BRASÍLIA

Notícias Corporativas

Alta do INCC acende alerta para cobrança abusiva em imóveis

Em junho de 2026, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) subiu 0,85%, elevando a alta acumulada no ano para 4,05% e 6,71% nos últimos 12 meses, segundo a Fundação Getúlio Vargas. O reajuste impacta o saldo devedor de compradores de imóveis na planta, podendo acrescentar até R$ 17 mil em contratos de R$ 2 milhões. Especialistas alertam que a correção mensal é vedada em contratos com prazo inferior a 36 meses, conforme a Lei 10.931/

Publicado em

Alta do INCC acende alerta para cobrança abusiva em imóveis

A nova alta do INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção), divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), reacendeu um alerta importante para quem comprou imóvel na planta. Em junho de 2026, o índice registrou avanço de 0,85%, acima dos 0,77% apurados em maio. Com isso, o indicador acumula alta de 4,05% no ano e 6,71% nos últimos 12 meses. Na prática, a variação impacta diretamente o saldo devedor de milhares de compradores em todo o país, especialmente daqueles que adquiriram imóveis ainda em fase de construção.

Segundo simulação, a alta de 0,85% em junho representa um aumento imediato de aproximadamente:

  • R$ 4.250 em um saldo devedor de R$ 500 mil
  • R$ 8.500 em um saldo devedor de R$ 1 milhão
  • R$ 17 mil em um saldo devedor de R$ 2 milhões

Embora a correção pelo INCC seja prática comum no mercado imobiliário durante a fase de obras, nem toda cobrança mensal é necessariamente legal.

De acordo com o especialista em Direito Imobiliário, Daniel Vicentini, o principal ponto de atenção está no prazo contratual de quitação. “Existe uma regra clara na Lei 10.931/04: contratos com prazo inferior a 36 meses não podem sofrer correção monetária mensal. Nesses casos, a atualização deve ocorrer apenas anualmente, na data de aniversário do contrato”, explica.

Leia Também:  CFM define regras para IA e garante autonomia do médico

Segundo o especialista, muitos compradores desconhecem essa regra e acabam arcando com reajustes que podem inflar significativamente o custo total do imóvel. “Em contratos quitados em menos de três anos, a cobrança mensal pode representar um sobrepreço de até 8% do valor total do contrato. Dependendo do imóvel, isso significa dezenas ou até centenas de milhares de reais pagos indevidamente”, alerta Daniel Vicentini.

O especialista destaca que uma prática recorrente das incorporadoras é simular prazos de pagamento superiores a 36 meses para viabilizar a correção mensal. “Muitas empresas incluem parcelas fictícias de valor irrisório após a entrega das chaves apenas para criar artificialmente um prazo contratual superior a 36 meses. Na prática, o comprador quita, ou financia, todo o imóvel antes disso, mas acaba submetido à cobrança mensal do INCC”, afirma.

Segundo Daniel Vicentini, essa prática já é conhecida no setor há mais de duas décadas e pode ter afetado uma parcela relevante dos imóveis novos entregues nos últimos anos. “A estimativa é de que até 40% dos imóveis novos entregues nos últimos cinco anos possam ter sido impactados por esse tipo de cobrança indevida”, aponta.

Leia Também:  Incêndios estruturais quadruplicam em três anos

No Judiciário, o entendimento vem se consolidando em favor dos consumidores. Em casos de simulação contratual, tribunais têm reconhecido a nulidade da correção mensal e determinado a devolução dos valores cobrados indevidamente, inclusive em dobro, quando comprovada má-fé.

Por isso, o especialista recomenda atenção redobrada a quem adquiriu imóvel na planta recentemente. “Quem comprou um imóvel na planta, e recebeu as chaves nos últimos cinco anos, deve revisar cuidadosamente o contrato. Em muitos casos, uma análise jurídica pode identificar cobranças abusivas e abrir caminho para recuperação de valores pagos indevidamente”, conclui Daniel Vicentini.

Advertisement

Notícias Corporativas

Vendas na era da IA: por que o humano ainda decide tudo

Pesquisa da Gartner com 645 compradores B2B revela que 69% preferem validar com um vendedor humano as informações geradas por IA. Com a automação virando padrão nas equipes comerciais, a escuta e o diagnóstico consultivo ganham peso na decisão. Para Diego Dalcolli, autor de “O Desafiador das Vendas”, a IA é copiloto, não piloto automático: deve ampliar a escuta, não substituí-la.

