BRASÍLIA

Notícias Corporativas

NR-1 redefine o Setembro Amarelo dentro das empresas

A campanha de prevenção ao suicídio chega com a gestão de fatores de risco psicossociais, enquanto o país soma 546.254 afastamentos por transtornos mentais em 2025. Vanessa Custodio, doutora em Gestão Humana e Social, explica o que separa o clima organizacional de diagnóstico de risco.

Publicado em

NR-1 redefine o Setembro Amarelo dentro das empresas

O Setembro Amarelo de 2026 acontece em um cenário distinto para as empresas brasileiras. Desde 26 de maio deste ano, identificar, avaliar e controlar os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho integram formalmente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) previsto na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A nova redação do capítulo 1.5 foi aprovada pela Portaria MTE nº 1.419, de 27 de agosto de 2024, e teve o início de vigência ajustado pela Portaria MTE nº 765, de 15 de maio de 2025. Sobrecarga, assédio, metas inalcançáveis e jornadas exaustivas saíram do território dos programas voluntários de bem-estar e entraram no inventário de riscos da organização.

A dimensão do adoecimento explica o movimento regulatório. Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária associados a transtornos mentais e comportamentais, alta de 15,66% sobre os 472.328 registros do ano anterior. Transtornos ansiosos e episódios depressivos concentraram a maior parte das concessões, e as mulheres responderam por 63,46% do total.

Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano em razão de depressão e ansiedade, com custo aproximado de US$ 1 trilhão em produtividade.

O calendário jurídico atravessa a campanha deste ano. Em 25 de junho de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu por 90 dias a aplicação de multas e demais sanções administrativas vinculadas a dispositivos do capítulo 1.5 da norma, ao apreciar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1316, e encaminhou o caso ao Núcleo de Solução Consensual de Conflitos. O Plenário referendou a medida por unanimidade em sessão virtual encerrada em 18 de agosto. A suspensão atinge a penalidade, não a exigência: o dever de gerenciar os riscos psicossociais segue vigente, e o prazo de 90 dias se esgota dentro de setembro.

Leia Também:  “B-Logic” estreia-se na Kingpins Amsterdam

Clima organizacional e risco psicossocial não medem a mesma coisa

Um equívoco recorrente compromete o processo antes mesmo do diagnóstico. Pesquisa de clima mensura satisfação, engajamento e percepção sobre a empresa. Já a avaliação de risco psicossocial investiga fatores da organização do trabalho capazes de produzir adoecimento, entre eles excesso de demanda, ausência de autonomia, insegurança no vínculo e assédio, com instrumento validado cientificamente, método documentado e resultado quantificado por fator.

De acordo com Vanessa Custodio, doutora em Gestão Humana e Social pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, o levantamento anual de clima não cumpre esse papel, e a organização que confia apenas nele permanece descoberta diante da norma.

"Cada afastamento por transtorno mental é uma pessoa, uma equipe, uma decisão que chegou tarde demais. A NR-1 pode ser um documento na gaveta ou pode ser uma oportunidade de encarar isso de frente", registra a consultora em manifesto publicado em seu site.

Quatro etapas para sair do evento pontual

O percurso descrito pela especialista, viável também para pequenas e médias empresas, começa pela escuta estruturada dos trabalhadores, com entrevistas, grupos focais e questionário. A segunda etapa consolida os achados em diagnóstico apoiado em instrumento validado. A terceira acopla o plano de ação ao GRO e ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), sem criar documento paralelo. A quarta institui um comitê ou grupo responsável por acompanhar a execução ao longo do ano, com encontros periódicos e registro das decisões.

Leia Também:  O que mudou na primeira habilitação das categorias A e B?

O desenho dialoga com a arquitetura da própria norma. O GRO configura processo contínuo e sistemático de identificação de perigos, avaliação e controle dos riscos, formalizado no PGR e composto, no mínimo, pelo inventário de riscos ocupacionais e pelo plano de ação.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mantém instrumentos de orientação sobre o assunto, entre eles o guia sobre fatores de riscos psicossociais, de 2025, e o manual de interpretação do capítulo 1.5, de 2026. "O tratamento diferenciado concedido ao microempreendedor individual e às empresas de menor porte alcança a elaboração do documento, e não o dever de gerenciar riscos, que permanece para toda organização com empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)", observa Custodio.

