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Primeira Trilha Poética reúne literatura, música e cultura no Centro Histórico de Corumbá de Goiás

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Corumbá de Goiás – Créditos Haissam Massouh

Evento será realizado neste sábado (8) e contará com seis estações de declamação, homenagens, palco aberto e exposição de livros

As ruas do Centro Histórico de Corumbá de Goiás serão ocupadas por poesia e música neste sábado, 8 de agosto, durante a primeira Trilha Poética do município. A programação começa às 16h, com concentração no Memorial dos Imortais, na Praça Waldemar Gomes Teles.

Promovido pela Academia de Letras de Corumbá de Goiás (AC-CLAM) e pela Academia da Cultura Cerratense, o evento terá um percurso com seis estações poéticas. Em cada parada, representantes das academias e a comunidade poderão declamar poemas, acompanhados pelos músicos Kaise Helena e João Fleury.

A primeira parada será a Estação Poeta Érico Curado, no Memorial dos Imortais. A terceira estação homenageará Cora Coralina, uma das principais referências da literatura goiana e nome ligado ao Caminho de Cora. A última será dedicada ao escritor e pesquisador Paulo Bertran, no Cine Teatro Esmeralda.

“Queremos incentivar a sensibilidade, o conhecimento literário e a descoberta de novos talentos, além de valorizar as artes e a cultura regional”, afirma Ruth Fleury Curado, da AC-CLAM.
A ideia nasceu de uma proposta de realização de um sarau e foi ampliada até chegar ao formato de uma caminhada pelo patrimônio histórico da cidade. A proposta é criar um espaço de encontro entre literatura, natureza e cultura.

O objetivo é também perpetuar nas novas gerações o legado literário histórico da cidade, que é berço de grandes escritores como Bernardo Élis, o único goiano a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, e José J. Veiga, mestre do realismo fantástico traduzido em vários países. “O afloramento literário na cidade aconteceu desde o início do ciclo do minério, quando começou a ser ocupada”, conta Ana Ruth.

Corumbá de Goiás – Créditos Haissam Massouh

Espaço aberto para participação

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Durante o evento, o espaço estará aberto para quem quiser declamar poesias. Para participar das declamações durante o percurso, os interessados deverão se inscrever gratuitamente a partir das 15h30, no Memorial dos Imortais. Serão disponibilizadas seis vagas para a comunidade, preenchidas por ordem de chegada.

Às 18h, a programação continuará no Cine Teatro Esmeralda, com a entrega de comendas pela Academia da Cultura Cerratense a personalidades, empresas e instituições. Depois das homenagens, haverá um palco aberto na área externa, no qual o público poderá declamar, cantar, ler textos ou realizar outras apresentações, sem necessidade de inscrição.

O espaço também receberá exposição e venda de livros. Às 19h30, será realizado o lançamento do Bistrô Desarts, com um rodízio de massas pago. A expectativa das instituições organizadoras é transformar a Trilha Poética em uma programação permanente, com novas edições nos próximos anos.

Fortalecendo o turismo

A ideia do Trilha Poética, que deve ter novas edições, também proporcionar aos turistas este contato com a literatura, uma vez que a cidade hoje é destino do turismo sustentável e de experiência. O charme da arquitetura colonial, os casarios que guardam histórias e memórias, suas paisagens serranas e cachoeiras, o vinho produzido na região atraem milhares de turistas anualmente. A cidade integra a Rota dos Pirineus, que atrai 80 mil visitantes por mês na baixa temporada, e 120 mil visitantes por mês na alta temporada.

