Há algum tempo e mais contundente desde que o ex presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ser elegível, por anulações de seus processos pelo Supremo Tribunal Federal -STF, o país entrou no que podemos chamar de polarização extrema (concentração de extremos). O ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro se tornaram, segundo pesquisas divulgadas em vários veículos de comunicação, os dois únicos e prováveis candidatos que se enfrentarão em primeiro e possível segundo turno, mesmo com a candidatura de outros vários atores da política nacional, como Ciro Gomes (PDT) , José Maria Eymael (Democracia Cristã), Luiz Felipe D’Avila ( Partido NOVO), Leonardo Péricles ( UP), Luciano Bivar (PSL), Pablo Marçal (PROS), Simone Tebet ( MDB), Sofia Manzano ( PCB) e Vera Lúcia (PSTU).
Os dois principais candidatos representam ideologias de esquerda e direita, com eleitores que beiram o extremismo. Nada bom! A tal polarização entre eles, na maioria das vezes representa o grau de rejeição pessoal a cada lado, sendo uma disputa entre “dois grupos”, ou seja, uma sociedade divida com pouca intenção de discussão e diálogo. E a democracia? Lutamos tanto pelo direito de discutir, de sermos ouvidos, por uma legitimidade, para acabarmos sucumbindo a aceitar regras e normas de conduta serem quebradas, violadas. O viés ideológico deveria ser apenas um norteador de nossas convicções políticas e não uma bandeira de quem tá certo ou errado. Deveríamos buscar argumentos fundamentados em escolhas com consciência, o pleno conhecimento das plataformas de ideias e planos apresentadas em debates e outras exposições midiáticas de candidatos. Saúde, segurança, educação, mobilidade, fome entre tantas outras, são diretrizes fundamentais para o planejamento dos governantes, prioridades de todas as sociedades. Todas essas demandas nascem em pequenas comunidades, onde surgem os líderes que iniciam uma história de conquistas pelo bem comum. Bem comum, aliás, é a finalidade, objetivo de todos os candidatos, que construíram seus legados de forma a garantir que todos sejam beneficiados por melhorias socioeconômicas.
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Mas a polarização tem sido vista como um fenômeno mundial resultado do crescimento das redes sociais e da tal inteligência virtual que agrega comunidades com perfis similares, não só de preferências musicais, alimentares e outros, mas também por ideologias. Daí a cultura do “cancelamento” – se não estiver de acordo com o grupo, é banido, expulso e nem sempre com tolerância.
A polarização é um desserviço à nação, dela resultam a intolerância, a busca cega por fatos e informações que estejam apenas de acordo com desejado, tira a essência do bem comum e parte para o “nós e eles”. Tira do jogo aqueles virtualmente desprovidos e também tira do centro da questão, problemas e demandas de ordem social econômica (saúde, educação, transporte e segurança, etc.) para questões apenas de cunho moral (legalização do aborto ou educação sexual nas escolas, etc.) Nesse sentido, ficaremos cada vez mais atolados em nossas reivindicações, por que o processo decisório é embargado a todo o momento por um dos lados.
Enfim, combater a polarização e voltar a debater ideias, pode ser um sinal de evolução no processo da democracia conquistada por todos. Nada de clichê falar em união, no sentido de buscar a tolerância, entender as divergências com um toque de parcimônia, de respeito ao outro. Tudo isso é uma maneira de estar em vantagem em curto tempo para toda a sociedade. Então, nem eu e nem eles, mas o Brasil.