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Distribuidores de insumos ampliam atuação estratégica no financiamento agrícola por meio do mercado de capitais

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Distribuidores como elo entre produtores e crédito rural

Em um contexto em que a sustentabilidade financeira do agronegócio depende, cada vez mais, do acesso a recursos do mercado de capitais, os distribuidores de insumos agrícolas têm se consolidado como protagonistas na mediação entre pequenos e médios produtores e as soluções de crédito necessárias para viabilizar as safras.

Essa intermediação tem impulsionado a criação de produtos financeiros mais adequados à realidade do campo e contribuído para a adoção de práticas que oferecem segurança e previsibilidade para toda a cadeia produtiva, como explica Moacir Teixeira, sócio-fundador e diretor comercial da Ecoagro.

Desafios do crédito diante de juros elevados e adversidades climáticas

A elevação da taxa Selic e o consequente encarecimento do crédito colocaram os distribuidores diante de um cenário desafiador. As safras de 2023 e 2024 foram marcadas por fatores adversos, como eventos climáticos extremos, oscilações nos preços das commodities e aumento expressivo nos custos dos insumos, exigindo uma gestão de riscos mais eficiente e estruturada.

Gestão de risco e análise de crédito como ferramentas essenciais

Para mitigar os riscos associados ao financiamento da produção agrícola, a análise detalhada da capacidade de pagamento dos produtores passou a ser indispensável. Estratégias como diversificação da carteira de clientes e a adaptação das condições de crédito ao ciclo produtivo se tornaram fundamentais.

Paralelamente, o fortalecimento do capital de giro e as parcerias estratégicas com instituições financeiras surgem como instrumentos importantes para a sustentabilidade das operações em períodos de maior incerteza.

Perspectivas para 2025 e o papel do planejamento financeiro

As projeções para 2025 apontam para um ambiente ainda desafiador, com taxas de juros elevadas e restrições no crédito. Nesse cenário, destaca-se a importância de um fluxo de caixa estruturado, planejamento de longo prazo e investimentos em inovação tecnológica — com foco na automação de processos e na melhoria da gestão de riscos.

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Adotar boas práticas de governança corporativa e transparência nas operações também se mostra uma estratégia eficaz para atrair investidores e garantir acesso contínuo ao crédito, mesmo em um contexto de instabilidade.

Integração com o mercado de capitais e inovação nos produtos financeiros

A aproximação entre distribuidores e o mercado de capitais tem transformado a forma como o setor financia suas operações. Essa integração permite o desenvolvimento de produtos financeiros sob medida, compatíveis com o calendário agrícola e com maior capacidade de adaptação à realidade do produtor.

Por meio de processos gerenciais bem definidos e demonstrações financeiras transparentes, os distribuidores conquistam credibilidade e ampliam o acesso a instrumentos como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e Fundos de Investimento do Agronegócio (FIAGRO), em parceria com fintechs, securitizadoras e gestoras de recursos.

Impactos da reforma tributária no setor

A iminente reforma tributária representa tanto um desafio quanto uma oportunidade para o setor de insumos. A reestruturação na tributação poderá afetar diretamente o fluxo financeiro de produtores e distribuidores. Apesar disso, a unificação e simplificação dos tributos prometem facilitar a gestão contábil e financeira.

Durante o período de transição, um controle rigoroso de caixa e custos será necessário. Nesse contexto, a diversificação de crédito, por meio de operações securitizadas, ganha relevância ao permitir condições de pagamento mais flexíveis e melhor alinhadas ao ciclo agrícola, contribuindo para o aumento das vendas, fidelização de clientes e gestão eficiente de estoques.

Parcerias com fintechs e uso de tecnologia para análise de risco

A colaboração entre distribuidores e o mercado financeiro tem estimulado uma nova onda de inovação no agronegócio. O uso de inteligência artificial para o monitoramento das lavouras em tempo real, aliado ao desenvolvimento de produtos como CRAs temáticos, operações de barter e fundos voltados a nichos específicos, tem ampliado a oferta de crédito de forma personalizada e sustentável.

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Sustentabilidade como vetor de crescimento e crédito verde

O avanço dos investimentos sustentáveis também reflete no setor. A monetização da agropecuária de baixo carbono e o interesse crescente por títulos verdes — impulsionados pela emissão do primeiro CRA Verde em 2016 — abrem novas possibilidades de financiamento.

Para aproveitar essa tendência, os distribuidores precisam incorporar uma visão holística da cadeia produtiva, adotando práticas ambientais sustentáveis e promovendo a capacitação dos produtores. A rastreabilidade, a transparência e o apoio de consultorias especializadas em ESG são determinantes para a estruturação de produtos financeiros mais atrativos e que gerem impactos positivos em toda a cadeia do agronegócio.

Conclusão: um futuro promissor ancorado em inovação e solidez

Diante de um cenário econômico complexo, os distribuidores de insumos reafirmam seu papel estratégico no fortalecimento do agronegócio brasileiro. Ao investir em análise de crédito, diversificação de fontes de financiamento, inovação tecnológica e práticas sustentáveis, essas empresas garantem não apenas a continuidade de suas operações, mas também oferecem ao setor a estabilidade e segurança necessárias para um crescimento sustentável.

A integração cada vez mais sólida com o mercado de capitais moderniza o financiamento agrícola e aponta um caminho promissor para o futuro do agronegócio no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Em ano de El Niño, Mapa recebe da Embrapa 163 medidas para gestão de riscos climáticos no campo

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recebeu um conjunto de 163 medidas sistematizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para apoiar a gestão de riscos climáticos na agropecuária. As recomendações consideram os possíveis impactos associados ao fenômeno El Niño na safra 2026/2027 e também propõem ações permanentes de prevenção, adaptação e redução de riscos no campo.  

