BRASÍLIA

Feliz Hoje...

Coluna Feliz Hoje! Para pensar… Para sentir…Para experimentar…

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Coluna Feliz Hoje...

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A vida acontece enquanto fazemos planos. Acontece nas grandes conquistas, mas também nos pequenos instantes que muitas vezes passam despercebidos. Acontece nas relações que construímos, nas escolhas que fazemos, nos lugares que conhecemos, na arte que nos emociona, na comida que compartilhamos, nas histórias que carregamos e até nos dias difíceis, quando tudo o que conseguimos fazer é respirar e seguir.

Foi dessa percepção que nasceu a Feliz Hoje, uma coluna que chega para falar sobre a vida em suas muitas dimensões, com leveza, sensibilidade e curiosidade. Um espaço para pensar sobre nós mesmos, olhar para o mundo com outros olhos e experimentar aquilo que pode tornar nossos dias mais interessantes, afetivos e significativos.

A coluna também nasce de um momento muito especial da minha própria história. Aos 50 anos, depois de meio século de vida, percebo que carrego comigo muitas histórias. Houve alegrias e perdas, encontros e despedidas, conquistas e recomeços, amores, amizades, família, trabalho, sonhos realizados e outros que ainda esperam sua vez. Houve momentos em que chorei, outros em que ri até perder o fôlego e muitos em que precisei simplesmente aprender a continuar.

E há também as pequenas alegrias que fazem parte da minha vida cotidiana. Uma conversa com um amigo, um encontro em família, uma boa refeição, uma obra de arte, um livro, uma viagem, uma música, um café sem pressa ou o carinho das minhas gatinhas, Nina e Malu. São essas experiências, aparentemente simples, que tantas vezes nos lembram de que a vida não precisa esperar por um grande acontecimento para ser celebrada.

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Por isso, a Feliz Hoje não pretende falar sobre uma felicidade perfeita, permanente ou distante da realidade. Quero falar sobre uma felicidade possível. Aquela que pode coexistir com as imperfeições, com as dúvidas, com as mudanças e até com os dias em que não estamos bem.

A cada semana vamos olhar para dentro, conversando sobre comportamento, relações, emoções, escolhas, autoconhecimento, bem-estar, espiritualidade e os muitos desafios de viver.

Às quartas, vamos olhar para o mundo, descobrindo cultura e arte por meio da literatura, do cinema, da música, das artes visuais, do teatro, da educação, dos artistas e de tudo aquilo que amplia nosso repertório e nossa maneira de perceber a vida.

E, às sextas, vamos celebrar a vida, experimentando possibilidades de lazer, gastronomia, viagens, restaurantes, cafés, filmes, séries, passeios, eventos e pequenas experiências que podem transformar um dia comum em uma boa lembrança.

Para pensar. Para sentir. Para experimentar.

Três movimentos diferentes, mas uma mesma intenção: convidar você a estar mais presente na própria vida.

Aos 50, talvez eu tenha aprendido que felicidade não é chegar a um lugar onde finalmente tudo está resolvido. É perceber que a vida está acontecendo agora. É saber apreciar o que existe sem deixar de desejar aquilo que ainda pode vir. É olhar para trás com gratidão, para o presente com presença e para o futuro com curiosidade.

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E é justamente isso que quero compartilhar aqui.

Não tenho a pretensão de ensinar ninguém a ser feliz. Quero, antes, conversar sobre as muitas maneiras pelas quais podemos exercitar a felicidade no cotidiano.

Talvez seja uma reflexão que provoque uma pergunta. Uma exposição que desperte uma emoção. Um livro que permaneça na memória. Uma conversa que nos faça pensar. Um restaurante que mereça ser descoberto. Uma receita que reúna pessoas ao redor da mesa. Uma viagem que inspire novos caminhos. Uma história que nos faça rir, chorar ou simplesmente olhar para a nossa própria vida com outros olhos.

Porque talvez a felicidade não esteja apenas nas grandes coisas que esperamos conquistar.

Talvez ela esteja também naquilo que já está acontecendo enquanto esperamos.

Seja bem-vindo à Feliz Hoje.

Uma coluna sobre comportamento, cultura, arte, entretenimento, gastronomia, relações, experiências e, sobretudo, sobre essa aventura imperfeita, surpreendente e bonita que é viver.

