TECNOLOGIA
Brasileiros bolsistas do IPCC relatam impactos na pesquisa e na carreira
Publicado em
26 de março de 2025por
infocoweb
As inscrições para a 8a edição do programa de bolsas para alunos de doutorado e pós-doutorado do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) estão abertas até 13 de abril. São incentivadas propostas de pesquisa com foco em mudanças climáticas e questões relacionadas, assim como outros tópicos: solos vivos, biodiversidade, viticultura regenerativa, agrofloresta, gestão de água, sistemas de conhecimento indígena e ciclo de carbono terrestre.
“Incentivamos os alunos de doutorado e de pós-doutorado em áreas relacionadas à mudança do clima a se inscreverem no programa de bolsas de estudo do IPCC. É uma excelente oportunidade para o candidato aprofundar seus conhecimentos na temática de riscos da mudança do clima, impactos e opções de mitigação e adaptação”, afirma o coordenador de Mudanças Ambientais Globais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Antonio Marcos Mendonça.
As candidaturas deverão ser apresentadas pelos interessados exclusivamente e diretamente por meio do portal do órgão científico da ONU para o programa de bolsas (https://apps.ipcc.ch/scholarship/). As submissões que não contemplarem todos os documentos solicitados não serão consideradas.
De acordo com comunicado do IPCC, os candidatos devem ser cidadãos de países em desenvolvimento. Estudantes de países menos desenvolvidos e pequenos estados insulares em desenvolvimento que não estudam em seu país de origem serão priorizados. O comunicado indica ainda que cada bolsa tem valor máximo de 15 mil Euros por ano (cerca de R$ 92 mil) e pode ter duração de até dois anos, com vigência entre 2025 e 2027. O material não informa a quantidade de bolsas disponíveis.
Para enviar a candidatura, é necessário efetuar cadastro no portal do programa de bolsas, preencher o formulário, anexar documentos de identificação, uma proposta de pesquisa (5 a 15 páginas), previsão de orçamento, comprovante de ao menos um ano em estudos de doutorado ou início dos trabalhos de pesquisa em pós-doutorado. Também são solicitadas cartas de recomendação da instituição anfitriã e de apoio do ponto focal do IPCC, organização observadora acreditada ou membro do IPCC Bureau. No Brasil, o ponto focal do IPCC é o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
O programa de bolsas do IPCC foi estabelecido em 2007, a partir dos recursos recebidos com o Prêmio Nobel da Paz, e conta com apoio de recursos de fundações parceiras.
Participação de brasileiros
As três últimas edições do programa de bolsas contaram com participação de pesquisadores brasileiros. O engenheiro de materiais Ricardo Amaral foi selecionado na sétima edição e segue cursando doutorado no Departamento de Energia e Engenharia Mineral da Universidade do Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. O agrônomo Rogério de Souza Nóia Júnior foi agraciado com bolsa em 2021, tendo concluído o doutorado com distinção acadêmica (summa cum laude) na Universidade Técnica de Munique, na Alemanha. O engenheiro florestal Igor Oliveira Ribeiro foi pioneiro entre os brasileiros selecionados para participar do programa de bolsas do IPCC, tendo recebido apoio na 5ª edição, em 2019, para realizar pesquisa de pós-doutorado.
“Trouxemos evidências muito fortes sobre impactos das queimadas”
O projeto de Igor Ribeiro, financiado pela Fundação Cuomo, abordou como as alterações de uso do solo provocadas pelas queimadas poderiam impactar a química da atmosfera. “Trabalhamos com algo que estava muito em evidência, que eram as queimadas na Amazônia”, explica Ribeiro sobre o trabalho desenvolvido na Universidade Estado do Amazonas (UEA). Ele também analisou, por meio de aplicação de modelagem e análises químicas, como a poluição do ar afeta a saúde. “Quando a gente fala de queimadas na Amazônia, as pessoas logo pensam em perda de floresta e em animais morrendo. Poucas pessoas lembram do grande efeito que é a poluição do ar. Trouxemos evidências muito fortes sobre os impactos disso na poluição do ar”, detalha. Segundo Ribeiro, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem impactos significativos em investimentos durante o período de queimadas na Amazônia.
O maior impacto do trabalho científico na sociedade foi, a partir dos resultados da pesquisa, a criação do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). A plataforma monitora a qualidade do ar na região e é utilizada pela Defesa Civil do Amazonas como um dos sistemas de informações para emitir alertas. “Foi fundamental para popularizar aquela problemática que estávamos estudando”, afirma. O trabalho também apoiou a instalação de sensores de baixo custo.
Ribeiro incentiva jovens pesquisadores brasileiros a se candidatarem ao programa de bolsas do IPCC. “A agenda climática é muito ampla e é influenciada por vários fatores. Participar do programa do IPCC scholarship é uma oportunidade para ter contato com as agendas, entender como funciona o IPCC”, relata. Ele defende que o Brasil tem papel central na agenda climática e muito potencial para desenvolver tecnologias, por isso a importância de participação de cientistas. “Para mim, o papel do cientista brasileiro é estar envolvido nisso. Acho que essa é uma obrigação e não só, talvez, uma escolha, fazermos os esforços para trazermos ganhos científicos na fronteira do conhecimento para podermos evoluir. O IPPC scholarship é um dos caminhos e muito interessante”, avalia.
