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Julho Amarelo: hepatites silenciosas acumulam mais de 826 mil casos no Brasil desde 2000 e acendem alerta para exames de rotina

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Campanha nacional reforça a importância do diagnóstico precoce para evitar a evolução de infecções assintomáticas, como cirrose e câncer de fígado

A campanha Julho Amarelo alerta a população brasileira sobre o perigo das hepatites virais. Consideradas uma ameaça oculta, elas costumam agir de forma assintomática no organismo por décadas, fazendo com que a descoberta tardia seja um dos principais desafios para o controle clínico das infecções. A conscientização e o rastreio proativo são ferramentas essenciais para frear a evolução dessas patologias antes que gerem danos irreversíveis.

Segundo dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, publicado em 2025, o Brasil confirmou um total de 826.031 casos entre os anos de 2000 e 2024. Desse montante acumulado em 24 anos, exatamente 302.351 notificações corresponderam a infecções pelo vírus da hepatite B. Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam cerca de 304 milhões de pessoas vivendo com infecções crônicas pelos vírus dos tipos B ou C.

 

A gastro-hepatologista Dra. Natália Trevizoli, do Centro de Excelência em Doenças do Fígado do Hospital Santa Lúcia (HSL), em Brasília, explica que as hepatites virais, especialmente as causadas pelos vírus B e C, podem permanecer por muitos anos sem provocar sintomas. Quando eles surgem, na maioria dos casos, já refletem doença hepática avançada. Se não diagnosticadas e tratadas, essas infecções podem evoluir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular, o tipo mais comum de câncer de fígado. Globalmente, as hepatites B e C são responsáveis por cerca de 1,3 milhão de mortes por ano.

“Durante esse período, o vírus continua causando inflamação no fígado de forma lenta e progressiva. Muitas pessoas descobrem a doença apenas quando já apresentam cirrose ou câncer de fígado. Por isso, o diagnóstico precoce por meio de exames é fundamental”, alerta a médica. “A infecção crônica pode levar à inflamação persistente do fígado, favorecendo o desenvolvimento de fibrose, que é a formação de cicatrizes no órgão. Com o passar dos anos, essa fibrose pode evoluir para cirrose, aumentando o risco de insuficiência hepática e de carcinoma hepatocelular.”

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Por outro lado, o avanço da cobertura vacinal gerou um reflexo estatístico positivo recente. Entre os anos de 2014 e 2024, a taxa de mortalidade provocada pelas hepatites virais no Brasil registrou um declínio de 50%, consolidando o papel da imunização na proteção coletiva.

 

Como se prevenir

Para interromper a cadeia de transmissão das hepatites do tipo B e C, os cuidados envolvem desde hábitos de higiene até mesmo a vigilância em procedimentos estéticos. “A principal forma de prevenção da hepatite B é a vacinação, que inclusive está disponível no SUS. Também é importante utilizar preservativo nas relações sexuais, não compartilhar objetos perfurocortantes, como lâminas, alicates de unha e seringas, e garantir que procedimentos como tatuagens e piercings sejam realizados em locais que utilizem materiais esterilizados ou descartáveis. Para a hepatite C ainda não existe vacina, tornando a prevenção e o diagnóstico precoce ainda mais importantes”, enfatiza a hepatologista do Hospital Santa Lúcia. “A redução da mortalidade observada na última década reflete a ampliação da vacinação contra hepatite B, o acesso ao tratamento da hepatite C e melhorias no diagnóstico precoce.”

 

Quem deve se testar?

Embora a maioria dos portadores permaneça assintomática por anos, o surgimento de manifestações clínicas tardias pode incluir fadiga persistente, náuseas, perda de apetite, dor na região abdominal, urina escura, coceira intensa na pele e icterícia (pele e olhos amarelados). O rastreio é feito por meio de testes rápidos e exames moleculares baseados em um perfil epidemiológico específico. Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda a testagem para hepatites B e C pelo menos uma vez na vida para toda a população adulta, além da testagem periódica dos grupos de maior risco.