Porque o futuro pode esperar um pouco.

A vida está acontecendo hoje.

Por Giorgia Barreto
Educadora, comunicadora, artista visual e terapeuta

Porque a felicidade não é algo que precisamos encontrar um dia, mas algo que podemos aprender a perceber, cultivar e experimentar enquanto a vida acontece.

 

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Feliz Hoje...

Quando acolher o que é abre caminho para o que pode ser

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Quando acolher o que é abre caminho para o que pode ser

Você já desejou profundamente que sua vida fosse diferente? Talvez exista um projeto que ainda não saiu do papel, um relacionamento que você gostaria que tivesse tomado outro rumo, um trabalho que já não faça sentido ou um sonho que continua guardado em algum lugar dentro de você. Talvez exista apenas aquela sensação incômoda de que a vida que você está vivendo hoje não corresponde àquilo que imaginou para si.

Quando percebemos essa distância entre o que somos e o que gostaríamos de ser, é comum surgir a frustração. Começamos a olhar para o presente como se ele fosse um erro e passamos a pensar no que deveria ter acontecido, no que não aconteceu, no que perdemos e no tempo que passou. Sem perceber, podemos transformar a própria vida em uma batalha permanente contra a realidade.

Mas talvez exista outro caminho: acolher o ponto em que estamos.

E, antes que você pense que estou falando em se conformar, deixe-me explicar.

Aceitar não é desistir

Existe uma diferença enorme entre aceitação e acomodação. Acomodar-se é abandonar a possibilidade de mudança porque acreditamos que não vale mais a pena tentar. Aceitar é reconhecer honestamente onde estamos, sem precisar fingir que tudo está bem, mas também sem transformar aquilo que não está bem em uma sentença definitiva.

É conseguir dizer: “É aqui que estou.”

Não para permanecer aqui para sempre, mas para descobrir, com mais clareza, para onde queremos ir.

É muito difícil transformar aquilo que não conseguimos enxergar. Às vezes, passamos tanto tempo negando o que sentimos que gastamos toda a nossa energia tentando sustentar uma realidade que já não existe.

A aceitação interrompe essa luta. Ela nos permite deixar de perguntar apenas por que a vida não está acontecendo como imaginamos e começar a perguntar:

“O que posso fazer a partir daqui?”

O presente não precisa ser perfeito para ser vivido

Talvez você esteja atravessando uma fase que não escolheu. Uma perda, uma mudança, uma dificuldade financeira, uma frustração profissional, o fim de um relacionamento ou uma espera que parece não ter fim.

Aceitar essa realidade não significa gostar dela. Também não significa considerar justo aquilo que aconteceu. Significa reconhecer que aconteceu.

E existe uma força enorme nesse reconhecimento.

Enquanto lutamos internamente contra aquilo que já está posto, ficamos presos ao passado. Quando aceitamos a realidade, começamos a recuperar energia para construir o próximo passo.

É como tentar nadar contra uma correnteza. Podemos passar horas usando toda a nossa força apenas para permanecer praticamente no mesmo lugar. Quando percebemos a direção da água, talvez possamos escolher outro movimento.

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A aceitação não muda necessariamente a correnteza.

Mas pode mudar a maneira como navegamos.

E os nossos sonhos?

Aceitar o presente não significa abandonar nossos sonhos. Muito pelo contrário. Às vezes, é justamente quando deixamos de lutar desesperadamente contra o presente que conseguimos olhar para o futuro com mais clareza.

Podemos continuar desejando, planejando, criando, estudando, tentando e recomeçando, mas sem transformar o sonho em uma exigência de que tudo aconteça exatamente como imaginamos.

A vida raramente segue nossos roteiros. E talvez isso não seja necessariamente ruim.

Existem caminhos que ainda não conhecemos, pessoas que ainda não encontramos e possibilidades que ainda não conseguimos imaginar. Nem tudo aquilo que desejamos acontecerá da maneira que esperamos, e aprender a lidar com isso também faz parte do amadurecimento.

Às vezes, a vida não entrega exatamente aquilo que pedimos, mas nos coloca diante de possibilidades que jamais teríamos considerado.

Quando a frustração toma conta

Frustração faz parte da vida. Todos nós já desejamos alguma coisa que não aconteceu. O problema começa quando uma frustração deixa de ser uma experiência e passa a definir nossa identidade.

