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Frio aumenta vontade de comer em usuários de Mounjaro? Especialista explica por que isso acontece

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Com a chegada do inverno, muitas pessoas que usam a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, passam a notar duas mudanças no corpo: uma sensação constante de frio e um aumento da vontade de comer. A combinação costuma gerar dúvidas e até preocupação sobre a eficácia do tratamento para emagrecimento.

Segundo a nutricionista Marina Gusmão, o aumento do apetite durante os dias frios não significa, necessariamente, que o medicamento deixou de fazer efeito.

“O inverno naturalmente aumenta a busca do organismo por alimentos mais calóricos, porque o corpo precisa de mais energia para manter a temperatura. Esse comportamento é fisiológico e não indica, por si só, perda da eficácia da tirzepatida. O medicamento continua atuando nos mecanismos de saciedade, mas fatores ambientais e hormonais também influenciam o comportamento alimentar”, explica.

A tirzepatida é o primeiro medicamento aprovado que atua simultaneamente sobre dois hormônios relacionados ao metabolismo, o GLP-1 e o GIP. Essa ação dupla é responsável pela maior eficácia na perda de peso quando comparada a outros medicamentos da mesma classe, mas também explica um efeito frequentemente relatado pelos pacientes: a sensação de frio.

Por que quem usa Mounjaro sente mais frio?

De acordo com Marina Gusmão, a ação do medicamento vai além da redução do apetite.

“O Mounjaro modifica o funcionamento de áreas do cérebro responsáveis pela regulação da temperatura corporal e também aumenta o gasto energético. É como se o organismo passasse a utilizar mais energia para manter o metabolismo funcionando, enquanto a sensação térmica nas extremidades diminui”, afirma.

Parte desse efeito ocorre no hipotálamo, região cerebral que controla a fome, o gasto energético e a temperatura corporal. Ao atuar nos receptores de GLP-1 e GIP, a tirzepatida altera o ponto de equilíbrio da temperatura do organismo e reduz a produção de calor nas extremidades.

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Ao mesmo tempo, o medicamento estimula mecanismos ligados à queima de gordura, fazendo com que o corpo utilize mais energia mesmo em repouso.

Outro fator importante é a ativação do tecido adiposo marrom, um tipo de gordura especializado em produzir calor por meio da queima de energia. Apesar desse processo aumentar o gasto calórico, parte da energia produzida é consumida pelo próprio metabolismo, o que ajuda a explicar por que muitas pessoas relatam mãos, pés e nariz frios, mesmo sem queda da temperatura corporal.

Além disso, conforme o emagrecimento acontece, a redução da gordura localizada sob a pele diminui o isolamento térmico natural do corpo, tornando o frio ainda mais perceptível, especialmente durante o inverno.

Mais fome no frio não significa perda do efeito

Segundo Marina Gusmão, é esperado que o inverno desperte maior vontade de consumir alimentos quentes, doces e ricos em carboidratos.

“O organismo aumenta a produção de sinais relacionados à necessidade de energia para preservar a temperatura corporal. Isso pode ser percebido como mais fome ou desejo por alimentos mais calóricos. No entanto, é diferente de recuperar totalmente o apetite que existia antes do tratamento”, destaca.

Ela explica que o efeito do medicamento continua presente quando a pessoa ainda sente saciedade com pequenas porções, consegue controlar melhor a quantidade ingerida e mantém a perda de peso ou a estabilidade das medidas.

Por outro lado, caso a fome aumente de forma intensa e persistente, acompanhada da interrupção da perda de peso ou de ganho de peso, é importante procurar o médico responsável para avaliar se há necessidade de ajustar a dose, revisar a alimentação ou investigar outras causas, como alterações hormonais ou deficiências nutricionais.

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Alimentação inadequada pode intensificar o frio

A nutricionista ressalta que a própria redução do apetite provocada pela tirzepatida pode favorecer uma ingestão insuficiente de calorias e nutrientes, o que aumenta a sensação de frio.

“Quando o paciente come muito pouco, bebe pouca água ou apresenta deficiência de ferro, vitamina B12 ou vitamina D, a capacidade do organismo de produzir calor diminui. Por isso, manter uma alimentação equilibrada e fazer o acompanhamento nutricional durante o tratamento é fundamental”, orienta.

Quando o frio merece atenção

Embora seja considerado um efeito esperado do tratamento, o frio deve ser investigado quando aparece acompanhado de tremores intensos, suor frio, confusão mental, palpitações, fraqueza importante, dificuldade para se alimentar por mais de 24 horas ou temperatura corporal abaixo de 36°C.

Nesses casos, o quadro pode indicar hipoglicemia, desnutrição ou necessidade de reavaliação da medicação.

