BRASÍLIA

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Adeus cartão? Biometria palmar chega ao transporte público

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Crédito: Radar Digital Brasília/IA.

 

O futuro da mobilidade urbana já começou  e ele pode estar literalmente na palma da mão. Tecnologias de autenticação biométrica que antes pareciam restritas aos filmes de ficção científica começam a ganhar espaço em sistemas de transporte público ao redor do mundo, prometendo embarques mais rápidos, seguros e sem contato físico.

A biometria vascular palmar, conhecida internacionalmente como Biometria palmar, surge como uma das principais apostas para substituir cartões, bilhetes físicos e até aplicativos de celular em ônibus, metrôs e terminais de passageiros. A proposta é simples: permitir que o usuário embarque apenas aproximando a mão de um leitor biométrico, com validação instantânea e alta proteção contra fraudes.

Enquanto países como China, Austrália e Estados Unidos já avançam na implementação dessa tecnologia em aeroportos, arenas e sistemas integrados de mobilidade, o Brasil começa a dar os primeiros passos em projetos-piloto voltados ao conceito de Seamless Travel, experiências de viagem mais fluidas, inteligentes e conectadas.

Mas junto com a inovação também surgem questionamentos importantes: até que ponto essas tecnologias são seguras? Como ficam a privacidade e a proteção de dados dos usuários? O transporte público brasileiro está preparado para essa transformação digital?

Para falar sobre os desafios, oportunidades e impactos da biometria palmar na mobilidade urbana, o Radar Digital Brasília entrevista Leonardo Araújo, CEO da Biostation, empresa brasileira especializada em autenticação digital e soluções antifraude baseadas em biometria.

Leonardo Araújo, CEO da Biostation/Foto: arquivo pessoal

 

ENTREVISTA:

Radar Digital Brasília:

  1. A biometria palmar ainda parece algo futurista para muitos brasileiros. Como funciona exatamente essa tecnologia de reconhecimento vascular da palma da mão?

Sr. Leonardo: A tecnologia baseia-se na leitura da estrutura de veias sob a pele. O sensor emite uma luz infravermelha próxima (Near-Infrared). Como a hemoglobina desoxigenada no sangue absorve essa luz, o sensor captura um “mapa” escuro e único da rede vascular da pessoa. Esse desenho interno é convertido instantaneamente em uma chave matemática criptografada. Todo o processo ocorre em milissegundos e sem nenhum contato físico (touchless) — o usuário apenas aproxima a mão do validador.

Radar Digital Brasília:

  1. O que diferencia a biometria palmar de outras tecnologias biométricas já conhecidas, como reconhecimento facial ou impressão digital?

Sr. Leonardo: A principal diferença está na segurança interna e na estabilidade. A impressão digital fica na superfície da pele e pode se desgastar com o tempo ou falhar se a mão estiver suja, suada ou com graxa. O reconhecimento facial, por sua vez, pode ser afetado por iluminação ruim, uso de óculos, bonés ou envelhecimento, além de carregar discussões globais sobre vieses raciais de algoritmos. A biometria palmar ignora fatores externos (sujeira, acessórios, tom de pele) e exige o fluxo sanguíneo ativo, sendo impossível de ser clonada com fotos ou moldes de silicone.

Radar Digital Brasília:

  1. O transporte público lida diariamente com milhões de passageiros e precisa de velocidade. A biometria palmar realmente consegue manter a fluidez do embarque sem gerar filas ou atrasos?

Sr. Leonardo: Sim, perfeitamente. O tempo de captura e validação vascular é de frações de segundo — mais rápido do que o ato de procurar um bilhete no bolso ou esperar a tela do celular focar em um leitor de QR Code. Como o sensor é touchless, o passageiro não precisa pressionar o dedo perfeitamente no vidro; ele simplesmente estende a palma da mão enquanto caminha pela catraca, permitindo um fluxo contínuo conhecido como frictionless boarding (embarque sem fricção).

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Radar Digital Brasília:

  1. Um dos maiores receios da população hoje é a segurança dos dados pessoais. Como a tecnologia Palm Vein protege as informações biométricas dos usuários e atende às exigências da LGPD no Brasil?

Sr. Leonardo: A biometria de veia palmar já parte de uma vantagem importante: ela captura o padrão das veias internas da mão, invisíveis a olho nu e impossíveis de reproduzir com uma foto ou qualquer artifício externo. É uma das modalidades biométricas mais difíceis de falsificar que existem.

Mas a segurança não para na captura. Todo o processo acontece dentro de um HSM pós-quântico — pense como um cofre digital de altíssima segurança, o mesmo padrão usado por bancos centrais no mundo inteiro, mas preparado para resistir inclusive às ameaças tecnológicas que ainda estão por vir. Dentro desse ambiente, a biometria é transformada em um código matemático único e irreversível: ele representa aquela palma de forma precisa, mas não permite reconstruir a imagem original de nenhuma maneira. O dado nunca fica exposto fora desse ambiente protegido.