“Eu fracassei.”

“Minha vida não deu certo.”

“É tarde demais.”

“Eu nunca vou conseguir.”

São pensamentos que podem aparecer quando estamos machucados, mas pensamentos não são necessariamente fatos.

Uma situação difícil não resume uma existência inteira. Um projeto que não deu certo não significa que você seja incapaz. Um relacionamento que terminou não significa que você não seja digno de amor. Uma oportunidade perdida não significa que todas as portas tenham se fechado.

Às vezes, precisamos apenas parar de transformar um capítulo difícil em uma história completa.

Aceitar também é acolher quem somos hoje

Existe uma cobrança silenciosa para que sejamos sempre melhores: mais produtivos, mais bonitos, mais bem-sucedidos, mais organizados, mais felizes. Como se a pessoa que somos hoje fosse apenas uma versão provisória que precisa ser rapidamente substituída por uma versão melhor.

Mas e se, por alguns instantes, pudéssemos olhar para nós mesmos com mais gentileza?

Você fez o melhor que conseguiu com os recursos que tinha naquele momento. Talvez hoje saiba coisas que não sabia antes. Talvez tenha amadurecido. Talvez tenha errado. Talvez ainda esteja tentando descobrir quem é.

Tudo isso faz parte.

Aceitar quem somos hoje não significa deixar de desejar crescimento. Significa não precisar odiar a pessoa que somos agora para nos tornarmos quem desejamos ser.

A mudança começa quando paramos de fugir de nós mesmos

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Talvez essa seja uma das grandes contradições da vida. Queremos mudar, mas muitas vezes não conseguimos aceitar o ponto de partida.

Queremos uma vida diferente, mas não queremos olhar para aquilo que precisa ser transformado. Queremos novos relacionamentos, mas não queremos reconhecer nossos padrões. Queremos novas oportunidades, mas não queremos admitir nossos medos. Queremos paz, mas continuamos alimentando conflitos internos.

A aceitação cria espaço.

Espaço para perceber, compreender, escolher e mudar.

E talvez seja por isso que ela seja tão poderosa. Não porque tenha o poder mágico de transformar imediatamente aquilo que desejamos, mas porque nos devolve algo fundamental: a possibilidade de agir conscientemente sobre a própria vida.

O que está sob seu controle?

Talvez você não possa mudar o passado. Não possa controlar o comportamento de outra pessoa, decidir quando uma oportunidade surgirá ou impedir todas as perdas. Também não pode garantir que seus planos acontecerão exatamente como imaginou.

Mas pode escolher algumas coisas.

Pode escolher como responder. Onde colocar sua energia. Quais relações deseja cultivar. Pode buscar ajuda, aprender, mudar de direção, começar novamente, cuidar de si e dar um pequeno passo.

Talvez seja disso que a transformação realmente precise.

Não de uma grande revolução de um dia para o outro, mas de pequenas escolhas conscientes repetidas ao longo do tempo.

Acolher o presente não significa dizer: “Minha vida será sempre assim.”

Significa dizer:

“Esta é a realidade que tenho diante de mim hoje. E, a partir dela, posso escolher o próximo passo.”

Talvez você ainda não esteja onde gostaria de estar. Tudo bem. Talvez o sonho ainda esteja distante. Tudo bem, também.

Você não precisa transformar a sua vida inteira hoje.

Comece olhando para ela com honestidade. Sem negar, sem romantizar e sem se punir. Reconheça o ponto em que está. Respire. Observe. E então pergunte a si mesmo:

“O que posso fazer, a partir daqui, para me aproximar da vida que desejo viver?”

Talvez a resposta não venha imediatamente. Talvez precise de tempo. Mas quando deixamos de gastar toda a nossa energia desejando estar em outro lugar, começamos finalmente a ter energia para caminhar.

E talvez esse seja o verdadeiro sentido da aceitação:

não desistir do que pode ser, mas fazer as pazes com aquilo que é.

Por Giorgia Barreto
Educadora, comunicadora, artista visual e terapeuta

Porque talvez acolher o presente não seja renunciar aos nossos sonhos, mas encontrar, dentro da realidade de hoje, o primeiro caminho possível para chegar até eles.

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