Published

on

By

Vendas na era da IA: por que o humano ainda decide tudo

A consultoria Gartner divulgou, em maio de 2026, os resultados de um levantamento realizado entre agosto e setembro de 2025 com 645 compradores B2B. O estudo buscou entender como a inteligência artificial (IA) influencia a tomada de decisão de compra e qual o papel ainda atribuído ao vendedor humano.

A pesquisa indica que 69% dos entrevistados preferem validar as informações geradas por IA com um vendedor antes de concluir a aquisição, evidenciando a manutenção do profissional de vendas como fonte de confiança em etapas críticas da negociação.

Ao mesmo tempo, 67% dos compradores afirmam preferir uma experiência de compra sem a presença de um representante, e 70% declaram preferência por processos totalmente digitais e de autoatendimento. Apesar dessa tendência, 45% relataram ter utilizado IA generativa para reunir informações sobre fornecedores e produtos, consultando em média sete fontes distintas ao longo do processo.

Os dados também revelam percepções de risco: 51% dos participantes consideram mais provável encontrar informações enganosas em conteúdos gerados por IA, enquanto 49% apontam o mesmo risco em interações com vendedores.

Segundo a Gartner, esses resultados sugerem uma mudança na função do vendedor, que passa de principal fonte de informação para agente de validação e de construção de confiança.

O uso de IA nas rotinas comerciais tem se expandido. Dados de mercado de 2025 mostram que 56% dos profissionais de vendas utilizam IA diariamente, grupo que tem o dobro de probabilidade de superar metas em comparação com quem não adota a tecnologia. A adoção de soluções de IA ativa cresceu de 24% em 2023 para 43% em 2025, e 81% das equipes comerciais já experimentam ou implementaram algum tipo de ferramenta de IA.

Leia Também:  Drones reforçam combate à dengue em Rondônia

Entre as aplicações mais difundidas estão as plataformas de inteligência de conversas, que transcrevem reuniões em tempo real, resumem pontos principais, registram tarefas no CRM e verificam a aderência ao roteiro comercial (playbook). O objetivo dessas ferramentas é reduzir o tempo dedicado a tarefas administrativas e permitir que o vendedor se concentre em atividades estratégicas.

Especialistas alertam, porém, que a padronização excessiva pode limitar a atenção do vendedor ao contexto apresentado pelo cliente. "A inteligência artificial foi criada para tornar o vendedor mais preparado e estratégico. O risco aparece quando o profissional segue o roteiro de forma rígida e ignora informações que o próprio cliente oferece sobre o contexto, os critérios de decisão e os agentes que influenciam a compra", afirma Diego Dalcolli, especialista em vendas B2B e autor de "O Desafiador das Vendas".

Análises de mais de 100 mil chamadas de vendas revelam que os profissionais de melhor desempenho falam, em média, 46% do tempo, permitindo que o cliente conduza a maior parte da conversa. A média geral do mercado é de 60% de tempo de fala do vendedor, chegando a 72% entre os de menor desempenho. Negociações bem‑sucedidas concentram entre 15 e 16 perguntas por reunião, número inferior ao registrado em negociações perdidas, que chegam a cerca de 20 perguntas, indicando que a qualidade da escuta tem maior peso que o volume de questionamentos.

Leia Também:  Empresa de SC desenvolve tecnologia para impulsionar vendas

"A tecnologia funciona como um copiloto, não como um piloto automático. O diferencial do vendedor está justamente naquilo que a máquina não faz: escutar em profundidade, interpretar o que não é dito e conduzir um diagnóstico", explica Dalcolli. "O erro comum é medir apenas se o roteiro foi cumprido, e não se o cliente foi, de fato, compreendido."

O especialista acrescenta que o tempo economizado com a automação de tarefas operacionais deve ser redirecionado para atividades de maior valor, como o mapeamento dos agentes de decisão dentro da empresa cliente, a compreensão dos critérios que orientam a compra e a construção de relações de confiança.

Em um cenário em que os compradores chegam às negociações mais informados e com acesso a múltiplas fontes digitais, a tendência apontada pelos pesquisadores é que o vendedor seja demandado principalmente nos pontos em que agrega valor único, atuando como referência para confirmar e interpretar as informações obtidas em canais digitais.

Continue Reading

politica

DISTRITO FEDERAL

BRASIL E MUNDO

ECONOMIA

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA

Botão WhatsApp - Canal TI
Botão WhatsApp - Canal TI