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Só o Salto Corumbá, um dos maiores parques de ecoturismo do Estado situado no município, recebe cerca de 120 mil visitantes a cada ano. No local estão seis cachoeiras, entre elas a que dá nome ao parque, com 50 metros de altura. A geografia serrana da região tem alguns pontos com altitude que chegam a 1.200 metros, o trouxe um clima mais ameno e também favoreceu o desenvolvimento da vitivinicultura nos últimos anos. A produção de queijos acompanhou este movimento e também se tornou reconhecida na Rota dos Pirineus.A cidade também é início do Caminho de Cora Coralina, trilha de mais de 300 quilômetros que termina na Cidade de Goiás. Além disso, a região, que faz parte da Rota dos Pirineus. A rede de hospitalidade da cidade também está em fase de expansão com a chegada de condomínios horizontais, voltados para a construção de casas de veraneio, para locação e até segunda moradia. É o caso do Salto Imperial, o primeiro empreendimento da cidade, que teve a primeira etapa praticamente esgotada.

Serviço
I Trilha Poética de Corumbá de Goiás
Data: 8 de agosto de 2026
Concentração: 15h30, para inscrições
Início da trilha: 16h
Local: Memorial dos Imortais e Centro Histórico
Homenagens e palco aberto: a partir das 19h, no Cine Teatro Esmeralda
Participação: gratuita, exceto o rodízio de massas
Realização: Academia de Letras de Corumbá de Goiás e Academia da Cultura Cerratense

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Cultura

Espetáculo leva a escolas de Sobradinho reflexão sobre violência doméstica e feminicídio

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“Os Sapatos que Atravessam a Rua” transforma objetos cotidianos em memória, poesia e instrumento de conscientização para estudantes da rede pública

Um par de sapatos esquecido em uma prateleira torna-se o ponto de partida para falar sobre uma ausência definitiva. Em “Os Sapatos que Atravessam a Rua”, a delicadeza da linguagem teatral encontra a urgência do enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio, em uma montagem voltada a estudantes da rede pública de ensino de Sobradinho. Serão seis apresentações: três no Centro de Ensino Médio 02 de Sobradinho (CEM 02), em 06 de agosto, e três no Centro de Ensino Fundamental 01 de Sobradinho (CEF 01), em 20 de agosto. O espetáculo é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).

Escrito e dirigido por Áurea Liz, o espetáculo tem como protagonista Mió, uma sapateira de 65 anos interpretada por Gelly Saigg. Ela herdou do pai o ofício e uma pequena banca de consertos diante de uma pista movimentada. Enquanto observa as pessoas atravessarem a rua para deixar seus calçados, Mió percebe que cada par carrega uma história. Um deles, porém, permanece esquecido. Sua dona nunca voltou para buscá-lo.

A partir dessa ausência, a dramaturgia revela a história de uma mulher vítima de feminicídio. Sem recorrer ao sensacionalismo, a peça utiliza o silêncio, a memória, os objetos cotidianos e a presença da personagem para provocar identificação, escuta e reflexão.

Ao final de cada sessão, será realizada uma roda de conversa sobre violência doméstica, redes de apoio, abandono e envelhecimento, aproximando a experiência artística da realidade dos jovens.

Mais do que apresentar uma obra teatral, a proposta busca criar um espaço protegido de diálogo. Como explica a atriz Gelly Saigg, proponente do projeto, ao colocar o tema em cena, o projeto contribui para que estudantes reconheçam diferentes formas de violência, compreendam a importância do acolhimento e conheçam caminhos possíveis para romper ciclos de silêncio.

 

Arte como espaço de escuta

Na montagem, a banca de Mió deixa de ser apenas um lugar de conserto de sapatos. Ela se transforma em território de cuidado, resistência e preservação de histórias. Atravessar a rua, nesse contexto, representa também a disposição de olhar para o outro e ouvir aquilo que, muitas vezes, permanece escondido.

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A iniciativa parte do entendimento de que a cultura pode desempenhar um papel importante na prevenção da violência. Ao tratar o feminicídio por meio de uma narrativa simbólica e sensível, o espetáculo cria condições para que um assunto difícil seja discutido sem perder sua gravidade.

Em edição anterior do projeto, o espetáculo percorreu escolas da rede pública de ensino de Samambaia, Sobradinho e Ceilândia, sempre acompanhado por rodas de conversa com os estudantes e equipes pedagógicas. As apresentações despertaram reflexões profundas e estimularam a participação do público, que frequentemente permanecia após o encerramento para compartilhar experiências, dúvidas e percepções sobre os temas abordados.

