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Feliz Hoje...

A vida precisa de pausas

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(Imagem criada com IA – ChatGPT)

“Seis horas da manhã. O despertador toca e eu pulo da cama ainda sonolenta. Preparo o café da manhã, levo as crianças para a escola, tenho uma reunião com um cliente às 10h, almoço, levo as crianças para o inglês e para a natação, vou para a academia, depois tenho meu curso de aperfeiçoamento… Enquanto espero o semáforo abrir, encontro alguns segundos de silêncio e me pergunto: quando terei alguns minutos para mim? Sem fazer nada. Apenas existir?”

Ana, 35 anos, me contou isso com a voz embargada quando chegou ao meu consultório pela primeira vez. Ela estava cansada, mas não era apenas um cansaço físico. Era uma exaustão que parecia ter alcançado lugares mais profundos. Sentia-se soterrada pelas obrigações, pelos compromissos, pelas expectativas e por tudo aquilo que precisava fazer todos os dias.

Sua agenda estava cheia. Sua cabeça também. Mas, em meio a tantos compromissos, havia uma ausência que começava a pesar mais do que todas as outras: faltava tempo para ela mesma.

Ana precisava de uma pausa.

Não simplesmente de algumas horas livres na agenda, mas de algo mais profundo. Precisava respirar, silenciar, reorganizar os pensamentos e voltar a perceber o que sentia. Precisava, por alguns instantes, deixar de responder às demandas do mundo para conseguir escutar as próprias demandas.

E talvez essa história não seja apenas de Ana.

Talvez, em algum momento, você também tenha se reconhecido nela.

Vivemos em uma época em que estar ocupado parece ter se transformado em uma espécie de medalha. Estamos sempre trabalhando, estudando, produzindo, cuidando da casa, dos filhos, dos outros, respondendo mensagens, acompanhando notícias, planejando o próximo compromisso e pensando no que ainda precisa ser resolvido.

E quando finalmente temos alguns minutos livres, muitas vezes sentimos culpa por não estarmos fazendo alguma coisa. Até o descanso parece precisar caber na agenda.

É aí que talvez estejamos esquecendo algo essencial: somos humanos, não máquinas.

Precisamos de movimento, mas também precisamos de silêncio. Precisamos produzir, mas também precisamos contemplar. Precisamos caminhar, mas também precisamos parar. Precisamos estar com os outros, mas também precisamos estar conosco.

A pausa que quase nunca damos a nós mesmos

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Estamos tão envolvidos com nossas demandas profissionais, familiares e sociais que, muitas vezes, deixamos o autoconhecimento para depois.

Depois eu descanso.

Depois eu penso nisso.

Depois eu vejo o que estou sentindo.

Depois eu cuido de mim.

O problema é que esse “depois” pode durar meses. Às vezes, anos. E, enquanto adiamos o encontro com nós mesmos, vamos acumulando cansaço, pensamentos, emoções e perguntas que não encontram espaço para serem ouvidas.

A pausa pode ser justamente esse espaço. Um pequeno intervalo entre aquilo que acontece fora de nós e aquilo que acontece dentro.

Quando diminuímos o ritmo, começamos a perceber coisas que a velocidade do cotidiano não nos permite enxergar. Um incômodo que vinha sendo ignorado, uma tristeza que não teve tempo de ser sentida, um desejo que ficou esquecido, uma escolha que já não faz sentido ou uma necessidade que há muito tempo pede atenção.

A pausa não necessariamente resolve tudo.

Mas ela nos permite escutar.

E, às vezes, ouvir a si mesmo é o primeiro passo para começar a mudar alguma coisa.

O silêncio também fala

Vivemos cercados de estímulos. Sons, imagens, notificações, conversas, informações, opiniões e tarefas chegam até nós o tempo inteiro. É tanta coisa acontecendo simultaneamente que, em alguns momentos, podemos esquecer como é simplesmente ficar em silêncio.

Silenciar a mente não significa deixar de pensar. Significa criar espaço para que os pensamentos possam se organizar. É nesse espaço que podemos reconhecer emoções, compreender sentimentos e talvez ressignificar experiências que ficaram mal elaboradas dentro de nós.

A pausa nos devolve algo precioso: presença.

Presença para perceber o que estamos vivendo, quem estamos nos tornando e se a vida que estamos construindo ainda conversa com aquilo que desejamos viver.

Mas como fazer essa pausa?

Não existe uma fórmula única. Cada pessoa encontrará a sua maneira.

Pode ser uma meditação, uma prática de yoga, uma terapia, uma experiência integrativa, um momento de leitura, uma caminhada no parque, uma xícara de café tomada sem pressa, alguns minutos olhando pela janela, uma música, um banho demorado ou simplesmente o ato de sentar em silêncio e respirar.

A forma pouco importa.

O essencial é permitir-se parar.

Não é preciso viajar para longe, abandonar tudo ou promover uma grande mudança na vida. Às vezes, precisamos apenas de alguns minutos em que não sejamos responsáveis por nada além de estar presentes.

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A pausa não é perda de tempo

Talvez essa seja uma das ideias mais difíceis de aceitar.