Em relação à LGPD, seguimos os três pilares que a lei exige para dados sensíveis: consentimento explícito do usuário, finalidade declarada e proteção técnica robusta. Coletamos apenas o necessário, e o dado só existe para aquela função específica.

Radar Digital Brasília:

  1. Especialistas afirmam que esse sistema reduz fraudes no transporte público. Quais são os principais golpes ou irregularidades que a biometria palmar pode ajudar a combater?

Sr. Leonardo: O principal foco é o combate ao uso indevido e à comercialização ilegal de cartões de benefício e gratuidade (idosos, estudantes, pessoas com deficiência ou vale-transporte corporativo). É muito comum o repasse desses cartões de plástico para terceiros. Com a biometria palmar, o benefício é intransferível. Como o mapa vascular é único e exige um corpo vivo, elimina-se o golpe do “empréstimo” do cartão e o uso de falsificações na catraca.

Radar Digital Brasília:

  1. Em países como China, Austrália e Estados Unidos, essa tecnologia já está mais consolidada. O que o Brasil ainda precisa superar para atingir esse mesmo nível de implementação?

Sr. Leonardo: O Brasil precisa superar dois pilares principais: escala de investimento e padronização de cadastro. O ecossistema de transporte brasileiro é massivo e fragmentado entre milhares de empresas de ônibus e operadoras de trilhos. Atualizar essa infraestrutura de validadores exige investimentos coordenados. Além disso, criar uma base de dados biométrica unificada e descentralizada para que o passageiro se cadastre uma única vez e consiga circular por diferentes modais e cidades é o grande passo regulatório e logístico necessário.

Radar Digital Brasília:

  1. Existe resistência cultural por parte dos usuários quando uma nova tecnologia biométrica é apresentada? Como vocês trabalham a confiança da população nesse processo?

Sr. Leonardo: A resistência geralmente nasce do desconhecimento. Quando o usuário entende que o sistema não está invadindo sua privacidade (como câmeras que o filmam à distância no reconhecimento facial) e sim exigindo um ato voluntário (estender a mão), a percepção muda. Trabalhamos a confiança por meio da transparência pedagógica: demonstrando o ganho de tempo no dia a dia, a segurança sanitária de não precisar tocar em superfícies públicas e a garantia absoluta de que seus dados estão protegidos e criptografados.

Radar Digital Brasília:

  1. Além do transporte público, quais outros setores no Brasil têm potencial para utilizar a biometria palmar nos próximos anos?

Sr. Leonardo: O potencial é gigantesco em mercados de alta segurança e alta rotatividade. Destacam-se o setor bancário (saques em caixas eletrônicos sem cartão), saúde (identificação inequívoca de pacientes em hospitais e pronto-socorros), portos e aeroportos (acesso a recintos alfandegados e áreas restritas), grandes eventos (entrada de shows e estádios de futebol para coibir o cambismo) e o controle de acesso corporativo ou residencial de alto padrão.

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Radar Digital Brasília:

  1. Hoje já vemos aeroportos investindo em experiências de “viagem sem interrupções”. Você acredita que o conceito de Seamless Travel pode transformar completamente a mobilidade urbana brasileira?

Sr. Leonardo: Sem dúvida. O conceito de Seamless Travel (viagem sem costuras ou interrupções) redefine a relação do cidadão com a cidade. Na mobilidade urbana, isso significa que a jornada do passageiro deixa de ser fragmentada. Ele sai do ônibus, entra no metrô e valida um patinete elétrico usando apenas a sua identidade, sem precisar fazer três pagamentos diferentes ou carregar três cartões. A biometria é o fio condutor que unifica e viabiliza essa experiência integrada de ponta a ponta.

Radar Digital Brasília:

  1. A biometria palmar pode representar também inclusão digital para pessoas que têm dificuldade com aplicativos, cartões ou smartphones?

Sr. Leonardo: Este é um dos lados mais nobres dessa tecnologia. Idosos, pessoas com baixa alfabetização digital ou cidadãos que não possuem smartphones topo de linha encontram barreiras severas no modelo atual de aplicativos e QR Codes. A biometria palmar nivela o acesso: ela transforma o próprio corpo do cidadão na sua credencial. Não há senhas para esquecer, telas para travar ou cartões para perder. É a tecnologia mais democrática disponível.

Radar Digital Brasília:

  1. Quais são os maiores desafios técnicos e operacionais para implantar esse tipo de tecnologia em ônibus, metrôs e terminais brasileiros?

Sr. Leonardo: Tecnicamente, o desafio é a conectividade em tempo real. Os validadores de ônibus urbanos circulam por áreas com sombras de sinal de internet (3G/4G/5G). O sistema precisa de algoritmos inteligentes e hardware de borda (edge computing) capazes de fazer validações ultrarrápidas de forma híbrida (online e offline). Operacionalmente, gerenciar o recadastramento de milhões de usuários sem gerar filas nos postos físicos é um desafio de engenharia de processos.

