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Fraternidade Sem Fronteiras intensifica atendimento emergencial a crianças desnutridas no Sul de Madagascar

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Cinco mil crianças em estado grave recebem tratamento nutricional, enquanto número de casos cresce diariamente diante da seca prolongada

A Organização humanitária Fraternidade Sem Fronteiras (FSF) reforça a atuação emergencial no Sul da ilha de Madagascar, na África, diante do agravamento da crise alimentar que atinge milhares de famílias. Atualmente, cinco mil crianças em estado de desnutrição recebem atendimento especializado nos centros nutricionais da organização, além de outras 11 mil crianças alimentadas diariamente.

A situação é crítica. Todos os dias, em média, 15 crianças, entre um e cinco anos de idade, chegam aos centros nutricionais em condições extremamente vulneráveis. Em muitos casos, bebês de um ano pesam menos de três quilos, evidenciando o nível severo da desnutrição. As famílias chegam diariamente na tentativa de garantir uma chance de sobrevivência para os filhos.

A crise se intensificou nos últimos meses. Sem chuvas há cerca de dois meses, a escassez de alimentos se agravou, ampliando rapidamente o número de casos. Muitas dessas crianças já estão em acompanhamento desde 2024, mas o cenário se agravou em 2025 e continua em crescimento.

Além da alimentação básica, as crianças em estado mais grave recebem tratamento nutricional específico, com fórmulas, além de medicamentos, soro e cuidados essenciais para a recuperação.

Cateriou, 6 meses, 4kg

Um dos casos recentes atendidos pela Clínica Médica da FSF em Madagascar foi o bebê de seis meses, Cateriou, que chegou com quatro quilos, quadro de desnutrição severa, diarréia e tosse.

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Para essa idade, o peso normal, segundo referências da Organização Mundial da Saúde, varia entre 6,5 kg e 9,2 kg. Em média, meninos pesam cerca de 7,9 quilos e meninas 7,3 quilos.

O menino, acompanhado da mãe, segue internado para receber a primeira etapa do tratamento. Depois de reavaliado, ele seguirá com as próximas etapas do tratamento com fórmulas nutricionais. A equipe médica da FSF acompanhará toda a evolução.

“Mesmo depois de anos de atuação, ainda nos deparamos com situações que nos atravessam profundamente. São crianças muito pequenas, em estado extremo de desnutrição, que chegam todos os dias buscando uma chance de sobreviver. Quando olhamos para essa realidade, é impossível não refletir sobre as escolhas do mundo. Enquanto isso não muda, seguimos fazendo o que está ao nosso alcance. Enquanto o sol não vem, acendemos uma vela na escuridão. E hoje, essa vela é o gesto de cada pessoa que decide ajudar”, afirma o fundador-presidente da FSF e ativista social, Wagner Moura Gomes.

Campanha 1 Real, 1 Prato de comida 

Diante desse cenário, a Fraternidade Sem Fronteiras reativou a campanha emergencial “1 Real = 1 prato de comida”, com o objetivo de garantir a continuidade dos atendimentos. A necessidade atual é de 15 mil dólares por mês, durante quatro meses, para manter a alimentação e o tratamento das crianças atendidas.

Para alcançar o maior número de pessoas, a FSF encontrou em um suplemento alimentar a opção mais rápida e eficaz para amenizar o sofrimento de quem está com fome.  Koba é um suplemento alimentar feito com farinha a partir de cereais enriquecido com potássio, ferro e vitamina A. Pode ser usado a partir dos seis meses de idade e equivale a uma refeição. Para ficar pronto o suplemento precisa ser misturado em um copo de água quente.

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Cada suplemento custa apenas R$1. Ou seja, a cada 1 real doado é possível oferecer uma refeição para uma pessoa.

As doações são por meio do PIX da FSF: [email protected].

Projeto Ação Madagascar – desde 2017, a Fraternidade Sem Fronteiras trabalha no combate à desnutrição no sul da ilha de Madagascar com 14 centros de acolhimento que oferecem atendimentos médicos, 345 mil refeições por mês e tratamentos nutricionais. Ao apadrinhar o projeto Ação Madagascar você contribui mensalmente para a transformação de vidas. O apadrinhamento garante a sustentabilidade do projeto e permite que uma nova criança seja acolhida pela FSF.