Para a doutora em Gestão Humana e Social, a distância entre informação e decisão define o resultado da campanha. "Minha atuação começa onde a informação precisa se transformar em compreensão, decisão e prática", afirma.

A leitura ajuda a entender por que palestra, laço no crachá e publicação em rede social não sustentam conformidade: nenhum desses recursos gera inventário, plano de ação ou evidência de acompanhamento.

Setembro concentra atenção sobre saúde mental porque a campanha nacional de prevenção ao suicídio ocupa o calendário, e agora divide espaço com uma obrigação trabalhista em consolidação. A distinção entre as duas leituras aparece em outubro, quando o comitê segue reunido ou o tema volta a hibernar até o próximo ano.

Para mais informações, basta acessar: https://www.vanessacustodio.com.br

Advertisement

Notícias Corporativas

Aprender Conectado supera marca de 30 mil escolas

Programa Aprender Conectado já beneficia mais de 3,5 milhões de estudantes em mais de 3.300 municípios. A meta foi ampliada de 40 mil para 46 mil escolas conectadas

Published

on

By

Aprender Conectado supera marca de 30 mil escolas

O Aprender Conectado alcançou, nesta segunda-feira (14), a marca de 30 mil escolas públicas com internet de alta velocidade. A iniciativa já beneficia mais de 3,5 milhões de estudantes em mais de 3.300 municípios, com prioridade para unidades rurais, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e localizadas em áreas urbanas socialmente vulneráveis. Com a expansão da operação, a meta inicial, estimada em cerca de 40 mil escolas, foi ampliada para mais de 46 mil unidades.

"Chegar às 30 mil escolas demonstra que conseguimos estruturar uma operação nacional capaz de alcançar escolas que enfrentam algumas das maiores barreiras de infraestrutura do país. É um marco importante, mas ainda temos uma trajetória significativa pela frente", afirma Flávio Santos, diretor-geral da Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (Eace), responsável pela execução do programa.

O marco ganha relevância diante dos desafios de levar internet de qualidade a escolas localizadas em áreas remotas ou com pouca infraestrutura de telecomunicações. Atualmente, o projeto conecta, em média, 108 escolas por dia, ampliando o atendimento a localidades onde a distância, as dificuldades de acesso e as condições do território exigem soluções específicas de tecnologia e logística.

Leia Também:  “B-Logic” estreia-se na Kingpins Amsterdam

Soluções para diferentes realidades

A tecnologia utilizada é definida de acordo com as condições de infraestrutura e acesso de cada escola. A fibra óptica responde por 72% das conexões e é adotada sempre que há viabilidade técnica. O rádio atende 6,1% das escolas, enquanto o satélite está presente em 21,2% das unidades. As demais 0,7% contam com soluções híbridas — que combinam fibra e rádio — ou com a tecnologia FWA.

Em 1.580 escolas, também foi necessária a instalação de sistemas de geração de energia solar para viabilizar o funcionamento dos equipamentos. Além de garantir energia para a infraestrutura de conectividade, os sistemas fornecem iluminação e pontos de energia para uso na rotina escolar.

Monitoramento contínuo

Depois da instalação, as conexões são acompanhadas pela Eace. Os sistemas realizam medições várias vezes ao dia para verificar indicadores como velocidade, disponibilidade e eventuais interrupções do serviço.

Quando uma ocorrência é identificada, a Eace aciona o fornecedor responsável para realizar o atendimento e restabelecer o serviço. O monitoramento permite detectar problemas com agilidade e atuar para manter a qualidade da internet disponibilizada às escolas.

Leia Também:  Franquia sem royalties cresce no Brasil apostando no simples

Impacto dentro das escolas

Mais do que ampliar o acesso à internet, a conectividade abre novas possibilidades para o ensino, a aprendizagem e a gestão escolar. Com o serviço em funcionamento, professores e estudantes passam a contar com mais recursos para atividades pedagógicas, acesso a conteúdos digitais e utilização de ferramentas que dependem de uma conexão estável.

Continue Reading

politica

DISTRITO FEDERAL

BRASIL E MUNDO

ECONOMIA

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA

Botão WhatsApp - Canal TI
Botão WhatsApp - Canal TI