Radar Digital Brasília:

  1. Na sua visão, como será a experiência do passageiro no transporte público daqui a dez anos com o avanço da inteligência artificial, biometria e autenticação digital?

Sr. Leonardo: Daqui a dez anos, o transporte público será invisível do ponto de vista de cobrança e fricção. O conceito de “pagar a passagem” sumirá da experiência imediata. Através da inteligência artificial preditiva conectada à biometria e ao Drex (moeda digital brasileira), as catracas abrirão dinamicamente à medida que o passageiro se aproxima. O sistema calculará automaticamente a rota feita e cobrará a tarifa mais barata e justa por trecho percorrido, de forma integrada, inteligente e sem que o usuário precise tocar em nada além do próprio destino.

Radar Digital Brasília:

  1. Estamos caminhando para um mundo cada vez mais automatizado. Como equilibrar inovação tecnológica, privacidade e confiança humana sem transformar a mobilidade em um ambiente excessivamente monitorado?

Sr. Leonardo: O segredo está no consentimento e na finalidade. Tecnologias como o reconhecimento facial de segurança pública monitoram o ambiente de forma passiva, o que gera o debate sobre o “Estado vigilante”. A biometria palmar propõe o oposto: ela é uma tecnologia de ação consciente. O usuário decide interagir com o sensor para obter um benefício direto (entrar no transporte mais rápido). Ao descentralizar a validação para um ato voluntário do cidadão e manter a proteção rígida dos dados, colhemos todos os frutos da automação sem cruzar a linha da invasão de privacidade.

 

 

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ECONOMIA

Claudio Gonçalves destaca no programa Chega Mais Vale, do SBT, que inclusão racial é caminho para revelar talentos nas empresas

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No último dia 24 de julho, o empresário Claudio Gonçalves participou do programa Chega Mais Vale, exibido pelo SBT e apresentado por Vinicius Valverde, para abordar a importância da inclusão racial no ambiente corporativo e defender que as empresas ampliem as oportunidades para profissionais de diferentes origens.

Sócio-fundador do Espaço da Audição e idealizador do Podcast Arte de Vencer, Claudio explicou durante o Chega Mais Vale, do SBT, que a inclusão racial deixou de ser apenas uma pauta ligada à responsabilidade social e passou a fazer parte da estratégia das organizações que desejam crescer de forma sustentável, inovadora e competitiva.

Segundo o empresário, a diversidade contribui para a formação de equipes mais criativas, amplia a troca de experiências e fortalece a capacidade das empresas de encontrar soluções para os desafios do mercado. Para ele, o primeiro passo para uma inclusão efetiva é reconhecer o potencial das pessoas sem que fatores como cor da pele ou condição social sejam obstáculos para o desenvolvimento profissional.

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“Muita gente me pergunta sobre inclusão, mas eu sempre respondo de forma simples: é olhar para as pessoas como seres humanos. Acho que isso facilita. Independentemente da cor da pele ou da condição social, todas as pessoas têm talento”, afirmou durante entrevista ao Chega Mais Vale, do SBT.

Claudio também ressaltou que a inclusão vai muito além do cumprimento de cotas. Na sua avaliação, o grande desafio das empresas é criar oportunidades reais para que profissionais possam demonstrar suas habilidades e construir uma trajetória de crescimento.

“Eu nunca vi alguém dizer que quer uma oportunidade apenas por causa de uma cota. As pessoas querem uma oportunidade para mostrar o seu potencial. As empresas precisam desenvolver lideranças capazes não só de administrar talentos, mas também de encontrá-los”, disse.

Durante a entrevista exibida pelo grupo TH+ SBT Vale, o empresário chamou atenção para o potencial existente nas periferias brasileiras e destacou que milhares de pessoas possuem capacidade para ocupar posições de destaque, desde que tenham acesso à qualificação e às oportunidades necessárias.

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“Hoje há muitos talentos nas periferias, pessoas que só precisam de uma oportunidade. Se a empresa tiver paciência para oferecer as condições de aprendizado, tenho certeza de que encontrará profissionais brilhantes. Essa é a experiência que vivi como empresário. Na minha equipe, por exemplo, tenho um head de marketing e um assessor de imprensa e comunicação que tiveram oportunidades de crescimento e hoje desempenham um trabalho de excelência”, concluiu.

Ao longo da participação no programa Chega Mais Vale, do SBT, Claudio Gonçalves reforçou que investir em inclusão racial significa investir em pessoas, fortalecer a cultura organizacional e contribuir para um mercado de trabalho mais diverso, justo e preparado para os desafios do futuro.

Assista a entrevista completa através do canal do SBT no You Tube:

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