Soluções locais e globais para desafios climáticos
O projeto do engenheiro de materiais Ricardo Amaral, também financiado pela Fundação Cuomo, envolve o desenvolvimento de novas baterias com maior densidade energética e menor impacto ambiental, visando aumentar a segurança energética e favorecer a adoção de energias renováveis em larga escala. Segundo Amaral, a realização deste desenvolvimento envolve diversos desafios, principalmente várias etapas e agentes que o pesquisador deve conseguir acessar. “Ser bolsista do IPCC me conectou com importantes tomadores de decisão globais e me oferece um suporte que é muito difícil de se encontrar apenas no ambiente acadêmico, abrindo novas perspectivas para o avanço da minha pesquisa e carreira na área de energia”, avalia.
Para Amaral, a bolsa abriu uma oportunidade única de ampliar o impacto da pesquisa em transição energética ao proporcionar acesso a redes de conhecimento e recursos “que seriam difíceis de obter de outra forma”. Além disso, ele destaca a visibilidade internacional do seu trabalho. “Tenho experimentado um ambiente de colaboração internacional que ampliou significativamente minha visão sobre os desafios climáticos e o papel individual e coletivo que possuímos”, explica.
Aos interessados em apresentar candidaturas, Amaral destaca que o programa de bolsas “é amplo e busca tanto soluções locais quanto globais que impactam positivamente o clima”. Por isso, ele recomenda que entender o contexto do pesquisador e a sua avaliação do problema é tão importante quanto os métodos propostos. “Recomendo aos candidatos que demonstrem claramente como seu projeto se alinha às prioridades do IPCC e como aborda desafios climáticos específicos”, explica. Ele enfatiza que as candidaturas devem demonstrar de forma prática como o programa de bolsa irá viabilizar e alavancar o projeto proposto. “Em resumo, um bom projeto deve ser capaz de demonstrar impacto, qualificação técnica e um plano de trabalho bem estruturado e com objetivos claros, que vão além da universidade”, detalha.
Amaral destaca ainda que o Brasil tem a grande oportunidade de desenvolver a sua economia de modo sustentável e atuar como referência para o restante do mundo. “Esse processo passa pela formação de uma nova geração de brasileiros que valorizem a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico, e colaborem para a construção de um futuro sustentável. É nosso papel desenvolver o nosso país e compartilhar o que temos de melhor com o restante do mundo”, finaliza.
TECNOLOGIA
Mais Ciência na Escola em Pernambuco ganha reforço e dobra número de escolas atendidas
Published
2 dias atráson
1 de maio de 2026By
infocoweb
O programa Mais Ciência na Escola em Pernambuco vai receber um reforço financeiro de R$ 7,5 milhões para ampliar as atividades. Com o recurso, o alcance dobra: mais 75 escolas serão atendidas e 750 estudantes impactados, em 23 municípios. Agora, com o investimento total de R$ 15 milhões, o programa vai envolver 150 escolas e 1,5 mil alunos. Nesta nova etapa no estado, a iniciativa é desenvolvida em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) e faz parte da Rede Mais Ciência na Escola — UPE na Escola, as Mãos na Ciência.
“Quando esse projeto chega às escolas, ele não leva apenas equipamentos, mas possibilidades: a chance de uma menina se enxergar como cientista e a oportunidade de um jovem descobrir que pode transformar a sua realidade por meio do conhecimento. Com o programa, os estudantes passam a entender que o conhecimento também pertence a ele”, disse a titular do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, durante a cerimônia de lançamento da nova etapa do programa em Pernambuco, nesta quinta-feira (30).
Para a coordenadora da rede, Luciana Coutinho, quando a ciência, a tecnologia e a criatividade encontram a educação pública, a escola passa a fazer mais sentido. “Hoje não é apenas o lançamento de um projeto, mas o encontro entre a escola e o mundo. Entre o que somos hoje e o que podemos nos tornar. Quando falamos das escolas que fazem parte dessa iniciativa, não estamos falando de números, mas de pessoas, de histórias, de territórios”, afirmou.
O programa agora chegará aos municípios Buenos Aires, Carpina, Nazaré da Mata, Paudalho, Recife, Paulista, Camaragibe, Águas Belas, Canhotinho, Inajá, Lajedo, Garanhuns, Altinho, Arcoverde, Bonito, Capoeiras, Chã de Alegria, Gameleira, Ibimirim, Moreno, Pesqueira, Poção e Sanharó.
Segundo a ministra, o programa é uma escolha política, uma prioridade e um compromisso com o País. “A ciência não é feita por máquinas, mas por gente. Ela é feita por estudantes curiosos e professores comprometidos, por comunidades que resistem e reinventam suas formas de existir. Quando a ciência dialoga com a realidade local, ela deixa de ser abstrata e passa a ser ferramenta de transformação social. A ciência precisa estar onde o povo está”, afirmou a ministra.
Em 2025, o MCTI já havia lançado a primeira etapa do programa no Sertão, em parceria com o Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE). No primeiro momento, foram 75 escolas atendidas e 750 alunos beneficiados com o programa em quatro regiões de desenvolvimento do estado.
A coordenadora regional da iniciativa e professora de química da UPE, Lidiane Lima, comemora a nova etapa. “O projeto vai não somente impactar a vida desses estudantes, como vai movimentar todo o ecossistema de Pernambuco, trazendo mais ciência, tecnologia e inovação”, disse.
Lançado em 2024, o programa tem o objetivo de promover o letramento digital e a educação científica com a implementação de laboratórios Mão na Massa, espaços montados dentro das escolas públicas em que os estudantes colocam em prática ideias e criações inovadoras. A iniciativa ainda oferece formação de professores e bolsas para educadores e alunos.

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