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Uso de IA como prova exige validação técnica após decisão do STJ

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Entendimento do tribunal segue casos internacionais e reforça exigência de validação humana no uso de inteligência artificial em decisões de alto impacto

A 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que relatórios produzidos por inteligência artificial generativa, sem validação técnico-científica, não podem ser utilizados como prova em processos penais.

O caso que motivou a decisão envolve uma denúncia por injúria racial feita com base na interpretação de um vídeo após uma partida de futebol em Mirassol, no interior de São Paulo. A perícia oficial não identificou a expressão atribuída ao réu, mas um relatório gerado por inteligência artificial apontou conclusão oposta e foi utilizado como base para a denúncia. O tribunal determinou a exclusão do material e o encerramento do processo.

Ao analisar o tema, o colegiado indicou que a admissibilidade de provas no processo penal exige não apenas licitude, mas também confiabilidade e capacidade de sustentação lógica. O entendimento considera que sistemas de IA generativa operam com base em probabilidades e podem produzir informações imprecisas com aparência de veracidade, o que limita sua utilização sem validação técnico-científica.

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Para Fabiano Carvalho, especialista em Transformação Digital e CEO da Ikhon, o problema decorre de uma confusão no uso do termo inteligência artificial, que abrange tecnologias distintas. “É por isso que, antes de usar qualquer ferramenta de IA, é preciso entender que problema ela foi treinada para resolver e em que condições ela pode falhar. Também é essencial o uso de uma documentação metodológica: toda análise produzida com IA precisa ter trilha de auditoria, evidências e critérios de validação registrados”, afirma Fabiano.

A interpretação do tribunal está alinhada com práticas de governança adotadas no setor de tecnologia, que indicam a necessidade de supervisão humana em aplicações de inteligência artificial, especialmente em decisões de alto impacto. Nesse contexto, o uso da tecnologia tende a ser condicionado ao nível de criticidade da decisão, à possibilidade de reversão de eventuais erros e à capacidade de auditoria dos sistemas utilizados. O setor público já vem adotando a IA em áreas como atendimento ao cidadão, análise de documentos, fiscalização e gestão urbana.

O movimento de cautela não se restringe ao Brasil. Casos recentes em diferentes jurisdições indicam dificuldades no uso de inteligência artificial em processos judiciais. Nos Estados Unidos, no caso Mata v Avianca, advogados apresentaram decisões judiciais inexistentes geradas por IA. Em outro episódio, no Tribunal Superior das Ilhas Cayman, o processo Bradley & Chuang v Linda Frye-Chaikin registrou a presença de informações incorretas em alegações escritas atribuídas ao uso da tecnologia. Já no Reino Unido, no caso Olsen & Anor v Finansiel Stabilitet A/S, partes utilizaram jurisprudência inexistente, situação que levou o tribunal a avaliar possíveis sanções processuais.

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O entendimento do STJ reforça a exigência de critérios técnicos para o uso de inteligência artificial em decisões que exigem validação e precisão. Como alerta o CEO da Ikhon: “não é preciso ter medo, mas sim estabelecer mecanismos de revisão para atividades executadas por sistemas que usam inteligência artificial. Vão sair na frente os negócios que desenvolverem e adotarem padrões de confiabilidade e transparência na supervisão dos resultados gerados por softwares. A adoção de padrões de governança será cada vez mais exigida para a validação dos conteúdos gerados por IA”.

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MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos

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Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.

A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.

Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.

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O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.

A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.

Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.

Minerais críticos

“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.

Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.

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Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.

Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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