Parar não significa ser improdutivo. Descansar não significa preguiça. Silenciar não significa deixar de fazer algo importante.

Ao contrário.

Uma pausa pode devolver clareza, renovar nossa energia, reorganizar pensamentos e nos permitir enxergar uma situação por outro ângulo. Pode também nos lembrar de quem somos quando não estamos ocupados desempenhando todos os papéis que a vida nos atribuiu.

Porque existe uma diferença entre estar vivendo e simplesmente estar dando conta.

Dar conta de tudo não significa necessariamente estar bem.

Talvez uma vida equilibrada não seja aquela em que conseguimos cumprir todas as tarefas, mas aquela em que conseguimos reservar algum espaço para nós mesmos dentro de tudo aquilo que precisamos fazer.

Ana precisava aprender isso.

E talvez muitos de nós também precisemos.

A vida não é uma corrida que precisamos vencer todos os dias. Existem momentos de movimento e momentos de repouso. Existem chegadas e partidas, dias de sol e dias de chuva. A própria natureza respeita seus ciclos. As árvores não têm pressa de florescer, o mar recua antes de avançar novamente e até o coração trabalha em um ritmo feito de contração e relaxamento.

Talvez nós também precisemos aprender com esses movimentos.

Há momentos em que seguir em frente significa simplesmente parar.

Então, permita-se.

Pare um pouco.

Respire.

Escute-se.

Observe seus pensamentos.

Reconheça suas emoções.

Pergunte a si mesmo do que você precisa.

Talvez você descubra que, antes de continuar correndo, precisava apenas de um instante para lembrar para onde estava indo.

Dê esse presente a você.

Descubra o poder da pausa.

Porque, às vezes, é no silêncio entre um passo e outro que conseguimos finalmente ouvir a nossa própria voz.

Por Giorgia Barreto
Educadora, comunicadora, artista visual e terapeuta

Porque talvez a pausa que tanto procuramos no mundo seja, na verdade, o espaço que precisamos criar dentro de nós para voltar a ouvir quem somos.

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Feliz Hoje...

Quando acolher o que é abre caminho para o que pode ser

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Quando acolher o que é abre caminho para o que pode ser

Você já desejou profundamente que sua vida fosse diferente? Talvez exista um projeto que ainda não saiu do papel, um relacionamento que você gostaria que tivesse tomado outro rumo, um trabalho que já não faça sentido ou um sonho que continua guardado em algum lugar dentro de você. Talvez exista apenas aquela sensação incômoda de que a vida que você está vivendo hoje não corresponde àquilo que imaginou para si.

Quando percebemos essa distância entre o que somos e o que gostaríamos de ser, é comum surgir a frustração. Começamos a olhar para o presente como se ele fosse um erro e passamos a pensar no que deveria ter acontecido, no que não aconteceu, no que perdemos e no tempo que passou. Sem perceber, podemos transformar a própria vida em uma batalha permanente contra a realidade.

Mas talvez exista outro caminho: acolher o ponto em que estamos.

E, antes que você pense que estou falando em se conformar, deixe-me explicar.

Aceitar não é desistir

Existe uma diferença enorme entre aceitação e acomodação. Acomodar-se é abandonar a possibilidade de mudança porque acreditamos que não vale mais a pena tentar. Aceitar é reconhecer honestamente onde estamos, sem precisar fingir que tudo está bem, mas também sem transformar aquilo que não está bem em uma sentença definitiva.

É conseguir dizer: “É aqui que estou.”

Não para permanecer aqui para sempre, mas para descobrir, com mais clareza, para onde queremos ir.

É muito difícil transformar aquilo que não conseguimos enxergar. Às vezes, passamos tanto tempo negando o que sentimos que gastamos toda a nossa energia tentando sustentar uma realidade que já não existe.

A aceitação interrompe essa luta. Ela nos permite deixar de perguntar apenas por que a vida não está acontecendo como imaginamos e começar a perguntar:

“O que posso fazer a partir daqui?”

O presente não precisa ser perfeito para ser vivido

Talvez você esteja atravessando uma fase que não escolheu. Uma perda, uma mudança, uma dificuldade financeira, uma frustração profissional, o fim de um relacionamento ou uma espera que parece não ter fim.

Aceitar essa realidade não significa gostar dela. Também não significa considerar justo aquilo que aconteceu. Significa reconhecer que aconteceu.

E existe uma força enorme nesse reconhecimento.

Enquanto lutamos internamente contra aquilo que já está posto, ficamos presos ao passado. Quando aceitamos a realidade, começamos a recuperar energia para construir o próximo passo.

É como tentar nadar contra uma correnteza. Podemos passar horas usando toda a nossa força apenas para permanecer praticamente no mesmo lugar. Quando percebemos a direção da água, talvez possamos escolher outro movimento.

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A aceitação não muda necessariamente a correnteza.

Mas pode mudar a maneira como navegamos.

E os nossos sonhos?

Aceitar o presente não significa abandonar nossos sonhos. Muito pelo contrário. Às vezes, é justamente quando deixamos de lutar desesperadamente contra o presente que conseguimos olhar para o futuro com mais clareza.