A testagem é priorizada para os seguintes grupos de pacientes:

  • Adultos que nunca realizaram testagem para hepatites B e C, especialmente aqueles acima de 40 anos ou com fatores de risco;

  • Indivíduos que receberam transfusão de sangue antes da implementação da triagem sorológica obrigatória no Brasil, realizada em 1992;

  • Usuários de drogas injetáveis ou inaladas;

  • Profissionais da área da saúde expostos a materiais biológicos;

  • Pessoas privadas de liberdade;

  • Indivíduos com múltiplos parceiros sexuais ou pessoas vivendo com HIV;

  • Pacientes submetidos a programas de hemodiálise;

  • Gestantes, bem como familiares e parceiros sexuais de indivíduos sabidamente diagnosticados com hepatite B.

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Revolução na cura da hepatite C

O prognóstico para os pacientes diagnosticados precocemente melhorou nos últimos anos devido à evolução da engenharia farmacológica. No caso da hepatite C, a medicina passou a trabalhar com a perspectiva de erradicar completamente o patógeno no organismo.

“Hoje, a hepatite C é considerada uma doença curável na grande maioria dos casos”, afirma a gastro-hepatologista. “Os antivirais de ação direta permitem taxas de cura superiores a 95%, com tratamentos que costumam durar entre 8 e 12 semanas, apresentam poucos efeitos colaterais e são altamente eficazes. Quanto mais precocemente o tratamento é iniciado, menores são as chances de danos permanentes ao fígado. É importante ressaltar que mesmo após a erradicação (cura) do vírus, pessoas com fibrose ou cirrose já instalada devem manter seguimento regular.”

Para garantir o suporte assistencial necessário em todas as fases das patologias hepáticas, o Centro de Excelência em Doenças do Fígado do Hospital Santa Lúcia Sul oferece uma linha de cuidado multidisciplinar integrada. A estrutura hospitalar foi projetada para realizar desde o diagnóstico laboratorial especializado e exames de imagem avançados até biópsias hepáticas e esquemas terapêuticos individualizados. Nos quadros clínicos de extrema gravidade em que há falência do órgão, a instituição oferece suporte para a realização de transplante hepático, assegurando assistência integral e resolutiva na região Centro-Oeste.

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Com investimento de R$ 240 milhões, Ministério da Saúde moderniza o SUS em Minas Gerais

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, inaugurou, nesta quinta-feira (3), a segunda UTI Inteligente e o primeiro SAMU Inteligente do país. A ação ocorreu durante agenda cumprida em Belo Horizonte (MG), e as novas unidades estão instaladas no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A iniciativa marca um avanço na modernização do Sistema Único de Saúde (SUS), com o uso de tecnologia de ponta para qualificar a assistência e ampliar a capacidade de salvar vidas.

“A UTI Inteligente inaugura um novo modelo de atendimento, com monitoramento em tempo real por meio de um painel de controle. Teremos 14 unidades como essa em todo o país, fruto da parceria com a China, a Índia e a Coreia do Sul. Com essa conexão em tempo real, as equipes ganham mais agilidade para tomar decisões e intervir rapidamente. Na urgência e na emergência, o tempo salva vidas”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A UTI utiliza inteligência artificial para identificar o agravamento do estado clínico dos pacientes, prever riscos, apoiar a priorização dos atendimentos e disponibilizar informações estratégicas diretamente no prontuário eletrônico. O projeto também incorpora cirurgia robótica, medicina de precisão e soluções de IA para qualificar o cuidado e ampliar a eficiência dos serviços.

Já o SAMU Inteligente contará com ambulâncias conectadas às unidades hospitalares, permitindo a transmissão, em tempo real, de sinais vitais e informações clínicas durante o transporte dos pacientes. Com isso, as equipes de saúde poderão iniciar a preparação para o atendimento antes mesmo da chegada à unidade, o que reduz o tempo de resposta e aumenta as chances de salvar vidas.

A entrega faz parte da Rede Nacional de UTIs Inteligentes e da estratégia do Governo Federal para acelerar a transformação digital da atenção hospitalar no Sistema Único de Saúde (SUS). Iniciado em 2025, o projeto prevê a incorporação de sistemas avançados, conectividade e inteligência de dados para qualificar o atendimento aos pacientes, com investimento superior a R$ 180 milhões. Na última segunda-feira (29), o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro, tornou-se a primeira unidade do país a receber uma UTI Inteligente.

