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Aprovação do Estatuto do Aprendiz acende alerta no setor de segurança privada

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Fenavist, entidade representante da segurança privada no Brasil, aponta riscos operacionais e jurídicos diante da ausência de adequações à realidade da atividade

A recente aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Estatuto do Aprendiz traz preocupações imediatas para o setor de segurança privada e transporte de valores. A avaliação da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist) é de que o texto, da forma como foi aprovado, não contempla as especificidades da atividade, marcada por exigências legais rigorosas, alto grau de risco e necessidade de formação técnica especializada.

Um dos principais pontos de atenção está na manutenção da obrigatoriedade de cumprimento de cotas de aprendizes sem a devida adequação às características do setor. A nova proposta prevê que a definição dessas cotas poderá ser negociada por contratantes dos serviços, o que, na avaliação da entidade, ainda carece de regulamentação clara e objetiva. Além disso, não houve avanço na inclusão de exceções ou critérios diferenciados para atividades consideradas perigosas.

“A lei não contemplou a realidade do nosso setor. Nós demonstramos aos parlamentares o grau de risco e a periculosidade da atividade de segurança privada, que não se adequa ao jovem aprendiz”, afirma Jeferson Nazário, presidente da Fenavist. Ele reforça que a formação exigida para atuação como vigilante — regulamentada e fiscalizada — não é compatível com o modelo de aprendizagem previsto na legislação.

Outro ponto crítico destacado pela entidade é o impacto financeiro e jurídico enfrentado pelas empresas. Atualmente, o setor convive com autuações recorrentes por descumprimento das cotas, mesmo diante da impossibilidade prática de aplicação da regra. “Hoje praticamente todas as empresas no Brasil, no nosso setor, que são mais de 2.500 empresas, são multadas diariamente pelo Ministério Público do Trabalho por não cumprir a cota. Há casos de multas milionárias, o que demonstra o descompasso entre a legislação e a realidade operacional das empresas”, destaca o presidente.

Alternativa proposta pela entidade

A Fenavist sugere que o cumprimento da cota de aprendizes seja direcionado ao setor administrativo das empresas, onde há condições adequadas para uma iniciação profissional segura e compatível com os objetivos do programa. A aplicação da cota sobre o universo operacional, que inclui mais de 571 mil vigilantes, torna-se inviável, considerando as exigências legais, a formação específica e o grau de periculosidade da atividade.

Embora esta alternativa tenha sido apresentada durante a tramitação na Câmara, não foi acatada no texto aprovado. Diante disso, a entidade seguirá atuando no Senado Federal para propor um destaque que contemple essa adequação, com foco na proteção dos aprendizes e na viabilidade do cumprimento da legislação pelo setor. A expectativa é de que o debate avance para garantir segurança jurídica e adequação às particularidades de setores essenciais, como o de segurança privada, evitando impactos negativos à atividade e à geração de empregos.

Sobre a Fenavist – Com 28 sindicatos filiados em todo o Brasil, a Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist) é a entidade que representa, em âmbito nacional, os interesses das empresas de segurança privada e transporte de valores.  Atua junto às autoridades competentes na defesa dos direitos da categoria, promovendo o diálogo institucional e a construção de soluções para o setor.

A Federação também apoia a celebração de Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho. Desenvolve parcerias com entidades públicas e privadas, fortalecendo a integração e o avanço de pautas estratégicas. Participa ainda de instâncias relevantes como a CNC, o SESC, o SENAC e a Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP). Sua missão é assegurar melhores condições para o desenvolvimento do setor, com respeito à diversidade e promoção dos direitos humanos.
Saiba mais em: https://fenavist.org.br/

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Nova jornada de trabalho avança no Congresso e acende alerta no setor de serviços

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Febrac aponta riscos de aumento de custos, pressão sobre empregos e impacto na oferta de serviços essenciais 

A decisão da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados de admitir a proposta de emenda à Constituição (PECs) que altera a jornada de trabalho no país trouxe novo fôlego ao debate sobre o fim da escala 6×1, modelo em que se trabalha seis dias para um de descanso. A proposta segue agora para análise em comissão especial antes de ser votada em Plenário.

A medida, embora vista por parte da sociedade como um avanço nas relações de trabalho, gera apreensão em setores intensivos em mão de obra, como o de serviços. A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) avalia que mudanças dessa natureza exigem planejamento cuidadoso para evitar efeitos colaterais na economia e no mercado de trabalho.

Responsável por uma parcela significativa da geração de empregos formais no Brasil, o setor de serviços mantém operações contínuas em áreas como limpeza, conservação, facilities e apoio administrativo. Dados recentes do Novo Caged mostram que, entre janeiro e julho de 2025, o segmento criou mais de 80 mil vagas com carteira assinada, evidenciando seu papel estratégico.

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Na avaliação da entidade, a redução da jornada sem ajuste proporcional de salários tende a elevar os custos operacionais. Em atividades que não podem ser interrompidas como hospitais, escolas, aeroportos e edifícios públicos, a alternativa seria ampliar equipes para cobrir a nova carga horária, o que pressionaria contratos e orçamentos. Em alguns casos, o aumento pode ultrapassar dois dígitos.

O presidente da Febrac, Edmilson Pereira, afirma que o tema precisa ser tratado com equilíbrio. “É uma discussão legítima, mas não pode ser conduzida de forma apressada. Sem um período de adaptação e sem instrumentos que compensem o aumento de custos, como a redução de encargos, o risco é gerar efeitos contrários ao desejado, incluindo a diminuição de postos formais”, avalia.

Outro ponto levantado pela Febrac diz respeito ao ambiente tributário brasileiro, que já impõe elevada carga sobre a folha de pagamento. Nesse contexto, qualquer mudança que aumente o custo da mão de obra tende a ser repassada, direta ou indiretamente, para a economia, seja por meio de reajustes de contratos, seja pela redução da capacidade de contratação das empresas.

A entidade defende que eventuais alterações na legislação trabalhista sejam implementadas de forma gradual, com previsibilidade e participação do poder público na construção de soluções. O objetivo, segundo a Febrac, deve ser conciliar avanços nas condições de trabalho com a sustentabilidade das empresas e a preservação dos empregos.

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Com a tramitação das propostas em andamento, o tema deve ganhar protagonismo no Congresso e ampliar o debate entre governo, setor produtivo e representantes dos trabalhadores nos próximos meses.

Sobre a Febrac – A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) foi criada para representar os interesses dos setores de serviços de Asseio e Conservação. Hoje, representa 12 setores ligados à terceirização de mão de obra especializada.

Com sede em Brasília, a federação agrega sindicatos nas 27 unidades federativas do país e ocupa cargos na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), nos Conselhos Nacionais do SESC e do SENAC, na Central Brasileira de Apoio ao Setor de Serviços (CEBRASSE) e na Câmara Brasileira de Serviços Terceirizáveis e na World Federation of Building Service Contractors (WFBSC). A Febrac tem como objetivo cuidar, organizar, defender e zelar pela organização das atividades por ela representadas.

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