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Alerta falso expõe vulnerabilidade em sistema crítico

Mensagens falsas atribuídas à Defesa Civil foram disparadas em diferentes estados logo após o jogo do Brasil e durante a madrugada deste sábado. Para o especialista em cibersegurança Eduardo Nery, o episódio acende um alerta sobre a proteção de sistemas críticos e a confiança da população nos canais oficiais de emergência

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Alerta falso expõe vulnerabilidade em sistema crítico

Na noite de sexta-feira (19/06) e na madrugada deste sábado (20/06), brasileiros de pelo menos quatro estados relataram ter recebido em seus celulares um alerta sonoro semelhante ao da Defesa Civil. De acordo com o que foi divulgado, os primeiros disparos foram registrados em Curitiba por volta das 23h45 e, em seguida, em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. A Defesa Civil do Paraná negou ter emitido qualquer mensagem, afirmou não haver evento severo previsto e acionou a Defesa Civil Nacional e a Anatel para apurar a origem dos disparos.

No Rio de Janeiro, o conteúdo recebido pela população foi especialmente sensível: uma falsa mensagem alertando para "possibilidade de deslizamentos na região do RJ", exatamente o tipo de aviso capaz de provocar reação imediata em uma cidade com histórico real de tragédias ligadas a chuvas e deslizamentos. Mas o caso não foi isolado. Também circularam mensagens mencionando suposta "possibilidade de tornado na região de Belo Horizonte/MG" e outros alertas igualmente falsos. Os textos vinham recheados de frases sem sentido, campos corrompidos e expressões inusitadas, incluindo referências a "ataque alienígena". Outro elemento que chamou a atenção foi a repetição da palavra "misantropia" em diferentes mensagens, funcionando como uma espécie de assinatura deixada pelos responsáveis. O padrão de texto adulterado e de variáveis de modelo não preenchidas reforça a suspeita de manipulação do mecanismo de disparo ou dos próprios modelos utilizados para a geração dos alertas.

O horário não é detalhe menor. Os alertas começaram a circular logo após o jogo do Brasil pela Copa do Mundo e seguiram sendo registrados durante a madrugada de sábado, exatamente em um período de menor vigilância da população e de operação reduzida em muitas equipes de monitoramento e segurança.

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"Os primeiros relatos surgiram logo após uma partida da Seleção Brasileira, em uma noite de grande atenção pública. Independentemente da motivação, incidentes desse tipo costumam buscar momentos de alta dispersão da atenção coletiva. Não sabemos ainda o que ocorreu, mas o contexto chama atenção e merece investigação", afirma o especialista em cibersegurança, Eduardo Nery.

"Guardadas as proporções, foi um 7×1 digital: um sistema sensível, ligado à proteção da população, sendo usado para enviar uma mensagem que não deveria existir. Quando um canal oficial de alerta é comprometido, não está em jogo apenas a tecnologia, mas a confiança da população naquilo que deveria salvá-la", complementa.

A causa do incidente ainda está sob investigação e não há, até o momento, confirmação sobre como os disparos foram realizados. Mas Nery chama a atenção para um vetor que tem se tornado o preferido dos atacantes: o fator humano.

"Em boa parte dos incidentes recentes, o acesso indevido não acontece por uma falha sofisticada de software, e sim com credenciais válidas, obtidas por engenharia social ou negligência. Não sabemos se foi esse o caso aqui, e é importante deixar isso claro, mas é o cenário que mais cresce e o que as organizações públicas e privadas precisam tratar como prioridade".

"Não estamos falando de uma palavra solta numa tela. A mensagem que chegou aos celulares no Rio falava em deslizamento, numa cidade que conhece de perto o que é perder vidas para a chuva. Numa madrugada de fim de semana, logo após um evento de grande mobilização nacional, um falso aviso desses tem potencial real de gerar correria, pânico e acidentes", afirma Nery.

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"Os campos vinham com variáveis de modelo não preenchidas e texto sem sentido. Isso não é uma mensagem oficial com erro de digitação. É sinal de que o mecanismo de envio ou o template de alertas foi manipulado. A causa precisa ser confirmada pela investigação, mas o padrão é claro e preocupante", alerta Eduardo.

Segundo o especialista em cibersegurança, o episódio reforça três frentes que deveriam ser inegociáveis para órgãos públicos e operadores de infraestrutura crítica: governança de identidade e acesso, monitoramento ativo 24 horas por dia e adequação plena à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

"Não deixa de ser simbólico que a palavra deixada na mensagem fosse justamente ‘misantropia’, termo associado à aversão ao ser humano. Porque é isso que um ataque assim representa: sequestrar, por puro desprezo, um canal feito para proteger pessoas. Cibersegurança é o exato oposto disso. No fundo, é uma forma de cuidar de gente".

Sobre Eduardo Nery
Eduardo Nery é especialista em cibersegurança, governança, riscos e compliance (GRC), proteção de dados e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Atua há mais de uma década no desenvolvimento de projetos voltados à segurança da informação, privacidade e gestão de riscos em organizações públicas e privadas.

Sobre a Every Cybersecurity
A Every Cybersecurity é uma empresa brasileira especializada em adequação à LGPD, governança, risco e compliance (GRC) e cibersegurança, com sede em Brasília e escritório no Rio de Janeiro.

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Messi, Vozinha e Mbappé dominam redes na 1ª semana de Copa

Estudo da Content CO identifica os momentos de maior mobilização digital na primeira rodada. A Seleção Brasileira gerou apenas o nono maior pico de menções do torneio, enquanto a Argentina lidera as conversas globais.

