativamente até a publicação da futura lei terão as multas convertidas em advertência.

Relatado pelo deputado Zé Trovão (PL-SC), o texto aprovado também aumenta de 50 toneladas para 74 toneladas a exceção no método padrão do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) de aferição de excesso de peso nos caminhões.

Nessa exceção, em vez de medir o peso bruto total e também o peso por eixo do veículo, o peso do eixo somente é verificado se o peso bruto total passar da tolerância fixada em 5%. A tolerância por eixo é de 12,5% para mais além do peso padrão regulamentar.

Uma espécie de anistia será aplicada para esses casos, transformando a multa em advertência por descumprimento dos limites de peso bruto por eixo ocorridas até a data de publicação da lei.

Segundo a legislação, a aferição do excesso de peso por eixo serve para proteger a infraestrutura rodoviária, garantir a segurança no trânsito, e preservar a vida útil dos caminhões, pois identifica se o peso da carga está distribuído corretamente entre os eixos a fim de evitar que concentrações localizadas causem danos severos ao pavimento ou estouros de pneus.

Bruno Cecim/Agência Pará
Transporte - ônubus - transporte público - ônibus urbano
Projeto aprovado permite uso da Cide-Combustíveis para subsidiar tarifas de ônibus

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Transporte público
Na área de transporte, a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que reformula a política de transporte público coletivo urbano e permite o uso da Cide-Combustíveis para subsidiar tarifas.

O Projeto de Lei 3278/21, do Senado, aguarda sanção presidencial e foi relatado pelo deputado José Priante (MDB-PA). De acordo com o projeto, União, estados, Distrito Federal e municípios terão cinco anos para adaptar suas legislações à exigência de que os recursos destinados à gratuidade para certos grupos (pessoas idosas ou estudantes, por exemplo) não impactem a tarifa dos demais usuários.

Os recursos devem vir de subsídios e somente poderão entrar em vigor depois de sua inclusão no orçamento público do responsável pela concessão.

Nesse sentido, em relação ao apoio federal, o projeto autoriza o uso de recursos obtidos com a Cide-Combustíveis para o pagamento de subsídios às tarifas a fim de garantir a modicidade tarifária.

No entanto, além de ao menos 60% dos recursos serem direcionados às áreas urbanas, o projeto exige que o dinheiro obtido com a Cide-Combustíveis sobre a venda de gasolina seja aplicado prioritariamente em municípios com programa de modicidade tarifária que garanta a redução de tarifas para os usuários, segundo regulamentação do Executivo.

Acidentes aéreos
Regras mais detalhadas de fornecimento de assistência das companhias aéreas a familiares de vítimas de acidentes aéreos da aviação civil também foram aprovadas pela Câmara dos Deputados neste semestre.

Enviado ao Senado, o Projeto de Lei 5031/24, dos deputados Padovani (PP-PR) e Bruno Ganem (Pode-SP), foi relatado pela deputada Enfermeira Ana Paula (Pode-CE).

O texto determina a criação de um comitê de cooperação, sob coordenação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para propiciar o atendimento tempestivo, eficiente e humanizado a vítimas e a familiares de vítimas e de desaparecidos em razão de acidentes aéreos, inclusive de vitimados em terra.

As regras se aplicam ainda a vítimas não fatais de voos comerciais e fretados ocorridos em território nacional, ainda que provenham do exterior ou a ele se destinem.

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Assim, a companhia aérea terá de:

  • informar familiar sobre o acidente e prestar assistência;
  • informar a lista de todos que embarcaram na aeronave e os contatos de familiares em até três horas da solicitação pelo Comando da Aeronáutica, da Anac ou do delegado de polícia;
  • manter um plano corporativo de assistência às vítimas e a seus familiares, segmentado por cidade de atuação;
  • arcar com as despesas relacionadas à prestação de assistência, inclusive traslado dos corpos e assistência médica psiquiátrica e psicológica a familiares.

O texto aprovado garante como direito das vítimas e dos familiares obter, periodicamente, informações e esclarecimentos sobre a investigação do acidente, cabendo à autoridade aeronáutica prestá-los.

Voos na Amazônia
A Amazônia Legal poderá contar com empresas aéreas de outros países para voos locais. Isso é o que permite o Projeto de Lei 539/24, aprovado pela Câmara dos Deputados.

De autoria da deputada Cristiane Lopes (Pode-RO), o texto foi relatado pelo deputado Sidney Leite (PSD-AM) e está no Senado.

Por meio de autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as empresas aéreas sem sede no Brasil poderão operar voos regulares nessa região quando ela for a origem ou o destino desses voos.

O texto aprovado prevê que pelo menos 50% da tripulação da empresa sem sede no Brasil deverá ser composta por brasileiros natos ou naturalizados.

A intenção é facilitar a locomoção da população da região, especialmente em razão das secas frequentes que dificultam o transporte por rios.

A agência poderá permitir a atuação de empresas já autorizadas a prestar serviços de transporte aéreo internacional no país.

A empresa autorizada deverá prestar assistência ao consumidor, com canais de atendimento telefônico e digital em português, e manter cadastro em órgãos governamentais de resolução de conflitos.