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Novo curso de medicina na Santa Casa de Belo Horizonte

O ministro Padilha assinou a portaria que habilita a Santa Casa de Belo Horizonte a ofertar o curso de Medicina, vinculado ao Edital nº 5/2024 dos Ministérios da Educação (MEC). A expectativa é que, após a autorização do MEC, sejam abertas de 80 a 100 novas vagas para estudantes na área.

Também foi entregue uma placa de certificação de Hospital de Ensino – Nível 1 para três instituições mineiras que ofertam serviços de alta complexidade pelo SUS: o Complexo Hospitalar Mater Dei, o Hospital Sofia Feldman e o Hospital Universitário Ciências Médicas. A titulação reconhece a compatibilidade dessas unidades como ambientes de prática, aprendizagem e integração entre ensino e serviço.

Fortalecimento do SUS em Minas Gerais

Na agenda, o ministro Padilha realizou outras entregas históricas de equipamentos que fortalecem e ampliam o acesso aos serviços do SUS em Minas Gerais. Com investimento de R$ 56 milhões, o estado recebeu 135 veículos e unidades móveis dos programas Agora Tem Especialistas e Novo PAC Saúde, que serão distribuídos aos municípios, sendo 64 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs), 36 ambulâncias do SAMU 192, 23 micro-ônibus, nove vans para transporte sanitário e três ambulâncias Tipo A.

O ministro também participou da inauguração do novo tomógrafo da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, com investimento de R$ 2,15 milhões. O novo aparelho amplia a capacidade de realização de exames de imagem, reduz o tempo de espera por diagnósticos e fortalece a assistência prestada pelo hospital aos pacientes do SUS, contribuindo para maior agilidade no diagnóstico e no início do tratamento.

Também foram assinadas ordens de serviço para a construção de três Centros Especializados em Reabilitação (CER) em Betim, Muriaé e Juiz de Fora. Cada unidade receberá investimento de R$ 9,3 milhões e terá as obras iniciadas imediatamente. Juntos, os municípios somam mais de 1,1 milhão de habitantes que terão acesso aos serviços ambulatoriais de atenção especializada, que oferecem diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pessoas com deficiência.

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Adesão de instituições mineiras ao programa Agora Tem Especialistas

Foi formalizada a adesão de cinco instituições mineiras, quatro filantrópicas e uma privada, à modalidade de crédito financeiro do programa Agora Tem Especialistas. Com adesão de mais de R$ 20,2 milhões, a Santa Casa de Alfenas, o Hospital Regional Imaculada Conceição, em Guanhães, o Hospital São João Batista, em Viçosa, o Hospital São Miguel, em Jequitinhonha, e a Irmandade Nossa Senhora das Mercês, em Montes Claros, passarão a realizar consultas, exames e cirurgias para pacientes do SUS em troca de abatimento de impostos.

As instituições ofertarão mais de 3,2 mil procedimentos em áreas como oncologia, neurocirurgia, cardiologia, cirurgia geral, ortopedia, urologia, ginecologia, cirurgia vascular, otorrinolaringologia e cirurgia bariátrica, ampliando o acesso da população mineira à atenção especializada.

Mais de R$ 105 milhões para Atenção Primária à Saúde

Também foi destinado R$105,8 milhões para fortalecer a Atenção Primária à Saúde mineira, ampliando a capacidade de atendimento e qualificando os serviços prestados à população. Serão entregues equipamentos, kits e insumos estratégicos para as equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS) incluindo combos de equipamentos de saúde bucal, kits para Consultório na Rua e prisional, unidades móveis, avaliação do desenvolvimento infantil, além de 33.672 unidades do implante contraceptivo subdérmico (Implanon).

Os recursos também impulsionam a modernização da rede por meio da implantação de fluxos digitais e da renovação da estrutura das equipes de saúde, contribuindo para um atendimento mais ágil, qualificado e humanizado.

Rafaelle Pereira
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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