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Cultura

Escritora Hulda Rode transforma histórias de vida em livros e legado cultural

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A escritora, empresária e mentora de autores Hulda Rode tem se destacado no cenário da literatura independente ao incentivar pessoas comuns a transformarem suas experiências de vida em livros. Em entrevista ao podcast Entre Livros & Risos, Hulda compartilhou sua trajetória e revelou como desafios pessoais se tornaram o ponto de partida de uma missão que já impactou mais de 1.500 autores.

Fundadora do Grupo Escreva, ela criou o método “Escreva a sua história”, voltado para orientar novos escritores, memorialistas e empreendedores culturais a organizar suas memórias e experiências em obras literárias com propósito.

Segundo Hulda, a escrita pode ser muito mais do que um exercício artístico. “Escrever é um ato de coragem e de consciência. Quando alguém decide contar sua história, está também criando um legado para outras pessoas”, afirma.

Superação e novos caminhos na literatura

Durante a entrevista, Hulda relembra que seus primeiros passos na escrita foram marcados por dificuldades comuns a muitos autores iniciantes, especialmente o acesso restrito ao mercado editorial tradicional. Diante dessas barreiras, ela decidiu construir seu próprio caminho, apostando em processos autodidatas e na criação de uma rede de apoio para novos escritores.

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Esse movimento acabou dando origem à mentoria literária que hoje conduz, ajudando pessoas a superar bloqueios criativos e estruturarem suas ideias em livros.

“Uma das maiores dificuldades de quem quer escrever é saber por onde começar ou qual história contar. O método que desenvolvemos ajuda exatamente nesse processo de organização e propósito”, explica.

Histórias que se transformam em legado

Ao longo da conversa, Hulda compartilha exemplos de histórias que marcaram sua trajetória como mentora. Entre elas está a biografia póstuma de Evaldo, cuja vida foi profundamente marcada pela busca pela educação como instrumento de transformação.

Outro exemplo citado é o livro O pão me deu, de Ricardo Arriel, obra que narra uma trajetória de resiliência e liderança construída a partir do trabalho e da superação de adversidades.

Para Hulda, essas narrativas mostram que a literatura pode preservar memórias e inspirar novas gerações.

Escrita, economia criativa e impacto social

Além da dimensão pessoal, Hulda também destaca o papel da escrita dentro da economia criativa. Para ela, a literatura pode se tornar uma atividade profissional sustentável e contribuir para o desenvolvimento cultural e social.

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“A arte também pode ser um negócio. Quando estruturamos projetos literários de forma profissional, abrimos espaço para geração de renda, fortalecimento da cultura e impacto social”, afirma.

Ao conectar literatura, empreendedorismo e memória, Hulda Rode vem consolidando um movimento que valoriza histórias de vida como patrimônio cultural. Mais do que formar autores, sua proposta é estimular pessoas a reconhecerem o valor de suas próprias trajetórias e transformá-las em legado.

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ENTRE LIVROS E RISOS

Entre Livros e Risos: Lita Maria transforma as vozes femininas do sertão em memória, literatura e resistência

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Em entrevista ao Radar Digital Brasília, escritora fala sobre o Ciclo de Vozes do Sertão, a presença de parteiras, benzedeiras e carpideiras em sua obra e a chegada de sua literatura ao cinema e ao universo acadêmico

Há vozes que atravessam gerações sem jamais terem sido registradas nos livros. São histórias contadas nos quintais, nas cozinhas, nas rezas, nos velórios e nos caminhos do interior. Vozes de mulheres que ajudaram a nascer, curaram com ervas e orações, choraram os mortos e preservaram saberes que fazem parte da memória cultural brasileira.

É desse universo que nasce a literatura de Lita Maria, convidada do Entre Livros e Risos, programa de entrevistas do Radar Digital Brasília.

Escritora e pesquisadora, Lita constrói uma obra profundamente ligada às mulheres e ao sertão. Na conversa, ela percorre sua trajetória pessoal e literária, relembra a influência de Trindade, em Goiás, e revela como religiosidade, memória, oralidade e cultura popular passaram a ocupar o centro de sua escrita.

Mais do que cenário, o sertão surge em seus romances quase como personagem: guarda segredos, produz afetos, impõe dores e conserva histórias.

O nascimento das vozes do sertão

Um dos principais momentos da entrevista é a apresentação do Ciclo de Vozes do Sertão, projeto literário formado por obras interligadas e construído a partir de personagens femininas que carregam consigo saberes, tradições e experiências historicamente pouco visibilizadas.

A origem desse universo remonta a O Canto da Carpideira, escrito em 2014. Ao pesquisar a figura das mulheres que tradicionalmente acompanhavam os rituais de morte e expressavam coletivamente o luto, Lita encontrou muito mais que uma personagem.

Encontrou uma porta para o sertão.

A partir dela, surgem mulheres que partejam, benzem, rezam, choram, resistem e transmitem conhecimentos. Parteiras, benzedeiras e carpideiras tornam-se guardiãs de uma memória que sobrevive, muitas vezes, à margem dos registros oficiais.