A nota técnica foi elaborada no âmbito do Grupo de Trabalho sobre El Niño, instituído pelo Mapa, com a participação de especialistas da Embrapa e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Cerca de 50 profissionais da Embrapa contribuíram para a elaboração das recomendações. 

“Embora motivado pelo El Niño 2026/27, o documento adota uma perspectiva mais ampla de gestão de riscos agroclimáticos, reconhecendo que grande parte das ameaças, vulnerabilidades e medidas analisadas é aplicável também a outros eventos e condições climáticas recorrentes”, afirma a presidente da Embrapa Silvia Massruhá 

Das 163 medidas propostas, 14 são transversais a todo o setor agropecuário, 139 são específicas por segmento produtivo e dez correspondem a ações viabilizadoras ou de apoio a programas de política pública. 

Para o coordenador do Grupo de Trabalho, Bruno Leite, a nota técnica contribui para dimensionar os impactos associados ao El Niño e reúne referências técnicas que podem orientar ações de prevenção e redução de danos. 

Nós já temos um cardápio bastante grande de tecnologias que ajudam a enfrentar o El Niño e eventos climáticos adversos. O desafio agora é fazer com que esse conhecimento chegue ao produtor rural”, disse. 

GRUPO DE TRABALHO APRESENTA RELATÓRIO  

Na próxima quinta-feira (3), o Grupo de Trabalho instituído pela Portaria MAPA nº 928/2026, apresenta relatório com propostas e estratégias de adaptação e mitigação diante do fenômeno El Niño. A nota técnica elaborada pela Embrapa integra uma das frentes de trabalho do grupo.  

Durante o período de atuação, o GT reuniu informações e contribuições de diferentes instituições, entre elas a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Embrapa, o Inmet e secretarias do Mapa. 

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Entre as propostas que serão apresentadas pelo grupo está a implantação de um plano de comunicação coordenado entre as instituições. Paralelamente, o Mapa trabalha na elaboração de uma página especial, vídeos informativos e outros materiais voltados à divulgação de informações sobre riscos climáticos e medidas de prevenção e adaptação.  

MEDIDAS PARA DIFERENTES CADEIAS PRODUTIVAS 

As recomendações da Embrapa estão estruturadas a partir da identificação dos principais riscos e impactos sobre culturas e cadeias produtivas e consideram diferentes formas de tratamento dos riscos, incluindo prevenção, redução de impactos, transferência de riscos e aceitação do risco remanescente. 

As 163 medidas indicam, ainda, o horizonte de implementação – imediato, curto, médio ou longo prazo – e as condições necessárias para sua adoção. 

Entre as medidas transversais estão o monitoramento de previsões meteorológicas e o uso de dados meteorológicos locais; a utilização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc); a diversificação espacial e temporal da produção; a adoção de sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF); a elaboração de planos de contingência para eventos climáticos adversos; a manutenção da infraestrutura da propriedade rural; a avaliação econômica do nível de proteção para cada risco; dimensionamento da capacidade operacional; registro de eventos e impactos climáticos para melhor avaliação sobre as medidas adotadas; avaliação econômica do nível de proteção para cada risco; criação de reservas financeiras; utilização de seguro rural e outros mecanismos de transferência de risco; e capacitação de equipes. 

As recomendações específicas para as cadeias produtivas abrangem temas como manejo do solo, escolha de cultivares, planejamento das operações, estruturas de proteção, drenagem e irrigação. 

O documento também apresenta medidas de caráter institucional, financeiro, científico, tecnológico e de assistência técnica, cuja implementação depende da atuação de instituições públicas e de políticas voltadas à gestão de riscos climáticos. Entre elas estão o fortalecimento e aperfeiçoamento do Zarc, a ampliação de mecanismos de financiamento para adaptação climática, o aperfeiçoamento de instrumentos de transferência de riscos, como o seguro rural, o fortalecimento da assistência técnica e da pesquisa, além do aprimoramento dos sistemas de monitoramento agrometeorológico e da gestão integrada de recursos hídricos. 

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GESTÃO PERMANENTE DE RISCOS 

O coordenador da Rede Zarc e pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, Eduardo Monteiro, destaca que a nota técnica aponta para um desafio que vai além dos efeitos específicos do El Niño: a consolidação de uma política permanente de gestão de riscos agroclimáticos. 

“O principal legado desse grupo de trabalho pode ser a transição de uma lógica predominantemente reativa de gestão de crises para uma cultura permanente de antecipação, preparação, adaptação, monitoramento e aprendizagem”, analisa Monteiro. 

Na prática, a abordagem considera a necessidade de ampliar a capacidade de antecipar, monitorar e responder a diferentes eventos climáticos, como secas, excesso de precipitação, ondas de calor, geadas, tempestades e incêndios. 

IMPACTOS DO EL NIÑO  

A nota técnica apresenta o histórico dos efeitos associados ao El Niño no Brasil e as projeções para 2026. As informações, no entanto, não determinam antecipadamente os impactos sobre cada região, cultura ou sistema produtivo.  

Entre os cenários considerados está a maior probabilidade de precipitação abaixo da média em áreas do Centro-Norte do país e acima da média na Região Sul. O documento considera riscos como atraso ou irregularidade no início da estação chuvosa, chuvas abaixo da média e déficit hídrico prolongado, temperaturas elevadas, chuvas acima da média e tempestades convectivas severas. 

Os impactos e as medidas de gestão são detalhados para diferentes cadeias, incluindo grãos e fibras, fruticultura, silvicultura, olericultura, pastagens e pecuária, culturas industriais e aquicultura. 

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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