Como esperado, a peça abriu portas para o diálogo. Muitos jovens encontraram naquele momento um espaço seguro para falar, ouvir e refletir sobre situações que, muitas vezes, permanecem em silêncio. Isso reforça o papel da arte como instrumento de educação, escuta e transformação“, afirma Moara Barbosa, produtora executiva do projeto. A repercussão positiva e o envolvimento das comunidades escolares reforçaram a importância de ampliar a circulação do espetáculo e de fortalecer ações que promovam o diálogo e a formação cidadã no ambiente escolar.

A realização destinada à comunidade escolar também reforça o compromisso do projeto com a descentralização cultural, ao levar uma obra de relevância artística e social a estudantes de Sobradinho.

 

Reconhecimento

Além do impacto junto às comunidades escolares, “Os Sapatos que Atravessam a Rua” também coleciona reconhecimento no cenário cultural do Distrito Federal. A montagem esteve entre as vencedoras da 3ª edição do FestCaras, competição de esquetes realizada no Gama com o objetivo de fortalecer as artes cênicas do DF. Em 2025, o festival reuniu 14 companhias de teatro, que concorreram em 14 categorias, destacando produções pela qualidade artística e relevância de suas propostas.

A trajetória de suas criadoras também tem recebido reconhecimento público. A dramaturga e diretora Áurea Liz foi homenageada com uma Moção de Louvor pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), durante sessão solene promovida pelo Programa Nacional dos Comitês de Cultura no Distrito Federal, em parceria com a CLDF e o Sindicato dos Professores do Distrito Federal, em reconhecimento à sua contribuição para a integração entre arte, cultura e educação. Na mesma solenidade, a atriz Gelly Saigg, que interpreta a personagem Mió, também recebeu a homenagem por sua atuação no fortalecimento da cultura e da educação por meio das artes.

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Acessibilidade integrada à experiência

“Os Sapatos que Atravessam a Rua” incorpora recursos destinados a ampliar o acesso de pessoas com deficiência. O projeto prevê sessões com interpretação em Libras e audiodescrição simultânea, programas em Braille, vídeos com legendas, Libras e audiodescrição, além da possibilidade de reconhecimento tátil do cenário e dos figurinos antes das apresentações.

A acessibilidade não aparece apenas como um recurso complementar, mas como parte da concepção do projeto, permitindo que diferentes públicos tenham contato com a obra de maneira autônoma e com qualidade estética.

Formada majoritariamente por mulheres e com a presença de profissionais com deficiência, a equipe reúne artistas e técnicos de diferentes áreas. Além de Gelly Saigg e Áurea Liz, integram a ficha técnica profissionais de produção, comunicação, música, iluminação, caracterização, Libras, audiodescrição e consultoria de acessibilidade.

As apresentações são direcionadas a estudantes e à comunidade escolar previamente mobilizada pelas instituições participantes.

 

Ficha técnica

Gelly Saigg – Atriz

Áurea Liz – Dramaturgia e Direção

Moara Barbosa – Produção Executiva

O Carcará – Coordenação Administrativa

Ale Capone – Consultoria de Acessibilidade

Patrícia Albuquerque – Interpretação em Libras

Jane Menezes Cinema Cego – Audiodescrição

Cruziá Comunicação – Design, Gestão de Redes Sociais,

Fotografia, Captação e Edição de vídeo

Miccael Grandis – Assistência de comunicação

Ana Luiza Aguiar – Produção de Conteúdo

Alexandra Vinagre – Caracterização e maquiagem

Tauana Barros – Iluminação

Vitor Barbosa – Operação de som e Trilha sonora original

Pedro Barbosa – Coordenação Técnica e Trilha sonora original

Monyelle Faria – Assistencia de Produção

Fabiana Paula – Contraregragem e assistência de produção

Charlotte Vilela – Assessoria de imprensa

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