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Mutirão do Agora Tem Especialistas leva mais de 2 mil procedimentos a indígenas do Alto Rio Negro (AM)

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De 25 de fevereiro a 6 de março, o Ministério da Saúde realiza mais uma edição do mutirão do programa Agora Tem Especialistas, iniciativa do governo federal criada para reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS). Desta vez, o Agora Tem Especialistas chega à região do Alto Rio Negro, no noroeste do Amazonas, levando serviços de média e alta complexidade a um dos territórios mais remotos do país. A ação prevê a oferta de cerca de 2 mil consultas especializadas e aproximadamente 60 procedimentos cirúrgicos, ampliando o acesso à atenção especializada e fortalecendo o cuidado integral às populações indígenas.

Os atendimentos do Agora Tem Especialistas ocorrerão no Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira (HGuSGC), que fica em município de mesmo nome, e de forma itinerante em aldeias próximas. No segundo semestre de 2025, o programa já havia realizado mais de 21 mil atendimentos em territórios indígenas em todo o país, consolidando sua atuação em áreas de difícil acesso. Nesta edição, estão previstas consultas em Clínica Médica, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Ortopedia e Oftalmologia, além de cirurgias gerais, ortopédicas e ginecológicas de baixa e média complexidade. A iniciativa do Ministério da Saúde conta com parceria da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e execução técnica do Hospital Israelita Albert Einstein.

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Na área de oftalmologia, o Agora Tem Especialistas realizará triagem, exames pré-consulta, avaliação médica e prescrição de óculos. Pacientes com indicação para cirurgia de pterígio ou catarata, ou que necessitem de acompanhamento para glaucoma, serão encaminhados ao DSEI Alto Rio Negro. A entrega de óculos será imediata, nos casos de lentes pré-fabricadas, ou em até 30 dias para lentes personalizadas.

Atualmente, o DSEI Alto Rio Negro atende mais de 26 mil indígenas distribuídos em 653 aldeias, onde barreiras geográficas e logísticas historicamente dificultam o acesso à atenção especializada. O mutirão contemplará os polos-base de Balaio, Juruti, Taperera e Ilha das Flores, alcançando povos como Tukano, Baniwa, Yanomami, Baré e Desana.

Para o secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Ricardo Weibe Nascimento Costa, a ação foi estruturada e pensada em um ciclo completo de cuidado, contemplando desde a avaliação pré-operatória até o acompanhamento no pós-operatório, garantindo segurança clínica e continuidade da atenção.

“A expectativa é reduzir significativamente a demanda reprimida de pacientes indígenas cadastrados no Sistema de Regulação e contribuir para a melhoria do acesso à saúde especializada nas regiões de difícil acesso, minimizando o deslocamento dos pacientes de suas respectivas aldeias. Por isso, foi feito todo um planejamento para o acompanhamento no pré e no pós-operatório”, explicou.

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Estruturado em um ciclo completo de cuidado, o Agora Tem Especialistas contempla avaliação pré-operatória, realização dos procedimentos e acompanhamento pós-operatório, garantindo segurança clínica e continuidade da atenção. Além da assistência direta, esta edição inclui capacitações em Suporte Avançado de Vida no Trauma (ATLS) para profissionais do hospital e curso de Emergências Obstétricas para equipes do DSEI.

O projeto prevê missões recorrentes a cada um ano e meio ou dois anos, com próximas ações programadas para julho de 2026, fevereiro e julho de 2027 e outubro de 2027, ampliando a presença do programa em comunidades como São Joaquim, Camanaus, Iauaretê, Querarí, Pari-Cachoeira e novamente São Gabriel da Cachoeira. 

Leidiane Souza
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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SAÚDE

População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral

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Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).

A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.

“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.

 A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.

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 As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.

Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.

 “Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.

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 Próximos passos

Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.

Comunidades quilombolas

Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.

 Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.

Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.

Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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