Sobre a Fraternidade Sem Fronteiras – A FSF é uma Organização humanitária e Não-Governamental, com sede em Campo Grande (MS) e atuação brasileira e internacional em nove países, em alguns dos lugares mais pobres do planeta, com esperança e profundo desejo de ajudar, acabar com a fome e construir um mundo de paz. A instituição possui 77 polos de trabalho, mantém centros de acolhimento, oferece alimentação, saúde, formação profissionalizante, educação, cultivo sustentável, construção de casas e ainda, abraça projetos de crianças com divergências neurais e doenças raras. Todos os trabalhos são mantidos por meio de doações e principalmente pelo apadrinhamento com valor a partir de R$35. Mais informações podem ser obtidas pelo site http://www.fraternidadesemfronteiras.org.br.

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Kwibuka32 na CLDF marca memória, respeito e reflexão sobre o genocídio em Ruanda

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A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) sediou, na manhã desta terça-feira (7/4), a cerimônia oficial do Kwibuka32, que marca os 32 anos do genocídio de 1994 contra os tutsi em Ruanda. O evento, realizado em parceria com a Embaixada de Ruanda, reuniu parlamentares, diplomatas, acadêmicos, representantes do governo brasileiro e da sociedade civil em um ato de memória, reflexão e reafirmação do compromisso com a prevenção de novas atrocidades.


Em nome do governo e do povo de Ruanda, o embaixador agradeceu à deputada Doutora Jane e aos membros da CLDF pela “graciosa acolhida” e pelo apoio à realização da solenidade. Também participaram o decano do Corpo Diplomático Africano, embaixador de Camarões, Martin Agbor Mbeng; o representante da Secretaria para África e Oriente Médio do Itamaraty, conselheiro Márcio dos Anjos; embaixadores e embaixatrizes, além de servidores de órgãos do governo brasileiro.
Foram destacados ainda como convidados o professor Jean Pierre Karegeye, que viajou especialmente para o evento, e Jeanne Celestine Lakin, sobrevivente do genocídio, cujo depoimento em vídeo foi exibido como testemunho pessoal e instrumento de preservação da memória.
A cerimônia integra o calendário internacional do Kwibuka — palavra em kinyarwanda que significa “lembrar” — e coincide com o Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio contra os Tutsi em Ruanda, estabelecido pela Organização das Nações Unidas.

Genocídio planejado: décadas de discriminação e desumanização
Em seu discurso, o embaixador ressaltou que o genocídio de 1994 “não foi um surto repentino de violência”, mas o resultado de décadas de divisão, discriminação e desumanização sistematicamente enraizadas na sociedade ruandesa.
Ele lembrou que as bases do genocídio remontam ao período colonial, quando identidades foram formalizadas e politizadas, estabelecendo estruturas de exclusão e desigualdade. A partir de 1959, repetidos ciclos de violência e perseguição forçaram muitos tutsi ao exílio. Nas décadas seguintes, práticas discriminatórias e narrativas de ódio foram institucionalizadas e normalizadas, configurando um sistema comparável a um regime de apartheid.
No início dos anos 1990, esse cenário se transformou em uma estrutura organizada, sustentada por propaganda extremista, milícias e preparação deliberada da violência, culminando no genocídio contra os tutsi. Em cerca de cem dias, mais de um milhão de pessoas foram assassinadas, deixando o país devastado, comunidades destruídas e “a própria humanidade testada em seu núcleo”, nas palavras do representante ruandês.