Para a especialista, a principal mensagem é que sentir mais frio e perceber um discreto aumento da vontade de comer durante o inverno não significa, automaticamente, que o tratamento deixou de funcionar.

“O importante é observar o conjunto dos sinais. Se o paciente continua saciado, mantém a alimentação adequada e a evolução do peso segue dentro do esperado, o medicamento provavelmente continua exercendo seu efeito. O inverno muda o comportamento do organismo, mas isso não anula os mecanismos de ação da tirzepatida”, conclui Marina Gusmão.

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SAÚDE

Ministério da Saúde inicia projeto-piloto com semaglutida em hospital federal de Porto Alegre

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou, nesta sexta-feira (26), o início do uso da semaglutida, princípio ativo de um dos medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, em pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), no Rio Grande do Sul. Durante a cerimônia, um paciente recebeu a primeira aplicação do medicamento, marcando o início da oferta dessa terapia em um hospital federal. A iniciativa integra um projeto-piloto que avaliará a efetividade, o impacto clínico e o custo do uso de medicamentos à base de GLP-1 no tratamento da obesidade no SUS.

“O Brasil está sendo pioneiro na utilização desse medicamento no sistema público de saúde. Estamos estimulando estudos nessa tecnologia para que o país se aprimore, cada vez mais, da sua produção e oferta de forma segura. Nesse primeiro momento, ela é muito importante para o diabetes e obesidade, mas pode se estender também a outras doenças crônicas e até mesmo para tratamento de cânceres”, disse o ministro Padilha.

Para o estudo, denominado Real- Bari, foi implementado o protocolo de pesquisa para uso da semaglutida em pacientes com obesidade, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a equipe técnica do GHC, com o objetivo de garantir maior segurança aos participantes e estabelecer diretrizes para o acompanhamento contínuo com médicos especialistas da unidade. No total, serão contemplados 250 pacientes do SUS já acompanhados pelo hospital com obesidade grave ou associada a outras morbidades, como comprometimento cardíaco, além de indicação para cirurgia bariátrica.    

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Esse público reflete o perfil assistencial da unidade, na qual 91% dos pacientes com obesidade apresentam a forma mórbida da doença. Dentre esses, apenas 47% possuem condições clínicas para realização de cirurgia bariátrica. A comorbidade mais prevalente nesse grupo é a hipertensão arterial.

Ao longo de dois anos de estudo, serão avaliados indicadores essenciais para compreender como o tratamento pode ser adaptado à realidade do SUS, como o percentual de perda de peso, a evolução da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, condições pós-operatórias e os custos dos processos. Dessa forma, a pesquisa gerará evidências nacionais aplicáveis à prática clínica, contribuindo para orientar decisões assistenciais e subsidiar futuras estratégias de organização da atenção à obesidade grave.

A pesquisa será realizada com recursos transferidos ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), provenientes de aporte financeiro da produtora do medicamento.

Seleção dos pacientes para o estudo

Além de já realizarem acompanhamento médico no Grupo Hospitalar Conceição, os pacientes selecionados precisam ter diagnóstico de obesidade estabelecido há pelo menos 12 meses e apresentar falha documentada no tratamento clínico convencional, como dietas estruturadas e prática regular de atividade física por pelo menos dois meses. Outro requisito é ter capacidade de compreender e realizar a autoaplicação da medicação ou contar com um cuidador para esse procedimento.

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Cuidado para obesidade no SUS

No ano passado, o SUS realizou 9,7 milhões de atendimentos relacionados à obesidade, um crescimento de 57% em relação a 2022. Esse aumento comprova a ampliação progressiva do acesso aos serviços de saúde. O cuidado à pessoa com obesidade começa nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com orientação nutricional, incentivo à atividade física, suporte psicológico e acompanhamento das equipes multiprofissionais (eMulti). 

O Ministério da Saúde investe em ações preventivas, como a estratégia Viva Mais Brasil, com investimentos de R$ 340 milhões em políticas de promoção da atividade física, com destaque para a retomada da Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões neste ano. Atualmente, o Brasil conta com 1.775 Academias da Saúde, e a expectativa é credenciar mais 300 novos serviços até o final do ano. O Guia Alimentar para a População Brasileira fornece orientações baseadas em evidências científicas para promover uma alimentação saudável, considerando particularidades regionais, etárias, culturais, sociais e biológicas.

Os medicamentos à base de semaglutida e liraglutida não estão incorporadas no sistema público de saúde. A eventual incorporação de qualquer tecnologia ao SUS segue os critérios técnicos, científicos e orçamentários estabelecidos, com análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Taís Nascimento
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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