Podemos continuar desejando, planejando, criando, estudando, tentando e recomeçando, mas sem transformar o sonho em uma exigência de que tudo aconteça exatamente como imaginamos.

A vida raramente segue nossos roteiros. E talvez isso não seja necessariamente ruim.

Existem caminhos que ainda não conhecemos, pessoas que ainda não encontramos e possibilidades que ainda não conseguimos imaginar. Nem tudo aquilo que desejamos acontecerá da maneira que esperamos, e aprender a lidar com isso também faz parte do amadurecimento.

Às vezes, a vida não entrega exatamente aquilo que pedimos, mas nos coloca diante de possibilidades que jamais teríamos considerado.

Quando a frustração toma conta

Frustração faz parte da vida. Todos nós já desejamos alguma coisa que não aconteceu. O problema começa quando uma frustração deixa de ser uma experiência e passa a definir nossa identidade.

“Eu fracassei.”

“Minha vida não deu certo.”

“É tarde demais.”

“Eu nunca vou conseguir.”

São pensamentos que podem aparecer quando estamos machucados, mas pensamentos não são necessariamente fatos.

Uma situação difícil não resume uma existência inteira. Um projeto que não deu certo não significa que você seja incapaz. Um relacionamento que terminou não significa que você não seja digno de amor. Uma oportunidade perdida não significa que todas as portas tenham se fechado.

Às vezes, precisamos apenas parar de transformar um capítulo difícil em uma história completa.

Aceitar também é acolher quem somos hoje

Existe uma cobrança silenciosa para que sejamos sempre melhores: mais produtivos, mais bonitos, mais bem-sucedidos, mais organizados, mais felizes. Como se a pessoa que somos hoje fosse apenas uma versão provisória que precisa ser rapidamente substituída por uma versão melhor.

Mas e se, por alguns instantes, pudéssemos olhar para nós mesmos com mais gentileza?

Você fez o melhor que conseguiu com os recursos que tinha naquele momento. Talvez hoje saiba coisas que não sabia antes. Talvez tenha amadurecido. Talvez tenha errado. Talvez ainda esteja tentando descobrir quem é.

Tudo isso faz parte.

Aceitar quem somos hoje não significa deixar de desejar crescimento. Significa não precisar odiar a pessoa que somos agora para nos tornarmos quem desejamos ser.

A mudança começa quando paramos de fugir de nós mesmos

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Talvez essa seja uma das grandes contradições da vida. Queremos mudar, mas muitas vezes não conseguimos aceitar o ponto de partida.

Queremos uma vida diferente, mas não queremos olhar para aquilo que precisa ser transformado. Queremos novos relacionamentos, mas não queremos reconhecer nossos padrões. Queremos novas oportunidades, mas não queremos admitir nossos medos. Queremos paz, mas continuamos alimentando conflitos internos.

A aceitação cria espaço.

Espaço para perceber, compreender, escolher e mudar.

E talvez seja por isso que ela seja tão poderosa. Não porque tenha o poder mágico de transformar imediatamente aquilo que desejamos, mas porque nos devolve algo fundamental: a possibilidade de agir conscientemente sobre a própria vida.

O que está sob seu controle?

Talvez você não possa mudar o passado. Não possa controlar o comportamento de outra pessoa, decidir quando uma oportunidade surgirá ou impedir todas as perdas. Também não pode garantir que seus planos acontecerão exatamente como imaginou.

Mas pode escolher algumas coisas.

Pode escolher como responder. Onde colocar sua energia. Quais relações deseja cultivar. Pode buscar ajuda, aprender, mudar de direção, começar novamente, cuidar de si e dar um pequeno passo.

Talvez seja disso que a transformação realmente precise.

Não de uma grande revolução de um dia para o outro, mas de pequenas escolhas conscientes repetidas ao longo do tempo.

Acolher o presente não significa dizer: “Minha vida será sempre assim.”

Significa dizer:

“Esta é a realidade que tenho diante de mim hoje. E, a partir dela, posso escolher o próximo passo.”

Talvez você ainda não esteja onde gostaria de estar. Tudo bem. Talvez o sonho ainda esteja distante. Tudo bem, também.

Você não precisa transformar a sua vida inteira hoje.

Comece olhando para ela com honestidade. Sem negar, sem romantizar e sem se punir. Reconheça o ponto em que está. Respire. Observe. E então pergunte a si mesmo:

“O que posso fazer, a partir daqui, para me aproximar da vida que desejo viver?”

Talvez a resposta não venha imediatamente. Talvez precise de tempo. Mas quando deixamos de gastar toda a nossa energia desejando estar em outro lugar, começamos finalmente a ter energia para caminhar.

E talvez esse seja o verdadeiro sentido da aceitação:

não desistir do que pode ser, mas fazer as pazes com aquilo que é.

Por Giorgia Barreto
Educadora, comunicadora, artista visual e terapeuta

Porque talvez acolher o presente não seja renunciar aos nossos sonhos, mas encontrar, dentro da realidade de hoje, o primeiro caminho possível para chegar até eles.

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