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Messi, Vozinha e Mbappé dominam redes na 1ª semana de Copa

A primeira rodada da Copa do Mundo de 2026 mostrou que, nas redes sociais, a bola nem sempre rola na direção dos favoritos. Os cinco maiores picos de menções do torneio foram impulsionados pela partida de abertura entre México e África do Sul, o hat-trick de Messi contra a Argélia, as defesas do goleiro cabo-verdiano Vozinha diante da Espanha, os gols de Mbappé contra Senegal e o duelo entre Japão e Holanda. A estreia da Seleção Brasileira contra Marrocos ficou apenas na nona colocação.

Os dados são de um levantamento da Content CO, agência de estratégia de conteúdo com sede nos Estados Unidos e no Brasil, sobre as conversas em torno da primeira rodada da Copa e revelam uma mudança na geografia da atenção. "A Copa do Mundo continua sendo um palco para os maiores jogadores do planeta, mas a conversa global está cada vez mais sendo moldada por histórias inesperadas. Comunidades engajadas podem transformar um jogador desconhecido em um fenômeno global em questão de horas", avalia o CEO e cofundador da Content CO, Leonardo Stamillo.

O Brasil continua sendo uma potência quando o assunto é engajamento: os brasileiros foram responsáveis por 7,5% das menções ao torneio, atrás apenas dos EUA. Ainda assim, a Seleção aparece na quinta posição entre as equipes mais mencionadas, com 574 mil citações, distante da líder Argentina. A estreia brasileira, no entanto, gerou mais frustração do que euforia: a Seleção registrou a quarta maior proporção de menções negativas entre todas as equipes.

A estreia foi apenas o 9º pico de conversas

O Brasil estreou na Copa do Mundo com um desempenho aquém do esperado. Os trinta minutos iniciais foram desesperadores para a torcida, mas nem a angústia em campo foi suficiente para impulsionar conversas. A partida gerou apenas o 9º maior pico de menções da competição.

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Os dez maiores picos da primeira rodada:

  1. Abertura da Copa: México x África do Sul (pico de 403 mil menções/hora)
  2. Argentina x Algeria (367 mil)
  3. Espanha x Cabo Verde (310 mil)
  4. França x Senegal (304 mil)
  5. Japão x Holanda (293 mil)
  6. Portugal x Congo (291 mil)
  7. EUA x Paraguai (273 mil)
  8. Alemanha x Curaçao (251 mil)
  9. Brasil x Marrocos (247 mil)
  10. Inglaterra x Croácia (234 mil)

Brasil é o 2º país que mais fala sobre a Copa, mas o mundo fala menos do Brasil

O Brasil é o segundo país que mais gerou conversas sobre a Copa do Mundo, com 7,5% do total global, atrás apenas dos EUA (17,6%). O engajamento mostra que o torcedor brasileiro não perdeu o amor pelo futebol, mas, quando a bola rolou, o resto do mundo perdeu um pouco do encantamento com a Seleção. "Até o início da Copa, o Brasil liderava com folga o ranking das seleções mais faladas nas redes sociais. Isso mudou drasticamente quando os times entraram em campo. A performance dos brasileiros deixou muita gente decepcionada, e isso teve reflexo no volume de conversas", diz Leandro Mota, Chief Content Officer e cofundador da Content CO.

O jogador brasileiro mais mencionado não entrou em campo

Neymar terminou a primeira rodada da Copa como o jogador brasileiro mais mencionado, sem ter disputado um único minuto. "Esse dado é revelador de como se consome a Copa do Mundo mais digital de todos os tempos: a segunda tela é tão relevante quanto a transmissão", avalia Marcos Peres, presidente da Divisão de Esportes da Content CO. "Neymar pode não jogar, mas é top of mind no imaginário do fã de futebol."

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Os dez jogadores mais mencionados:

  1. Messi: 1,410,002 menções
  2. CR7: 614,679
  3. Mbappé: 395,559
  4. Haaland: 186,354
  5. Vozinha: 173,205
  6. Neymar: 131,601
  7. Lamine Yamal: 118,883
  8. Vinicius Júnior: 118,344
  9. Cucurella: 73,076
  10. Harry Kane: 72,213

Vozinha teve mais menções do que brasileiros

Vozinha caiu nas graças da torcida. Com mais menções do que qualquer jogador brasileiro, o goleiro de Cabo Verde carrega uma ligação afetiva com o Brasil: se chama Josimar em homenagem ao lateral da Seleção na Copa de 86, gosta de novelas e é fã declarado de Ivete Sangalo. A transmissão da CazéTV no Youtube fez campanha para aumentar o número de seguidores de Vozinha no Instagram: o goleiro saiu de quase 50 mil para quase 14 milhões de seguidores em 48 horas.

Argentina teve quase o dobro de menções do Japão

Entre todas as seleções da Copa, a Argentina domina as conversas com quase o dobro de menções do segundo colocado, o Japão. O Brasil aparece apenas em 5º, uma posição que, para o país mais associado ao futebol no imaginário global, soa como um alerta. A Seleção, que historicamente é referência mundial ao se falar sobre futebol, perdeu, ao menos por ora, a centralidade da conversa.

Sobre a Content CO

A Content CO é uma agência que desenvolve estratégias de conteúdo com mentalidade de produto, combinando dados, criatividade e storytelling para ajudar clientes a construir conexões mais sólidas, expandir suas audiências e descobrir novas oportunidades de negócio. Entre seus clientes estão Major League Soccer (MLS), Liga MX, Amazon Web Services (AWS), EBANX e Unico Skill.

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