Nas narrativas da escritora, elas deixam de ocupar as bordas da história para assumir o centro.

Mulheres que deixam de ser silêncio

A centralidade feminina atravessa toda a conversa. Lita fala de personagens marcadas pela dor, mas que não são definidas somente por ela. São mulheres que constroem redes, preservam tradições e enfrentam diferentes formas de violência e silenciamento.

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Ao recuperar essas figuras, a literatura também lança luz sobre um Brasil profundo, no qual conhecimento e identidade foram transmitidos durante décadas — ou séculos — principalmente pela oralidade.

O sertão apresentado pela autora não é apenas geográfico. É também simbólico, afetivo e feminino.

É um território constituído por lembranças, crenças, perdas, religiosidade e resistência.

Quando a literatura chega à universidade

A trajetória de O Canto da Carpideira ganhou ainda outra dimensão quando a obra ultrapassou o espaço da leitura literária e passou a despertar interesse acadêmico.

Durante a entrevista, Lita conta sobre a presença do livro em vestibulares e em pesquisas universitárias, incluindo dissertações que passaram a analisar sua produção.

Ver personagens nascidas da memória e da observação do sertão transformarem-se em objeto de estudo trouxe também uma nova percepção sobre o alcance de sua escrita — e sobre a responsabilidade que acompanha esse reconhecimento.

A literatura que recupera saberes populares passa, assim, a dialogar também com pesquisadores e novas gerações de leitores.

Das páginas para o cinema

Outro capítulo marcante da trajetória da autora é a adaptação cinematográfica de Sobre Dora e Dores.

A obra ganhou versão para o cinema em produção rodada no Tocantins, levando para a linguagem audiovisual personagens e paisagens concebidas inicialmente na literatura. O projeto reúne nomes conhecidos do cinema brasileiro, entre eles Marcélia Cartaxo.

Na entrevista, Lita recorda a emoção de acompanhar as filmagens e de observar personagens que existiam nas páginas adquirirem corpo, voz, movimento e interpretação diante das câmeras.

É também um sinal da capacidade dessas histórias regionais de atravessarem fronteiras e encontrarem outras linguagens e públicos.

Um ciclo que continua crescendo

O universo criado pela escritora não termina nos primeiros romances.

Em A Casa de Todos os Santos, Lita retorna às origens de personagens do ciclo e aprofunda a história da carpideira Cota, ampliando as conexões entre mulheres, famílias, crenças e acontecimentos que atravessam suas narrativas.

Durante o programa, a autora também antecipa novos projetos, entre eles Mulher de Currutela, mostrando que o Ciclo de Vozes do Sertão permanece em expansão.

Luto, violência, fé, religiosidade, pertencimento e memória aparecem nesse percurso sem apagar a humanidade das personagens — mulheres contraditórias, fortes, frágeis e profundamente ligadas aos territórios onde vivem.

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Escrever longe dos grandes centros

A conversa também chega a uma questão importante para escritores brasileiros: os desafios de produzir e fazer circular literatura fora dos grandes centros editoriais.

A experiência de Lita mostra simultaneamente as dificuldades desse caminho e as possibilidades abertas quando uma obra encontra leitores, pesquisadores, clubes de leitura, eventos literários e outras formas de circulação.

Em tempos dominados por telas e conteúdos cada vez mais rápidos, a escritora mantém uma visão otimista sobre a permanência do livro.

As redes sociais, nesse contexto, não aparecem necessariamente como adversárias da literatura. Podem funcionar como pontes para novos leitores, enquanto clubes de leitura, feiras, encontros e projetos literários ajudam a manter viva a experiência coletiva em torno dos livros.

O sertão também escreve sua própria história

Ao final, a conversa com Lita Maria deixa uma reflexão que ultrapassa a trajetória individual de uma escritora.

Registrar parteiras, benzedeiras, carpideiras e tantas outras mulheres significa também reconhecer que a história de um povo não é construída apenas pelos personagens que chegaram aos documentos oficiais.

Ela permanece nas lembranças. Nas histórias transmitidas de mãe para filha. Nas orações aprendidas com as avós. Nos rituais. Nos costumes. Nos silêncios.

E a literatura pode transformar esse patrimônio imaterial em permanência.

No Ciclo de Vozes do Sertão, Lita Maria faz justamente esse movimento: escuta mulheres que durante muito tempo estiveram nas margens e as coloca no centro da narrativa.

Porque, quando essas vozes encontram a literatura, o sertão deixa de ser apenas lugar.

Lita Maria, escritora e doutoranda em Letras, e apresento o Ciclo de Vozes do Sertão, projeto literário composto por obras interligadas que exploram o sertão como território simbólico de vozes femininas, memória e identidade.

 

 

 

 

Torna-se memória. Torna-se personagem. E, sobretudo, ganha voz.

Entre Livros e Risos é um programa de entrevistas do Radar Digital Brasília, dedicado à literatura, aos escritores e às histórias que aproximam livros, cultura e sociedade.

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