Números do semestre
No total, foram aprovados no primeiro semestre de 2026, pelo Plenário da Câmara:

  • 118 projetos de lei;
  • 9 projetos de lei complementar;
  • 20 medidas provisórias;
  • 12 projetos de decreto legislativo;
  • 5 projetos de resolução; e
  • 4 propostas de emenda à Constituição.

Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Da faxina à política: Vera Lourenço entra na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados pelo DF

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Integrante do Coletivo Coragem 3535, empresária e escritora leva para a disputa eleitoral uma bandeira construída ao longo de sua trajetória: profissionalização, geração de renda e valorização dos trabalhadores da limpeza

Faxina não é bico. É profissão.

A frase resume uma das principais bandeiras que Vera Lourenço pretende levar para a política. Empresária, escritora e atuante em projetos de capacitação profissional, ela entra na disputa por uma vaga de deputada federal pelo Distrito Federal, pelo Democrata 35, integrando o Coletivo Coragem 3535.

Vera aparece no coletivo ao lado de Noely Morais, Laisne Olli e Avenir Rosa, também apresentados como candidatos a deputado federal. A proposta do grupo é reunir diferentes experiências e pautas sociais sob uma atuação coletiva.

No caso de Vera, a entrada na política representa a ampliação de uma bandeira que começou muito antes do período eleitoral: a valorização de quem vive do trabalho de limpeza.

Uma trajetória que o Radar já contou

A história de Vera Lourenço não é nova para os leitores do Radar Digital Brasília.

Em abril deste ano, o portal apresentou sua trajetória ao mostrar como a filha de uma faxineira e de um eletricista, nascida em Recife e caçula de uma família de dez irmãos, transformou experiências vividas desde a infância em uma atuação voltada ao empreendedorismo e à valorização profissional.

Agora, essa trajetória ganha um novo capítulo.

Vera pretende levar para a Câmara dos Deputados questões que afirma conhecer não apenas por meio de projetos sociais ou empresariais, mas pela própria história familiar e pela convivência com trabalhadores do setor.

Mais de 300 mulheres capacitadas

Com recursos próprios, Vera afirma já ter capacitado mais de 300 mulheres, em iniciativas realizadas na Comunidade Santa Luzia, no Distrito Federal, e também em São Paulo.

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As ações envolvem conhecimento técnico, profissionalização, empreendedorismo e orientação para que mulheres que trabalham com limpeza possam enxergar a atividade também como possibilidade de construção de autonomia financeira.

Segundo Vera, após as capacitações, algumas dessas profissionais passaram a registrar faturamentos mensais de R$ 5 mil, R$ 7 mil ou mais com serviços de limpeza.

Para ela, esses resultados revelam que, muitas vezes, a barreira não está na capacidade de trabalhar, mas na falta de acesso a conhecimento, qualificação, posicionamento profissional e oportunidades.

Uma pauta que vai além das faxineiras

Embora sua própria história esteja fortemente relacionada à faxina, Vera afirma que a representação que pretende construir é mais ampla.

Sua pauta inclui garis, profissionais da limpeza urbana, empregadas domésticas, diaristas, faxineiras, trabalhadores de limpeza profissional, profissionais de lava-jatos e pessoas que atuam em diferentes atividades de higienização e conservação.

Entre os problemas que pretende colocar em discussão estão a informalidade, ausência de registro, condições inadequadas de trabalho, falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), necessidade de qualificação e acesso dos trabalhadores às informações sobre seus direitos.

São profissionais que diariamente mantêm residências, empresas, condomínios, estabelecimentos comerciais, ruas e espaços públicos funcionando, mas que, na avaliação de Vera, ainda recebem pouca atenção das políticas públicas.

A profissionalização, a segurança no trabalho, o empreendedorismo e a geração de renda deverão, portanto, ocupar espaço central em sua plataforma política.

“A Filha da Faxineira”

A ligação com esse universo também está registrada na literatura.

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Vera é autora do livro “A Filha da Faxineira”, obra inspirada em sua própria trajetória e no legado de sua mãe.

A história parte da experiência familiar para defender uma ideia que acompanha sua atuação: a origem social de uma pessoa não precisa determinar até onde ela poderá chegar.

A mãe, trabalhadora da limpeza, deixou de ser apenas uma referência familiar para se tornar também parte da identidade pública construída pela filha.

Do empreendedorismo à vida pública

Antes de entrar na disputa eleitoral, Vera já mantinha atuação política partidária. Ela exerce função de diretora de articulação multipartidária do Democrata Mulher DF, além de desenvolver atividades relacionadas à capacitação de profissionais.

A candidatura coloca essa experiência diante de um novo desafio: transformar demandas observadas no cotidiano dos trabalhadores em propostas que possam chegar ao Congresso Nacional.

Mais do que falar sobre limpeza, Vera afirma querer falar sobre quem trabalha, produz renda, sustenta famílias e nem sempre encontra representação nas políticas públicas.

Sua presença no Coletivo Coragem 3535 insere essa pauta em uma candidatura que busca apresentar ao eleitor diferentes histórias e áreas de atuação reunidas em torno de uma proposta coletiva.

Para Vera Lourenço, porém, há uma mensagem que deverá permanecer individualmente associada à sua trajetória:

“Faxina não é bico. É profissão.”

Da filha da faxineira à empresária, da capacitação de mulheres à disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, Vera Lourenço tenta agora transformar uma história pessoal em representação política.

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