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Reconstrução, reconciliação e “Nunca mais” como política de Estado
O embaixador destacou que as reflexões sobre o passado estão diretamente ligadas ao caminho trilhado por Ruanda desde 1994. Após o fim do genocídio, em julho daquele ano, com a vitória da Frente Patriótica Ruandesa, o país se viu diante de um dilema decisivo: optar pela vingança ou por uma rota diferente.
“Ruan¬deses escolheram a unidade, a reconciliação e a construção nacional”, afirmou. Essa escolha se materializou na criação do Governo de Unidade Nacional, em julho de 1994, com o compromisso de reconstruir o país com base na inclusão e na coesão, rompendo com as divisões que haviam conduzido à tragédia.
Ao longo dos anos, essa orientação foi traduzida em políticas concretas, como a criação, em 1999, da Comissão Nacional de Unidade e Reconciliação, focada em diálogo e coesão social, e a implementação, em 2002, dos tribunais comunitários de Gacaca, que permitiram um modelo de justiça participativa, com responsabilização e envolvimento direto das comunidades.
Segundo o embaixador, a Ruanda de hoje demonstra que a recuperação é possível, mesmo após um trauma dessa magnitude, quando há liderança comprometida, instituições fortes e foco em coesão social. Ele acrescentou, porém, que a vigilância precisa ser permanente, pois os fatores que levam ao genocídio podem reaparecer se não forem enfrentados: “Em Ruanda, ‘Nunca Mais’ não é apenas um slogan, mas um compromisso duradouro”, disse, lembrando declaração do presidente Paul Kagame, durante o Kwibuka21, de que “Ruanda mudou para melhor e para sempre”.

 

Falhas da comunidade internacional e riscos atuais na região dos Grandes Lagos
Diante de parlamentares e representantes do governo brasileiro, o embaixador afirmou que o Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio contra os Tutsi não é uma questão apenas de Ruanda, nem um fardo exclusivo de sobreviventes. Segundo ele, a presença de autoridades brasileiras e diplomatas na CLDF demonstra que “lembrança e responsabilidade são partilhadas pela comunidade internacional”.
O diplomata chamou atenção para perguntas que continuam a desafiar governos e instituições: se as lições daquela história foram realmente aprendidas, se a “responsabilidade de proteger” em situações de crimes contra a humanidade está sendo cumprida e se as instituições estão preparadas para agir com rapidez diante de riscos evidentes.
Ele lembrou que, em 1994 e nos anos anteriores, havia sinais claros de alerta, mas a comunidade internacional falhou em agir. “Não se nomeou o crime, não se impediu o genocídio. A história registrará para sempre esse fracasso”, afirmou, destacando que essa omissão deve servir de lição para situações atuais.
O embaixador citou, em particular, a instabilidade no leste da República Democrática do Congo e a atuação de grupos armados, incluindo a FDLR, organização criada por perpetradores do genocídio contra os tutsi, como motivo de preocupação permanente. Ele mencionou a persistência de ideologias extremistas e narrativas de divisão dirigidas contra comunidades tutsi na região, como os Banyamulenge, que seguem alimentando episódios de violência, perseguição e deslocamentos.

Desinformação, negação e o papel do Brasil na prevenção de atrocidades
Outro ponto central do discurso foi o alerta contra a distorção histórica e a negação do genocídio. De acordo com o embaixador, a prevenção exige clareza sobre o significado jurídico de genocídio: a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso.
“Esforços de negar ou minimizar o que ocorreu em 1994 ferem a dignidade das vítimas e dos sobreviventes e enfraquecem as bases da prevenção”, afirmou. Na era digital, acrescentou, a disseminação rápida de desinformação e discursos de ódio torna o desafio ainda mais complexo, reforçando a necessidade de educação, memória e responsabilidade no espaço público.
O representante ruandês defendeu investimentos contínuos em educação, diálogo, fortalecimento institucional e cooperação internacional. Ele ressaltou o papel de países como o Brasil, que têm tradição de diálogo e atuação multilateral, no apoio a iniciativas pela paz, pela compreensão mútua e pela prevenção de atrocidades em massa.
O embaixador também agradeceu especialmente a Brasília, São Paulo e Goiânia pela criação, em parques públicos, dos monumentos Chama da Esperança, em memória das vítimas do genocídio contra os tutsi. Segundo ele, esses gestos são “sinais concretos de solidariedade com o povo de Ruanda e de compromisso compartilhado com a lembrança e com o ‘nunca mais’”.
Ao encerrar a cerimônia na CLDF, o diplomata agradeceu a presença de todos, classificando-a como prova de solidariedade com Ruanda e de compromisso comum com a memória e a prevenção de genocídios.

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