SAÚDE
Força Nacional do SUS realiza 180 atendimentos em cidade da Amazônia Legal
Publicado em
4 de julho de 2025por
infocoweb
A Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) realizou 180 atendimentos médicos no âmbito do programa Justiça Itinerante Cooperativa, na região da Amazônia Legal. A missão, promovida em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorreu entre os dias 23 e 27 de junho, em Boca do Acre (AM), e elaborou um diagnóstico situacional da região localizada na tríplice fronteira entre o Amazonas, Rondônia e o Acre.
A identificação de demandas reprimidas, o longo tempo de espera por procedimentos especializados e as carências assistenciais do território foram pontos registrados pela FN-SUS. O trabalho está alinhado com o programa Agora Tem Especialistas, lançado pelo Ministério da Saúde com o objetivo de reduzir o tempo de espera para consultas, cirurgias e exames.
Para a expansão da oferta de serviços especializados, o Agora Tem Especialistas prevê o credenciamento de clínicas, hospitais filantrópicos e privados para o atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), com foco em seis áreas prioritárias: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia. A contratação será feita pelos estados e municípios ou, de maneira complementar, pela AgSUS e pelo Grupo Hospitalar Conceição.
Durante a missão em Boca do Acre, a FN-SUS realizou uma visita técnica ao Hospital Regional Maria Geny, com o objetivo de avaliar a capacidade física e operacional dos serviços especializados oferecidos pela unidade. As equipes identificaram o potencial de ampliação da oferta cirúrgica, considerando a estrutura física já existente. Os atendimentos foram realizados em parceria com o Hospital das Clínicas, o Exército e com o apoio do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Purus (AC).
“Nossa missão é ir além da presença pontual. É identificar com precisão os vazios assistenciais e entregar dados que orientem políticas públicas eficazes. Essa é uma diretriz do presidente Lula e do ministro Alexandre Padilha para garantir um SUS verdadeiramente universal”, destacou o coordenador-geral da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli.
A FN-SUS também promoveu ações de educação em saúde com foco nas emergências climáticas junto à comunidade indígena Camicuã, além de reuniões estratégicas com o DSEI e a secretaria de saúde local. O diálogo com lideranças da região e gestores locais contribuiu para um entendimento ampliado dos gargalos estruturais da assistência do SUS na região.
A equipe constatou a dificuldade de regulação interestadual para a população indígena do DSEI Alto Purus, a ausência do SAMU 192 na região e uma alta procura por atendimento pediátrico especializado, especialmente para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
“Essa missão conjunta com o CNJ simboliza um modelo de governança colaborativa para a consolidação de políticas públicas eficazes e duradouras. A presença da FN-SUS foi decisiva para ampliar o alcance das ações e promover uma abordagem mais humana, resolutiva e estratégica para o levantamento das necessidades e a construção de um diagnóstico situacional da rede de atenção à saúde na região”, observou a consultora técnica da Força Nacional do SUS, Juliana Lima.

Foto: divulgação/CNJ
Desde 2023, o Ministério da Saúde entregou 2.416 unidades do SAMU 192 em todo o país, número seis vezes maior que o registrado entre 2019 e 2022. Desse total, 2.041 ambulâncias foram destinadas à expansão e renovação da frota, com investimento de R$ 722,3 milhões.
Vastidão territorial e dificuldade de acesso
Localizado na tríplice fronteira entre três estados do Norte, o município de Boca do Acre, com seus 35 mil habitantes, sintetiza as adversidades da região amazônica: vastidão territorial, isolamento logístico, presença de comunidades ribeirinhas e indígenas, além de condições ambientais extremas que afetam a mobilidade e o acesso a serviços básicos.
Sobre o programa do CNJ
O programa Justiça Itinerante Cooperativa na Amazônia Legal surgiu da necessidade de ampliar a atuação do Poder Judiciário e das demais instituições do Poder Público na região Amazônica, caracterizada pela dificuldade de locomoção entre algumas áreas e municípios.
Dividido em três eixos de atuação (ambiental, acesso à Justiça e à cidadania e coleta de dados), a Justiça Itinerante Cooperativa permite que, em uma única ação, sejam resolvidas demandas em localidades nas quais foram identificadas pouca presença do Estado e alto índice de litígios de grande repercussão e complexidade.
Neste ano, uma das novidades foi a parceria com o Ministério da Saúde. Presente pela primeira vez na itinerância conjuntamente com o Hospital das Clínicas, as duas entidades ofereceram atendimento médico emergencial à população local e se dedicaram à produção de um relatório técnico consolidado para subsidiar futuras ações interinstitucionais.
Rafael Secunho,
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral
Published
12 horas atráson
29 de agosto de 2026By
infocoweb
Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).
A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.
“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.
A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.
As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.
Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.
“Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.
Próximos passos
Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.
Comunidades quilombolas
Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.
Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.
Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.
Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde

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